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Elucidário Madeirense Início
Andrade (Deão Antonio Joaquim Gonçalves de) 1Exílio e regresso à Madeira
Artigo Nº 0226 Clero e religiosos Vol. I · pp. 131–132 3 min de leitura

Andrade (Deão Antonio Joaquim Gonçalves de)

Biografia de António Joaquim Gonçalves de Andrade (1795–1868), sacerdote madeirense, cónego, vigário-geral e deão da Sé Catedral do Funchal, que auxiliou o bispo Cerveira e Sousa na oposição à missão protestante de Kalley e serviu a imperatriz D. Amélia como capelão. Foi também um escritor erudito e anotador.

Andrade (Deão Antonio Joaquim Gonçalves de)

1Exílio e regresso à Madeira

Este distinto madeirense nasceu no Funchal a 7 de Dezembro de 1795 e ordenou-se de prebistero em 1821. Cremos que era doutorado em cânones ou em teologia, mas não podemos afirma-lo. Foi cónego da nossa Sé e em 1834 era secretario de D. Francisco José Rodrigues de Andrade, quando este prelado saiu da Madeira e emigrou para a Itália. Acompanhou com outros eclesiásticos o seu chefe hierárquico, tendo todos estabelecido morada nos arredores da cidade de Génova.

Por morte do bispo D. Francisco, fixou residência em Lisboa e dali foi chamado para a Madeira em 1844, pelo prelado desta diocese D. José Xavier de Cerveira e Sousa. Estava então muito activo nesta ilha o proselitismo protestante e o prelado sustentava uma luta acesa com o propagandista Roberto Kalley e seus sequazes, precisando de ter a seu lado um homem de prestigio, prudente e sabedor, que o auxiliasse na árdua empresa em que se empenhava. Gonçalves de Andrade deixou o cultivo das letras, a que então activamente se dedicava, e o convívio íntimo que mantinha com os nossos principais literatos, e veio estabelecer residência junto do prelado, ao qual prestou os mais relevantes e assinalados serviços. Em 1846 foi nomeado vigário geral deste bispado e em 1853 deão da Sé Catedral. Quando em 1852 chegaram á Madeira a imperatriz D. Amelia e sua filha a princesa D. Maria Amelia, foi o conego Andrade nomeado seu capelão e confessor, ás quais também serviu de secretario, tendo assistido aos últimos momentos da malograda princesa, que tinha por ele a mais subida consideração e a mais profunda e respeitosa estima. Juntamente com o Dr. Antonio da Luz Pita, foi um dos mais dedicados auxiliares da imperatriz D. Amelia na fundação definitiva do Hospício e na instalação provisória do hospital para tuberculosos, antes da construção da sumptuosa casa onde actualmente se encontra.

Em 1853 acompanhou o deão Andrade os despojos mortais da princesa D. Maria Amelia para Lisboa e ali fixou residência, continuando ao serviço da imperatriz.

2Carácter, escritos e morte

Antonio Joaquim Gonçalves de Andrade era homem de raro talento e de uma vasta cultura intelectual, gozando de grande prestigio e consideração, não só pelos seus dotes de espírito como pelas suas eminentes qualidades de caracter. Em Lisboa mantivera íntimas relações de amizade com os vultos mais em evidencia nas letras e na política, que muito apreciavam as suas virtudes, o seu saber e a encantadora lhaneza do seu trato.

Revelou-se um escritor de largos méritos nas eruditas notas que escreveu para a tradução dos Fastos, de Ovídio, feita por Castilho, e nas anotações que adicionou á edição da Historia Insulana, de Antonio Cordeiro, publicada em 1862.

Consta que deixou inéditos de valor e também se afirma que possuía documentos valiosissimos para a historia deste arquipélago, que totalmente se perderam.

Regeu, no Seminário desta cidade, as cadeiras de latinidade, filosofia e teologia e era sócio correspondente da Academia Real das Sciencias de Lisboa e doutras corporações literárias nacionais e estrangeiras. Morreu em Lisboa a 16 de Janeiro de 1868 e jaz sepultado no cemitério das Angústias do Funchal, em jazigo próprio.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 09
  1. António Joaquim Gonçalves de Andrade, mais tarde deão, nasceu no Funchal.

  2. António Joaquim Gonçalves de Andrade foi ordenado sacerdote.

  3. O bispo Francisco José Rodrigues de Andrade deixou a Madeira para se exilar em Itália, acompanhado por António Joaquim Gonçalves de Andrade e António Alexandrino de Vasconcelos.

  4. O bispo Cerveira e Sousa chamou o deão António Joaquim Gonçalves de Andrade de volta à Madeira.

  5. António Joaquim Gonçalves de Andrade foi nomeado vigário-geral.

  6. A imperatriz D. Amélia do Brasil e a princesa D. Maria Amélia, que viajava por recomendação médica, chegaram ao Funchal a bordo da fragata D. Fernando, acompanhadas pelo Dr. Barral; a Câmara Municipal atribuiu o nome da princesa a uma rua.

  7. António Joaquim Gonçalves de Andrade tornou-se deão e acompanhou os restos mortais de D. Maria Amélia até Lisboa.

  8. Foi publicada a edição anotada da Historia Insulana, de António Cordeiro.

  9. O deão António Joaquim Gonçalves de Andrade morreu em Lisboa.

Lugar

Lugares mencionados · 04

No estrangeiro

Mapa: Madeira (4)
  1. Cemitério das Angústias

    Funchal. Local onde Andrade foi sepultado.

  2. Funchal

    Local de nascimento de Andrade.

  3. Génova

    Italy. O bispo exilado e os seus clérigos viveram perto de Génova.

  4. Lisboa

    Portugal. Local onde Andrade viveu e morreu.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 10
  1. Sacerdote madeirense, deão da Sé Catedral do Funchal e erudito a quem é dedicada esta entrada.

  2. Autor da Historia Insulana, cuja edição de 1862 foi anotada por Andrade.

  3. Ajudou a imperatriz D. Amélia a fundar o Hospício, juntamente com Andrade.

  4. Imperatriz que veio à Madeira em 1852 e fundou o Hospício, tendo Andrade como capelão e secretário.

  5. Filha da imperatriz D. Amélia, que morreu na Madeira; Andrade acompanhou-a nos seus últimos momentos.

  6. Bispo do Funchal que deixou a Madeira em 1834 rumo a Itália, acompanhado por Andrade como seu secretário.

  7. Bispo do Funchal que chamou Andrade de volta em 1844 para ajudar a combater o proselitismo protestante.

  8. Poeta romano, autor dos Fastos.

  9. Propagandista protestante na Madeira a quem o bispo se opôs na década de 1840.

  10. Tradutor dos Fastos, de Ovídio, para os quais Andrade escreveu notas.

Na folha A

Vistos recentemente

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