Primeiras Publicações 1Os primeiros jornais
Primeiras Publicações
Panorama das primeiras publicações impressas na Madeira após a instalação da primeira tipografia em 1821, abrangendo os primeiros jornais de 1821–1827 e os primeiros opúsculos e livros. Identifica os Estatutos da Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciências e Artes (1822) como a primeira obra impressa na ilha.
1Os primeiros jornais
Já consagrámos um artigo á primeira publicação que, por meio da arte tipográfica se realizou na Madeira – O Patriota Funchalense –, jornal bi-semanal, que viu a luz do dia a 2 de Julho de 1821, como ficou dito a páginas 57 deste volume.
Saía ainda com toda a regularidade O Patriota Funchalense, quando a 17 de Fevereiro de 1823 apareceu o segundo jornal que existiu entre nós, tendo o título espaventoso de O Prégador Imparcial da Verdade, da Justiça e da Lei, que fartamente chegava para baptizar quatro diferentes publicações periódicas. Foi seu redactor e proprietário o padre dr. João Crisóstomo Espinola de Macedo, distinto advogado e pároco na vila de Santa Cruz, que, embora possuísse uma viva inteligência e uma cultura não vulgar, usava nos seus escritos de uma linguagem tão violenta e descomposta, que lhe acarretaram os maiores dissabores e os mais afrontosos vexames. Era um digno émulo do padre José Agostinho de Macedo, posto que professasse principios politicos diametralmente opostos aos do autor dos Burros, da Besta Esfolada e da Tripa Virada. O Pregador Imparcial. . . era semanal e dele saíram 61 numeros, sendo o último a 2 de Julho de 1824.
Ainda no ano de 1823, mais dois jornais saíram a lume: A Atalaia da Liberdade e o Regedor, respectivamente o terceiro e o quarto periódicos publicados no Funchal. Do primeiro, que teve a vida efémera de dois meses, foi redactor o dr. Daniel de Ornelas e Vasconcelos, advogado e brilhante orador, que posteriormente àquela época representou a Madeira no parlamento e fez parte da câmara dos pares, distinguindo-se como um notável parlamentar. O Regedor, que não teve uma existência muito mais longa do que a do seu contemporâneo Atalaia da Liberdade, publicou-se nos meses de Abril a Junho de 1823, ignorando-se os nomes dos seus redactores e proprietários.
De meados do ano de 1824 a 1827 não se publicou nenhum jornal, tendo a 3 de Fevereiro e a 2 de Junho do último daqueles anos saido o Funchalense liberal e a Flor do Oceano, que respectivamente foram o quinto e o sexto periódico que viram a luz nesta ilha.
2Os primeiros opúsculos
Fora do movimento jornalístico, que deixamos ligeiramente esboçado, não podia ser grande a acção da imprensa num meio social e mental de tão acanhados limites como era a cidade do Funchal. No entretanto e relativamente a esse meio e a essa época, não deixa de ser bastante apreciável, em número e em qualidade, as espécies bibliográficas dadas à publicidade nos primeiros anos decorridos após estabelecimento da primeira oficina de pressão no ano de 1821.
Neste ano, fundou-se entre nós uma agremiação de carácter literário e cientifico denominada Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciencias e Artes, que tinha 27 membros efectivos, 45 correspondentes e 24 honorários e de que fizeram parte os mais distintos madeirenses do tempo, contando-se entre os efectivos os nomes prestigiosos de Pimenta de Aguiar, conego Gonçalves de Andrade, Nicolau Betencourt Pita, Lourenço José Moniz, dr. Caetano Alberto Soares, dr. João Pedro de Freitas Drumond, José Marciano da Fonseca, além de outros, aos quais o Elucidário Madeirense consagra circunstanciadas noticias. Teve essa sociedade a prioridade na publicação dum pequeno trabalho pela imprensa, que era a sua lei organica e que se intitulava Estatutos e Regulamentos da Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciencias e Artes. É um pequeno opúsculo de vinte e três páginas, impresso no ano de 1822 nas oficinas do Patriota Funchalense, hoje raríssimo, e que goza da merecida prerrogativa de haver sido o primeiro trabalho tipográfico dado á estampa nesta ilha.
