Santo Amaro (Capelas de) 1Capela de Santo Amaro em Santo António
Santo Amaro (Capelas de)
Descreve as capelas dedicadas a Santo Amaro na Madeira, sobretudo a capela do século XV na freguesia de Santo António, fundada por Garcia Homem de Sousa, genro de Zarco, bem como as da Lombada dos Esmeraldos e de Santa Cruz.
1Capela de Santo Amaro em Santo António
É das mais antigas da diocese a capela de Santo Amaro, que se ergue no sítio do mesmo nome, da freguesia de Santo Antonio. É das poucas edificações do século XV que tem perdurado entre nós, embora talvez nada reste da construção primitiva pelas profundas modificações que ali se têm introduzido no decorrer de quatro séculos e meio.
O Dr. Álvaro R. de Azevedo, por evidente lapso faz esta capela situada na freguesia de São Martinho, quando é certo que sempre pertenceu á paróquia de Santo Antonio. É possível que o engano provenha do facto do seu fundador possuir vastos terrenos em ambas estas freguesias e porventura contiguos dando-se talvez em época não recente, a capela como indiferentemente situada numa ou noutra freguesia. A circunstancia de ter sido construída num sítio que é limite das duas paróquias e, mais ainda, dar a entrada principal da quinta que circundava a capela, acesso para a estrada que separa as mesmas freguesias, facilmente induziria em erro e o levaria a supor que a pequena igreja de Santo Amaro não ficaria dentro da área da paróquia de Santo Antonio.
Os medianamente lidos nas crónicas madeirenses sabem que do Continente do Reino vieram quatro fidalgos para esta ilha com o determinado fim de contrair casamento com as filhas do descobridor da Madeira e primeiro capitão-donatario do Funchal. A terceira delas, por nome D. Catarina da Camara, casou com Garcia Homem de Sousa, que foi o fundador desta capela. Diz textualmente o anotador das Saudades da Terra: «...Santo Amaro, que foi fundada por Garcia Homem de Souza, genro de Zargo em 1460 na grande fazenda povoada onde tinha aposento acastellado». Do mesmo Garcia de Souza dizem também as Saudades noutro lugar: «...fez elle a capella ou casa forte ou acastellada para se defender de seus cunhados; era orgulhoso e violento»; e acrescentam finalmente que «por ter diferenças com seus cunhados... fez uma torre que está junto da Madre de Deus».
Que era a Madre de Deus? Nome primitivo da capela ou sítio de Santo Amaro? Não sabemos dizê-lo, mas, segundo consta da tradição e afirma o douto anotador das Saudades da Terra, foi em Santo Amaro onde Garcia Homem de Sousa levantara a casa acastelada de que falam as antigas crónicas deste arquipélago para defender-se de seus cunhados nas lutas sangrentas que com eles tivera. Com efeito, ainda ali se encontram umas casas em ruínas, de construção bastante antiga, que provavelmente constituem restos da morada solarenga com aspecto de fortaleza que o orgulhoso e turbulento Garcia de Sousa construíra para pôr-se ao abrigo das investidas dos seus inimigos. Uma porta de cantaria, em ogiva, que ali se vê ainda e que parece ter o cunho das construções da época manuelina deveria ser cuidadosamente conservada. Também restam vestígios duma antiga cisterna e não há muitos anos ainda que ali se viam igualmente as paredes duma velha torre, parecendo ser tudo de construção bastante remota (1921).
Havia ali uma quinta, dentro de cuja área ficavam a capela e a provável construção de Garcia de Sousa, restando apenas hoje uma portada de certo aparato arquitectónico e que noutro tempo serviu também de entrada para a referida capela.
