Teixeira (António) 1O Rei Pequeno
Teixeira (António)
António Teixeira, neto de Tristão Vaz, primeiro donatário de Machico, foi um nobre madeirense conhecido como «Rei Pequeno» pela sua generosidade e orgulho. A entrada cita o Padre Fernando de Meneses Vaz sobre a tradição segundo a qual ouvia missa a cavalo na Igreja do Faial e sobre a cheia de 1803, que arrastou a casa senhorial da sua família.
1O Rei Pequeno
Era filho de Lançarote Teixeira e de Beatriz de Góis e neto de Tristão Vaz, primeiro donatário de Machico. Deixou nome nos antigos nobiliários madeirenses, sendo conhecido pelo nome de Rei Pequeno. São interessantes os seguintes período, extraídos dum escrito do ilustrado genealogista, padre Fernando de Meneses Vaz:
«Dizem as crónicas que o apelido lhe viera da magnanimidade da sua pessoa, da generosidade com que repartia seus réditos, e liberdade em distribuí-los, já entre os da sua privança, já pelos indigentes e necessitados do logar.
«No entanto, como não ha formosa sem senão, ufano de sua fidalguia saboreando o bem que prodigalizava, deixava-se toldar um pouco pela vaidade e orgulho humanos. «Tido por grande pelos homens julgava-se também grande deante de Deus.
«Não lhe mingava a crença, é certo. Ele mesmo levantara a capela da Senhora da Piedade, no Porto da Cruz, como cabeça do morgado instituído por Lançarote Teixeira, seu pai; mas, cheio de si, ouvia missa, segundo a tradição, a cavalo, junto da porta principal da igreja do Faial fazendo ajoelhar a cavalgadura ao toque de levantar a Deus, para não ombrear com seus escravos e domésticos era-lhe senhor. «Mas quantas vezes o pobre escravo desejaria desmontá-lo e dizer-lhe ao ouvido: diante de Deus, todos somos iguais; Deus não olha a cores, só nos distingue a virtude?!... «Mortal, como todos os homens, embora rico e grande, com avultado numero de annos, foi-se um dia da vida presente António Teixeira e sepultaram-no, sem o cavalo, está claro, no seu jazigo da capela-mór da velha igreja do Faial, onde ficou dormindo o sono derradeiro.
2As ribeiras e o vínculo
«As ribeiras, porém, não quiseram que ele ouvisse ali as tubas do venite ad judicium. Congregaram-se aí, por 1699, entraram dentro do templo e, sem outro desrespeito pelo santuário, abriram o jazigo do Rei Pequeno, levando-lhe o corpo como castigo da sua petulância de ouvir missa montado, e assim, lá foi o morgado ribeira abaixo, a pé, tantos anos depois de morto, ele que em sua vida sempre andara a cavalo...
«E o vínculo de João Teixeira de Vasconcelos? — perguntará o leitor. Esse foi correndo nos seus descendentes até Álvaro Teixeira de Orneias Saavedra, ultimo varão daquela dinastia de reis pequenos, que, não tendo sucessor, passou a sua irmã D. Maria Teodolinda.
«O solar daqueles fidalgos era na Banda dos Moinhos, do Faial e foi para o mar na aluvião de 1803. Nessa ocasião tinha saído de casa o velho morgado, cego como o velho Eneas, ás costas de um criado, a caminho da Cruz, onde fixou residência, a qual existe ainda, sem morgados já, sem a sombra dos velhos carvalheiros, a esboroar-se e a cair também...»
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02-
As águas da cheia entraram na antiga Igreja do Faial e arrastaram do túmulo o corpo do Rei Pequeno.
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A grande aluvião de 9 de outubro de 1803, considerada a maior calamidade da Madeira, devastou o Funchal e outras partes da ilha, matou cerca de 600 pessoas e destruiu a igreja do Calhau, muros de contenção das ribeiras, pontes e capelas em Machico, Santa Cruz e noutros locais. Motivou a missão de Oudinot e a expansão da cidade para o exterior.
Lugar
Lugares mencionados · 05- Banda dos Moinhos
Santana. Local da casa senhorial da família, arrastada pela cheia de 1803.
Local da casa senhorial da família, arrastada pela cheia de 1803.
- Capela de Nossa Senhora da Piedade
Machico. Capela construída por António Teixeira como capela principal do morgadio do pai.
Nome atribuído a mais de uma capela: uma construída por Simão Acciaioly no convento de São Francisco, no Funchal, onde foi sepultado; uma pequena capela num outeiro junto à praia da Piedade, na Ponta de São Lourenço; e uma capela demolida que deu nome à Rua da Igrejinha.
- Igreja do Faial
Santana. Igreja onde ouvia missa a cavalo e foi sepultado, atingida pelas cheias por volta de 1699.
A Igreja do Faial era uma igreja de peregrinação cujas festividades foram descritas por Frutuoso. António Teixeira ouviu missa ali a cavalo e foi ali sepultado; por volta de 1699, as águas das cheias entraram na igreja.
- Machico
Capitania de Tristão Vaz, avô de António Teixeira.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Porto da Cruz
Machico. Freguesia onde se situava a capela da família e onde o velho morgado se estabeleceu depois de 1803.
Freguesia da Costa Norte criada em 1577 e conhecida pelos seus vinhos de boa qualidade. Passou do concelho de Santana para o de Machico em 1852 e foi sede de uma capitania-mor. Era também um porto de pesca onde eram desembarcados alguns cachalotes.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 08- António Teixeira1795–1876
Neto de Tristão Vaz, conhecido como «Rei Pequeno»; segundo a tradição, ouvia missa a cavalo no Faial.
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Último titular masculino do morgadio, morreu sem herdeiros.
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Mãe de António Teixeira.
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Genealogista cujo texto sobre o Rei Pequeno é extensamente citado nesta entrada.
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Referido como titular do morgadio da família, que passou aos seus descendentes.
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Pai de António Teixeira e fundador do morgadio cuja capela principal ficava no Porto da Cruz.
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Irmã de Álvaro Teixeira de Orneias Saavedra, a quem passou o morgadio.
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Primeiro capitão-donatário de Machico e avô de António Teixeira.