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Nossa Senhora da Piedade (Capelas de) 1Capelas do Caniçal, Câmara de Lobos, Calheta e Ponta do Sol
Artigo Nº 2606 Capela Porto Santo Vol. II · pp. 882–884 5 min de leitura

Nossa Senhora da Piedade (Capelas de)

Panorama das capelas dedicadas a Nossa Senhora da Piedade na Madeira, desde a ermida no alto da falésia, no Caniçal, até às capelas particulares fundadas por padres e morgados em Câmara de Lobos, Calheta, Ponta do Sol, Funchal, Monte, São Vicente, Jardim do Mar e Porto da Cruz.

Nossa Senhora da Piedade (Capelas de)
Mapa: Arquipélago da Madeira (19)

1Capelas do Caniçal, Câmara de Lobos, Calheta e Ponta do Sol

Uma capela desta invocação se encontra na freguesia do Caniçal, no alto duma escarpada rocha sobranceira ao mar. Quem dobra a ponta de São Lourenço, defronta logo com a pequena ermida a alvejar no cimo do alcantilado monte. Em outro tempo, teve adjunta uma casa destinada a recolher os devotos que ali iam em romarias. Lemos algures constar da tradição que a edificação desta capela é o fruto do voto de marinheiros que, vendo o seu navio prestes a despedaçar-se contra os fraguedos da costa, prometeram erigir na cumiada do monte uma pequena ermida dedicada à Santíssima Virgem. Também a dão como fundada por Garcia Moniz, primeiro administrador do morgadio do Caniçal, ou por algum dos seus sucessores. Há muitos anos pertencia à casa vinculada de São Gil, que tinha o seu solar na Calçada na freguesia de Santa Cruz.

Todos os anos se dirige a esta capela um original préstito religioso, de que já falámos no artigo consagrado á freguesia do Caniçal.

O padre Manuel Gonçalves Henriques construiu em 1800, junto da casa da sua residência, no sítio da Caldeira, da freguesia de Câmara de Lobos, uma capela dedicada a Nossa Senhora da Piedade, que dotou, segundo as leis canónicas, pela escritura publica de 3 de Abril do ano referido. É hoje (1921) propriedade do padre António Rodrigues Diniz Henriques.

Outra capela dedicada a Nossa Senhora da Piedade se levantava no sítio chamado da Vargem de Baixo, da freguesia da Calheta, a qual foi construída em 1657 pelo capitão António Moniz de Meneses e sua mulher D. Catarina de Meneses, e na área do morgadio do Vale da Bica, na Lombada dos Esmeraldos (V. este nome), na freguesia da Ponta do Sol, onde chamam o Jangão, se construiu uma pequena capela com a mesma invocação, em ano que não podemos precisar. Em 1777, o administrador daquele vínculo, Francisco de Ornelas e Vasconcelos, acrescentou e melhorou a capela, sendo a 3 de Agosto daquele ano concedida autorização para ser novamente benzida. A 12 de Outubro de 1879, o arcebispo de Goa, D. Aires de Ornelas e Vasconcelos, benzeu de novo a mesma capela e nela celebrou missa, depois dos repairos a que ali mandou proceder seu irmão, o par do reino Agostinho de Ornelas e Vasconcelos, 15.° administrador do referido morgadio do Vale da Bica.

2Capelas do Funchal e outras freguesias

O pequeno largo formado pela rua da Carreira (Dr. Vieira), e a rua das Pretas (Câmara Pestana), ainda hoje é conhecido pelo nome de Largo da Igrejinha. Proveio esta denominação de ali ter existido uma capela ou pequena igreja, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, que em 1613 fora mandada construir por Domingos Rodrigues Garcês, sendo demolida pela Camara Municipal em 1836.

Numa das notas das Saudades da Terra se faz menção da capela de Nossa Senhora da Piedade, que existiu na freguesia de São Gonçalo, e que foi construída em 1722, por João Rodrigues Oliva, e na freguesia do Monte fundou D. Escolástica Lomelino de Vasconcelos, viúva de João de Freitas da Silva, uma capela da mesma invocação, no ano de 1728. A respectiva escritura de dotação e auto de vistoria têm a data de 6 e 25 de Junho do referido ano.

