Lombada dos Esmeraldos 1Origem e aforamento da Lombada
Lombada dos Esmeraldos
A Lombada dos Esmeraldos, também chamada Lombada da Ponta do Sol, é uma grande propriedade da freguesia da Ponta do Sol, adquirida por João Esmeraldo a Rui Gonçalves da Câmara em 1473 e posteriormente dividida em dois morgadios. O artigo aborda a sua história, os litígios em torno da divisão, a Capela do Espírito Santo e a casa senhorial em ruínas.
No estrangeiro
1Origem e aforamento da Lombada
Também é conhecida pela Lombada da Ponta do Sol por ficar situada na freguesia deste nome. Deveria ter sido esta a sua primitiva denominação. Quando passou a pertencer a João Esmeraldo e aos seus descendentes, como administradores do morgadio ali instituído, é que tomou o nome da Lombada dos Esmeraldos. Para evitar escusadas repetições, remetemos o leitor para o artigo consagrado a João Esmeraldo (vol. 1, pag. 410), onde já demos notícia desenvolvida desta grande propriedade, que era e ainda é a maior de toda a ilha. Apenas acrescentaremos alguns pormenores de que ali se não faça menção. O descobridor João Gonçalves Zarco logo nos primeiros tempos da colonização reservou para si e seus filhos várias lombadas e extensos tratos de terreno, que quási todos se transformaram em importantes e florescentes casas vinculadas. Rui Gonçalves da Câmara (Vid. vol. 1.°, pag. 206), segundo ou terceiro filho de Zarco, foi contemplado com a grande lombada que ia do mar à serra e se extendia da ribeira da Caixa até á ribeira da Ponta do Sol. Ignoramos que tempo esteve de posse desta propriedade e que explorações agrícolas teria nela realizado. Ao contrario do que se diz no artigo dedicado a João Esmeraldo, foi em 1473 que este comprou ou antes aforou a Rui Gonçalves da Câmara aquele vasto e fertilissimo terreno pela importância de 600$000 réis e a renda vitalícia anual de 150$000 réis, isto é no ano anterior àquele em que foi estabelecer-se nos Açores, pois as crónicas deste arquipélago dão como certa a ida de Rui Gonçalves para a ilha de São Miguel no ano de 1474.
João Soares de Albergaria, 2.° capitão e donatario de S. Miguel, acompanhou á Madeira sua mulher que aqui faleceu, dizendo o padre António Cordeiro na Historia Insulana que querendo ele agradecer a Rui Gonçalves da Câmara «a grande hospedagem que lhe fizera», resolveu vender-lhe a sua donataria, e por preço tão barato, acrescenta Gaspar Frutuoso, que a cedeu por oitocentos mil reis em dinheiro e quatro mil arrobas de assucar». Afirma-se que a venda ou antes o aforamento da lombada da Ponta do Sol se destinou á compra da donataria da ilha de São Miguel, o que parece muito provável.
2Morgadios, capela e solar
Como já fica sumariamente exposto nos artigos citados, João Esmeraldo casou em primeiras e segundas núpcias, e a favor dos dois filhos que houve dos dois matrimónios instituiu em 1522 o morgadio do Vale da Bica, composto da metade oriental da Lombada, e o do Santo Espírito, compreendendo a metade ocidental indo a linha divisória do Pico das Pedras, junto do Paul da Serra, pelo caminho do concelho abaixo até à coroa do Pico da Amendoeira e dai até entestar no mar. Feitas estas partilhas, tiraram sortes e coube o morgado do Vale da Bica a João Esmeraldo de Vasconcelos, filho do primeiro matrimónio, e o do Santo Espírito ao filho do segundo matrimónio Cristovão Esmeraldo. Levantaram-se dúvidas acerca destas partilhas e seguiram-se depois longas demandas que, com intervalos, se renovaram pelos anos fora, perdurando por mais dum século esses pleitos judiciais, que pareciam intermináveis. Deram-se então curiosos episódios e peripécias que o conselheiro Agostinho de Ornelas, ultimo administrador do morgadio do Vale da Bica, sumariamente descreve num interessante artigo publicado no n.° 237 do jornal A Verdade, de 16 de Outubro de 1897.
