Luís (Infante D.) 1A visita de 1858
Luís (Infante D.)
Relato das duas visitas do Infante D. Luís à Madeira, antes de se tornar rei de Portugal: em 1858, como comandante da corveta Bartolomeu Dias, foi o primeiro membro da família real portuguesa a visitar a ilha; em 1861, regressou para acompanhar a imperatriz D. Isabel da Áustria.
1A visita de 1858
O infante D. Luís, depois rei de Portugal, esteve pela primeira vez na Madeira no ano de 1858. Foi o primeiro membro da família real portuguesa que visitou esta ilha. Na corveta Bartolomeu Dias, de que era comandante, chegou ao nosso porto no dia 8 de Outubro daquele ano, acompanhado pelo seu camarista conde de Linhares. Veio de conserva a canhoneira Sagres. O desembarque efectuou-se no cais da Pontinha, no dia imediato, tendo a recepção revestido o maior luzimento e imponência. Durante os vinte dias que D. Luís se demorou na Madeira, além dos mais festejos e demonstrações publicas de apreço e simpatia que se fizeram em sua honra, realizaram-se esplêndidas festas de caracter particular, cuja lembrança perdurou por largos anos na tradição local, pelo brilhantismo e extraordinário aparato que revestiram. Entre essas festas, sobressaíram notavelmente a do Palheiro Ferreiro e a do jantar e baile no palácio de São Pedro, oferecidos pelo conde de Carvalhal, que muito impressionaram o infante, o baile do Club Funchalense, oferecido pela Câmara Municipal, e a recepção em casa do morgado das Cruzes, Nuno de Freitas Lomelino. D. Luís visitou demoradamente o Asilo da Mendicidade, o Hospício da Princesa D. Maria Amélia, o hospital de Santa Isabel, o hospital militar, o liceu e algumas repartições publicas.
No dia 25 de Outubro, dirigiu-se o príncipe com a sua comitiva á vila da Ponta do Sol, e após o desembarque seguiu imediatamente para a formosa estancia do Rabaçal, regressando à tarde à mesma vila onde pernoitou.
Na véspera da sua partida, deu o infante D. Luís recepção no palácio de São Lourenço e fez ali suas despedidas, agradecendo a alocução que o Governador civil lhe dirigiu nesta ocasião e as extraordinárias provas de consideração e simpatia que recebera dos habitantes desta ilha. Saiu para Lisboa no dia 27 de Outubro de 1858.
2A visita de 1861
Voltou D. Luís à Madeira em 1861, vindo, em nome de D. Pedro V, visitar a imperatriz de Austria Isabel e acompanha-la por ocasião de sua saída desta ilha. Chegou ao Funchal a 17 de Abril daquele ano, e acompanhou até Gibraltar, na corveta Bartolomeu Dias, a embarcação que conduzia a Imperatriz.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02-
O Infante D. Luís chegou ao Funchal na corveta Bartolomeu Dias, na primeira visita de um membro da família real à Madeira. Desembarcou no dia seguinte no cais da Pontinha, onde teve uma grande receção; foi recebido no Palheiro pelo Conde de Carvalhal e encomendou mesas de embutidos para D. Pedro V e para a rainha D. Estefânia.
-
O Infante D. Luís desembarcou no Lugar de Baixo porque o mar agitado impediu o desembarque na Ponta do Sol. Visitou a Ponta do Sol a caminho do Rabaçal.
-
O Infante D. Luís deixou a Madeira rumo a Lisboa, terminando a sua visita.
-
O Infante D. Luís chegou ao Funchal em nome de D. Pedro V para visitar a imperatriz D. Isabel da Áustria e acompanhá-la na partida.
Lugar
Lugares mencionados · 13No estrangeiro
- Asilo de Mendicidade
Funchal. Instituição de beneficência visitada pelo príncipe.
Instituição de beneficência visitada pelo príncipe.
- Cais da Pontinha
Funchal. Local de desembarque de D. Luís a 9 de outubro de 1858.
O cais da Pontinha, no Funchal, foi construído entre 1876 e 1878 e melhorado com as obras do molhe. Foi local de desembarque de visitantes ilustres, entre eles a imperatriz da Áustria, e dos restos mortais do Soldado Desconhecido em 1921, além de ponto terminal de um sistema de abastecimento de água aos navios.
- Club Funchalense
Funchal. Local onde decorreu o baile oferecido pela Câmara Municipal.
O Club Funchalense era um clube do Funchal em cujas salas se realizaram o banquete e o baile em homenagem aos exploradores Capelo e Ivens. Foi também palco de um baile oferecido pela Câmara Municipal ao Infante D. Luís.
