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Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 2982 Clero e religiosos Vol. III · pp. 225–226 2 min de leitura

Portugal (D. Martinho de)

Biografia de D. Martinho de Portugal (falecido em 1547), segundo prelado da diocese e primeiro e único arcebispo do Funchal, parente e conselheiro de D. João III e diplomata em Roma. Nunca visitou a sua arquidiocese, que existiu de 1533 a 1551, tendo enviado em seu lugar um bispo titular e visitadores.

Portugal (D. Martinho de)

Vida, cargos e arcebispado

Foi o segundo prelado desta diocese e o primeiro e único arcebispo do Funchal. Embora por bastardia pertenceu a uma das mais antigas e nobre famílias do reino, sendo próximo parente do monarca D. João III, de quem foi valido e conselheiro. Nasceu em Évora no ultimo quartel do século XV e morreu em Lisboa a 15 de Novembro de 1547.

Não sabemos se foi devido ás suas relações pessoais e parentesco com a casa real ou aos meritos proprios que porventura possuisse que exerceu os mais altos cargos e desempenhou importantes missões diplomáticas, como representante de D. João III, em Roma, e núncio e embaixador do papa, em Lisboa, além de ter sido bispo de Viseu e haver ocupado outros elevados cargos na corte. Foi um dos diplomatas que D. João III encarregou de negociar em Roma o estabelecimento do tribunal da inquisição, referindo-se Alexandre Herculano largamente a este prelado na sua obra Da origem e estabelecimento da inquisição em Portugal. O grande historiador, que neste trabalho se mostrou duma grande parcialidade, como hoje geralmente todos reconhecem, faz de D. Martinho de Portugal o pior conceito, chegando a dizer dele que «era um homem sem moral e sem crenças, para quem a religião não passava dum instrumento politico.

O arcebispado do Funchal foi estabelecido em 1533 e extinto em 1551. Os motivos que determinaram esta criação, as datas das Bulas que o instituíram e as circunstâncias que se deram nessa criação, ficaram sumariamente expostos no artigo Arcebispado (Vol. I, pag. 77) para onde remetemos o leitor.

D. Martinho de Portugal, ocupado no desempenho de outros cargos, nunca visitou a sua arquidiocese. Enviou a esta ilha D. Ambrosio Brandão, bispo titular de Rociona, que aqui se demorou aproximadamente um ano, de 1538 a 1539, no exercício das suas funções episcopais. Enviou também os visitadores Jordão Jorge e Álvaro Dias, que se ocuparam da observância da disciplina canonica.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 04
  1. Uma bula papal elevou o Funchal a arquidiocese, com Angra, Cabo Verde, São Tomé e Goa como dioceses sufragâneas, passando a catedral a ser sede arquiepiscopal.

  2. O Bispo Ambrósio Brandão veio à Madeira e exerceu funções episcopais em nome do Arcebispo D. Martinho de Portugal, conferindo ordens menores, entre outros, a Manuel Álvares.

  3. D. Martinho de Portugal, arcebispo do Funchal, morreu em Lisboa.

  4. O Arcebispado do Funchal foi extinto pela bula Super universis.

Lugar

Lugares mencionados · 05

No estrangeiro

Mapa: Madeira (5)
  1. Évora

    Portugal. Terra natal de D. Martinho.

  2. Funchal

    Sede da arquidiocese da qual D. Martinho foi o único arcebispo.

  3. Lisboa

    Portugal. Cidade onde D. Martinho morreu e exerceu as funções de núncio papal.

  4. Roma

    Italy. Cidade onde representou D. João III e negociou a Inquisição.

  5. Viseu

    Portugal. Diocese da qual tinha sido bispo.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 06
  1. Primeiro e único arcebispo do Funchal, parente da família real e diplomata que nunca visitou a sua arquidiocese.

  2. Historiador português que, na sua obra sobre a Inquisição, julgou D. Martinho com grande severidade, numa apreciação que o Elucidário considera parcial.

  3. Visitador enviado por D. Martinho à Madeira para supervisionar a disciplina canónica.

  4. Bispo titular de Rociona enviado por D. Martinho para exercer funções episcopais na Madeira, cerca de 1538–1539.

  5. Rei de Portugal de quem D. Martinho era parente próximo, favorito e conselheiro, e a quem representou em Roma.

  6. Visitador enviado por D. Martinho à Madeira para supervisionar a disciplina canónica.

Na folha P

Vistos recentemente

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