Palmela (Duque de) 1Visita de 1820
Palmela (Duque de)
Relato das duas visitas à Madeira do 1.º Duque de Palmela, D. Pedro de Sousa Holstein: em 1820, a caminho do Brasil, e em 1847–1848, na companhia da mulher gravemente doente, que morreu pouco depois de regressar a Lisboa.
1Visita de 1820
O duque de Palmela, D. Pedro de Sousa Holstein, visitou a Madeira em Novembro de 1820, por ocasião da viagem que fêz ao Brasil, sendo muito obsequiado nesta ilha pelo governador Sebastião Xavier Botelho, que deu um baile em honra do ilustre diplomata, a que assistiram mais de duzentas pessoas.
Durante o pouco tempo que se demorou no Funchal, diz êle numa carta que aqui escreveu, «foram tantas as visitas, os negocios, os passeios, etc.,... que me falta o tempo para tudo.» Esteve na Quinta do Palheiro Ferreiro, pertencente «ao mais rico proprietario da ilha e talvez de Portugal» onde achou «um parque á inglêsa, no melhor genero».
2Estada de 1847 e morte da duquesa
O duque de Palmela visitou de novo a Madeira, em Outubro de 1847, desta vez para acompanhar a espôsa, que se achava afectada duma grave enfermidade pulmonar, de que não conseguiu melhorar nesta ilha.
A 27 de Janeiro de 1848 achava-se o duque ainda na Madeira, mas pouco depois partia para Lisboa, em companhia da espôsa, cujo estado havia piorado bastante. «Numa maca afofada de coxins e almofadas, diz D. Maria Amalia Vaz de Carvalho na Vida do Duque de Palmella, a conduziram marinheiros, da sua casa da ilha ao barco que a trazia, e desse barco para a casa do Rato onde expirou. Ao lado da maca, a pé, o mais perto della possivel, vinham devagarinho o duque e a filha mais nova, a unica solteira que acompanhara para a Madeira a mãe extremosa. Seguiam-se atraz, tambem a pé, os outros filhos, os parentes mais proximos, os amigos mais intimos.»
Dezoito meses incompletos sobreviveu o duque de Palmela a sua mulher, tendo falecido na sua casa ao Rato, a 12 de Abril de 1850. Trinta anos antes, escrevera êle á duquesa, então na flor da mocidade e formosissima, mandando-lhe dentro da carta um ramo de murta, «como protesto, diz D. Maria Amalia Vaz de Carvalho, contra essa flora dos tropicos, cuja violencia de côr e de perfume o opprimia sem lhe fallar ao coração.»
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
O 1.º Duque de Palmela visitou a Madeira a caminho do Brasil e foi homenageado com um baile pelo governador Sebastião Xavier Botelho.
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O 1.º Duque de Palmela regressou à Madeira com a mulher, gravemente doente dos pulmões.
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O 1.º Duque de Palmela ainda se encontrava na Madeira, pouco antes de partir para Lisboa com a mulher doente.
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O 1.º Duque de Palmela morreu na sua casa no Rato, em Lisboa.
Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Brasil
Brazil. Destino da viagem do duque em 1820.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- Funchal
Cidade onde o duque permaneceu brevemente em 1820.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Cidade a que o duque regressou com a mulher moribunda.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Quinta do Palheiro Ferreiro
Funchal. Quinta visitada pelo duque, elogiada pelo seu parque de estilo inglês.
A Quinta do Palheiro Ferreiro é uma propriedade na freguesia de São Gonçalo, no Funchal, apontada como a quinta mais importante e sumptuosa da ilha. O 1.º Duque de Palmela visitou-a e elogiou o seu parque à inglesa; o Balancal confina com o seu limite sul e diz-se que a antiga levada a abastecia.
- Rato
Portugal. Bairro de Lisboa onde ficava a casa dos Palmela em que morreram a duquesa e o duque.
Bairro de Lisboa onde se situava a casa dos Palmela em que morreram a duquesa e o duque.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 03- D. Pedro de Sousa Holsteinm. 1850
Diplomata e estadista português, 1.º Duque de Palmela, que visitou a Madeira em 1820 e 1847–1848.
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Autora portuguesa de Vida do Duque de Palmella, citada a propósito da partida da duquesa da Madeira.
- Sebastião Xavier Botelho1768–1840
Governador da Madeira que ofereceu um baile ao 1.º Duque de Palmela em novembro de 1820.