Filhos e Genros de Zarco 1Filhos de Zarco
Filhos e Genros de Zarco
Relato sobre os filhos, as filhas e os genros de João Gonçalves Zarco, descobridor da Madeira, e sobre as linhagens nobres e os morgadios que fundaram. Aborda também o chamado túmulo de Zarco na igreja do Convento de Santa Clara.
1Filhos de Zarco
Dizem os antigos nobiliarios madeirenses que o descobridor João Gonçalves Zarco teve três filhos e quatro filhas: João Gonçalves da Câmara, Rui Gonçalves da Câmara, Garcia Rodrigues da Câmara, Helena Gonçalves da Câmara, Beatriz Gonçalves da Câmara, Izabel Gonçalves da Câmara e Catarina Gonçalves da Câmara. Não são porém conforme os linhagistas no que diz respeito ao lugar do nascimento dalguns destes filhos. Vários afirmam, e é essa a opinião mais seguida, que Gonçalves Zarco ao fixar residência na Madeira com sua mulher D. Constança de Sá, trouxe o filho primogénito, que foi o herdeiro da casa, e a filha D. Helena Gonçalves da Câmara. Parece que o primeiro filho nascido nesta ilha foi Rui Gonçalves da Câmara. Deste e de João Gonçalves da Câmara, o segundo donatario do Funchal, já nos ocupámos neste Elucidario. Os livros de linhagens dão Garcia Rodrigues da Câmara como filho natural do descobridor, que sempre mereceu de seu pai a mais particular estima e foi dele um rico herdeiro, tendo casado com a filha de Nuno Cardoso, instituidor do morgadio de S. João de Latrão, em Gaula, e sucedendo na administração desta casa vinculada.
Dos dois filhos varões João Gonçalves da Câmara, 2.° capitão-donatario do Funchal, e Rui Gonçalves da Câmara, 3.° capitão-donatario da ilha de São Miguel, procedem algumas das mais distintas famílias de Portugal, como os condes de Vila Franca e de Atouguia, marqueses da Ribeira Grande, condes de Tarouca, marqueses de Castelo Melhor e outros.
Tendo Gonçalves Zarco pedido a D. Afonso 5.° que lhe enviasse algumas pessoas de qualidade para casarem com suas filhas, respondeu-lhe o monarca nos seguintes termos: "ahi vos mando quatro fidalgos para casardes vossas filhas, que se vos os dotardes a elles segundo suas qualidades eu vos haverei por muito honrado e a elles por bem dotados". Estes fidalgos casando com as filhas do ilustre descobridor, foram troncos de numerosa descendência e todos instituíram nesta ilha importantes casas vinculadas.
2D. Helena e o túmulo de Zarco
Helena da Câmara, a filha mais velha, casou com Martim Mendes de Vasconcelos, que fez assentamento em São Martinho, na margem esquerda da ribeira dos Socorridos, onde teve muitas terras de sesmaria e também no Estreito de Câmara de Lobos. Foi sepultado na igreja do convento de Santa Clara, dizendo a tal respeito o erudito anotador das Saudades da Terra:–«está na igreja do convento de Santa Clara do Funchal, á entrada do lado direito, o sarcophago desse Martim Mendes de Vasconcellos, com inscrição de letra gothica maiúscula, illegivel por gasta; mas no pavilhão adjacente, se vê uma grande lápide de mármore, e nella o seguinte epitaphio:
É este o túmulo chamado de João Gonçalves Zarco e que como tal vem reproduzido pela gravura em muitas obras principalmente estrangeiras. Vem a propósito dizer que o descobridor foi sepultado junto dos degraus do altar da capela-mor, afirmando um antigo manuscrito «que a obra se ordenou de sorte que a sepultura de Zarco ficou no meio da capela-mor, com um túmulo de pedra em cima tão alto que singularmente a faz venerável e respeitosa». Diz-se que, muitos anos depois, as freiras conseguiram a remoção do aparatoso mausoléu, que lhes interceptava a vista do altar, sendo talvez por essa ocasião que se tivesse procedido á trasladação das cinzas do descobridor da Madeira para o jazigo de seu genro Martim Mendes de Vasconcelos. É certo que em Março de 1919, quando se levantou o sobrado do pavimento da capela-mor da igreja de Santa Clara, se encontraram apenas as lápides tumulares do segundo, terceiro e quinto capitãis-donatarios do Funchal, sendo provável que ali se descobrisse a pedra sepulcral do túmulo de Gonçalves Zarco se porventura os seus despojos mortais se achassem naquele recinto. Mas fez na verdade a trasladação? E quando se realizou ela? Não sabemos.
