Macedo (Padre dr. João Crisóstomo Espinola de) 1Vida e escritos
Macedo (Padre dr. João Crisóstomo Espinola de)
Biografia do Padre Dr. João Crisóstomo Espínola de Macedo, sacerdote madeirense, vigário de Santa Cruz, advogado e jornalista polémico que dirigiu o segundo jornal da Madeira, O Pregador Imparcial (1823). Liberal, foi açoitado publicamente no Pelourinho do Funchal em 1822 e deportado por crimes políticos em 1823.
1Vida e escritos
Escassos dados possuímos para a biografia deste madeirense. Era bacharel formado em teologia e foi capelão interino da igreja de S. Tiago Menor e depois vigário na vila de Santa Cruz, tendo sido preso em 1811, por ordem do cabido da Sé, em consequência duma queixa apresentada contra ele pelo juiz ordinário da mesma vila. Redigiu o segundo jornal que entre nós se publicou, o Pregador Imparcial da Verdade, da Justiça e da Lei, que saiu a lume em Fevereiro de 1823. Embora de ideias politicas diferentes das de José Agostinho de Macedo, foi no entretanto um seu distinto discípulo na violência da linguagem e no descomposto da frase, cujos processos soube imitar nos escritos que nos deixou. Entre eles, avulta um opúsculo impresso em Londres no ano de 1825, que é raríssimo e tem o seguinte extravagante título: O Tramista Descoberto! Converça do cónego Francisco B-r-o, da cidade do Funchal, com o seu moço Simão Caraça, que foi estudante e servio de economo, por alguns anos, em hum beneficio da Igreja da Ponta do Sol da ilha da Madeira, ouvida pelo padre João Vicente do O-v-a no pateo do mesmo cónego. É um folheto de 98 paginas, crivado de erros tipográficos, que principalmente se ocupa do governador da Madeira Sebastião Xavier Botelho, fazendo-se nele referencias pouco lisonjeiras ao próprio autor, que se oculta no anonimato e deste modo se colocou mais ao abrigo das suspeitas que sobre ele pudessem recair.
Seguiu as ideias proclamadas pela revolução do Porto e foi eleito deputado substituto por esta ilha em 1822, mas, ao ser restaurado o absolutismo, enviou ao Juiz de fora o seu diploma de deputado «por não querer guardar por mais tempo em seu poder um documento que considerava indecoroso».
2Agressão, fama e degredo
Devido aos excessos de linguagem empregados nos seus escritos e ainda a outros motivos que desconhecemos, concitou contra si a má vontade de elementos preponderantes no Funchal, que teve como epilogo um facto sensacional ocorrido no dia 9 de Fevereiro de 1822, que entre nós causou o maior escândalo e que até teve grande retumbância no Continente do Reino. Alguns oficiais, cadetes e sargentos do batalhão de artilharia da terra foram à residência do dr. Espinola de Macedo, que era na antiga rua da Conceição, e dali o arrancaram violentamente, conduzindo-o ao Pelourinho, onde, em pleno dia e á vista de muita gente, diz um escrito contemporâneo, «o esvergalharam, sendo macerado e ludibriado». Os autores da agressão foram presos e julgados, sendo condenados a penas severas de prisão e degredo, valendo-lhes o advento do governo absoluto, que os restituiu à liberdade.
Lê-se na acta da sessão da Camara Municipal do Funchal de 8 de Fevereiro de 1822 que o dr. Macedo, vigario de Santa Cruz, era «um insultador publico em seus manuscritos e obras impressas, onde costumava atacar os cidadãos honrados, as corporações legais e uteis e todas as autoridades constituidas»; todavia, como advogado nos tribunais da ilha, deixou fama de orador e polemista notavel, e, como jornalista, foi dos melhores do seu tempo.