Nesse mesmo ano de 1822, publicaram-se mais dois opúsculos, hinos laudatórios á constituição proclamada pela Revolução do Porto e que teve seu solene reconhecimento na Madeira no mês de Janeiro de 1821. Um deles intitula-se Parabens poético-politicos à grandiosa regeneração portuguesa na congratulante aderência da Ilha da Madeira em 1821 no teatro grande do Funchal, sendo seu autor o dr. Luis Antonio Jardim, advogado e deputado ás primeiras cortes constituintes, que faleceu no Funchal a 14 de Fevereiro de 1825.
O outro opúsculo contém o panegírico proferido do alto do púlpito da nossa Sé Catedral pelo padre João Manuel de Freitas Branco e tem este título: Oraçâo de Acção de Graças que na solenidade do aniversário do faustissimo dia 28 de Janeiro de 1821 pregou na Igreja Catedral da Sé do Funchal por convite do Ill.mo e Rev.mo Cabido o vigário de Sâo Jorge João Manuel de Freitas Branco em o anno de 1821. É um folheto de 43 páginas, que constitue hoje uma grande raridade bibliográfica.
No ano seguinte de 1823, outro hino laudatório, não menos hiperbólico e exageradamente encomiástico do que o do ano anterior, se fêz ouvir no templo principal desta diocese e nesse mesmo ano foi publicado no Funchal com o seguinte titulo: Oraçâo de graças prègada na igreja Cathedral da Sé do Funchal em 6 de Julho de 1823 por ocasiâo da solemne festividade que fêz sua excellencia reverendissima pela feliz restauração de S. Magestade El-Rei N. S., por Fr. José Cupertino, religioso franciscano, lente de theologia e examinador synodal deste bispado do Funchal.
No ano de 1823, publicou-se ainda um pequeno e curioso volume de 60 páginas, assim intitulado: Instrucçoens para a inspecçâo ou revista de hum batalhão d'infanteria... traduzido do ingles. . ., cujo assunto não pode actualmente despertar o menor interesse, sendo apenas apreciável como uma invulgar raridade bibliográfica e de algum valor para a historia da imprensa na Madeira.
Não temos conhecimento de que, no período decorrido de 1824 a 1827, se houvesse feito entre nós qualquer publicação pela imprensa em livros ou opúsculos, sucedendo o mesmo com respeito ás fôlhas periódicas, como já acima deixámos notado. Atribuímos essa omissão aos acontecimentos politicos que então se deram no nosso país, pouco propícios a manter a liberdade de que a imprensa necessita para o proveitoso exercício da sua missão.
Nesse ano de 1827, publicaram-se no Funchal três opúsculos, versando um deles assuntos politicos de caracter local e os outros dois contendo as poesias recitadas no «Theatro Grande» ao festejar-se o aniversário da proclamação da Carta Constitucional outorgada por D. Pedro IV.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
A Madeira aderiu à revolução liberal e o regime constitucional foi solenemente proclamado no Funchal, passando a praça a chamar-se Praça da Constituição.
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O primeiro número de O Patriota Funchalense, o primeiro jornal da Madeira, saiu no Funchal no aniversário da descoberta da ilha.
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Os estatutos da Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciências e Artes foram impressos na tipografia de O Patriota, no Funchal, constituindo a primeira obra impressa na Madeira.
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O Pregador Imparcial, segundo jornal da Madeira, dirigido por João Crisóstomo Espínola de Macedo, começou a publicar-se no Funchal.
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Foi publicado no Funchal o semanário O Regedor, cuja primeira série teve nove números.
