Limites da Cidade 1Limites antigos e de 1909
Limites da Cidade
Descreve os sucessivos limites oficiais da cidade do Funchal, desde os fixados em 1809, passando pelo alvará de 1863 e pela postura municipal de 1909, até ao perímetro muito ampliado adotado em 1927.
1Limites antigos e de 1909
A postura municipal de 30 de Dezembro de 1909, confirmada pela Comissão Distrital em 3 de Agosto de 1911 estabeleceu que a parte urbana do Concelho do Funchal era o perímetro formado pelos ângulos cujos vértices se apoiam nos pontos seguintes:
- 1.° Hotel Reid á Estrada Monumental
- 2.° Ponte Velha do Ribeiro Seco
- 3.° Intersecção da R. do Arcebispo D. Aires com a Estrada da Levada de Santa Luzia
- 4.° Intersecção da dita Estrada com a Avenida de Pedro José de Ornelas
- 5.° Intersecção do Caminho do Palheiro do Ferreiro com o Caminho do Terço
- 6.° Foz da Ribeira de Gonçalo Aires.
A ligação do 3.° e 4.° vértices deve supor-se feita pela linha poligonal que segue todas as sinuosidades da Estrada da Levada de Santa Luzia.
Os limites da cidade eram os seguintes, segundo o alvará de 5 de Outubro de 1863:
- ao sul as praias da baía do Funchal
- a leste, na freguesia de Santa Maria Maior, os sítios de Louros, Forca e Rochinha de Cima
- ao norte, na freguesia de Santa Luzia, os sítios do Vale Formoso, Calçada da Torrinha e Ponte do Deão
- e a oeste, na freguesia de S. Pedro, os sítios do Pico, S. João da Ribeira, Maravilhas, Ribeiro Seco e Ponte Monumental.
Antes daquele alvará era a cidade limitada pela ermida de Santa Catarina, Ponte de S. Paulo, Castelo do Pico, Beco dos Arrifes até o moinho de cima, igreja de Santa Luzia, Pena, Rochinha e Encruzilhada da Forca, tendo estes limites sido fixados por uma comissão nomeada em sessão camarária de 19 de Dezembro de 1809.
2O alargamento de 1927
A Cidade principiou a estender-se para os lados do Ribeiro Seco e do Caminho do Monte depois da aluvião de 1803, em razão de terem ficado arruinados muitos prédios da cidade e haver falta de habitações para muitas famílias. A Câmara Municipal, em sua sessão ordinária de 17 de Outubro de 1927, resolveu dar á cidade uma área excessivamente vasta, internando-a muito nas freguesias suburbanas e fixando os seus limites nos seguintes termos, que aliás, não primam pela clareza; «Do mar em linha recta ao Caminho de ligação da Estrada Nacional n.º 23 com o Caminho Velho de S. Gonçalo, Caminho da Igreja de S. Gonçalo, Caminho do Palheiro Ferreiro, Caminho do Terço, Caminho da Levada do Bom Sucesso, em linha recta á Estrada da Levada de Santa Luzia, daqui em linha recta ao Muro da Coelha (norte da Quinta Drolhe), Caminho da Água de Mel, Álamos, Ponte da Ribeira Grande, Quinta do Leme, Pilar, Avista-Navios, Caminho de São Martinho e do Amparo á Estrada Monumental e em linha recta até ao mar».
Com estes novos limites, fixados á área da cidade, passou ela a ter uma quasi duplicada superfície, tomando proporções verdadeiramente exageradas. Segundo a deliberação camarária de 1909, faziam parte integrante da cidade as freguesias da Sé e de Santa Luzia, a quasi totalidade da de São Pedro e ainda uma parte considerável da de Santa Maria, sendo por isso chamadas freguesias urbanas. Pela nova divisão citadina de 1927, ficou a capital do distrito compreendendo a área estabelecida em 1909, acrescida da superfície que lhe deram as freguesias suburbanas de São Martinho, Santo António, São Roque e São Gonçalo, sendo a paróquia do Monte a única que não comparticipa do perímetro recentemente fixado aos limites da cidade. A sua antiga área, que era computada em cerca de quinhentos hectares, deve actualmente atingir uma superfície aproximada de 750. A verdade é que o alargamento demasiado da cidade não feriu as atenções da população, que continua considerando como extremos do Funchal citadino os limites que lógica e acertadamente lhe foram fixados no ano de 1909. O censo oficial da população relativo ao ano de 1920 atribui à cidade o número de 24.284 habitantes, estando hoje esse número muito aumentado, não só pelo natural crescimento da população, mas ainda pelo alargamento que a cidade teve em 1927, como já fica referido.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 07-
A grande aluvião de 9 de outubro de 1803, considerada a maior calamidade da Madeira, devastou o Funchal e outras partes da ilha, matou cerca de 600 pessoas e destruiu a igreja do Calhau, muros de contenção das ribeiras, pontes e capelas em Machico, Santa Cruz e noutros locais. Motivou a missão de Oudinot e a expansão da cidade para o exterior.
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Numa sessão da Câmara Municipal do Funchal, foi nomeada uma comissão que fixou os limites da cidade.