3As outras filhas
D. Brites ou Beatriz Gonçalves da Câmara, segunda filha de Zarco, casou com Diogo Cabral, filho de Fernão Alves Cabral, guarda-mor do infante D. Henrique, que teve vastos terrenos de sesmaria na Calheta, doados por seu sogro. Cumpriu os votos e desejos de Zarco, edificando naquela freguesia a capela de Nossa Senhora da Estrela (V. este nome). Morreu a 15 de Dezembro de 1486, e foi sepultado na capela de que foi o fundador e que tornou a sede dum morgadio. Foi terceira filha do descobridor, Isabel Gonçalves da Câmara, que contraiu matrimónio com Diogo Afonso de Aguiar, dizendo Henriques de Noronha «que o dote que eu vi foi feito no ano de 1439». Era filho, segundo uns, de José Afonso de Aguiar, primeiro tesoureiro da moeda de Lisboa, e, segundo outros, de Pedro de Aguiar, que pertencia a uma antiga e nobre família do reino. Teve muitas terras de sesmaria nesta ilha. Seu filho, D. Martinho de Aguiar, foi bispo de Ceuta e Tanger.
Garcia Homem de Sousa foi o fidalgo que contraiu matrimónio com Catarina Gonçalves da Câmara, quarta filha de Zarco. Dizem antigas crónicas que era homem turbulento e que sustentara lutas sangrentas com seus cunhados. No sítio de Santo Amaro, na freguesia de Santo Antonio, teve uma grande fazenda povoada e ali edificou uma capela com aquela invocação. (V. Santo Amaro).
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Foi lavrada a escritura de dote para o casamento de Isabel Gonçalves da Câmara, filha de Zarco, com Diogo Afonso de Aguiar.
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Diogo Cabral, genro de Zarco e fundador da Capela de Nossa Senhora da Estrela, na Calheta, morreu e foi nela sepultado.
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Gaspar Mendes de Vasconcelos mandou fazer uma nova lápide de mármore, com inscrição, para Martim Mendes de Vasconcelos na igreja de Santa Clara.
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O levantamento do pavimento da capela-mor da igreja de Santa Clara, no Funchal, revelou as lápides do segundo, terceiro e quinto capitães-donatários, mas não a de Zarco.
Lugar
Lugares mencionados · 11No estrangeiro
- Calheta
Local onde Diogo Cabral possuía terras e construiu a sua capela.
A Calheta é uma vila, freguesia e concelho na costa sudoeste da Madeira e um dos povoamentos mais antigos da ilha. O Elucidário aborda o seu nome, os primeiros povoadores, como Pedro Berenguer, a igreja e numerosas capelas, incluindo uma de um antigo convento franciscano, e o motim de 1834.
- Capela de Nossa Senhora da Estrela
Calheta. Capela fundada por Diogo Cabral, onde foi sepultado e que era sede de um morgadio.
A Capela de Nossa Senhora da Estrela, na Calheta, Madeira, já desapareceu. Foi planeada pelo descobridor Zarco e construída pelo seu genro Diogo Cabral, que ali foi sepultado. Era a sede do morgadio de Cabral e tornou-se mais tarde a primeira sede da paróquia da Calheta.
- Convento de Santa Clara
Funchal. Igreja onde Zarco e o seu genro foram sepultados e onde se encontraram lápides tumulares de capitães em 1919.
Convento no Funchal fundado entre 1492 e 1497 pelo segundo capitão-donatário, João Gonçalves da Câmara, junto à igreja da Conceição de Cima. É local de sepultura da família Câmara e conserva um documento de 1447 em que o nome aparece grafado «Zargo». Em 1912, foi cedido para a instalação de um novo hospital e, mais tarde, escolhido para acolher o museu arqueológico.
- Estreito de Câmara de Lobos
Câmara de Lobos. Local onde Martim Mendes de Vasconcelos possuía outras terras.
O Estreito de Câmara de Lobos é uma freguesia do concelho de Câmara de Lobos, na Madeira, criada no início do século XVI em torno da capela de Nossa Senhora da Graça. Foi o principal centro de fabrico de chapéus de palha de centeio e de queijo; nela cultivam-se as castas Sercial, Verdelho, Tinta e Bastardo. Em 1927, tornou-se julgado da comarca do Funchal.
- Funchal
Capitania detida pelos herdeiros de Zarco.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Gaula
Santa Cruz. Sede do morgadio de São João de Latrão.
Gaula é uma freguesia costeira do concelho de Santa Cruz, na Madeira, situada abaixo da Camacha e criada em 1558. A origem do seu nome, incluindo uma alegada ligação ao romance Amadis de Gaula, é controversa. Abrange o Pico dos Eirós, a Achada de Gaula e, na costa, o Calhau e Porto da Aldonça. Foi terra da família Cardoso e sede do seu morgadio de São João de Latrão; esteve também associada às famílias Nunes e Madureira e a um morgadio do Conde da Calçada.
