Palmeiras
Descreve as palmeiras cultivadas na Madeira, nenhuma delas autóctone, sobretudo a tamareira e a palmeira-das-Canárias, com indicações sobre os locais onde crescem e outras espécies introduzidas.
A família das Palmeiras está representada na Madeira por varias espécies, nenhuma das quais é indígena. As mais generalizadas actualmente são a Phoenix dactylifera, originaria da Africa boreal, e a Ph. Jubae, originaria das Canarias, esta com fôlhas de um verde escuro, aproximadas, aquela com fôlhas dum verde acinzentado, de ordinario um tanto afastadas. As tamaras da palmeira de Canarias são mais pequenas do que as da palmeira do Deserto e os seus caroços não são alongados, como sucede naquela especie. A Ph. jubae é cultivada no jardim municipal e nas quintas a leste e a oeste do Funchal; a Ph dactylifera aparece em muitas localidades da zona inferior da Madeira, e também no Porto Santo. Os frutos da palmeira do deserto só depois de caírem é que atingem nesta ultima ilha um perfeito estado de maturação. Além das duas referidas palmeiras, encontram-se na Madeira o Trachycarpus excelsus, a pritchardia filifera, a Latania borbonica, a Seaforthia elegans, etc., etc.
Neste artigo
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- África
Africa. Norte de África, região de origem da tamareira.
África é referida como destino de expedições madeirenses, soldados e condenados ao exílio, e como mercado de exportação da manteiga madeirense. Os exploradores Capelo e Ivens atravessaram o continente, e o Norte de África é apontado como região de origem da tamareira.
- Canárias
Spain. Região de origem de Phoenix jubae.
As Canárias são o arquipélago vizinho da Madeira, cuja descoberta é objeto de relatos divergentes. Segundo a tradição, o seu rei Béthencourt vendeu-as ao Infante D. Henrique em troca de terras na Madeira. O Elucidário refere numerosos contactos entre os dois arquipélagos, incluindo visitas científicas, a digressão do Orfeão Madeirense em maio de 1922 e o massacre de quarenta Jesuítas nas suas águas.
- Funchal
A palmeira-das-Canárias cresce no jardim municipal e em quintas a leste e a oeste da cidade.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Porto Santo
A tamareira cresce no Porto Santo, mas os seus frutos só amadurecem depois de caírem.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.