Maria Amélia (Princesa D.)
A princesa D. Maria Amélia (1831–1853), filha única do imperador D. Pedro IV e da imperatriz D. Amélia, veio para a Madeira em 1852 para recuperar de uma doença pulmonar e morreu no Funchal. Após a sua morte, a mãe fundou o Hospício da Princesa D. Maria Amélia.
Vida, doença e morte na Madeira
A princesa D. Maria Amélia foi o único fruto do consórcio de D. Pedro IV com a imperatriz D. Amélia. Nasceu em Paris a 1 de Dezembro de 1831 e morreu no Funchal a 4 de Fevereiro de 1853. Recebeu uma aprimorada educação em Portugal e no estrangeiro, e só interrompeu os seus estudos quando em 1852 foi acometida pela doença que a vitimou. Falava diversas línguas e possuía uma considerável copia de conhecimentos, que causavam verdadeira admiração ás pessoas que com ela privavam. A uma viva inteligência e brilhantes dotes de espírito juntava a mais cativante bondade e os mais atraentes predicados de coração.
Tinha a princesa uma fraca compleição e foi nos jardins do Palácio das Necessidades que um resfriamento provocou os primeiros rebates da doença. Passada essa crise, aconselharam os médicos uma viagem à Madeira, que se realizou no mês de Agosto de 1852, como já ficou sumariamente narrado no artigo Amélia (Imperatriz D.) (vol. I, pag. 63), para onde remetemos o leitor.
A morte da princesa D. Maria Amélia nesta cidade determinou a criação do Hospício que tem o seu nome, fundado pela sua desolada mãe a imperatriz D. Amelia.
Para evitar-se escusadas repetições, leiam-se os artigos (Amélia Imperatriz D.), Hospício da Princesa D. Maria Amélia e Quinta Lambert, e quem quiser ter mais desenvolvida noticia da visita da imperatriz, morte da princesa e fundação do Hospício, consulte o opúsculo visita de sua magestade a imperatriz do Brasil, viuva, duqueza de Bragança, à ilha da Madeira, e fundação do Hospício da Serenissima Princesa D. Maria Amélia, escrito por Januário Justiniano de Nobrega e publicado no Funchal em 1867, por Julio da Silva Carvalho.
O escritor Mario de Almeida preparava em 1916 a publicação dum livro intitulado Lisboa antes da Regeneração, de que um Jornal de Lisboa publicou um excerto do capitulo que tinha por titulo Princesa D. Maria Amélia – Os seus derradeiros momentos – O Paço das Angustia, que é uma descrição interessante e sentida da estada da malograda princesa nesta ilha. Esse belo trecho de prosa foi transcrito no Diário da Madeira, de 15 de Setembro de 1916.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
A princesa D. Maria Amélia, filha de D. Pedro IV, nasceu em Paris.
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A imperatriz D. Amélia do Brasil e a princesa D. Maria Amélia, que viajava por recomendação médica, chegaram ao Funchal a bordo da fragata D. Fernando, acompanhadas pelo Dr. Barral; a Câmara Municipal atribuiu o nome da princesa a uma rua.
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A princesa D. Maria Amélia, filha da imperatriz D. Amélia, morreu de tuberculose pulmonar na Quinta das Angústias, no Funchal.
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O relato de Januário Justiniano de Nóbrega sobre a visita da Imperatriz do Brasil e o hospício foi publicado postumamente no Funchal, com edição de João da Silva Carvalho.
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O Diário da Madeira reproduziu o relato de Mário de Almeida sobre os últimos dias da princesa D. Maria Amélia.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Funchal
Cidade onde a princesa morreu em 1853.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Palácio das Necessidades
Portugal. Palácio de Lisboa em cujos jardins a princesa apanhou o resfriamento que deu início à sua doença.
Palácio de Lisboa em cujos jardins a princesa apanhou o frio que deu início à sua doença.
- Paris
France. Local de nascimento da princesa.
Capital francesa onde Franco de Sousa se estabeleceu e pintou «Ar livre», e onde Juvenal Honório de Ornelas se doutorou em Medicina em 1834. O Padre Luiz Gonçalves da Câmara estudou ali e conheceu Loyola; o Barão de Ornelas formou-se, exerceu a profissão e morreu na cidade.
- Quinta Lambert
Funchal. Quinta onde a princesa ficou alojada, referida num artigo relacionado.
A Quinta Lambert é uma propriedade notável na freguesia de São Pedro, no Funchal, com uma capela de Nossa Senhora das Angústias, possivelmente a ermida de 1662 reconstruída. D. Maria Amélia ali permaneceu e morreu em 1853. O vapor Valente foi arrastado para a costa abaixo da quinta e ficou destruído. A Avenida do Doutor José António de Almada passa a norte da propriedade.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 07- D. Maria Améliam. 1853
Princesa luso-brasileira que veio para a Madeira por motivos de saúde em 1852 e morreu no Funchal em 1853.
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Viúva de D. Pedro IV e mãe da princesa, que acompanhou à Madeira e em cuja memória fundou o hospício.
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D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal, pai da princesa D. Maria Amélia.
- Fernando José Maximilianom. 1867
O arquiduque Fernando José Maximiliano, referido nesta entrada por causa da sua ligação à princesa.
- Januário Justiniano de Nóbrega1824–1866
Autor de um opúsculo de 1867 sobre a visita da imperatriz à Madeira e a fundação do hospício.
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Editor, no Funchal, do opúsculo de Nóbrega publicado em 1867.
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Escritor que, em 1916, preparou um livro com um capítulo sobre os últimos dias da princesa na Madeira.