2Administradores e outras capelas
Santo Amaro é uma das mais importantes capelas deste bispado, pela sua antiguidade e tradições históricas, pelo seu tamanho e ainda pela concorrência de fieis na sua festa patronal. Parece-nos que pouco lhe resta da sua primitiva construção, que, com o andar dos tempos, foi passando por sucessivas transformações. Com o fim manifesto de isola-la da propriedade rústica e urbana, em cujo recinto ficava, levantaram-lhe um alto muro em frente do frontispício, e a três ou quatro metros de distancia deste, que fizeram ligar ao pequeno templo por meio dum alpendre o que tudo notavelmente desfeou a frontaria do edifício e ainda prejudicou bastante a beleza do conjunto. Foi provavelmente a partir desta época, que não podemos determinar com precisão que o serviço da capela começou a fazer-se exclusivamente pela entrada actual vedando-se a comunicação que dava para o caminho do Tangue e Alecrins. Presumimos que os administradores da capela se tivessem desligado dos seus deveres de padroeiros e a abandonassem ao cuidado e direcção da fabrica paroquial, a cujo cargo se encontra há largos anos, e deste modo a isolassem do resto da quinta ou propriedade em que se achava edificada.
Esteve sempre esta capela na posse dos sucessores de Garcia Homem de Sousa, e sabemos que em 1700 era o capitão-mor de Câmara de Lobos. Filipe de Carvalhal Esmeraldo, o administrador da propriedade vinculada de Santo Amaro, sendo imediato sucessor seu filho, José Joaquim de Carvalhal Esmeraldo, que a transmitiu a seu filho também de nome José Joaquim de Carvalhal Esmeraldo deu-lhe nesta administração vincular seu irmão Francisco Antonio de Bettencourt Carvalhal Esmeraldo, herdando o prédio e capela sua filha D. Isabel Esmeraldo Barbosa de Matos e Camara, que o legou a sua irmã D. Julia Esmeraldos falecida a 14 de Setembro de 1915.
A capela, como actualmente se encontra, é uma reconstrução que data do segundo ou terceiro quartel do século XVII. A pequena igreja tem três altares e não é de acanhadas dimensões, mas nada se encontra nela que desperte a atenção do observador, pois parece que nem vestígios se descobrem ali da antiga e primitiva construção. Foi noutros tempos o centro duma concorrida romagem.
Ainda há poucos anos se encontravam á margem da estrada que conduz á Lombada dos Esmeraldos na freguesia da Ponta do Sol, os escombros duma capela dedicada a Santo Amaro, que se afirma ter sido edificada por João Esmeraldo nos fins do século XV ( V. Lombada dos Esmeraldos).
Dentro dos limites da vila de Santa Cruz se encontra uma capela com a invocação de Santo Amaro, que foi edificada pelo povo, mas cujo ano de construção se desconhece. A festa patronal atrai todos os anos a esta capela uma extraordinária afluência de pessoas das freguesias circunvizinhas. Foi reedificada no ano de 1922.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
Garcia Homem de Sousa fundou a Capela de Santo Amaro.
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A atual Capela de Santo Amaro foi reconstruída.
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Filipe de Carvalhal Esmeraldo administrava o morgadio de Santo Amaro.
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Morreu D. Júlia Esmeraldo, última proprietária da Capela de Santo Amaro mencionada.
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A Capela de Santo Amaro, em Santa Cruz, foi reconstruída.
Lugar
Lugares mencionados · 10- Santo Amaro · Assunto
Funchal. Sítio onde se encontra a mais antiga capela de Santo Amaro.
Santo Amaro é um sítio da freguesia de Santo António, no Funchal, onde se encontra a mais antiga capela de Santo Amaro. A capela foi fundada no século XV por Garcia Homem de Sousa, genro de Zargo, a quem pertencia esta propriedade e que aí construiu uma casa senhorial fortificada para se defender dos cunhados. A quinta ficou onerada com um legado de azeite.
- Alecrins
Funchal. Sítio a que se chegava pelo caminho que partia da antiga entrada da capela.
Alecrins é um sítio da freguesia de Santo António, no Funchal, e a sede do morgadio dos Alecrins, instituído em 1577. Ali se situavam a desaparecida Capela de Nossa Senhora da Quietação (1670) e a respetiva quinta, bem como uma das conferências de São Vicente de Paulo de Santo António.
- Câmara de Lôbos
Câmara de Lobos. Filipe de Carvalhal Esmeraldo foi capitão-mor de Câmara de Lobos.
Freguesia a oeste do Funchal. O Elucidário relaciona o seu nome com a viagem de descoberta de Zarco e descreve as suas igrejas, capelas e colegiada, os primeiros povoadores, a comunidade piscatória e as vinhas afamadas. Regista também os sítios, limites, levadas e população da freguesia.
