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Ponta do Sol (Vila e Município da) 1Origens e criação da vila
Artigo Nº 2943 Concelho, município ou vila Ponta do Sol Vol. III · pp. 173–175 3 min de leitura

Ponta do Sol (Vila e Município da)

História da vila e do concelho da Ponta do Sol, centro açucareiro desde cedo elevado a vila em 1501, que acompanha as alterações do seu território municipal e o seu papel como sede de comarca.

Ponta do Sol (Vila e Município da)
Mapa: Madeira (17)

1Origens e criação da vila

Nos tempos primitivos da colonização madeirense, foi a Ponta do Sol um dos mais activos centros da indústria agricola, especialmente com a cultura da cana de açucar e com os correlativos produtos da industria sacarina. Muitos sesmeiros vindos do Continente se estabeleceram nesta localidade, um grande numero de escravos mouros e negros trabalhavam no amanho das terras, construíram-se muitos engenhos para o fabrico do açucar, o que tudo concorria para o engrandecimento e prosperidades deste lugar. Afirma Frutuoso que João Esmeraldo (V. este nome), tinha na sua propriedade da Lombada cêrca de oitenta escravos, e que chegou a fabricar vinte mil arrobas de açucar por ano, o que nos parece exagerado.

Crescendo em importancia e população, e sendo o centro de outras pequenas povoações que se foram criando nos seus arredores, era natural que constituísse uma vila e Município com o seu foral privativo, em que lhe fossem outorgadas as regalias e isenções de que os povos eram então muito ciosos. Assim o entendeu o governo da metropole e, diz o monarca na respectiva carta régia, nós de nosso proprio moto sem no êlles requererê nem outros em seos nomes hemos por bem & fazemos do dito logar da ponta do soll billa... Este diploma tem a data de 2 de Dezembro de 1501 e acha-se registado no tomo 1.° do «Registo Geral da Camara do Funchal» a fls. 67. A copia que existe na secretaria da Camara da Ponta do Sol e que foi extraída do registo da Camara do Funchal, contém varias incorrecções, segundo afirma o anotador das Saudades. O respectivo foral, que é comum aos Municípios do Funchal e da Calheta, tem a data de 6 de Agosto de 1515 e vem transcrito a pag. 494 e seguintes das Saudades da Terra.

2Área do município

O novo Município foi desmembrado do do Funchal e estendia a sua area e jurisdição desde a ribeira da Ponta do Sol até a ponta do Tristão. A Lombada dos Esmeraldos pertencia ao Município do Funchal, embora sob o ponto de vista eclesiastico dependesse da igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz, sendo somente em 1835, por alvará do Prefeito, datado de 24 de Janeiro e registado no Arquivo da Camara do Funchal, que foi encorporada no concelho da Ponta do Sol.

Com a criação do Município da Calheta, em ano que se não pode determinar com precisão, mas que não foi além de 1502, ficou o Município da Ponta do Sol limitado a metade da freguesia do mesmo nome, aos Canhas e á Madalena, que nessa época não eram ainda paroquias autonomas, e ao sitio do Pinheiro, que faz parte agora da freguesia do Arco da Calheta.

Assim se manteve a area deste Município, até que em 1835, com a criação e reorganização dos concelhos, foi constituido o concelho da Ponta do Sol com as freguesias da Ponta do Sol, Madalena do Mar, Canhas, Tabua, Ribeira Brava e Serra de Agua.

Criado o concelho da Ribeira Brava, no ano de 1914, foram as freguesias da Tabua e Serra de Agua desmembradas do concelho da Ponta do Sol e incorporadas no novo concelho.

3Armas, padrão de pesos e comarca

É tradição que ao ser o lugar da Ponta do Sol elevado á categoria de vila, lhe ofereceu o rei D. Manuel um padrão de pesos e uma chancela com as armas do Município. Compunham-se estas de um rosto, como é costume representar o sol, tendo em tôrno a seguinte legenda: Benedictus Dominus Deus Israel quia visitavit et fecit redemptionem. O padrão de pesos é de bronze e pesa 64 arrateis, tendo gravado em volta: Me madou fazere Dom Emânuel rei de Portugal Ano de 1499. Num documento oficial dirigido ao govèrno central em 1853, se diz que este padrão é, no seu genero, uma peça arqueologica de valor.