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Um alvará fixou novos limites para a cidade do Funchal, e o governador civil aprovou a planta das ruas que fixava os limites da freguesia de Santa Luzia.
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Uma postura municipal definiu os limites da área urbana do Funchal.
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A Comissão Distrital confirmou a postura de 1909 que estabelecia os limites da cidade do Funchal.
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O censo de 1920 registou 6 190 habitantes na freguesia da Ponta do Sol e 24 284 na cidade do Funchal.
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A Câmara Municipal ampliou consideravelmente a cidade, integrando nela freguesias suburbanas.
Lugar
Lugares mencionados · 20- Avenida Pedro José de Ornelas
Funchal. Quarto vértice do perímetro de 1909.
A Avenida Pedro José de Ornelas é uma avenida do Funchal, designação atual da antiga via chamada Caminho da Pena, prolongada pela estrada para automóveis até ao Monte. Assinalava o quarto vértice do perímetro que delimitava a cidade em 1909.
- Caminho do Terço
Funchal. Caminho que servia de limite em 1909 e 1927.
O Caminho do Terço é um caminho no Funchal. O Elucidário regista-o como um dos caminhos que assinalavam os limites da cidade fixados em 1909 e 1927.
- Capela de Santa Catarina
Funchal. Limite ocidental antes de 1863.
A Capela de Santa Catarina, no Funchal, foi fundada por volta de 1425 por Constança Rodrigues de Almeida, mulher de João Gonçalves Zarco, junto à primeira casa de madeira deste. É considerada a primeira igreja da Madeira, tem a data de 1425 no portal e possuía um albergue anexo para mulheres pobres. O Convento de São Francisco foi construído em frente.
- Estrada da Levada de Santa Luzia
Funchal. Estrada que formava a linha norte do limite de 1909.
A Estrada da Levada de Santa Luzia é uma estrada plana em Santa Luzia, no Funchal, que vai das proximidades da ribeira de Santa Luzia até à Avenida Pedro José de Ornelas, acompanhando a levada de Santa Luzia, uma das mais antigas da ilha. Integrava o limite norte da cidade em 1909 e 1927. Oferece belas vistas, passa por várias quintas e dá acesso à Quinta da Palmeira.
- Estrada Monumental
Funchal. Estrada onde se situava o primeiro vértice de 1909.
A Estrada Monumental atravessa grande parte da freguesia de São Martinho, e nela se situa o Palace Hotel. Serviu para definir os limites da cidade do Funchal em 1909 e 1927, situando-se nela o primeiro vértice definido em 1909.
- Fortaleza do Pico
Funchal. Marco dos limites fixados em 1809.
Fortaleza acima do Funchal, na freguesia de São Pedro, começada durante o domínio filipino (espanhol) e concluída após a Restauração, que contém a capela profanada de São João. Foi estabelecida como marco dos limites da cidade em 1809 e serviu durante muito tempo como local de reclusão: ali estiveram detidos o governador deposto em 1668, 16 presos da Alçada de 1828 e os presos trazidos do cúter Andorinha em 1844. Foi cedida em 1888 e novamente proposta em 1909 para servir de cadeia, mas o custo dessa utilização levou à transferência do projeto para São Lázaro.
- Funchal
Cidade cujos limites são definidos.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Monte
Funchal. Única freguesia do Funchal que ficou fora do perímetro de 1927.
Freguesia de Nossa Senhora do Monte, acima do Funchal, a cerca de 600 m de altitude, onde o aparecimento das folhas ocorre mais tarde do que no Funchal. Inclui os sítios do Jardim Botânico, da Igreja e dos Marmeleiros e a Quinta de Sant'Ana. O Elucidário regista as suas numerosas plantas, entre elas acácias e Sonchus fruticosus.
- Quinta do Leme
Funchal. Ponto situado no limite de 1927.
Sítio habitado e quinta na freguesia de Santo António, Funchal. Foi a casa de família e sede do morgadio dos Leme, com a casa de António de Leme e a Capela de São Filipe. Consta também como limite da iluminação pública em Santo António.
- Reid's Hotel
Funchal. Primeiro vértice do perímetro urbano de 1909.
Primeiro vértice do perímetro urbano de 1909.
- Ribeira de Gonçalo Aires
Funchal. A sua foz constituía o sexto vértice de 1909.
A Ribeira de Gonçalo Aires situa-se na freguesia de São Gonçalo e recebeu, segundo Gaspar Frutuoso, o nome do explorador Gonçalo Aires, que por ela desceu durante a primeira exploração da Madeira. Na sua foz fica o lazareto; esta foz era um dos vértices dos limites da cidade do Funchal em 1909.
- Ribeiro Seco
Funchal. A sua ponte antiga era um dos vértices de 1909; a cidade expandiu-se nesta direção após 1803.
O Ribeiro Seco é um curso de água a oeste do Funchal que constitui o limite ocidental da freguesia de São Pedro. É atravessado pela Ponte Monumental, e a Praça do Ribeiro Seco, construída pouco depois de 1850 e hoje denominada Largo de António Nobre, situa-se na sua margem esquerda. A sua foz marca uma das extremidades da costa das Águas Doces, a sua enseada era defendida pelo Forte da Penha de França e a Quinta do Calaça situa-se a oeste do ribeiro.