- Ribeira dos Socorridos
Câmara de Lobos · Funchal. Ribeira junto às terras de Martim Mendes de Vasconcelos.
Uma das principais ribeiras da Madeira, nasce nas Torrinhas e separa várias freguesias a oeste do Funchal. O seu nome recorda o salvamento, por Zarco, de companheiros que quase foram arrastados pela corrente na foz. Alimenta a levada dos Piornais, e a construção de uma ponte rodoviária de alvenaria sobre a ribeira começou em 1848.
- Santo Amaro
Funchal. Quinta e capela de Garcia Homem de Sousa.
Santo Amaro é um sítio da freguesia de Santo António, no Funchal, onde se encontra a mais antiga capela de Santo Amaro. A capela foi fundada no século XV por Garcia Homem de Sousa, genro de Zargo, a quem pertencia esta propriedade e que aí construiu uma casa senhorial fortificada para se defender dos cunhados. A quinta ficou onerada com um legado de azeite.
- Santo António
Funchal. Freguesia onde se situa Santo Amaro.
Santo António é uma freguesia do concelho do Funchal, na Madeira, onde nasce a ribeira de São João e onde os Jesuítas tinham a sua residência do Pico do Cardo. A igreja possui uma inscrição latina de 1783, e na freguesia encontram-se as capelas da Madalena, de São João e Santana e do Pópulo; a freguesia dá também nome a uma elevação de cerca de 400 metros perto da igreja.
- São Martinho
Funchal. Local onde Martim Mendes de Vasconcelos se estabeleceu.
São Martinho é uma freguesia suburbana a oeste do Funchal, criada em 1579 a partir de São Pedro e parcialmente integrada na cidade em 1927. Teve fábricas de açúcar, cultivou vinha da casta Tinta e possui bombas vulcânicas características. É apontada como terra natal de D. Nuno de Aguiar.
- São Miguel
Portugal. Ilha açoriana cuja capitania foi detida por Rui Gonçalves da Câmara.
Ilha dos Açores descoberta por Gonçalo Velho Cabral. A sua capitania foi comprada e governada por Rui Gonçalves da Câmara, filho de Zarco. Foi a terra natal de Brito Rebelo, e Frutuoso escreveu ali a sua obra em 1590; diz-se que as suas laranjas superam as da Madeira.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 22-
Segunda filha de Zarco e mulher de Diogo Cabral.
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Quarta filha de Zarco e mulher de Garcia Homem de Sousa.
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Mulher de Zarco, que se estabeleceu com ele na Madeira.
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Rei de Portugal que enviou quatro fidalgos para casarem com as filhas de Zarco.
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Marido de Isabel da Câmara e detentor de numerosas terras de sesmaria na Madeira.
- Diogo Cabralm. 1486
Marido de Beatriz da Câmara, proprietário de terras na Calheta e construtor da Capela de Nossa Senhora da Estrela.
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Pai de Diogo Cabral e guarda-mor do Infante D. Henrique.
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Marido turbulento de Catarina da Câmara, que construiu a Capela de Santo Amaro.
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Filho natural de Zarco, que casou com a filha de Nuno Cardoso e administrou o morgadio de São João de Latrão.
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Descendente de Martim Mendes de Vasconcelos, que mandou fazer a lápide de mármore em 1710.
+ 12 mais
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Filha mais velha de Zarco e mulher de Martim Mendes de Vasconcelos.
- Henrique Henriques de Noronha1667–1730
Genealogista que afirmou ter visto a escritura de dote de Isabel da Câmara, de 1439.
- Infante D. Henrique1394–1460
Infante D. Henrique, a quem Fernão Alves Cabral serviu.
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Terceira filha de Zarco, que casou com Diogo Afonso de Aguiar com um dote de 1439.
- João Gonçalves da Câmara1414–1501
Filho mais velho e herdeiro de Zarco, segundo capitão-donatário do Funchal.
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor da Madeira e primeiro capitão-donatário do Funchal, cujos filhos são o tema desta entrada.
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Possível pai de Diogo Afonso de Aguiar e primeiro tesoureiro da Casa da Moeda de Lisboa.
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Marido de Helena da Câmara, estabelecido em São Martinho; o seu túmulo em Santa Clara é popularmente conhecido como o túmulo de Zarco.
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Filho de Diogo Afonso de Aguiar e bispo de Ceuta e Tânger.
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Fundador do morgadio de São João de Latrão, na Gaula, e sogro de Garcia Rodrigues da Câmara.
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Outro possível pai de Diogo Afonso de Aguiar.
- Rui Gonçalves da Câmaram. 1497
Filho de Zarco, tido como o primeiro a nascer na Madeira e, mais tarde, terceiro capitão-donatário de São Miguel.