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Rodrigues de Vilares (D. Luis) 1Nomeação e zelo episcopal
Artigo Nº 3247 Clero e religiosos Vol. III · pp. 382–383 2 min de leitura

Rodrigues de Vilares (D. Luis)

Biografia de D. Luís Rodrigues de Vilares, bispo do Funchal de 1798 a 1810, lembrado sobretudo pelo seu intenso conflito com o governador D. José Manuel da Câmara, que levou à sua expulsão temporária do Funchal em 1803 e à exoneração do governador.

Rodrigues de Vilares (D. Luis)

1Nomeação e zelo episcopal

Se este prelado Funchalense não nasceu no Brasil, ao menos passou ali uma parte da sua mocidade e ali recebeu também a sua educação literária.

Foi confirmado bispo da Madeira pelo papa Pio VI a 29 de Julho de 1797 e tomou posse da sua diocese no princípio do ano de 1798.

Mostrou-se sempre zeloso no exercício das suas funções episcopais e na observância da disciplina eclesiástica.

2Lutas com o governador

Teve graves lutas com o governador e capitão-general D. José Manuel da Câmara, que duraram longo tempo e que chegaram a romper em conflito violento, tendo o governo central que intervir na lamentável contenda suscitada entre as duas autoridades superiores do arquipélago. De longe vinham essas desinteligências. O prelado opôs-se ao aquartelamento das tropas inglesas no Colégio dos Jesuítas, concedido por D. Maria I para servir de seminário diocesano, mas teve que ceder perante a força. Retirando as tropas para Inglaterra, instou D. Luís Vilares pela entrega do edifício, ao que não acedeu o governador, com o fundamento de que ele era indispensável para o aquartelamento das forças da guarnição. Outros motivos surgiram ainda que agravaram essa desinteligência, e alegando D. José Manuel da Câmara uma suposta desconsideração que recebera do prelado na Sé Catedral, intimou-lhe a imediata saída para fora da cidade, o que se realizou no dia 18 de Junho de 1803, indo D. Luis Vilares para uma propriedade que a mitra possuía na freguesia do Santo da Serra e ali permaneceu aproximadamente quatro meses.

O facto causou grande escândalo, não só na Madeira mas também em Portugal, mandando o governo central a esta ilha o desembargador Dr. Joaquim António de Araújo, encarregado de sindicar os acontecimentos e vindo acompanhado do novo governador Ascenso de Sequeira Freire, os quais chegaram ao Funchal na fragata Carlota, no dia 5 de Dezembro de 1803.

Nos dias 10 e 11 do mesmo mes, cada um em seu navio de guerra, seguiram respectivamente para a capital D. Luis Rodrigues de Vilares e D. José Manuel da Câmara, ás ordens do governo da metrópole, enquanto no Funchal prosseguia activamente a sindicância. Dela resultou para o governador e capitão-general a sua imediata demissão, sendo também censurado pelas arbitrariedades que cometera, e para o prelado a sua continuação no lugar que ocupava nesta diocese e a restituição do Colégio dos Jesuítas, não podendo no entretanto subtrair-se a uma censura que lhe dirigira o governo pela pouca cordura e ponderação que em muitos actos revelara.

3Santo da Serra e morte

D. Luis de Vilares, durante a sua estada no Santo da Serra, promoveu a plantação do arvoredo do passal e fez continuar um fontanário que ainda ali existe e que é conhecido pelo nome da Fonte do Bispo.

Morreu nesta cidade a 1 de Outubro de 1810 e jaz sepultado na capela-mor da Sé Catedral.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 04
  1. Pio VI confirmou D. Luís Rodrigues de Vilares como bispo da Madeira.

  2. O bispo D. Luís Rodrigues de Vilares tomou posse da diocese do Funchal no início do ano.

  3. Um grave conflito entre o governador D. José Manuel da Câmara e o bispo D. Luís Rodrigues de Vilares, a propósito do Colégio dos Jesuítas, levou o governador a obrigar o bispo a deixar o Funchal e a ir para Santo da Serra.

  4. O desembargador Joaquim António de Araújo e o novo governador Ascenso de Sequeira Freire chegaram ao Funchal na fragata Carlota.

  5. O bispo D. Luís Rodrigues de Vilares e o governador demitido partiram separadamente da Madeira para Lisboa, por ordem do governo.

  6. O bispo D. Luís Rodrigues de Vilares morreu no Funchal.

Lugar

Lugares mencionados · 07

No estrangeiro

Mapa: Madeira (7)
  1. Brasil

    Brazil. Local onde o bispo passou a juventude e recebeu a sua educação.

  2. Colégio dos Jesuítas

    Funchal. Edifício disputado pelo bispo e pelo governador para servir de seminário ou quartel.

  3. Fonte do Bispo

    Machico. Fonte concluída pelo bispo em Santo da Serra.

  4. Funchal

    Cidade de onde o bispo foi expulso e onde morreu.

  5. Inglaterra

    United Kingdom. País para onde regressaram as tropas britânicas.

  6. Santo António da Serra

    Machico. Freguesia onde o bispo permaneceu numa propriedade da mitra durante o exílio.

  7. Sé do Funchal

    Funchal. Local da alegada afronta ao governador e da sepultura do bispo.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 06
  1. Bispo do Funchal (1798–1810) cujo confronto com o governador causou um escândalo nacional.

  2. Novo governador, chegado ao Funchal em dezembro de 1803 para substituir Câmara.

  3. Rainha que cedeu o Colégio dos Jesuítas para servir de Seminário Diocesano.

  4. Desembargador enviado em 1803 para investigar o conflito entre o bispo e o governador.

  5. Governador que expulsou o bispo do Funchal em 1803 e foi exonerado após o inquérito.

  6. Papa que confirmou Vilares como bispo da Madeira em 1797.

Na folha R

Vistos recentemente

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