Rodrigues de Vilares (D. Luis) 1Nomeação e zelo episcopal
Rodrigues de Vilares (D. Luis)
Biografia de D. Luís Rodrigues de Vilares, bispo do Funchal de 1798 a 1810, lembrado sobretudo pelo seu intenso conflito com o governador D. José Manuel da Câmara, que levou à sua expulsão temporária do Funchal em 1803 e à exoneração do governador.
1Nomeação e zelo episcopal
Se este prelado Funchalense não nasceu no Brasil, ao menos passou ali uma parte da sua mocidade e ali recebeu também a sua educação literária.
Foi confirmado bispo da Madeira pelo papa Pio VI a 29 de Julho de 1797 e tomou posse da sua diocese no princípio do ano de 1798.
Mostrou-se sempre zeloso no exercício das suas funções episcopais e na observância da disciplina eclesiástica.
2Lutas com o governador
Teve graves lutas com o governador e capitão-general D. José Manuel da Câmara, que duraram longo tempo e que chegaram a romper em conflito violento, tendo o governo central que intervir na lamentável contenda suscitada entre as duas autoridades superiores do arquipélago. De longe vinham essas desinteligências. O prelado opôs-se ao aquartelamento das tropas inglesas no Colégio dos Jesuítas, concedido por D. Maria I para servir de seminário diocesano, mas teve que ceder perante a força. Retirando as tropas para Inglaterra, instou D. Luís Vilares pela entrega do edifício, ao que não acedeu o governador, com o fundamento de que ele era indispensável para o aquartelamento das forças da guarnição. Outros motivos surgiram ainda que agravaram essa desinteligência, e alegando D. José Manuel da Câmara uma suposta desconsideração que recebera do prelado na Sé Catedral, intimou-lhe a imediata saída para fora da cidade, o que se realizou no dia 18 de Junho de 1803, indo D. Luis Vilares para uma propriedade que a mitra possuía na freguesia do Santo da Serra e ali permaneceu aproximadamente quatro meses.
O facto causou grande escândalo, não só na Madeira mas também em Portugal, mandando o governo central a esta ilha o desembargador Dr. Joaquim António de Araújo, encarregado de sindicar os acontecimentos e vindo acompanhado do novo governador Ascenso de Sequeira Freire, os quais chegaram ao Funchal na fragata Carlota, no dia 5 de Dezembro de 1803.
Nos dias 10 e 11 do mesmo mes, cada um em seu navio de guerra, seguiram respectivamente para a capital D. Luis Rodrigues de Vilares e D. José Manuel da Câmara, ás ordens do governo da metrópole, enquanto no Funchal prosseguia activamente a sindicância. Dela resultou para o governador e capitão-general a sua imediata demissão, sendo também censurado pelas arbitrariedades que cometera, e para o prelado a sua continuação no lugar que ocupava nesta diocese e a restituição do Colégio dos Jesuítas, não podendo no entretanto subtrair-se a uma censura que lhe dirigira o governo pela pouca cordura e ponderação que em muitos actos revelara.
3Santo da Serra e morte
D. Luis de Vilares, durante a sua estada no Santo da Serra, promoveu a plantação do arvoredo do passal e fez continuar um fontanário que ainda ali existe e que é conhecido pelo nome da Fonte do Bispo.
Morreu nesta cidade a 1 de Outubro de 1810 e jaz sepultado na capela-mor da Sé Catedral.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Pio VI confirmou D. Luís Rodrigues de Vilares como bispo da Madeira.
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O bispo D. Luís Rodrigues de Vilares tomou posse da diocese do Funchal no início do ano.
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Um grave conflito entre o governador D. José Manuel da Câmara e o bispo D. Luís Rodrigues de Vilares, a propósito do Colégio dos Jesuítas, levou o governador a obrigar o bispo a deixar o Funchal e a ir para Santo da Serra.
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O desembargador Joaquim António de Araújo e o novo governador Ascenso de Sequeira Freire chegaram ao Funchal na fragata Carlota.
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O bispo D. Luís Rodrigues de Vilares e o governador demitido partiram separadamente da Madeira para Lisboa, por ordem do governo.
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O bispo D. Luís Rodrigues de Vilares morreu no Funchal.
Lugar
Lugares mencionados · 07No estrangeiro
- Brasil
Brazil. Local onde o bispo passou a juventude e recebeu a sua educação.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- Colégio dos Jesuítas
Funchal. Edifício disputado pelo bispo e pelo governador para servir de seminário ou quartel.
Antigo colégio dos Jesuítas no Funchal, cujas Aulas do Pátio acolheram o ensino secundário e, mais tarde, o liceu, e onde também funcionou a Escola de Geometria e Trigonometria. Acolheu o Seminário diocesano de 1788 a 1801, foi disputado pelo bispo e pelo governador para servir de seminário ou de quartel e foi ocupado por tropas britânicas em 1801. Mais tarde, serviu de quartel de infantaria, e parte do seu recinto foi cedida para alargar a Rua do Castanheiro.
- Fonte do Bispo
Machico. Fonte concluída pelo bispo em Santo da Serra.
A Fonte do Bispo, em Santo da Serra, é uma fonte mandada concluir pelo bispo D. Luís Rodrigues de Vilares.
- Funchal
Cidade de onde o bispo foi expulso e onde morreu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Inglaterra
United Kingdom. País para onde regressaram as tropas britânicas.
A Inglaterra surge no Elucidário como o primeiro grande mercado dos bordados da Madeira e o principal importador dos artigos de vime madeirenses. Era também a origem da maior parte da manteiga consumida no Funchal no início do século XIX. Foi um dos principais refúgios dos emigrados liberais que fugiam à perseguição miguelista, e vários madeirenses estudaram ou exerceram funções diplomáticas no país.
- Santo António da Serra
Machico. Freguesia onde o bispo permaneceu numa propriedade da mitra durante o exílio.
Freguesia serrana situada num planalto acima de Santa Cruz e Machico, dividida entre esses dois concelhos. O Elucidário aborda o seu povoamento, a igreja, os conflitos ligados ao protestantismo e a efémera colónia da Aldeia da Rainha, formada por habitantes do Porto Santo. Regista ainda as suas quintas, a lagoa, a fábrica de laticínios de Burnay e o desterro de um bispo na freguesia.
- Sé do Funchal
Funchal. Local da alegada afronta ao governador e da sepultura do bispo.
A Sé do Funchal é a catedral do Funchal, na freguesia da Sé. A sua construção começou em 1493; tornou-se sede paroquial em 1508 e catedral em 1514. Foi ponto de partida de procissões e local do voto a São Tiago, e nela estão sepultados bispos.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06- D. Luís Rodrigues de Vilaresm. 1810
Bispo do Funchal (1798–1810) cujo confronto com o governador causou um escândalo nacional.
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Novo governador, chegado ao Funchal em dezembro de 1803 para substituir Câmara.
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Rainha que cedeu o Colégio dos Jesuítas para servir de Seminário Diocesano.
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Desembargador enviado em 1803 para investigar o conflito entre o bispo e o governador.
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Governador que expulsou o bispo do Funchal em 1803 e foi exonerado após o inquérito.
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Papa que confirmou Vilares como bispo da Madeira em 1797.