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Pelourinho 1O pelourinho do Funchal
Artigo Nº 2808 Monumento Funchal Vol. III · pp. 108–109 2 min de leitura

Pelourinho

História do Pelourinho do Funchal, mandado erguer por D. Manuel em 1486, construído em jaspe e demolido por decisão da Câmara Municipal em 1835, com referências aos castigos ali aplicados e aos pelourinhos de outras localidades madeirenses.

Pelourinho
Mapa: Arquipélago da Madeira (14)

1O pelourinho do Funchal

D. Manuel, sendo duque de Vizeu, mandou em 1486 fazer «praça, camara, paço dos taballiães & picota no seu campo», então chamado do duque, que era o terreno onde estão o largo e a igreja da Sé, a antiga praça da Constituição, a antiga rua do Aljube e o largo do Comercio ou do Chafariz. Ignoramos se a picota chegou a ser levantada no referido campo, como o foi a casa da Camara, mas se ai esteve, foi por pouco tempo, e enquanto se não construiu o pelourinho de jaspe «na fermosa praça cercada de boas casas sobradadas», ao qual se refere Frutuoso a pag. 85 das Saudades da Terra.

O pelourinho existiu no Funchal durante três seculos e meio, sendo mandado demolir em sessão camararia de 3 de Novembro de 1835, por «ser um emblema dos tempos feudais e não estar em harmonia com os costumes actuais, mandando-se guardar as pedras que se tirarem.»

O pelourinho foi, com efeito, demolido, mas a coluna de pedra que dele fazia parte desapareceu, e o soco da mesma foi parar, não sabemos como, a uma propriedade no sitio da Pena, que pertenceu ao morgado Pedro José de Ornelas, antigo presidente da Camara.

2Castigos e outros pelourinhos

Os presos açoutados ou expostos no pelourinho eram atados pela cintura, e era no mesmo pelourinho que se afixavam as ordens escritas e os editais tanto do Governo como da Camara Municipal. Nos principios do seculo XVII, foi enforcado em efigie, no pelourinho do Funchal, um tal Francisco Rodrigues Jardim, de origem plebeia, por ter raptado D. Maria de Ornelas, senhora pertencente a uma das mais nobres familias madeirenses, e lemos num antigo manuscrito que em 28 de Março de 1808 recebeu um prêto seis açoutes no mesmo local, estando com as costas nuas, percorrendo depois as ruas da cidade, acompanhado da justiça e duma escolta de soldados.

Na Calheta, na Ponta do Sol, em S. Vicente e no Porto Santo também houve pelourinhos, como se vê das denominações que conservam os locais onde êles se erguiam, em Santa Cruz parece que o pelourinho ficava junto da igreja matriz, e em Machico, no largo perto da igreja paroquial, onde existe uma fonte e se vendem agora hortaliças.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 03
  1. O duque D. Manuel mandou construir uma praça, uma casa da Câmara, um cartório de tabeliães e um pelourinho no Campo do Duque, no Funchal.

  2. Um homem negro recebeu seis açoites no Pelourinho do Funchal e foi conduzido pelas ruas.

  3. A Câmara Municipal do Funchal mandou demolir o pelourinho por o considerar um símbolo dos tempos feudais.

Lugar

Lugares mencionados · 14
  1. Pelourinho · Assunto

    Funchal

  2. Calheta

    Vila que também tinha um pelourinho.

  3. Campo do Duque

    Funchal. Terreno onde D. Manuel mandou construir a praça e o pelourinho, na atual zona da Sé Catedral.

  4. Funchal

    Cidade cujo pelourinho permaneceu de pé durante três séculos e meio.

  5. Largo do Chafariz

    Funchal. Largo situado no Campo do Duque.

  6. Machico

    O pelourinho situava-se no largo junto à igreja paroquial.

  7. Pena

    Funchal. Localidade para onde foi levada a base do pelourinho.

  8. Ponta do Sol

    Vila que também tinha um pelourinho.

  9. Porto Santo

    Tinha um pelourinho.

  10. Praça da Constituição

    Funchal. Antiga praça situada no Campo do Duque.

  11. Rua do Aljube

    Funchal. Antiga rua situada no Campo do Duque.

  12. Santa Cruz

    O pelourinho situava-se, ao que parece, junto à igreja paroquial.

+ 2 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 05
  1. Na qualidade de Duque de Viseu e senhor da Madeira, mandou construir no Funchal, em 1486, uma praça, uma casa da Câmara, um cartório de tabeliães e um pelourinho.

  2. Fidalga cujo rapto levou ao enforcamento em efígie de Francisco Rodrigues Jardim.

  3. Plebeu enforcado em efígie no Pelourinho do Funchal no início do século XVII por ter raptado D. Maria de Ornelas.

  4. Gaspar Frutuoso1522–1591

    Autor de Saudades da Terra, obra que descreve o pelourinho de jaspe na praça do Funchal.

  5. Morgado e antigo presidente da Câmara Municipal para cuja propriedade na Pena foi levada a base do pelourinho demolido.

Na folha P

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.