Execuções Capitais
Breve relato das poucas execuções capitais registadas na Madeira, desde o enforcamento de escravos na Calheta e de um frade em 1582 até ao de um soldado inglês em 1813, durante a ocupação britânica. Menciona ainda uma execução em efígie no início do século XVII.
Execuções capitais no arquipélago
Escassas noticias possuímos acerca de execuções capitais que se tivessem dado neste arquipelago, determinadas por sentença publica. Já alguém julgou que o sítio conhecido pelo nome de Forca, na freguesia de Santa Maria Maior, fora o lugar onde se executara uma sentença capital, em que a forca tivesse sido o instrumento de suplício aplicado ao criminoso. Não sabemos, e até nos inclinamos a acreditar que a explicação dada para justificar o nome daquele sítio não tem fundamento sério.
Falando o Dr. Gaspar Frutuoso de João Rodrigues Castelhano, que teve terras de sesmaria na freguesia do Estreito da Calheta, diz o seguinte: “teve muitos escravos, cinco dos quaes lhe mataram um feitor; elle os entregou á justiça e foram enforcados na villa da Calheta”.
Na dominação filipina, pelo ano de 1582, foi enforcado no Funchal, segundo afirma Rebêlo da Silva, o religioso Fr. João do Espírito Santo, acusado de incitar o povo a seguir o partido de D. Antonio, Prior do Crato.
Em Dezembro de 1813, quando esta ilha se achava ocupada por tropas britanicas, foi enforcado nesta cidade um soldado inglês por haver assassinado um sargento seu compatriota. Contra esta execução, que ofendia os direitos da soberania portuguesa, protestou o então governador e capitão general do arquipelago Luiz Beltrão, sem que o general Gordon, comandante das forças inglesas, atendesse a sua reclamação.
No alvorecer do século XVII foi enforcado em efígie no largo do Pelourinho desta cidade, um indivíduo chamado Francisco Rodrigues Jardim, de origem plebeia, por ter raptado uma senhora, por nome D. Maria de Ornelas, pertencente a antigas e nobres famílias madeirenses. Se não houvesse, pela fuga, escapado á acção das justiças, lá teria expiado na forca a ousadia do seu crime.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02Lugar
Lugares mencionados · 06- Calheta
Vila onde cinco escravos foram enforcados por terem matado um feitor.
A Calheta é uma vila, freguesia e concelho na costa sudoeste da Madeira e um dos povoamentos mais antigos da ilha. O Elucidário aborda o seu nome, os primeiros povoadores, como Pedro Berenguer, a igreja e numerosas capelas, incluindo uma de um antigo convento franciscano, e o motim de 1834.
- Estreito da Calheta
Calheta. Freguesia onde João Rodrigues Castelhano possuía terras de sesmaria.
O Estreito da Calheta é uma freguesia do concelho da Calheta, no oeste da Madeira, delimitada pela Ribeira de São Bartolomeu e pela Ribeira Funda. A sua igreja paroquial de Nossa Senhora da Graça foi fundada pela família França, e o verbete aborda os primeiros proprietários, as capelas, os sítios, as escolas e a irrigação pela Levada Nova do Rabaçal; os Prazeres foram separados da freguesia em 1733.
- Forca
Funchal. Localidade cujo nome se julgava recordar uma execução, explicação que o Elucidário Madeirense põe em dúvida.
Localidade cujo nome se julgava recordar uma execução, explicação de que o Elucidário duvida.
- Funchal
Cidade onde foram enforcados o frade, em 1582, e o soldado inglês, em 1813.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Largo do Pelourinho
Funchal. Largo do Funchal onde Francisco Rodrigues Jardim foi enforcado em efígie.
O Largo do Pelourinho é uma praça do Funchal, já arborizada em 1508, por onde se entrava no Forte de São Filipe. A Câmara ocupou ali, a partir de 1838, uma casa danificada pela aluvião de 1842. O largo acolheu também um passo da Procissão dos Passos e as instalações da sociedade Talia, e foi onde Francisco Rodrigues Jardim foi enforcado em efígie.
- Santa Maria Maior
Funchal. Freguesia onde se situa a localidade da Forca.
Freguesia parcialmente urbana na zona oriental do Funchal, a mais antiga do arquipélago, também conhecida como Nossa Senhora do Calhau ou Socorro. A sua igreja é a antiga Igreja de São Tiago, e a freguesia destaca-se pelas bordadeiras que produzem os trabalhos mais finos. Tornou-se um julgado da comarca do Funchal em 1927.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 09-
Pretendente ao trono português contra Filipe I, cuja causa era apoiada pelo frade enforcado.
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Fidalga raptada por Francisco Rodrigues Jardim.
- Fr. João do Espírito Santom. c. 1582
Frade enforcado no Funchal por volta de 1582 por incitar o povo a apoiar D. António, Prior do Crato.
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Plebeu que, após fugir à justiça, foi enforcado em efígie no Funchal, no início do século XVII, por ter raptado D. Maria de Ornelas.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista citado como fonte do relato do enforcamento de escravos na Calheta.
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Comandante das forças britânicas que ocupavam a Madeira, que ignorou o protesto do governador contra a execução de 1813.
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Detentor de terras de sesmaria no Estreito da Calheta cujos escravos mataram o seu feitor e foram enforcados na Calheta.
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Governador e capitão-general da Madeira que protestou, em 1813, contra o enforcamento de um soldado inglês pelos britânicos.
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Historiador citado como fonte para o enforcamento de Frei João do Espírito Santo em 1582.