Maximiliano (Imperador do México) 1Visitas à Madeira
Maximiliano (Imperador do México)
Relato das visitas à Madeira do arquiduque Fernando José Maximiliano da Áustria, mais tarde imperador do México, em 1852, 1859–1860 e 1864, e dos donativos que fez a instituições do Funchal. Refere também o seu fuzilamento em 1867 e o casamento projetado com a princesa D. Maria Amélia.
1Visitas à Madeira
A 5 de Julho de 1852, chegou pela primeira vez à Madeira o príncipe Fernando Maximiliano, que depois foi imperador do México. A sua curta demora nesta ilha, ficou assinalada pela maneira generosa como contribuiu para a construção da Ponte Monumental e pela valiosa dádiva que fez ao Asilo da Mendicidade e Órfãos do Funchal.
Casou em 1857 com a princesa Maria Carlota, filha de Leopoldo I, rei da Bélgica, e chegou à Madeira, com sua esposa, a 6 de Dezembro de 1859, no vapor de guerra austríaco Elisabeth. O príncipe saiu desta ilha a 22 de Dezembro em viagem de estudo pela América do Sul, e a princesa passou o Inverno no Funchal, aguardando o regresso de seu marido, que foi a 5 de Março de 1860. No dia 12 do mesmo mês e ano, saíram os príncipes desta ilha em direcção à Áustria.
A 10 de Abril de 1864, aceitou o príncipe Fernando Maximiliano o encargo de ser imperador do México, e como tal foi logo proclamado e reconhecido, tendo passado na Madeira, com sua esposa, em direcção aquele país, a 28 daquele mês e ano na fragata austríaca Novara, que ia acompanhada pela fragata francesa Themis. Foram prestadas aos imperadores as honras devidas á sua alta jerarquia, tendo a elas correspondido gentilmente os ilustres viajantes, convidando para um jantar a bordo da Novara o bispo diocesano D. Patricio Xavier de Moura, o Governador Civil conde de Farrobo, o conde de Carvalhal, o consul Carlo de Bianchi, o dr. Luiz Pita, etc.
2Fim do imperador e lembranças
Sabe-se o desgraçado fim que teve o infortunado imperador. Não podendo sufocar as revoluções que se sucediam no país e abandonado pelo governo francês, foi fuzilado a 16 de Junho de 1867. A imperatriz enlouqueceu e não tornou a recuperar o uso da razão.
Todos reconhecem hoje que o imperador Maximiliano foi vitima da mais atroz injustiça. Avesso por índole ás violências e a todas as medidas de excessivo rigor, sucumbiu talvez á falta de energia e de audacia de que o acusavam alguns dos seus mais fiéis partidários.
Era um espírito muito culto, tendo publicado alguns volumes, que foram traduzidos na língua francesa.
Parece que esteve projectado o enlace matrimonial do príncipe Maximiliano com a princesa D. Maria Amélia, filha de D. Pedro IV e da imperatriz D. Amélia, fundadora do hospício que tem o nome daquela princesa.
A bela estatua de Nossa Senhora das Dores, que encima o altar da capela do Hospício da Princesa D. Maria Amélia, foi oferta do Príncipe Fernando Maximiliano.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
O príncipe Fernando José Maximiliano, mais tarde imperador do México, chegou pela primeira vez à Madeira.
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O arquiduque Fernando José Maximiliano e Carlota chegaram à Madeira a bordo do navio de guerra austríaco Elisabeth para uma estada de inverno.
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Fernando José Maximiliano partiu da Madeira numa viagem de estudo à América do Sul.
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O arquiduque Fernando José Maximiliano regressou à Madeira vindo da América do Sul.
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Fernando José Maximiliano e a princesa Maria Carlota partiram da Madeira para a Áustria.
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O novo imperador Fernando José Maximiliano e a imperatriz Carlota do México fizeram escala na Madeira a bordo da fragata Novara, a caminho do México.
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Fernando José Maximiliano, imperador do México, foi fuzilado no México.
Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Asilo de Mendicidade e Órfãos do Funchal
Funchal. Asilo que recebeu um valioso donativo de Fernando José Maximiliano.
Asilo que recebeu uma valiosa oferta de Fernando José Maximiliano.
- Funchal
Cidade onde a princesa Carlota passou o inverno de 1859–1860.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Hospício da Princesa D. Maria Amélia
Funchal. Hospício cuja capela alberga uma imagem de Nossa Senhora das Angústias oferecida por Fernando José Maximiliano.
Hospital do Funchal para pessoas pobres com tuberculose pulmonar, fundado pela imperatriz D. Amélia em memória da filha, falecida na Madeira em 1853. Instalado provisoriamente na Rua do Castanheiro em 1853, mudou-se para um novo edifício, construído entre 1856 e 1859 e inaugurado em 1862 com uma inscrição comemorativa da fundação. Foi administrado pelas Irmãs da Caridade e recebeu uma dotação da rainha Josefina da Suécia. A capela alberga uma imagem de Nossa Senhora das Angústias oferecida por Fernando José Maximiliano, e os jardins, perto da Quinta Vigia, têm muitas espécies lenhosas exóticas.
- México
Mexico. País de que Fernando José Maximiliano se tornou imperador.
País apontado como origem de várias plantas existentes na Madeira, entre elas a dália e a poinsétia. Foi também o país de que Fernando José Maximiliano se tornou imperador, para onde viajou em 1864 e onde foi executado.
- Ponte Monumental
Funchal. Ponte para cuja construção Fernando José Maximiliano contribuiu generosamente em 1852.
A Ponte Monumental é uma ponte do Funchal sobre o Ribeiro Seco. Foi construída durante o governo de José Silvestre Ribeiro, e o imperador Fernando José Maximiliano do México contribuiu generosamente para a sua construção em 1852. A Praça do Ribeiro Seco (Largo de António Nobre) fica junto à ponte, onde começa a estrada em que se encontra a Capela de Nossa Senhora da Ajuda.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 11- Fernando José Maximilianom. 1867
Príncipe austríaco, mais tarde imperador do México, que visitou a Madeira várias vezes e fez donativos a instituições do Funchal.
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Cônsul convidado a jantar a bordo do Novara em 1864.
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Governador civil convidado a jantar com o casal imperial a bordo do Novara em 1864.
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Nobre madeirense entre os convidados a bordo do Novara em 1864.
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Viúva de D. Pedro IV e fundadora do Hospício da Princesa D. Maria Amélia, no Funchal.
- D. Maria Améliam. 1853
Filha de D. Pedro IV, cujo casamento com Fernando José Maximiliano estava, ao que parece, planeado; o hospício do Funchal tem o seu nome.
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Rei de Portugal, pai de D. Maria Amélia.
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Rei dos Belgas, pai da princesa Carlota.
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Convidado para o jantar a bordo do Novara em 1864.
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Filha de Leopoldo I da Bélgica e mulher de Fernando José Maximiliano; passou o inverno de 1859–1860 no Funchal.
+ 1 mais
- Patrício Xavier de Mouram. 1872
Bispo do Funchal convidado a jantar a bordo do Novara em 1864.