Ali construiu Esmeraldo uma capela dedicada ao Espírito Santo, a que também chamavam da Conceição, que foi sagrada pelo bispo D. João Lobo no ano de 1508 e que ficou sendo a sede deste morgadio. O templo actual é uma reedificação da primeira metade do século XVIII, sendo a capela mais vasta, mais elegante e mais rica de toda a diocese. É digno de admiração e apreço o lambris de azulejos, que interiormente cobre o roda-pés das paredes da capela, representando, em figuras simbólicas, os Dons e os Frutos do Espírito Santo. Tem cinco altares e nela se encontram algumas imagens primorosamente esculturadas. Nas suas imediações, se acha o vasto e arruinado solar, que era a mais aparatosa casa de campo da Madeira, tendo sido reedificada pelos anos de 1679 pelo morgado Luís Esmeraldo de Atouguia. O último representante desta instituição vincular foi o 2.° conde de Carvalhal, que ali estadeou o brilho e a magnificência com que costumava revestir as suas deslumbrantes e aparatosas festas. Neste sítio, onde chamam o Passo, se encontram um dos dois cemitérios paroquiais e as ruínas duma velha capela dedicada a Santo Amaro, cuja construção se atribui também a João Esmeraldo. Vid. A Lombada dos Esmeraldos na Ilha da Madeira pelo padre Fernando A. Silva.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 07-
A Capela do Espírito Santo, na Lombada dos Esmeraldos, foi reconstruída.
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Rui Gonçalves da Câmara arrendou a Lombada da Ponta do Sol a João Esmeraldo por 600$000 réis, acrescidos de uma renda anual.
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Rui Gonçalves da Câmara mudou-se para São Miguel, nos Açores, como capitão-donatário da ilha.
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D. João Lobo, bispo de Tânger, consagrou a Capela do Espírito Santo na Lombada dos Esmeraldos, na Ponta do Sol, a primeira igreja consagrada na Madeira.
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João Esmeraldo dividiu o seu morgadio do Santo Espírito nos morgadios do Santo Espírito e do Vale da Bica.
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Luís Esmeraldo de Atouguia reconstruiu a casa senhorial da Lombada dos Esmeraldos.
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Agostinho de Ornelas publicou em A Verdade um artigo sobre os litígios relativos aos morgadios dos Esmeraldos.
Lugar
Lugares mencionados · 14- Lombada dos Esmeraldos · Assunto
Ponta do Sol
Grande propriedade açucareira da freguesia da Ponta do Sol, também chamada Lombada da Ponta do Sol, adquirida por João Esmeraldo a Rui Gonçalves da Câmara (datada de 1473 ou 1498 em diferentes artigos) e posteriormente denominada a partir da sua família. Esmeraldo instituiu aí um morgadio em 1512 e, após litígios relativos à sua divisão, a propriedade foi dividida em dois morgadios, Santo Espírito e Vale da Bica. Nela encontram-se a Capela do Espírito Santo, uma Capela de Santo Amaro em ruínas e uma casa senhorial também em ruínas. Em 1835, passou do concelho do Funchal para o da Ponta do Sol.
- Açores
Portugal. Arquipélago para onde Rui Gonçalves da Câmara se mudou em 1474.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- Capela de Santo Amaro (Lombada)
Ponta do Sol. Antiga capela em ruínas atribuída a Esmeraldo.
A Capela de Santo Amaro é uma antiga capela em ruínas na Lombada, freguesia da Ponta do Sol, Madeira, atribuída a Esmeraldo. Era o destino das procissões da Via-Sacra.
- Capela do Espírito Santo (Lombada)
Ponta do Sol. Capela construída por Esmeraldo, consagrada em 1508 e reconstruída no século XVIII.
A Capela do Espírito Santo, na Lombada da Ponta do Sol, foi construída por Esmeraldo, sagrada em 1508 e reconstruída no século XVIII. Serviu de estação da procissão das Ladainhas.
- Passo
Ponta do Sol. Sítio onde se encontram um cemitério paroquial e a Capela de Santo Amaro em ruínas.
Passo é um sítio da freguesia e concelho da Ponta do Sol, na Madeira. Na sua parede rochosa encontra-se a marca semelhante a um sol que, segundo se diz, deu nome à freguesia. Tem um cemitério paroquial e as ruínas da Capela de Santo Amaro.