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Frei José Cupertino pregou na Sé Catedral do Funchal um sermão de ação de graças pela restituição do poder absoluto ao rei (as fontes indicam 6 ou 8 de julho).
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Foi publicado o 61.º e último número do periódico funchalense O Pregador Imparcial.
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Luís António Jardim morreu no Funchal.
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O jornal O Funchalense Liberal começou a ser publicado em 3 de fevereiro de 1827 e chegou ao seu 17.º número em 26 de maio de 1827.
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Saiu o primeiro número do jornal A Flor do Oceano.
Lugar
Lugares mencionados · 05- Funchal
Cidade onde foram impressos todos os primeiros periódicos e folhetos.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Santa Cruz
Localidade onde Espínola de Macedo era pároco.
Santa Cruz é uma freguesia e uma das povoações mais antigas da Madeira. Recebeu o nome de uma cruz que Zarco ali mandou erguer aquando da descoberta. O Elucidário aborda a sua história eclesiástica inicial, a colegiada, as capelas, os povoadores nobres e os sítios da freguesia.
- São Jorge
Santana. Freguesia de que Freitas Branco era vigário.
Freguesia da costa norte que integrava o concelho de Santana desde a sua criação e dá nome ao arciprestado do norte. É conhecida pelos depósitos de fósseis vegetais e de lignito estudados por Heer e Bunbury, bem como por um deslizamento de terras ocorrido no século XVII. O Elucidário descreve também o seu ilhéu, a sua ponta, o seu cais e a sua ribeira.
- Sé do Funchal
Funchal. Sé Catedral onde foram pregados os sermões posteriormente impressos.
A Sé do Funchal é a catedral do Funchal, na freguesia da Sé. A sua construção começou em 1493; tornou-se sede paroquial em 1508 e catedral em 1514. Foi ponto de partida de procissões e local do voto a São Tiago, e nela estão sepultados bispos.
- Teatro Grande
Funchal. Teatro onde foram recitados poemas patrióticos em 1821 e 1827.
Grande teatro de ópera do Funchal, construído cerca de 1780 em frente ao Palácio de São Lourenço e tido como o segundo maior teatro de Portugal. Foi demolido em 1833 pelo governo absolutista por se ter tornado palco de manifestações liberais; a demolição deu origem ao Largo da Restauração.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 14- Aires de Ornelas de Vasconcelos1837–1880
Advogado e orador que dirigiu A Atalaia da Liberdade (1823) e mais tarde foi deputado e par do reino.
- Caetano Alberto Soares1790–1867
Sócio efetivo da Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciências e Artes.
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Rei que outorgou a Carta Constitucional, cujo aniversário foi celebrado em poemas impressos em 1827.
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Lente franciscano de teologia cujo sermão de 1823, em celebração do restabelecimento do rei, foi impresso no Funchal.
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Advogado e pároco de Santa Cruz, dirigiu e foi proprietário de O Pregador Imparcial (1823–1824), sendo conhecido pelo seu estilo violento.
- João Manuel de Freitas Brancoc. 1773–1831
Vigário de São Jorge cujo sermão de ação de graças, pregado na Sé Catedral do Funchal, foi impresso em 1822.
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Sócio efetivo da Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciências e Artes.
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Polemista português, autor de Os Burros, a quem Espínola de Macedo é comparado.
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Sócio efetivo da Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciências e Artes.
- Lourenço José Moniz1789–1857
Sócio efetivo da Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciências e Artes.
+ 4 mais
- Luiz António Jardimc. 1780–1825
Advogado e deputado às primeiras Cortes Constituintes, escreveu um folheto poético (1822) em louvor da regeneração constitucional.
- Manuel Caetano Pimenta de Aguiar1765–1832
Sócio efetivo da Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciências e Artes (1821).
- Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade1767–1847
Cónego e sócio efetivo da Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciências e Artes.
-
Sócio efetivo da Sociedade Funchalense dos Amigos das Ciências e Artes.