Exéquias
Relato das exéquias solenes celebradas no Funchal por monarcas portugueses falecidos, com base nos registos do arquivo municipal, incluindo a cerimónia de quebra dos escudos.
Exéquias dos monarcas no Funchal
Do Livro de Acclamações e Exequias existente no arquivo da Câmara Municipal do Funchal, consta que se realizaram exéquias solenes na Catedral desta cidade pelo falecimento dos seguintes monarcas:
- D. João V, a 19 de Dezembro de 1753
- D. José I, a 28 de Junho de 1777
- D. Maria I, a 17 de Dezembro de 1816
- D. João VI, a 10 de Maio de 1826
- D. Maria II, a 26 de Janeiro de 1854
- D. Pedro V, a 19 de Janeiro de 1862
- D. Luiz I, a 29 de Novembro de 1889
- e D. Carlos I e o príncipe Luiz Filipe, a 31 de Março de 1908.
Não consta do referido livro que houvesse exéquias no Funchal por ocasião do falecimento de D. Pedro IV. Lê-se no Indice Alphabetico dos tombos da Câmara que em 1495 mandou D. Manuel uma carta ao senado, a fim de que este o aclamasse e fizesse o funeral de D. João II, que em 1656 veio uma carta da rainha comunicando o falecimento de D. João IV, que em 1666 veio uma carta do rei, noticiando a morte da rainha, e finalmente que em 1683 mandou o príncipe D. Pedro uma carta á Câmara, participando-lhe a morte do monarca D. Afonso VI. Lê-se mais no mesmo livro que nas exéquias da rainha D. Luísa, em 1666, se gastaram 192$300 réis e que nas de D. Afonso VI se dispenderam réis 100$000 do dinheiro da imposição. As exéquias dos réis eram precedidas da cerimónia da quebra dos escudos, realizada pelos vereadores em vários pontos da cidade, organizando-se para esse fim um prestito em que se encorporavam as autoridades, os funcionários e todas as demais pessoas de representação da cidade. A ultima vez que teve lugar no Funchal a cerimónia da quebra de escudos, foi por ocasião das exéquias de D. Luiz I.
Quando morreu D. José I, todos os membros do cabido da Sé do Funchal se recusaram a fazer o elogio fúnebre desse monarca, alegando “falta de forças para tão alto encargo”. Foi o frade franciscano José Faustino quem salvou a situação, fazendo um discurso adequado ao acto.
Estão publicados os elogios fúnebres de D. Luiz I e de D. Carlos I e seu filho Luiz Filipe, tendo aquele sido feito pelo conego Antonio Aires Pacheco, e este pelo capelão do regimento de infantaria n. 27, o padre Luiz Alves Martins.
Encadernado com o Regimento da vereação e foral da Câmara Municipal de Lisboa, existe no arquivo da Câmara do Funchal um documento que tem por título Dos estilos que ha nas exéquias de hum Rey defunto e na acclamaçãao do vivo em as cidades e pouos, onde se encontram assinaladas todas as cerimónias que se realizavam no Funchal por ocasião da morte dos antigos monarcas.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 12-
D. Manuel subiu ao trono e pediu à Câmara do Funchal que o aclamasse e celebrasse as exéquias de D. João II.
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Uma carta da rainha D. Luísa de Gusmão anunciou ao Funchal a morte de D. João IV.
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Realizaram-se no Funchal exéquias pela rainha D. Luísa de Gusmão, ao custo de 192 300 réis.
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O príncipe D. Pedro comunicou à Câmara Municipal do Funchal a morte de D. Afonso VI.
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Realizaram-se exéquias por D. João V na Sé Catedral do Funchal.
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Realizaram-se no Funchal exéquias por D. José I.
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A Câmara Municipal do Funchal realizou a cerimónia de quebra dos escudos e as exéquias reais por D. Maria I.
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Realizaram-se no Funchal exéquias por D. João VI.
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Realizaram-se no Funchal exéquias por D. Maria II.
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Realizaram-se exéquias por D. Pedro V na Sé Catedral do Funchal.
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Realizaram-se no Funchal as cerimónias fúnebres de D. Luís I, com o último quebra-escudos e a proclamação do último bando; os vereadores vestiram antigos trajes de cerimónia.
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Realizaram-se na Sé Catedral do Funchal cerimónias fúnebres com um elogio a D. Carlos I e ao príncipe Luís Filipe.
Lugar
Lugares mencionados · 03No estrangeiro
- Funchal
Cidade onde se realizaram as exéquias e as cerimónias de quebra dos escudos.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Os regulamentos da sua Câmara Municipal estão encadernados com o documento sobre os costumes funerários.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Sé do Funchal
Funchal. Catedral onde se celebraram as exéquias reais.
A Sé do Funchal é a catedral do Funchal, na freguesia da Sé. A sua construção começou em 1493; tornou-se sede paroquial em 1508 e catedral em 1514. Foi ponto de partida de procissões e local do voto a São Tiago, e nela estão sepultados bispos.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 19-
Rei cuja morte foi anunciada em 1683; as suas exéquias no Funchal custaram 100 000 réis.
- António Aires Pachecon. 1854
Cónego que proferiu a oração fúnebre por D. Luís I, posteriormente publicada.
- D. Carlosm. 1922
Rei de Portugal homenageado juntamente com o filho no Funchal, em 31 de março de 1908.
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Rei por quem se pediu ao Funchal que celebrasse exéquias em 1495.
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Rei cuja morte foi anunciada ao Funchal por carta da rainha, em 1656.
- D. João Vm. 1750
Rei de Portugal por quem se celebraram exéquias na Sé Catedral do Funchal em 19 de dezembro de 1753.
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Rei de Portugal por quem se celebraram exéquias no Funchal em 28 de junho de 1777.
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Rei de Portugal em cujas exéquias no Funchal, em 29 de novembro de 1889, se realizou pela última vez a cerimónia de quebra dos escudos.
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Rei que, em 1495, escreveu à Câmara Municipal do Funchal a pedir que o aclamasse e celebrasse exéquias por D. João II.
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Rainha de Portugal homenageada no Funchal em 26 de janeiro de 1854.
+ 9 mais
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Rainha de Portugal homenageada com exéquias no Funchal em 17 de dezembro de 1816.
- D. Pedro IIm. 1706
Príncipe que, em 1683, comunicou à Câmara Municipal do Funchal a morte de D. Afonso VI.
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Rei por quem, segundo os registos, não se celebraram exéquias no Funchal.
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Rei de Portugal por quem se celebraram exéquias no Funchal em 19 de janeiro de 1862.
- João VIm. 1826
Rei de Portugal por quem se celebraram exéquias no Funchal em 10 de maio de 1826.
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Frade franciscano que proferiu a oração fúnebre por D. José I depois de o Cabido a ter recusado.
- Luís Alves Martinsn. 1873
Capelão do Regimento de Infantaria n.º 27 que proferiu a oração fúnebre por D. Carlos I e D. Luís Filipe, posteriormente publicada.
- Luís Filipem. 1908
Príncipe herdeiro de Portugal, homenageado juntamente com o pai, D. Carlos I, no Funchal em 1908.
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Rainha cujas exéquias no Funchal, em 1666, custaram 192 300 réis.