- Paul da Serra
Ponta do Sol. Planalto próximo do Pico das Pedras.
O Paul da Serra é o único planalto extenso da Madeira, situado a cerca de 1 500 m de altitude e abrangendo quatro concelhos, onde as temperaturas podem descer até ao ponto de congelação. Nas suas margens nascem as fontes do Rabaçal e do Risco, a Ribeira da Tabua e a Ribeira da Janela, e dele são alimentadas as principais levadas. O Elucidário regista a sua vegetação, os ensaios agrícolas, as Casas de Abrigo, os encontros para a tosquia das ovelhas, o uso dos terrenos comuns e um projeto de estrada inacabado.
- Pico da Amendoeira
Ponta do Sol. Ponto da linha divisória entre os morgadios.
O Pico da Amendoeira é uma elevação com uma bela vista, na Lombada dos Esmeraldos, perto da capela e da casa senhorial dos Condes de Carvalhal. Era um ponto da linha divisória entre os morgadios da lombada.
- Pico das Pedras
Ribeira Brava. Ponto de partida da linha divisória entre os dois morgadios.
O Pico das Pedras é um pico da Madeira em cujas encostas nasce a Ribeira da Tabua. Assinalava o início da linha divisória entre os dois morgadios da Lombada dos Esmeraldos.
- Ponta do Sol
Freguesia onde se situa a lombada.
Freguesia e concelho da costa sul, povoados a partir de cerca de 1440 por Rodrigo Enes «o Coxo». A igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz conserva um tríptico. O Elucidário regista também o cais de 1848, pago pela Câmara Municipal, e a visita régia de 1858.
- Ribeira da Caixa
Câmara de Lobos. Um dos limites da lombada original.
Ribeira da qual uma parte considerável também se chama Ribeira do Vigário. Constituiu um limite da propriedade da Lombada e, mais tarde, da freguesia da Ponta do Sol com a da Tabua. Brás Gil de Faria possuía terras de sesmaria na sua margem direita.
- Ribeira da Ponta do Sol
Ponta do Sol. O outro limite da lombada original.
A Ribeira da Ponta do Sol nasce no Pico da Fonte do Norte e abastece bem de água a localidade. Constituiu o limite oriental do concelho original da Ponta do Sol, o limite ocidental do termo do Funchal e um dos limites da propriedade da Lombada.
- Santo Espírito
Ponta do Sol. Morgadio que abrangia a metade ocidental da lombada.
Santo Espírito é um morgadio que abrange a metade ocidental da Lombada dos Esmeraldos, na Ponta do Sol. A sua capela (atualmente de Nossa Senhora da Conceição) foi construída pelo colono flamengo João Esmeraldo no início do século XVI e sagrada em 1508. É descrita como a maior e mais rica capela da diocese.
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Pessoas
Pessoas mencionadas · 13-
Último representante do morgadio do Santo Espírito, famoso pelas festas sumptuosas que dava na casa senhorial.
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Último administrador do morgadio de Vale da Bica, que escreveu um artigo sobre os litígios em 1897.
- António Cordeiro1641–1722
Autor da Historia Insulana, citado a propósito da venda da capitania de São Miguel.
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Filho do segundo casamento de Esmeraldo, a quem coube o morgadio do Santo Espírito.
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Bispo que consagrou a Capela do Espírito Santo em 1508.
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Autor de uma monografia sobre a Lombada dos Esmeraldos, recomendada para leitura complementar.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista açoriano citado a propósito do preço da capitania de São Miguel.
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Adquiriu a Lombada da Ponta do Sol em 1473 e nela instituiu, em 1522, dois morgadios destinados aos filhos.
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Filho do primeiro casamento de Esmeraldo, a quem coube o morgadio de Vale da Bica.
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor da Madeira que reservou grandes lombadas para si e para os filhos, incluindo esta.
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Segundo capitão-donatário de São Miguel, que vendeu a sua capitania a Rui Gonçalves da Câmara por um preço baixo.
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Detentor do morgadio que reconstruiu a casa senhorial por volta de 1679.
- Rui Gonçalves da Câmaram. 1497
Filho de Zarco que recebeu a lombada e a arrendou a Esmeraldo em 1473, antes de comprar a capitania de São Miguel.