É a vila da Ponta do Sol sede da comarca do mesmo nome, que abrange os concelhos da Ribeira Brava, Ponta do Sol e Calheta. Esta comarca, como as de Santa Cruz e São Vicente, foi criada pelo decreto de 12 de Novembro de 1875. Instalou-se no dia 28 de Abril de 1876, sendo seu primeiro juiz e primeiro delegado os drs. Martinho da Rocha Guimarães Camões e Antonio Augusto Ribeiro de Campos, que tomaram posse dos seus cargos no dia e por ocasião da instalação da comarca.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 09
  1. D. Manuel I concedeu a Machico as suas armas e mandou fazer padrões de pesos em bronze, que ostentam esta data.

  2. Por carta régia de D. Manuel I, Ponta do Sol foi elevada a vila e tornou-se sede de concelho.

  3. Por carta régia, a Calheta foi elevada a vila e tornou-se sede de concelho, reduzindo a área do concelho da Ponta do Sol.

  4. D. Manuel I concedeu um foral comum ao Funchal, à Ponta do Sol e à Calheta, que fixava os dízimos, o quinto dos açúcares, as receitas da alcaidaria, os preços do sabão e outros tributos.

  5. Uma nova organização administrativa atribuiu à Madeira dez concelhos, criando, entre outros, Câmara de Lobos, Santana (incluindo Porto da Cruz, apesar dos protestos de Machico), Porto Moniz, São Vicente e Calheta, e reorganizando o da Ponta do Sol; os limites do concelho do Funchal foram fixados no final do ano e o chefe do distrito passou a ser o governador civil.

  6. Um alvará do prefeito integrou a Lombada dos Esmeraldos no concelho da Ponta do Sol.

  7. Um documento oficial descreveu o padrão de pesos da Ponta do Sol como uma valiosa peça arqueológica.

  8. Um decreto reorganizou a administração judicial da Madeira em quatro comarcas — Funchal, Ponta do Sol, Santa Cruz e São Vicente —, tornando São Vicente sede de comarca.

  9. Foi instalada a comarca da Ponta do Sol.

  10. Um decreto criou o concelho da Ribeira Brava. O Campanário foi-lhe transferido do concelho de Câmara de Lobos, e a Tábua do concelho da Ponta do Sol.

Lugar

Lugares mencionados · 17
  1. Ponta do Sol · Assunto
  2. Arco da Calheta

    Calheta. Freguesia a que pertence atualmente o Pinheiro.

  3. Calheta

    Partilhou o foral de 1515; a criação do seu concelho reduziu o território da Ponta do Sol.

  4. Canhas

    Ponta do Sol. Parte do concelho.

  5. Funchal

    Concelho do qual a Ponta do Sol foi separada.

  6. Igreja de Nossa Senhora da Luz

    Ponta do Sol. Igreja paroquial da qual a Lombada dependia eclesiasticamente.

  7. Lombada dos Esmeraldos

    Ponta do Sol. Propriedade dos Esmeraldos, transferida do concelho do Funchal para o da Ponta do Sol em 1835.

  8. Madalena do Mar

    Ponta do Sol. Parte do concelho.

  9. Pinheiro

    Calheta. Outrora parte do concelho da Ponta do Sol, pertence hoje ao Arco da Calheta.

  10. Ponta do Sol

    Objeto desta entrada.

  11. Ponta do Tristão

    Porto Moniz. Limite ocidental do concelho original.

  12. Ribeira Brava

    Freguesia de Ponta do Sol desde 1835, elevada a concelho autónomo em 1914.

+ 5 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 05
  1. Primeiro delegado do Ministério Público da comarca da Ponta do Sol, em 1876.

  2. Rei de Portugal que, segundo a tradição, ofereceu à Ponta do Sol um padrão de pesos e um selo com as suas armas.

  3. Gaspar Frutuoso1522–1591

    Cronista e autor de Saudades da Terra, citado a propósito dos escravos de João Esmeraldo e da sua produção de açúcar.

  4. Antigo produtor de açúcar na Lombada, de quem se diz que possuía cerca de oitenta escravos e produzia vinte mil arrobas de açúcar por ano.

  5. Primeiro juiz da comarca da Ponta do Sol, empossado em 28 de abril de 1876.

Na folha P

Vistos recentemente

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