Ornelas de Vasconcelos (Aires de) 1Nascimento, estudos e campanhas de África
Ornelas de Vasconcelos (Aires de)
Biografia de Aires de Ornelas de Vasconcelos (1866–1930), militar nascido na Madeira que se distinguiu nas campanhas de Moçambique, especialista em questões coloniais, ministro da Marinha e do Ultramar (1906–1908), dirigente monárquico e deputado pela Madeira.
1Nascimento, estudos e campanhas de África
Nasceu na freguesia da Camacha a 5 de Março de 1866 e é filho do conselheiro Agostinho de Ornelas de Vasconcelos (V. este nome) e de D. Maria Joaquina Saldanha da Gama. Pela ascendência paterna pertence a uma das mais antigas e distintas famílias madeirenses e pela linha materna é neto dos condes da Ponte. Estudou os preparatórios no Colégio de Campolide e tendo cursado a Escola Politécnica e a Escola do Exercito, foi despachado alferes em 1889, fazendo parte da arma do Estado Maior.
Desde logo se dedicou ao estudo de assuntos militares, começando a colaborar activamente em revistas da especialidade e fundando em 1893 a Revista do Exercito e da Armada, de que foi um dos mais assíduos redactores.
Aires de Ornelas seguiu para a África Oriental em 1895, revelando-se aí um distintíssimo militar e alcançando sem demora um grande renome em todo o país. Tomou parte na campanha contra o Gungunhana e na preparação das colunas de Marracuene e Inhambane, sendo porém nos combates de Coolela e Marracuene, em que verdadeiramente afirmou a sua coragem, a sua competência e o seu inexcedível sangue frio, que mais consolidou a reputação de que já gozava de ser um dos oficiais que mais se distinguiram nas nossas guerras da África. Mousinho de Albuquerque, que foi o grande herói das nossas campanhas africanas na segunda metade do século XIX, não queria outro chefe de estado maior senão Aires de Ornelas, dizendo no relatório das campanhas de 1896-1897 que «na sua arma era ele o oficial mais completo que tinha conhecido, possuindo todas as qualidades de oficial de cavalaria de campanha e de oficial de estado maior.
2Questões coloniais, ministério e política monárquica
Consagrou-se especialmente ao estudo dos assuntos coloniais, a que a sua permanência em África, a administração que fez no distrito de Lourenço Marques e as diversas comissões militares e diplomáticas que desempenhou, deram a maior autoridade, sendo considerado no nosso país como um dos homens públicos que mais larga e profundamente conhecia as nossas questões ultramarinas, sobretudo nas suas relações com as outras potencias coloniais. Os seus conhecimentos nesta especialidade revelaram-se principalmente nos estudos publicados em diversas revistas, na direcção do Jornal das Colónias, nos capítulos Marraquene e Coolela do livro Campanha das tropas portuguesas em Lourenço Marques e Inhambane, no estudo intitulado As raças e línguas indígenas de Moçambique, e em algumas conferencias realizadas na Sociedade de Geografia e na Liga Naval. Aires de Ornelas representou o Governo português no Congresso Militar que se reuniu em Madrid por ocasião do centenário de Colombo, e, mais tarde, fêz parte, como delegado técnico, da celebre conferencia da Haia. Foi também escolhido para, juntamente com o almirante Hermenegildo Capelo e o capitão de fragata Ernesto de Vasconcelos, formarem a comissão técnica que foi discutir com os ingleses a questão dos limites de Barotze, submetida á arbitragem do rei de Itália. Tomou Aires de Ornelas uma parte muito activa nesta missão e especialmente na colaboração na memoria histórica justificativa dos direitos de Portugal.
Quando o conselheiro João Franco foi em 1906 encarregado de constituir ministério, deixando em todo o país as gloriosas tradições que ainda perduram, escolheu o capitão Aires de Ornelas para gerir a pasta da marinha e ultramar. Foi como titular desta pasta que em 1907 acompanhou o príncipe real D. Luís Felipe numa viagem ás nossas colónias ultramarinas da África ocidental e oriental.
Com a implantação da Republica, o conselheiro Aires de Ornelas pediu a sua demissão de oficial do exercito e abandonou o país, tendo residido algum tempo no estrangeiro.
Regressando á pátria, tomou parte activa na organização e direcção da política monárquica, e é hoje o lugar-tenente de D. Manuel II no nosso país (1921). Envolvido nos acontecimentos políticos das tentativas de restauração monárquica, foi preso e durante longos meses passou encarcerado na Penitenciaria e na fortaleza de S. Julião da Barra.
Teve uma vasta colaboração em muitos jornais e revistas, havendo sido durante alguns anos o director do Diário Nacional. Além dos escritos que ficam citados, temos conhecimento de que publicou: Mousinho de Albuquerque e a sua acção em Moçambique, A Expansão de Portugal, Politica Marítima Nacional, A Marinha Portuguesa, As doutrinas politicas de Charles Maurras, Um Anno de Guerra, de 285 pág., Segundo Anno de Guerra, de 305 paginas, etc.
Foi deputado pela Madeira na sessão legislativa de 1918 e foi também eleito deputado por um dos círculos do Continente, em Janeiro de 1922.
