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Jardim Municipal 1Fundação e denominações do Jardim
Artigo Nº 1907 Rua, largo ou caminho Funchal Vol. II · pp. 349–350 3 min de leitura

Jardim Municipal

História do Jardim Municipal do Funchal, criado a partir de 1880 nos terrenos do antigo convento franciscano, incluindo o seu financiamento, os sucessivos nomes, a iluminação, um monumento aos primeiros aviadores da ligação Lisboa–Madeira e as suas plantas de destaque.

Jardim Municipal

No estrangeiro

Mapa: Madeira (7)

1Fundação e denominações do Jardim

Em 21 de Fevereiro de 1878 nomeou a Câmara Municipal do Funchal uma comissão de vereadores, encarregada de promover sob a superintendência do Governador Civil, o estabelecimento de jardins na cerca do extinto convento de S. Francisco e no terreno entre a mesma cerca e a Praça da Constituição. O terreno a oeste da Praça da Constituição foi ajardinado pouco tempo depois, mas os trabalhos na cerca de S. Francisco só se iniciaram em Agosto de 1880, tendo o projecto e planta do jardim que ali existe sido aprovados pela Câmara em 15 de Setembro de 1881. Para custear as despesas exigidas por esses trabalhos, destinou a Câmara primeiramente a importância de 15 contos, desviada do empréstimo de 69.980$000 réis, contraído em 1883 com a Companhia Geral do Credito Predial, e depois a importância de 19.980$000 réis, proveniente de outro empréstimo contraído no ano imediato com a mesma companhia.

Em Outubro de 1880, quando se procedia aos primeiros trabalhos no terreno do extinto convento de S. Francisco, achou-se ali, seguido diz um documento da época, «uma pedra, servindo de tampa a um pequeno vão talhado em outra pedra, no qual foram encontrados uns restos que pareciam de pergaminho apodrecido». A pedra ou tampa foi mandada recolher no Arquivo Municipal, onde todavia se não encontra, e apresentava a seguinte inscrição, em letras douradas: D. Ma. Iª. Rainha de P. Pio VI, P. M. Fr. Bernardo N. E. P. D. U. S. C. “ Julho 1780 ”.

Em 1 de Outubro de 1885 deu a Câmara ao novo Jardim o nome de Jardim Municipal, mas em 6 de Setembro de 1897 foi esse nome substituído pelo de Jardim D. Amélia, o qual se conservou até 27 de Outubro de 1910, em que foi resolvido restabelecer a denominação dada em 1885 ao mesmo recinto. Em 21 de Março de 1902 inaugurou-se ali a iluminação eléctrica, e em 1916 foi a mesma iluminação melhorada, visto já em 1911 se ter reconhecido que os fios transmissores da energia se achavam em mau estado.

Em 28 de Março de 1921, pelas 5 horas da tarde, foi celebrada perante enorme assistência a cerimónia do lançamento da primeira pedra do monumento que o Sr. Henrique Vieira de Castro vai fazer erigir no Jardim Municipal, em homenagem aos aviadores que primeiro realizaram o raid Lisboa-Madeira, sendo a acta, depois de assinada pelas autoridades que assistiram á cerimónia, encerrada, juntamente com algumas moedas, num cofre de ferro, que o Governador Civil colocou nos alicerces da obra (1921).

2Plantas e terreno do Jardim

As primeiras plantas introduzidas no Jardim Municipal vieram de Paris, tendo chegado depois outras do Porto e de mais algumas procedências. Entre as espécies que vegetam ali actualmente, são dignas de menção especial a Pritchardia filifera, a Phoenix canariensis e o Trachycarpus excelsus, palmeiras muito ornamentais, a Dammara australis e a Ginkgo biloba, coniferas de fôlhas largas, e a Wigandia macrophylla, a Astrapaea Wallichii, a Jossinia tinifolia, a Plumiera lutea, a Pterocarya japonica, o Negundo fraxinifolium e a Alsophila excelsa. Em 29 de Agosto de 1888 resolveu a Camara comprar vinte e nove vidraças para o estabelecimento de uma estufa que ainda hoje existe no Jardim Municipal e onde vegetam algumas especies curiosas, principalmente begónias e avencas.

O terreno e edificio do convento de S. Francisco, onde está o Jardim Municipal, foram cedidos à Camara por decreto de 7 de Novembro de 1844.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 12
  1. Data de uma inscrição numa pedra posteriormente encontrada nos terrenos conventuais do Jardim Municipal.

  2. Um decreto cedeu à Câmara Municipal o terreno e o edifício do Convento de São Francisco, no Funchal, para a instalação dos tribunais; o local deu mais tarde lugar ao Jardim Municipal.

  3. Em 21 de fevereiro, a Câmara do Funchal nomeou uma comissão para criar jardins nos terrenos do Convento de São Francisco, e o pequeno jardim foi construído nesse ano.

  4. Começaram as obras do Jardim Municipal do Funchal no recinto do Convento de São Francisco; em outubro, encontrou-se durante os trabalhos uma pedra com uma inscrição datada de 1780.

  5. A Câmara do Funchal aprovou o projeto do Jardim Municipal.

  6. A Câmara do Funchal contraiu um empréstimo junto da Companhia Geral do Crédito Predial, parcialmente utilizado no Jardim Municipal.

  7. O jardim do Funchal recebeu o nome de Jardim Municipal.

  8. A Câmara comprou vidraças para a estufa do Jardim Municipal.

  9. O Jardim Municipal do Funchal passou a chamar-se Jardim D. Amélia.

  10. Foi inaugurada a iluminação elétrica do Jardim Municipal do Funchal.

  11. A comissão municipal republicana do Funchal alterou os nomes de ruas e lugares, criando a Avenida João Gonçalves Zarco, repondo o nome Jardim Municipal e anulando a designação do parque Leite Monteiro.

  12. Foi lançada no Jardim Municipal do Funchal a primeira pedra do monumento aos primeiros aviadores da ligação Lisboa–Madeira.

Lugar

Lugares mencionados · 07
  1. Jardim Municipal · Assunto

    Funchal

  2. Arquivo Municipal do Funchal

    Funchal. Para onde foi enviada a pedra com a inscrição, embora já não se encontre lá.

  3. Convento de São Francisco

    Funchal. Antigo convento cujos terrenos deram lugar ao jardim.

  4. Funchal

    Concelho cuja Câmara criou o jardim.

  5. Paris

    France. De onde vieram as primeiras plantas do jardim.

  6. Porto

    Portugal. De onde vieram plantas posteriormente.

  7. Praça da Constituição

    Funchal. Praça contígua ao jardim; os terrenos a oeste foram ajardinados primeiro.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 04
  1. Rainha de Portugal mencionada na pedra com inscrição de 1780 encontrada durante as obras do jardim.

  2. Frei mencionado na inscrição de 1780 descoberta em 1880.

  3. Promotor do monumento aos primeiros aviadores da ligação Lisboa–Madeira no jardim, cuja construção começou em 1921.

  4. Papa mencionado na pedra com inscrição de 1780 encontrada nos terrenos do convento.

Na folha J

Vistos recentemente

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