Saltar para o conteúdo
Elucidário Madeirense Início
Almas Pobres (Capelas das) 1A lenda da Capelinha das Almas
Artigo Nº 0166 Capela Funchal Vol. I · pp. 96–97 3 min de leitura

Almas Pobres (Capelas das)

Descreve a pequena capela das Almas Pobres, escavada na rocha no Funchal, entre os conventos de Santa Clara e das Mercês, construída em 1781 por Roque José de Araujo e associada a uma lenda local sobre as almas do purgatório. Menciona também uma capela mais antiga com o mesmo nome na freguesia de Santa Maria Maior, fundada por volta de 1470.

Almas Pobres (Capelas das)

No estrangeiro

Mapa: Madeira (9)

1A lenda da Capelinha das Almas

No ângulo formado a meio da rua que comunica o convento de Santa Clara com o local onde se erguia o convento de Nossa Senhora das Mercês, abre-se na rocha viva uma original e pequena ermida conhecida pelo nome de Capela ou Capelinha das Almas. É provável que aquela massa de basalto oferecesse uma cavidade ou mesmo existisse ali uma pequena gruta ou furna, que viesse a despertar a ideia daquela construção. Corre, porém, na tradição local uma lenda, que nos parece ter sido também aproveitada para explicar a razão de idênticas edificações em outros sítios e lugares. E conta-se que, num basto canavial ali existente, procurara um indivíduo esconderijo seguro para perpetrar um crime de morte na pessoa dum seu figadal inimigo, que no local costumava passar a deshoras. Numa noite e noutra noite e em dias sucessivos, não logrou realizar o seu perverso intento, porque a vitima preparada para o atentado ali passava sempre acompanhada por outras pessoas, tomando então o criminoso a resolução de abandonar a ideia que por tantos dias lhe obsediara o espírito. O indivíduo assim poupado á sanha feroz do seu inimigo, tendo mais tarde conhecimento do projectado assassinato, viu no facto um evidente prodígio miraculoso, porque sempre passara naquele local só e de todo desacompanhado, atribuindo á intervenção das almas do purgatório, pelas quais tinha a mais viva devoção, o não haver sido vitima inocente daquele atentado. E daí nasceu a ideia da construção da capela no próprio local em que ele julgava que se havia operado o prodígio. O Sr. major A. A. Sarmento aproveitou o assunto desta lenda para um dos capítulos do seu livro Migalhas, introduzindo-lhe variantes e episódios, que mais se acomodavam á romantização do quadro.

2Fundação e dotação da capela

O que de positivo sabemos é que Roque José de Araujo, natural de Viana de Caminha e que ha muitos anos residia no Funchal, foi quem mandou edificar em 1781 a pequena ermida, que consagrou ás almas do purgatório e a que deu o nome de Almas Pobres. Foi vistoriada, como era de estilo, pela competente autoridade eclesiástica, e no respectivo auto se lêem as seguintes palavras:-“... tem de comprimento da porta até o altar seis palmos de fundo e vão, e de largura nove palmos de vão e he o comprimento do altar todo sem credencia, a altura he proporcionada, coberta de abobada. . e situada debaixo da rocha e ao parecer firme”.

Para ocorrer á manutenção do culto e conservação da capela, concedeu-lhe Roque José de Araujo, por escritura publica de 25 de Agosto de 1781, a pensão anual perpetua de cinco mil reis, imposta num prédio que possuía no Beco do Gongorra, á Ponte Nova.

A capela foi benzida pelo vigário da freguesia de S. Pedro, Francisco Xavier da Cunha, a de Dezembro de 1783.

Com o nome de Almas Pobres houve uma capela na freguesia de Santa Maria Maior, fundada por Gonçalo Diniz da Silva pelos anos de 1470. Já não existe e ignoramos o local onde fora edificada.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 02
  1. Gonçalo Diniz da Silva fundou uma capela das Almas Pobres em Santa Maria Maior.

  2. Roque José de Araujo mandou construir no Funchal a capela das Almas Pobres; em agosto de 1781, dotou-a de uma pensão perpétua de 5 000 réis e, em dezembro de 1783, o vigário de São Pedro benzeu-a.

Lugar

Lugares mencionados · 09
  1. Capelas das Almas Pobres · Assunto

    Funchal

  2. Beco do Gongorra

    Funchal. Localização da propriedade onerada com a pensão da capela.

  3. Convento de Nossa Senhora das Mercês

    Funchal. Local do antigo Convento de Nossa Senhora das Mercês, na outra extremidade da rua da capela.

  4. Convento de Santa Clara

    Funchal. Situado numa das extremidades da rua onde se encontra a capela.

  5. Funchal

    Cidade onde vivia o fundador e onde se encontra a capela.

  6. Ponte Nova

    Funchal. Zona do Funchal onde se situava a propriedade deixada em dotação.

  7. Santa Maria Maior

    Funchal. Freguesia onde se situava a anterior Capela das Almas Pobres, hoje desaparecida.

  8. São Pedro

    Funchal. Freguesia cujo vigário benzeu a capela.

  9. Viana do Castelo

    Portugal. Terra natal do fundador da capela.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 04
  1. Major do Exército e escritor que aproveitou a lenda da capela num capítulo do seu livro Migalhas.

  2. Vigário da freguesia de São Pedro que benzeu a capela em dezembro de 1783.

  3. Fundador de uma capela anterior das Almas Pobres em Santa Maria Maior, por volta de 1470.

  4. Natural de Viana e residente no Funchal, construiu e dotou a capela das Almas Pobres em 1781.

Na folha A

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.