- Lombada dos Esmeraldos
Ponta do Sol. Local onde se encontram as ruínas de uma capela de Santo Amaro atribuída a João Esmeraldo.
Grande propriedade açucareira da freguesia da Ponta do Sol, também chamada Lombada da Ponta do Sol, adquirida por João Esmeraldo a Rui Gonçalves da Câmara (datada de 1473 ou 1498 em diferentes artigos) e posteriormente denominada a partir da sua família. Esmeraldo instituiu aí um morgadio em 1512 e, após litígios relativos à sua divisão, a propriedade foi dividida em dois morgadios, Santo Espírito e Vale da Bica. Nela encontram-se a Capela do Espírito Santo, uma Capela de Santo Amaro em ruínas e uma casa senhorial também em ruínas. Em 1835, passou do concelho do Funchal para o da Ponta do Sol.
- Madre de Deus
Santa Cruz. Local perto do qual Garcia Homem de Sousa construiu uma torre; a sua identificação é incerta.
Madre de Deus é uma localidade do Caniço, na Madeira, cujo nome provém da sua capela manuelina do século XVI, dedicada a Nossa Senhora da Madre de Deus. Segundo os registos, Garcia Homem de Sousa construiu uma torre nas suas proximidades, embora não seja certa a identificação desse local.
- Ponta do Sol
Freguesia que inclui a Lombada dos Esmeraldos.
Freguesia e concelho da costa sul, povoados a partir de cerca de 1440 por Rodrigo Enes «o Coxo». A igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz conserva um tríptico. O Elucidário regista também o cais de 1848, pago pela Câmara Municipal, e a visita régia de 1858.
- Santa Cruz
Vila com uma concorrida capela de Santo Amaro, reconstruída em 1922.
Santa Cruz é uma freguesia e uma das povoações mais antigas da Madeira. Recebeu o nome de uma cruz que Zarco ali mandou erguer aquando da descoberta. O Elucidário aborda a sua história eclesiástica inicial, a colegiada, as capelas, os povoadores nobres e os sítios da freguesia.
- Santo António
Funchal. Freguesia a que a capela sempre pertenceu.
Santo António é uma freguesia do concelho do Funchal, na Madeira, onde nasce a ribeira de São João e onde os Jesuítas tinham a sua residência do Pico do Cardo. A igreja possui uma inscrição latina de 1783, e na freguesia encontram-se as capelas da Madalena, de São João e Santana e do Pópulo; a freguesia dá também nome a uma elevação de cerca de 400 metros perto da igreja.
- São Martinho
Funchal. Freguesia vizinha onde Azevedo situou erradamente a capela.
São Martinho é uma freguesia suburbana a oeste do Funchal, criada em 1579 a partir de São Pedro e parcialmente integrada na cidade em 1927. Teve fábricas de açúcar, cultivou vinha da casta Tinta e possui bombas vulcânicas características. É apontada como terra natal de D. Nuno de Aguiar.
- Tanque
Funchal. Caminho para o qual dava a antiga entrada da capela.
Caminho para o qual dava a antiga entrada da capela.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 10- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Anotador das Saudades da Terra, que situou erradamente a capela na freguesia de São Martinho.
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Terceira filha de Zarco e mulher do fundador da capela.
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Capitão-mor de Câmara de Lobos e administrador do morgadio de Santo Amaro em 1700.
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Irmão e sucessor de José Joaquim, o mais novo, no morgadio de Santo Amaro.
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Genro de Zarco que fundou a Capela de Santo Amaro em 1460 e construiu uma casa fortificada para se defender dos cunhados.
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Filha de Francisco António que herdou a propriedade e a capela.
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Terá construído uma capela de Santo Amaro na Lombada dos Esmeraldos no final do século XV.
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor da Madeira e primeiro capitão-donatário do Funchal, sogro do fundador da capela.
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Filho de Filipe e seu sucessor no morgadio de Santo Amaro; sucedeu-lhe o filho homónimo.
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Irmã de Isabel que herdou a capela e morreu em 1915.