Em 1823, foi o dr. Macedo condenado e deportado por crimes políticos para fora do Reino, saindo do Funchal para Gibraltar no bergantim inglês Fanny, em Maio daquele ano. Faleceu em 1828, em idade avançada.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
O Padre João Crisóstomo Espínola de Macedo foi preso por ordem do Cabido, após uma queixa do juiz de Santa Cruz.
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As eleições gerais realizadas por sufrágio direto ao abrigo da nova Constituição elegeram os deputados da Madeira às Cortes, entre eles Freitas Branco, tendo Macedo e Luiz António Jardim como suplentes.
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Depois de uma ata da Câmara Municipal do Funchal ter denunciado o Padre João Crisóstomo Espínola de Macedo por injúrias públicas, oficiais de artilharia arrancaram-no de casa e açoitaram-no no Pelourinho do Funchal.
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O Pregador Imparcial, segundo jornal da Madeira, dirigido por João Crisóstomo Espínola de Macedo, começou a publicar-se no Funchal.
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Macedo foi deportado por crimes políticos e partiu do Funchal para Gibraltar no brigue Fanny.
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O panfleto anónimo de João Crisóstomo Espínola de Macedo, O Tramista Descoberto, foi impresso em Londres.
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O Padre João Crisóstomo Espínola de Macedo morreu em idade avançada.
Lugar
Lugares mencionados · 08No estrangeiro
- Funchal
Cidade onde viveu e foi agredido.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Gibraltar
United Kingdom. Destino da sua deportação em 1823.
Porto britânico até ao qual a imperatriz da Áustria foi escoltada ao deixar a Madeira e para onde o Padre Macedo foi deportado em 1823. O Dr. Joaquim de Menezes e Ataide morreu ali de peste em 1828. Foi a base das forças britânicas que exigiram a entrega da Bernarda.
- Igreja de São Tiago Menor
Funchal. Igreja onde Macedo exerceu as funções de capelão interino.
A Igreja de São Tiago Menor, no Funchal, foi cedida em 1803 para servir de igreja paroquial e ostenta uma inscrição em latim. O Padre João Crisóstomo Espinola de Macedo exerceu ali funções de capelão interino.
- Londres
United Kingdom. Cidade onde foi impresso o seu panfleto de 1825.
Capital britânica onde foram publicadas muitas obras inglesas sobre a Madeira, incluindo as dos du Cane, de Embleton e de Bloxam. Mason comparou a sua humidade com a do Funchal, e de lá veio artilharia para a Fortaleza de São Tiago. Acolheu o congresso de química aplicada de 1909.
- Pelourinho do Funchal
Funchal. Local onde foi açoitado publicamente em 1822.
Local onde foi açoitado publicamente em 1822.
- Ponta do Sol
A sua igreja é mencionada no título do panfleto.
Freguesia e concelho da costa sul, povoados a partir de cerca de 1440 por Rodrigo Enes «o Coxo». A igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz conserva um tríptico. O Elucidário regista também o cais de 1848, pago pela Câmara Municipal, e a visita régia de 1858.
- Rua da Conceição
Funchal. Rua onde Macedo residia e foi capturado.
A Rua da Conceição, no Funchal, é onde se situa a Casa dos Cônsules. O Padre João Crisóstomo Espinola de Macedo viveu nessa rua e foi ali capturado.
- Santa Cruz
Localidade onde Macedo foi vigário.
Santa Cruz é uma freguesia e uma das povoações mais antigas da Madeira. Recebeu o nome de uma cruz que Zarco ali mandou erguer aquando da descoberta. O Elucidário aborda a sua história eclesiástica inicial, a colegiada, as capelas, os povoadores nobres e os sítios da freguesia.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 03-
Sacerdote madeirense, vigário de Santa Cruz e jornalista liberal que dirigiu O Pregador Imparcial e foi deportado em 1823.
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Polemista português cujo estilo violento Espínola de Macedo imitava, apesar das suas divergências políticas.
- Sebastião Xavier Botelho1768–1840
Governador da Madeira que é o principal alvo do panfleto anónimo O Tramista Descoberto, de 1825.