Órgão de Santa Clara 1Origem e reparação do órgão
Órgão de Santa Clara
Reproduz um artigo de jornal de 1924 sobre o restauro do antigo órgão do extinto Convento de Santa Clara, no Funchal, que, segundo consta, foi oferecido pelos filhos de João Gonçalves Zarco em 1498. Refere também o restauro semelhante do órgão da Igreja Matriz de Machico.
1Origem e reparação do órgão
Subordinado a esta epígrafe, publicou o «Diário de Noticias» do Funchal de 22 de Novembro de 1924 um pequeno artigo, que então despertou particular interesse, não sofrendo qualquer contestação no que dizia respeito á afirmativa de carácter histórico que nele se apresentava. Vamos transcrevê-lo integralmente, indicando os artigos Convento de Santa Clara e Filhos e Genros de Zarco, que oferecem a este assunto alguns proveitosos esclarecimentos.
«O velho órgão do extinto convento de Santa Clara, que há anos se achava desmantelado, foi mandado reparar, encarregando-se desse trabalho os conhecidos e distintos músicos srs. César R. Nascimento e Guilherme H. Lino, que acabam de terminar essa missão.
E já amanhã o antiquíssimo instrumento será ouvido na festa de Santa Cecília, padroeira dos músicos, que um grupo de devotos manda celebrar naquela igreja.
Os srs. César Nascimento e Guilherme Lino procederam a pesquisas no interior do órgão, verificando ter este sido mandado construir pelos filhos de João Gonçalves Zarco, que o ofereceram ao referido convento, no reinado de D. Manuel, em 1498, setenta e nove anos depois de seu pai ter descoberto a Madeira.
Tem, pois, este instrumento 426 anos e é considerado uma relíquia pela sua antiguidade.
Por este motivo, os reparadores, artistas conscienciosos, interessaram-se muito pelo seu conserto, não obstante terem estado resolvidos a desistirem de levá-lo a cabo, em vista do órgão se achar muito estragado, podendo mesmo dizer-se, quase inutilizado.
Depois dum trabalho em que tiveram que empregar, a par duma grande paciência, os seus vastos conhecimentos artísticos, conseguiram levar a obra a bom termo, conservando ao velho órgão todas as principais peças, com o fim de não ser reduzido o valor que lhe dá a sua antiguidade.
Os orifícios feito pelo caruncho foram habilmente embutidos, tendo o conserto, que terminou há dias, sido iniciado em Outubro de 1923.
2Posse do órgão e outras reparações
Este órgão foi há anos posto em praça, conjuntamente com outros bens de congregações, sendo arrematado pelo sr. dr. Romano Santa Clara Gomes, que o conservou durante muito tempo numa dependência daquele extinto convento.
No ano findo ofereceu-o á confraria de Santa Clara, afim de ser reparado e emprega-lo no serviço religioso daquele templo.
Foi então que o sr. Raimundo de Freitas digno conservador daquele templo, encarregou os srs. Cesar Nascimento e Guilherme Lino de procederem á sua reparação.
Os mesmos artistas repararam no ano findo, o órgão da igreja paroquial de Machico, oferta do rei D. Manuel, feita em 1499, e que também se achava quase inutilizado, ficando um belo instrumento e tendo também grande valor pois conta 425 anos.
Como se sabe, a igreja de Santa Clara, que em 12 de Dezembro de 1917 foi atingida por uma granada do submarino que bombardeou o Funchal sofrendo grandes estragos, é considerada monumento nacional, estando a sua conservação a cargo da Câmara Municipal.»
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Segundo consta, os filhos de Zarco ofereceram o órgão ao Convento de Santa Clara.
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D. Manuel I ofereceu um órgão à Igreja Matriz de Machico.
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Um submarino alemão bombardeou o Funchal pela segunda vez, matando cinco pessoas na cidade e danificando gravemente a igreja de Santa Clara.
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O restauro do órgão de Santa Clara, no Funchal, decorreu de outubro de 1923 a novembro de 1924 e foi noticiado no Diário de Notícias de 22 de novembro de 1924.
Lugar
Lugares mencionados · 04- Órgão de Santa Clara · Assunto
Funchal
O Órgão de Santa Clara é o antigo órgão do extinto Convento de Santa Clara, no Funchal, que, segundo consta, foi oferecido pelos filhos de João Gonçalves Zarco em 1498. O Elucidário reproduz um artigo de jornal de 1924 sobre o seu restauro, que também refere o restauro semelhante do órgão da Igreja Matriz de Machico.
- Convento de Santa Clara
Funchal. Convento extinto em cuja igreja se encontra o órgão restaurado.
Convento no Funchal fundado entre 1492 e 1497 pelo segundo capitão-donatário, João Gonçalves da Câmara, junto à igreja da Conceição de Cima. É local de sepultura da família Câmara e conserva um documento de 1447 em que o nome aparece grafado «Zargo». Em 1912, foi cedido para a instalação de um novo hospital e, mais tarde, escolhido para acolher o museu arqueológico.
- Funchal
Cidade onde se situavam o jornal e o convento, bombardeada por um submarino em 1917.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Igreja Matriz de Machico
Machico. Igreja Matriz de Machico, cujo órgão, oferecido por D. Manuel I em 1499, também foi restaurado.
Igreja Matriz de Machico, onde se conservam as alegadas relíquias da cruz de Machim e onde foi também restaurado um órgão oferecido por D. Manuel I em 1499. Contém a capela de São João Baptista de Tristão Vaz, cujo arco ostenta as armas da sua família.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06-
Músico funchalense que, com Guilherme Lino, restaurou o órgão de Santa Clara em 1923–1924 e o órgão de Machico.
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Rei de Portugal em cujo reinado o órgão foi oferecido e que ofereceu o órgão de Machico em 1499.
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Músico funchalense que participou no restauro dos órgãos de Santa Clara e de Machico.
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor da Madeira cujos filhos, segundo consta, encomendaram o órgão em 1498.
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Responsável pela guarda da igreja de Santa Clara que encomendou a reparação do órgão.
- Romano de Santa Clara Gomesn. 1869
Comprou o órgão em leilão e ofereceu-o posteriormente à confraria de Santa Clara para que fosse reparado.