Francisco Álvaro Homem erigiu uma capela dedicada a Nossa Senhora da Piedade, na freguesia do Estreito da Calheta, pelos anos de 1641, mas há muito que não existe.

Na quinta das Cruzes com porta para o largo que tem o mesmo nome, se encontra a capela de Nossa Senhora da Piedade, fundada por Francisco Esmeraldo Henriques, que era o proprietário da mesma quinta. No pórtico tem gravada a data de 1692, mas a respectiva escritura de dotação é de 25 de Maio de 1695, e a 14 de Junho deste ano foi a capela vistoriada para o efeito da celebração dos ofícios divinos. Nela se encontra actualmente (1921) um carneiro, que se afirma encerrar os despojos mortais de Urbano Lomelino (V. Lomelino), fundador do convento de Nossa Senhora da Piedade (V. este nome) da vila de Santa Cruz.

No sítio do Paço, da freguesia de São Vicente, o padre Manuel de Andrade fez erigir no ano de 1784, uma capela consagrada a Nossa Senhora da Piedade, sendo a escritura de dotação de 16 de Dezembro do mesmo ano, e na freguesia do Jardim do Mar existe também uma capela, com a mesma invocação, que foi fundada no ano de 1736 pelo morgado João de Couto Cardoso, junto das casas de sua residência. Um seu sucessor, Francisco João de Vasconcelos Couto Cardoso, a fez reedificar em 1825, pelo adiantado estado de ruína em que se encontrava, dando-lhe maiores proporções e mudando-a para as imediações da antiga ermida. Tem servido de igreja paroquial. É seu actual proprietário (1921) Francisco João de Vasconcelos, directo representante do seu fundador e restaurador.

Uma capela da mesma invocação existiu na freguesia do Porto da Cruz, que era pertença do morgadio instituído por António Teixeira, conhecido pela alcunha do Rei Pequeno (V. Teixeira). Era das mais antigas da capitania de Machico e já no primeiro quartel do século XVI se achava bastante arruinada. Um dos sucessores na administração desta capela, Manuel de Carvalho Valdavesso, a fez reconstruir em 1734, sendo concedida licença para a bênção dela a 8 de Setembro do mesmo ano. Em 1814, sendo seu administrador Tristão Teixeira de Vasconcelos Saavedra, foi ela encerrada, em virtude do estado de ruína em que se encontrava, sendo as respectivas alfaias recolhidas à igreja paroquial, onde se vê ainda o velho retábulo que figurava no altar da referida capela.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 15
  1. Domingos Rodrigues Garcez fundou a Capela de Nossa Senhora da Piedade no Largo da Igrejinha, no Funchal.

  2. Foi erguida uma capela de Nossa Senhora da Piedade no Estreito da Calheta.

  3. Foi construída a Capela da Piedade na Vargem de Baixo, Calheta.

  4. A capela de Nossa Senhora da Piedade da Quinta das Cruzes foi construída, dotada e vistoriada para o culto.

  5. Foi construída a capela de São Gonçalo.

  6. A capela de Nossa Senhora da Piedade no Monte foi fundada e dotada.

  7. Foi concedida licença para benzer a capela reconstruída de Nossa Senhora da Piedade, no Porto da Cruz.

  8. Foi fundada a capela de Nossa Senhora da Piedade no Jardim do Mar.

  9. A Capela de Nossa Senhora da Piedade, no Jangão, na Ponta do Sol, foi restaurada e ampliada por Francisco de Ornelas de Vasconcelos, tendo sido concedida autorização para a sua nova bênção em 3 de agosto de 1777.

