Nóbrega (Januário Justiniano de)
Biografia de Januário Justiniano de Nóbrega (1824–1866), funcionário da Câmara Municipal do Funchal, jornalista e poeta, sobrinho do poeta Francisco Álvares de Nóbrega. Destruiu a sua coletânea de poemas pouco antes do seu provável suicídio.
Vida, cargos e obras
Nasceu nesta cidade a 25 de Fevereiro de 1824 e morreu a 29 de Julho de 1866. Era sobrinho do distinto poeta Francisco Alvares de Nóbrega, conhecido pelo antonomásia de Camões Pequeno e de quem já nos ocupámos neste Elucidário (vol. 1, pag. 53).
Januário de Nóbrega foi nomeado amanuense da Administração do Concelho a 30 de Junho de 1837 e 3.º escrivão da mesma Administração a 8 de Janeiro de 1857, tendo gozado no seu tempo de grande nomeada como jornalista e revelado uma grande aptidão para as letras tanto na prosa como no verso. Acerca dos seus trabalhos literários, transcrevemos o que diz o anotador das Saudades: Collaborou nos mesmos periódicos que o Dr. António da Luz Pitta, assim como no Funchalense e Campo Neutro e nelles, no Estudo, e em outros publicou muitas poesias. Tinha prompta a collecção das inéditas e não inéditas para as dar ao prelo, mas destruiu-as poucos dias antes de finar-se. Escreveu uma obra historico-estatistica do archipelago da Madeira de cujo borrão possuímos fragmentos, dados por sua família, a qual nos affirma que o autographo em limpo está no poder do Sr. José Silvestre Ribeiro. Sahiu posthuma a sua seguinte obra: Visita de Sua Magestade a Imperatriz do Brasil, viúva, Duqueza de Bragança, á ilha da Madeira, e fundação do Hospício da Serenissima Princesa D. Maria Amelia (Madeira, 1867). Era dotado de não vulgar talento e veia poética, a ponto de que, sem mais estudos que instrucção primaria, foi dos melhores jornalistas do seu tempo, e estimado poeta. Nos últimos tempos da vida, toldou-se-lhe a lucidez natural do espírito: e suspeito de suicida, morreu da queda de uma rocha á beira mar em 28 de Julho de 1866.»
Publicou-se em 1860, no Funchal, a primeira parte dum livro intitulado Flores Agrestes, Poesias de João F. de Oliveira e Januario J. de Nobrega, não tendo nunca aparecido a segunda parte desta obra, que era constituída certamente pela colecção de poesias a que se refere o Dr. Alvaro Rodrigues de Azevedo e que o seu autor destruiu, quando foi assaltado por um ataque de alienação mental que o levou ao suicídio.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
Januário Justiniano de Nóbrega nasceu no Funchal.
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Januário Justiniano de Nóbrega foi nomeado amanuense da administração do concelho.
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Januário Justiniano de Nóbrega tornou-se terceiro escriturário da administração do concelho.
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Foi publicada no Funchal a primeira parte do volume de poesia Flores Agrestes, com poemas de João Fortunato de Oliveira.
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Januário Justiniano de Nóbrega morreu após cair de uma arriba à beira-mar (uma fonte indica 28 de julho).
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O relato de Januário Justiniano de Nóbrega sobre a visita da Imperatriz do Brasil e o hospício foi publicado postumamente no Funchal, com edição de João da Silva Carvalho.
Lugar
Lugares mencionados · 02- Funchal
Local de nascimento de Nóbrega e de publicação das suas obras.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Hospício da Princesa D. Maria Amélia
Funchal. Hospício cuja fundação é descrita no livro póstumo de Nóbrega.
Hospital do Funchal para pessoas pobres com tuberculose pulmonar, fundado pela imperatriz D. Amélia em memória da filha, falecida na Madeira em 1853. Instalado provisoriamente na Rua do Castanheiro em 1853, mudou-se para um novo edifício, construído entre 1856 e 1859 e inaugurado em 1862 com uma inscrição comemorativa da fundação. Foi administrado pelas Irmãs da Caridade e recebeu uma dotação da rainha Josefina da Suécia. A capela alberga uma imagem de Nossa Senhora das Angústias oferecida por Fernando José Maximiliano, e os jardins, perto da Quinta Vigia, têm muitas espécies lenhosas exóticas.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 08- Januário Justiniano de Nóbrega1824–1866
Funcionário, jornalista e poeta do Funchal a quem esta entrada é dedicada.
- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Anotador de Saudades da Terra, cuja nota biográfica sobre Nóbrega é aqui citada.
- António da Luz Pita1802–1870
Escritor madeirense para cujos periódicos Nóbrega também colaborou.
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Imperatriz viúva do Brasil cuja visita à Madeira Nóbrega descreveu num livro póstumo.
- D. Maria Améliam. 1853
Princesa brasileira que deu nome ao hospício fundado no Funchal pela mãe.
- Francisco Álvares de Nóbrega1772–1806
Poeta madeirense conhecido como «Camões Pequeno», tio de Januário de Nóbrega.
- João Francisco de Oliveira1761–1829
Coautor, com Nóbrega, da coletânea de versos Flores Agrestes (1860).
- José Silvestre Ribeiro1807–1891
Diz-se que tinha em seu poder o autógrafo passado a limpo da obra histórico-estatística de Nóbrega sobre a Madeira.