Saltar para o conteúdo
Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 1350 Justiça e tribunais Vol. I · pp. 818–819 2 min de leitura

Execuções Capitais

Breve relato das poucas execuções capitais registadas na Madeira, desde o enforcamento de escravos na Calheta e de um frade em 1582 até ao de um soldado inglês em 1813, durante a ocupação britânica. Menciona ainda uma execução em efígie no início do século XVII.

Execuções Capitais

Execuções capitais no arquipélago

Escassas noticias possuímos acerca de execuções capitais que se tivessem dado neste arquipelago, determinadas por sentença publica. Já alguém julgou que o sítio conhecido pelo nome de Forca, na freguesia de Santa Maria Maior, fora o lugar onde se executara uma sentença capital, em que a forca tivesse sido o instrumento de suplício aplicado ao criminoso. Não sabemos, e até nos inclinamos a acreditar que a explicação dada para justificar o nome daquele sítio não tem fundamento sério.

Falando o Dr. Gaspar Frutuoso de João Rodrigues Castelhano, que teve terras de sesmaria na freguesia do Estreito da Calheta, diz o seguinte: “teve muitos escravos, cinco dos quaes lhe mataram um feitor; elle os entregou á justiça e foram enforcados na villa da Calheta”.

Na dominação filipina, pelo ano de 1582, foi enforcado no Funchal, segundo afirma Rebêlo da Silva, o religioso Fr. João do Espírito Santo, acusado de incitar o povo a seguir o partido de D. Antonio, Prior do Crato.

Em Dezembro de 1813, quando esta ilha se achava ocupada por tropas britanicas, foi enforcado nesta cidade um soldado inglês por haver assassinado um sargento seu compatriota. Contra esta execução, que ofendia os direitos da soberania portuguesa, protestou o então governador e capitão general do arquipelago Luiz Beltrão, sem que o general Gordon, comandante das forças inglesas, atendesse a sua reclamação.

No alvorecer do século XVII foi enforcado em efígie no largo do Pelourinho desta cidade, um indivíduo chamado Francisco Rodrigues Jardim, de origem plebeia, por ter raptado uma senhora, por nome D. Maria de Ornelas, pertencente a antigas e nobres famílias madeirenses. Se não houvesse, pela fuga, escapado á acção das justiças, lá teria expiado na forca a ousadia do seu crime.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 02
  1. Frei João do Espírito Santo foi enforcado no Funchal por apoiar a causa do Prior do Crato.

  2. Um soldado inglês foi enforcado no Funchal pelo assassínio de um sargento, apesar do protesto do governador.

Lugar

Lugares mencionados · 06
Mapa: Madeira (6)
  1. Calheta

    Vila onde cinco escravos foram enforcados por terem matado um feitor.

  2. Estreito da Calheta

    Calheta. Freguesia onde João Rodrigues Castelhano possuía terras de sesmaria.

  3. Forca

    Funchal. Localidade cujo nome se julgava recordar uma execução, explicação que o Elucidário Madeirense põe em dúvida.

  4. Funchal

    Cidade onde foram enforcados o frade, em 1582, e o soldado inglês, em 1813.

  5. Largo do Pelourinho

    Funchal. Largo do Funchal onde Francisco Rodrigues Jardim foi enforcado em efígie.

  6. Santa Maria Maior

    Funchal. Freguesia onde se situa a localidade da Forca.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 09
  1. Pretendente ao trono português contra Filipe I, cuja causa era apoiada pelo frade enforcado.

  2. Fidalga raptada por Francisco Rodrigues Jardim.

  3. Frade enforcado no Funchal por volta de 1582 por incitar o povo a apoiar D. António, Prior do Crato.

  4. Plebeu que, após fugir à justiça, foi enforcado em efígie no Funchal, no início do século XVII, por ter raptado D. Maria de Ornelas.

  5. Gaspar Frutuoso1522–1591

    Cronista citado como fonte do relato do enforcamento de escravos na Calheta.

  6. Comandante das forças britânicas que ocupavam a Madeira, que ignorou o protesto do governador contra a execução de 1813.

  7. Detentor de terras de sesmaria no Estreito da Calheta cujos escravos mataram o seu feitor e foram enforcados na Calheta.

  8. Governador e capitão-general da Madeira que protestou, em 1813, contra o enforcamento de um soldado inglês pelos britânicos.

  9. Historiador citado como fonte para o enforcamento de Frei João do Espírito Santo em 1582.

Na folha E

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.