Capelo e Ivens (Os exploradores)
Descreve a receção festiva oferecida no Funchal, em setembro de 1885, aos oficiais da Marinha portuguesa e exploradores de África Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens. Mais tarde, duas ruas junto ao Jardim Municipal receberam os seus nomes.
Recepção aos exploradores
Entre as brilhantes recepções que na Madeira se têm preparado a alguns dos seus mais ilustres visitantes, destaca-se a que a 12 de Setembro de 1885 se fêz aos exploradores africanos e nossos compatriotas, os oficiais de marinha Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens.
Numa reunião que alguns dias antes se realizara no Palacio de S. Lourenço, sob a presidencia do governador civil Vasco Guedes, assentou-se no programa definitivo dos festejos e nomearam-se as comissões que deviam dar plena execução aos numeros desse programa.
Na entrada da cidade construíu-se um improvisado cais de madeira, vistosamente engalanado, e aí se efectuou o desembarque dos exploradores, que eram aguardados pelas autoridades, funcionarios publicos, membros das comissões e por todas as pessoas de maior distinção desta cidade, além de muito povo. A entrada da cidade e antiga Praça da Constituição achavam-se magnificamente ornamentadas, e á noite foram iluminadas com grande brilho e profusão.
Após o desembarque, realizou-se uma recepção solene no Palacio de S. Lourenço, onde varios oradores saudaram com entusiasticas alocuções os exploradores e estes receberam as homenagens da numerosa e escolhida assistencia que ali se encontrava.
Á tarde foi oferecido nas salas do antigo “Club Funchalense” um esplendido banquete de 60 talheres, a que presidiu o conde de Carvalhal, e ali se pronunciaram varios discursos, que Roberto Ivens comovidamente agradeceu em seu nome e no do seu companheiro de trabalhos.
Os exploradores percorreram em seguida as ruas e praças iluminadas, e Roberto Ivens entrando no edificio da Associação Comercial, traçou, num mapa de Africa, um rapido esbôço da viagem de exploração que acabavam de realizar através do continente negro, esbôço que por muitos anos se conservou na secretaria daquela colectividade e que ainda por certo ali se encontra, religiosamente guardado.
As vastas e elegantes salas do “Club Funchalense” novamente se abriram na noite do dia seguinte para o esplendido baile que ali se realizou e que foi uma magnifíca festa, que muito impressionou os ilustres exploradores e em extremo os penhorou.
Embarcaram no dia 14 de Setembro em direcção a Lisboa, onde os aguardava uma brilhante e entusiastica recepção.
As ruas que pelo sul e norte ladeiam o Jardim Municipal, foram respectivamente postos os nomes de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 01Lugar
Lugares mencionados · 07No estrangeiro
- África
Africa. Continente atravessado pelos exploradores.
África é referida como destino de expedições madeirenses, soldados e condenados ao exílio, e como mercado de exportação da manteiga madeirense. Os exploradores Capelo e Ivens atravessaram o continente, e o Norte de África é apontado como região de origem da tamareira.
- Associação Comercial do Funchal
Funchal. Edifício onde Ivens traçou o percurso da expedição num mapa de África.
Edifício onde Ivens traçou num mapa de África o itinerário da expedição.
- Club Funchalense
Funchal. Instalações onde se realizaram o banquete e o baile.
O Club Funchalense era um clube do Funchal em cujas salas se realizaram o banquete e o baile em homenagem aos exploradores Capelo e Ivens. Foi também palco de um baile oferecido pela Câmara Municipal ao Infante D. Luís.
- Jardim Municipal do Funchal
Funchal. Jardim ladeado pelas ruas que receberam os nomes de Capelo e Ivens.
O Jardim Municipal do Funchal é um jardim público construído no local do antigo convento franciscano, tendo sido destruídos os alicerces dos Paços do Concelho que ali se projetavam construir; é ladeado por ruas com os nomes de Capelo e Ivens. Destaca-se pelas suas palmeiras, Pandanus e Dammara. Nele se encontram o monumento aos aviadores, cuja primeira pedra foi lançada em 1921, e o monumento a João Fernandes Vieira, para ali transferido em 1933.
- Lisboa
Portugal. Destino dos exploradores após a partida da Madeira.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Palácio de São Lourenço
Funchal. Local da reunião de organização e da receção solene aos exploradores.
O Palácio de São Lourenço, palácio-fortaleza dos governadores no Funchal, foi palco de cerimónias de beija-mão, receções, bailes e jantares, bem como da exposição de 1861. O Elucidário regista ali um grande incêndio em 1699, um museu de história natural em 1850 e uma tentativa de entrada de soldados em 1829. O Teatro Grande ficava em frente.
- Praça da Constituição
Funchal. Praça decorada e iluminada para a chegada dos exploradores.
A Praça da Constituição era uma praça do Funchal, anteriormente chamada Passeio Público, que recebeu o nome da constituição liberal ali proclamada em 28 de janeiro de 1821. Chamou-se Praça Real durante o governo de D. Miguel, passou a Praça da República em 1911 e desapareceu em 1914 com a construção da Avenida Oeste. Ficava junto ao Jardim Municipal e era ponto terminal do elétrico.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 04-
Oficial da Marinha portuguesa e explorador de África, homenageado no Funchal em setembro de 1885 juntamente com Roberto Ivens.
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Oficial da Marinha portuguesa e explorador de África que agradeceu a hospitalidade recebida no Funchal e traçou num mapa, na Associação Comercial, o percurso da sua viagem através de África em 1885.
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Nobre madeirense que presidiu ao banquete de 60 convivas oferecido aos exploradores no Club Funchalense em 1885.
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Governador civil do Funchal que presidiu à reunião de organização da receção a Capelo e Ivens em 1885.