- Funchal
Cidade aonde D. Luís chegou a 17 de abril de 1861.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Gibraltar
United Kingdom. Local até onde acompanhou o navio da imperatriz em 1861.
Porto britânico até ao qual a imperatriz da Áustria foi escoltada ao deixar a Madeira e para onde o Padre Macedo foi deportado em 1823. O Dr. Joaquim de Menezes e Ataide morreu ali de peste em 1828. Foi a base das forças britânicas que exigiram a entrega da Bernarda.
- Hospício da Princesa D. Maria Amélia
Funchal. Hospício visitado pelo príncipe.
Hospital do Funchal para pessoas pobres com tuberculose pulmonar, fundado pela imperatriz D. Amélia em memória da filha, falecida na Madeira em 1853. Instalado provisoriamente na Rua do Castanheiro em 1853, mudou-se para um novo edifício, construído entre 1856 e 1859 e inaugurado em 1862 com uma inscrição comemorativa da fundação. Foi administrado pelas Irmãs da Caridade e recebeu uma dotação da rainha Josefina da Suécia. A capela alberga uma imagem de Nossa Senhora das Angústias oferecida por Fernando José Maximiliano, e os jardins, perto da Quinta Vigia, têm muitas espécies lenhosas exóticas.
- Hospital de Santa Isabel
Funchal. Hospital visitado pelo príncipe.
Hospital da Misericórdia no Funchal, cuja construção começou depois de 1686 e que deu nome à Rua do Hospital Velho. Foi utilizado durante 240 anos e vendido à Junta Geral em 1933. Foi criticado num folheto de 1874, e os seus regulamentos foram impressos em 1819 e 1840.
- Lisboa
Portugal. Destino da sua partida em 1858.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Palácio de São Lourenço
Funchal. Local onde D. Luís realizou a sua receção de despedida.
O Palácio de São Lourenço, palácio-fortaleza dos governadores no Funchal, foi palco de cerimónias de beija-mão, receções, bailes e jantares, bem como da exposição de 1861. O Elucidário regista ali um grande incêndio em 1699, um museu de história natural em 1850 e uma tentativa de entrada de soldados em 1829. O Teatro Grande ficava em frente.
- Palácio de São Pedro
Funchal. Palácio onde foram oferecidos um jantar e um baile em honra de D. Luís.
O Palácio de São Pedro é o antigo solar dos Condes de Carvalhal, onde o infante D. Luís foi recebido com um jantar e um baile. A partir de 1933, albergou a biblioteca municipal, o museu de história natural e o Arquivo Histórico da Madeira. Miss Mary Jane Wilson também ali instalou o Colégio de São Jorge.
- Palheiro Ferreiro
Santa Cruz. Quinta onde o Conde de Carvalhal ofereceu uma festa célebre em honra do príncipe.
Quinta e um dos principais sítios da freguesia do Caniço, mais tarde propriedade dos Blandy, cujos terrenos confinam com os da Capela de Nossa Senhora das Neves. O Conde de Carvalhal ofereceu ali uma célebre festa ao infante D. Luís, e realizou-se também ali uma festa durante a visita dos reis de Portugal. Foi um dos postos de defesa organizados por Travassos Valdês durante a ocupação miguelista, tendo para lá sido destacada parte das tropas.
- Ponta do Sol
Vila onde o príncipe desembarcou a 25 de outubro de 1858 e passou a noite.
Freguesia e concelho da costa sul, povoados a partir de cerca de 1440 por Rodrigo Enes «o Coxo». A igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz conserva um tríptico. O Elucidário regista também o cais de 1848, pago pela Câmara Municipal, e a visita régia de 1858.
+ 1 mais
Pessoas
Pessoas mencionadas · 07-
Príncipe português, mais tarde D. Luís I, que visitou a Madeira em 1858 e 1861 como comandante naval; foi o primeiro membro da família real a visitar a ilha.
-
Camareiro que acompanhou o Infante D. Luís na sua visita à Madeira em 1858.
-
Nobre madeirense que organizou festas célebres em honra de D. Luís no Palheiro Ferreiro e no Palácio de São Pedro, em 1858.
- D. Maria Améliam. 1853
Princesa que deu o nome ao Hospício visitado por D. Luís.
-
Rei de Portugal em representação de quem D. Luís visitou a imperatriz D. Isabel na Madeira, em 1861.
-
Imperatriz D. Isabel da Áustria, que se encontrava na Madeira em 1861 e cujo navio D. Luís acompanhou até Gibraltar.
- Nuno de Freitas Lomelinom. 1882
Titular do morgadio das Cruzes, que recebeu D. Luís em sua casa em 1858.