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Macedo (Padre dr. João Crisóstomo Espinola de) 1Vida e escritos
Artigo Nº 2161 Clero e religiosos Vol. II · pp. 553–554 3 min de leitura

Macedo (Padre dr. João Crisóstomo Espinola de)

Biografia do Padre Dr. João Crisóstomo Espínola de Macedo, sacerdote madeirense, vigário de Santa Cruz, advogado e jornalista polémico que dirigiu o segundo jornal da Madeira, O Pregador Imparcial (1823). Liberal, foi açoitado publicamente no Pelourinho do Funchal em 1822 e deportado por crimes políticos em 1823.

Macedo (Padre dr. João Crisóstomo Espinola de)

1Vida e escritos

Escassos dados possuímos para a biografia deste madeirense. Era bacharel formado em teologia e foi capelão interino da igreja de S. Tiago Menor e depois vigário na vila de Santa Cruz, tendo sido preso em 1811, por ordem do cabido da Sé, em consequência duma queixa apresentada contra ele pelo juiz ordinário da mesma vila. Redigiu o segundo jornal que entre nós se publicou, o Pregador Imparcial da Verdade, da Justiça e da Lei, que saiu a lume em Fevereiro de 1823. Embora de ideias politicas diferentes das de José Agostinho de Macedo, foi no entretanto um seu distinto discípulo na violência da linguagem e no descomposto da frase, cujos processos soube imitar nos escritos que nos deixou. Entre eles, avulta um opúsculo impresso em Londres no ano de 1825, que é raríssimo e tem o seguinte extravagante título: O Tramista Descoberto! Converça do cónego Francisco B-r-o, da cidade do Funchal, com o seu moço Simão Caraça, que foi estudante e servio de economo, por alguns anos, em hum beneficio da Igreja da Ponta do Sol da ilha da Madeira, ouvida pelo padre João Vicente do O-v-a no pateo do mesmo cónego. É um folheto de 98 paginas, crivado de erros tipográficos, que principalmente se ocupa do governador da Madeira Sebastião Xavier Botelho, fazendo-se nele referencias pouco lisonjeiras ao próprio autor, que se oculta no anonimato e deste modo se colocou mais ao abrigo das suspeitas que sobre ele pudessem recair.

Seguiu as ideias proclamadas pela revolução do Porto e foi eleito deputado substituto por esta ilha em 1822, mas, ao ser restaurado o absolutismo, enviou ao Juiz de fora o seu diploma de deputado «por não querer guardar por mais tempo em seu poder um documento que considerava indecoroso».

2Agressão, fama e degredo

Devido aos excessos de linguagem empregados nos seus escritos e ainda a outros motivos que desconhecemos, concitou contra si a má vontade de elementos preponderantes no Funchal, que teve como epilogo um facto sensacional ocorrido no dia 9 de Fevereiro de 1822, que entre nós causou o maior escândalo e que até teve grande retumbância no Continente do Reino. Alguns oficiais, cadetes e sargentos do batalhão de artilharia da terra foram à residência do dr. Espinola de Macedo, que era na antiga rua da Conceição, e dali o arrancaram violentamente, conduzindo-o ao Pelourinho, onde, em pleno dia e á vista de muita gente, diz um escrito contemporâneo, «o esvergalharam, sendo macerado e ludibriado». Os autores da agressão foram presos e julgados, sendo condenados a penas severas de prisão e degredo, valendo-lhes o advento do governo absoluto, que os restituiu à liberdade.

Lê-se na acta da sessão da Camara Municipal do Funchal de 8 de Fevereiro de 1822 que o dr. Macedo, vigario de Santa Cruz, era «um insultador publico em seus manuscritos e obras impressas, onde costumava atacar os cidadãos honrados, as corporações legais e uteis e todas as autoridades constituidas»; todavia, como advogado nos tribunais da ilha, deixou fama de orador e polemista notavel, e, como jornalista, foi dos melhores do seu tempo.

Em 1823, foi o dr. Macedo condenado e deportado por crimes políticos para fora do Reino, saindo do Funchal para Gibraltar no bergantim inglês Fanny, em Maio daquele ano. Faleceu em 1828, em idade avançada.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 05
  1. O Padre João Crisóstomo Espínola de Macedo foi preso por ordem do Cabido, após uma queixa do juiz de Santa Cruz.

  2. As eleições gerais realizadas por sufrágio direto ao abrigo da nova Constituição elegeram os deputados da Madeira às Cortes, entre eles Freitas Branco, tendo Macedo e Luiz António Jardim como suplentes.

  3. Depois de uma ata da Câmara Municipal do Funchal ter denunciado o Padre João Crisóstomo Espínola de Macedo por injúrias públicas, oficiais de artilharia arrancaram-no de casa e açoitaram-no no Pelourinho do Funchal.

  4. O Pregador Imparcial, segundo jornal da Madeira, dirigido por João Crisóstomo Espínola de Macedo, começou a publicar-se no Funchal.

  5. Macedo foi deportado por crimes políticos e partiu do Funchal para Gibraltar no brigue Fanny.

  6. O panfleto anónimo de João Crisóstomo Espínola de Macedo, O Tramista Descoberto, foi impresso em Londres.

  7. O Padre João Crisóstomo Espínola de Macedo morreu em idade avançada.

Lugar

Lugares mencionados · 08

No estrangeiro

Mapa: Madeira (8)
  1. Funchal

    Cidade onde viveu e foi agredido.

  2. Gibraltar

    United Kingdom. Destino da sua deportação em 1823.

  3. Igreja de São Tiago Menor

    Funchal. Igreja onde Macedo exerceu as funções de capelão interino.

  4. Londres

    United Kingdom. Cidade onde foi impresso o seu panfleto de 1825.

  5. Pelourinho do Funchal

    Funchal. Local onde foi açoitado publicamente em 1822.

  6. Ponta do Sol

    A sua igreja é mencionada no título do panfleto.

  7. Rua da Conceição

    Funchal. Rua onde Macedo residia e foi capturado.

  8. Santa Cruz

    Localidade onde Macedo foi vigário.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 03
  1. Sacerdote madeirense, vigário de Santa Cruz e jornalista liberal que dirigiu O Pregador Imparcial e foi deportado em 1823.

  2. Polemista português cujo estilo violento Espínola de Macedo imitava, apesar das suas divergências políticas.

  3. Governador da Madeira que é o principal alvo do panfleto anónimo O Tramista Descoberto, de 1825.

Na folha M

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.