  10. Foi erguida a capela do Paço em São Vicente.

  11. O Padre Manuel Gonçalves Henriques construiu e dotou a capela de Nossa Senhora da Piedade na Caldeira.

  12. Foi encerrada a capela arruinada de Nossa Senhora da Piedade no Porto da Cruz.

  13. Francisco João de Vasconcelos de Couto Cardoso reconstruiu e ampliou a capela de Nossa Senhora da Piedade no Jardim do Mar.

  14. A Câmara Municipal do Funchal demoliu a Capela de Nossa Senhora da Piedade, no Largo da Igrejinha.

  15. A Capela de Nossa Senhora da Piedade, no Jangão, na Ponta do Sol, foi restaurada por Agostinho de Ornelas de Vasconcelos e novamente benzida pelo arcebispo de Goa em 12 de outubro de 1879.

Lugar

Lugares mencionados · 19
  1. Nossa Senhora da Piedade · Assunto

    Porto Santo

  2. Calçada

    Santa Cruz. Sede do morgadio de São Gil, a que pertencia a capela do Caniçal.

  3. Caldeira

    Câmara de Lobos. Local da capela construída em 1800.

  4. Caniçal

    Machico. Freguesia onde se situa a capela no alto da falésia.

  5. Estreito da Calheta

    Calheta. Freguesia onde existiu uma capela de 1641, entretanto desaparecida.

  6. Jangão

    Ponta do Sol. Local da capela restaurada em 1777 e 1879.

  7. Jardim do Mar

    Calheta. Freguesia cuja capela serviu de igreja paroquial.

  8. Largo da Igrejinha

    Funchal. Largo que recebeu o nome da capela entretanto demolida.

  9. Lombada dos Esmeraldos

    Ponta do Sol. Zona do morgadio de Vale da Bica onde se situava a capela do Jangão.

  10. Monte

    Funchal. Freguesia onde se situa a capela de 1728.

  11. Paço

    São Vicente. Local da capela construída em 1784.

  12. Ponta de São Lourenço

    Machico. Promontório de onde se avista a capela.

+ 7 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 21
  1. Par do reino e 15.º administrador do morgadio de Vale da Bica, reparou a capela do Jangão.

  2. Aires de Ornelas1866–1930

    Arcebispo de Goa que voltou a benzer a capela do Jangão em 12 de outubro de 1879.

  3. Capitão que construiu com a mulher a capela da Vargem de Baixo, na Calheta, em 1657.

  4. Padre que era proprietário da capela da Caldeira em 1921.

  5. Conhecido pela alcunha de Rei Pequeno, fundou o morgadio a que pertencia a capela do Porto da Cruz.

  6. Fundou com o marido a capela da Vargem de Baixo em 1657.

  7. Fundou em 1613 a capela do Funchal que deu nome ao Largo da Igrejinha.

  8. Viúva que fundou a capela do Monte em 1728.

  9. Construiu uma capela no Estreito da Calheta cerca de 1641, hoje desaparecida.

  10. Administrador do morgadio de Vale da Bica que ampliou a capela do Jangão em 1777.

+ 11 mais
  1. Proprietário da Quinta das Cruzes que fundou a sua capela na década de 1690.

  2. Proprietário da capela do Jardim do Mar em 1921 e herdeiro direto do seu fundador.

  3. Morgado que fundou a capela do Jardim do Mar em 1736.

  4. Primeiro administrador do morgadio do Caniçal, a quem a tradição atribui a fundação da capela do Caniçal.

  5. Marido falecido da fundadora da capela do Monte.

  6. Construiu a capela de São Gonçalo em 1722.

  7. Administrador que reconstruiu a capela do Porto da Cruz em 1734.

  8. Padre que construiu a capela na Caldeira, em Câmara de Lobos, em 1800.

  9. Padre que construiu a capela no Paço, em São Vicente, em 1784.

  10. Administrador quando a capela do Porto da Cruz, em ruínas, foi encerrada em 1814.

  11. Fundador do convento de Santa Cruz, cujos restos mortais se diz estarem sepultados na capela da Quinta das Cruzes.

Na folha N

Vistos recentemente

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