Austria (Imperatriz da) 1Chegada e residência
Austria (Imperatriz da)
Relata a estadia da imperatriz D. Isabel da Áustria na Madeira em 1860–1861, quando passou o inverno na Quinta Vigia, no Funchal, por motivos de saúde, e o seu breve regresso posterior.
1Chegada e residência
A imperatriz Isabel, mulher de Francisco José, imperador da Austria, que a 10 de Setembro de 1898 caíu morta ao golpe traiçoeiro do punhal do libertário Lucheni, visitou pela primeira vez a Madeira em 1860, demorando-se aproximadamente cinco meses nesta ilha. Tendo-lhe os médicos aconselhado que procurasse um clima temperado, onde passasse o inverno e em que pudesse também subtrair-se por algum tempo aos incómodos das exigentes etiquetas da corte, para assim poder encontrar completo restabelecimento á sua abalada saúde, foi o Funchal a estação escolhida para esse fim e a casa preferida para a sua residência a Quinta Vigia, que, pela sua invejável situação, belos jardins, posição sobranceira ao mar e boa vista sôbre todo o anfiteatro da cidade, era considerada como uma das mais esplêndidas vivendas da Madeira.
No dia 29 de Novembro de 1860, pelas seis horas da manhã, entrou no porto do Funchal o vapor Victoria & Albert, propriedade da rainha Vitória de Inglaterra, que a seu bordo conduzia a imperatriz da Austria.
Tendo manifestado desejos de que o seu desembarque se realizasse despido de todo o aparato, não revestiu ele o brilho e a imponência que as autoridades locais queriam imprimir-lhe, mas ainda assim foram prestadas á ilustre visitante todas as honras militares e as outras demonstrações oficiais exigidas em casos semelhantes. As autoridades superiores do distrito foram a bordo do Victoria & Albert apresentar os seus cumprimentos de boas vindas á imperatriz e acompanharam-na até á sua residência, tendo-se efectuado o desembarque no cais da Pontinha.
A imperatriz contava apenas 23 anos de idade e estava então no pleno esplendor da sua grande formosura e da mais radiante mocidade, o que junto ás suas excelsas virtudes e coração bondoso e extremamente compassivo pelos desherdados da fortuna, despertava por toda a parte os maiores entusiasmos e era sempre alvo de grandes demonstrações de apreço e simpatia.
2Visitas e partida
No dia 7 de Dezembro de 1860 ancorou no nosso porto a corveta portuguesa Sagres, conduzindo o conde de Linhares, que, em nome de D. Pedro V, vinha á Madeira cumprimentar a ilustre visitante.
A 17 de Abril de 1861 chegava ao Funchal o infante D. Luiz, depois rei de Portugal, encarregado pelo monarca de acompanhar a imperatriz por ocasião da sua saída do território português. D. Luiz viera na corveta Bartolomeu Dias, de que era comandante, tendo no dia 21 oferecido a bordo um magnífico lanche a sua majestade imperial.
Isabel de Austria, embarcou no dia 28 de Abril no mesmo vapor que a conduzira a esta ilha, indo de conserva a Bartolomeu Dias, o vapor Osborne e um navio de guerra inglês, que acompanharam o Victoria & Albert até o pôrto de Gibraltar.
O imperador Francisco José agradeceu ao prelado diocesano, governador civil, presidente da câmara, capitão do porto e cônsul austríaco as honras e outras demonstrações de apreço dispensadas a sua esposa. Poucos anos antes da sua morte, visitou a imperatriz Isabel novamente esta ilha, sofrendo já então das perturbações mentais que a acompanharam até o fim da vida.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 03-
A imperatriz D. Isabel da Áustria chegou ao Funchal a bordo do Victoria & Albert.
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O Conde de Linhares chegou na corveta Sagres para cumprimentar a imperatriz da Áustria em nome de D. Pedro V.
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O Infante D. Luís chegou ao Funchal em nome de D. Pedro V para visitar a imperatriz D. Isabel da Áustria e acompanhá-la na partida.
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A imperatriz D. Isabel da Áustria deixou a Madeira rumo a Gibraltar.
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A imperatriz D. Isabel da Áustria, que visitara a Madeira, foi assassinada por Lucheni.
Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Áustria
Austria. Império de que D. Isabel era imperatriz.
Império de que Isabel, que permaneceu na Madeira, era imperatriz. João de Freitas Branco completou ali a maior parte da sua formação.
- Cais da Pontinha
Funchal. Cais onde a imperatriz desembarcou.
O cais da Pontinha, no Funchal, foi construído entre 1876 e 1878 e melhorado com as obras do molhe. Foi local de desembarque de visitantes ilustres, entre eles a imperatriz da Áustria, e dos restos mortais do Soldado Desconhecido em 1921, além de ponto terminal de um sistema de abastecimento de água aos navios.
- Funchal
Cidade escolhida pela imperatriz para passar o inverno.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Gibraltar
United Kingdom. Porto até ao qual a imperatriz foi escoltada ao deixar a Madeira.
Porto britânico até ao qual a imperatriz da Áustria foi escoltada ao deixar a Madeira e para onde o Padre Macedo foi deportado em 1823. O Dr. Joaquim de Menezes e Ataide morreu ali de peste em 1828. Foi a base das forças britânicas que exigiram a entrega da Bernarda.
- Quinta Vigia
Funchal. Quinta onde a imperatriz residiu em 1860–1861.
Quinta pertencente ao Estado, na freguesia de São Pedro, no Funchal, conhecida pelas suas árvores exóticas raras. Serviu de residência à rainha Adelaide, à imperatriz da Áustria (1860–1861) e ao príncipe de Oldenburgo. Mais tarde, tornou-se quartel da Guarda Republicana, teve um casino que emitiu fichas em 1901 e foi atingida por um projétil no bombardeamento de 1916.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 07- Isabel de Áustriam. 1898
Imperatriz da Áustria que passou o inverno de 1860–1861 na Madeira por motivos de saúde e foi assassinada em 1898.
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Enviado por D. Pedro V a bordo da corveta Sagres, em dezembro de 1860, para saudar a imperatriz.
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Príncipe português, mais tarde rei, que comandava a corveta Bartolomeu Dias e escoltou a imperatriz à partida, em 1861.
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Rei de Portugal que enviou emissários para saudar a imperatriz durante a sua estadia na Madeira.
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Imperador da Áustria e marido de D. Isabel, agradeceu às autoridades madeirenses as homenagens que lhe prestaram.
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Anarquista que assassinou a imperatriz D. Isabel à facada em 10 de setembro de 1898.
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Rainha britânica a quem pertencia o vapor Victoria & Albert, que trouxe a imperatriz à Madeira.