Faleceu em Lisboa a 14 de Dezembro de 1930, sendo os seus restos mortais trasladados para o cemitério das Angustias do Funchal no ano de 1934.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 10-
Aires de Ornelas nasceu na Camacha.
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Aires de Ornelas foi promovido a alferes do Estado-Maior.
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Aires de Ornelas de Vasconcelos fundou a Revista do Exército e da Armada.
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Aires de Ornelas de Vasconcelos partiu para a África Oriental e combateu na campanha contra Gungunhana.
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João Franco nomeou Aires de Ornelas de Vasconcelos ministro da Marinha e do Ultramar.
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Aires de Ornelas de Vasconcelos acompanhou o príncipe Luís Filipe numa viagem às colónias africanas.
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Foi deputado pela Madeira.
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Aires de Ornelas de Vasconcelos foi eleito deputado por um círculo eleitoral do continente.
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Aires de Ornelas de Vasconcelos morreu em Lisboa.
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Os restos mortais de Aires de Ornelas de Vasconcelos foram trasladados para o Cemitério das Angústias, no Funchal.
Lugar
Lugares mencionados · 08No estrangeiro
- Camacha
Santa Cruz. Local de nascimento de Aires de Ornelas.
A Camacha é uma freguesia situada nas terras altas acima do Caniço, no concelho de Santa Cruz, fundada em 1676 com sede na Capela de São Lourenço. O Elucidário aborda a sua igreja, o seu papel na invasão miguelista de 1828, as quintas, as levadas, a Casa de Abrigo do Poiso, a romaria do Pentecostes, as saias acolchoadas das mulheres, as plantas e os jardins, e a sua célebre indústria de vimes, iniciada por Hinton.
- Cemitério das Angústias
Funchal. Cemitério do Funchal para onde foram trasladados os seus restos mortais em 1934.
Cemitério municipal do Funchal, que teve origem num pequeno espaço de enterramento da Misericórdia, de 1818, e foi construído em 1836–1838. Tem um pórtico de basalto lavrado, um necrotério e um monumento de 1917 às vítimas do bombardeamento alemão. Entre os ali sepultados contam-se o 2.º Conde de Carvalhal e o Deão Andrade.
- Coolela
Mozambique. Local de uma batalha em que se distinguiu.
Coolela é o local, em Moçambique, de uma batalha travada em 1895, na qual combateu Alexandre José Sarsfield e se distinguiu Aires de Ornelas de Vasconcelos.
- Forte de São Julião da Barra
Portugal. Fortaleza onde esteve preso pela sua atividade monárquica.
O Forte de São Julião da Barra é uma fortaleza perto de Lisboa que defendia o porto e que Tristão Vaz da Veiga entregou aos espanhóis. Serviu mais tarde de prisão, tendo detido Acursio Garcia Ramos, José Ferreira Pestana antes da deportação e Aires de Ornelas de Vasconcelos por atividade monárquica.
- Inhambane
Mozambique. Região de Moçambique para a qual ajudou a preparar colunas militares.
Região moçambicana para a qual ajudou a preparar colunas.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde morreu.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Lourenço Marques
Mozambique. Distrito de Moçambique que administrou.
Lourenço Marques é uma cidade e um distrito de Moçambique, na África Oriental, para onde emigraram madeirenses em 1889–1890 e onde jogaram muitos futebolistas madeirenses. Vários madeirenses ali prestaram serviço, escreveram sobre o lugar ou morreram: João de Andrade e o Dr. António Aurélio da Costa Ferreira ali faleceram, César Pereira chegou em 1897 para prestar serviço colonial e Aires de Ornelas administrou o distrito.
- Marracuene
Mozambique. Local de uma batalha em que se distinguiu.
Local de uma batalha em que se distinguiu.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 11-
Pai de Aires de Ornelas, com entrada própria no Elucidário Madeirense.
- Aires de Ornelas1866–1930
Militar nascido na Madeira, especialista em questões coloniais, ministro da Marinha e do Ultramar e dirigente monárquico a quem esta entrada é dedicada.
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Escritor político francês cujas doutrinas foram tema de uma obra de Aires de Ornelas.
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D. Manuel II, último rei de Portugal, no exílio, de quem Aires de Ornelas foi lugar-tenente em Portugal em 1921.
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Comandante naval que integrou, com Aires de Ornelas, a comissão de delimitação da fronteira do Barotse.
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Governante africano em Moçambique contra quem Portugal empreendeu uma campanha em 1895, na qual participou Aires de Ornelas.
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Almirante que integrou, com Aires de Ornelas, a comissão sobre a disputa fronteiriça do Barotse com a Grã-Bretanha.
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Chefe do Governo a partir de 1906, que nomeou Aires de Ornelas ministro da Marinha e do Ultramar.
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Herói das campanhas portuguesas em África que quis Aires de Ornelas como chefe do seu Estado-Maior e o elogiou no seu relatório de 1896–1897.
- Luís Filipem. 1908
Príncipe herdeiro português que Aires de Ornelas acompanhou numa viagem às colónias africanas em 1907.
+ 1 mais
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Mãe de Aires de Ornelas, da família dos Condes da Ponte.