Andrade (D. Francisco José Rodrigues de) 1Nomeação e episcopado agitado
Andrade (D. Francisco José Rodrigues de)
Biografia de D. Francisco José Rodrigues de Andrade (1761–1838), 22.º bispo do Funchal, cujo conturbado episcopado atravessou os conflitos entre liberais e absolutistas de 1820–1834 e que morreu no exílio em Génova.
1Nomeação e episcopado agitado
Foi o 22.° prelado desta diocese. Nasceu em 1761 e contava já 60 anos de idade quando foi chamado ao episcopado. Exercia então as funções de pároco da freguesia de São Nicolau da cidade de Lisboa, sendo apresentado bispo do Funchal em 1821 e confirmado pelo papa Pio VII a 21 de Setembro do mesmo ano. Tomou posse do bispado, por procuração a 1 de Março de 1822 e assumiu a direcção da diocese a 1 de Maio do mesmo ano.
Teve um episcopado bastante agitado e muito eriçado de dificuldades, porque esteve á frente dos destinos desta diocese no período revoltoso que vai desde a revolução de 1820 até a implantação do governo constitucional em 1834. Não pôde ou não soube manter-se numa situação de absoluta imparcialidade no meio das duas correntes políticas que fortemente se chocavam, e mais duma vez, inclinando-se ora para um ora para outro lado, levantou contra si a má vontade dos adversários que lhe moviam uma guerra encarniçada e não poupavam meios de o desprestigiar e desconsidera-lo perante o publico. No meio das lutas políticas que se travaram, dos ódios profundos e dos propósitos de vinganças que dia a dia se manifestavam, impossível se tornava percorrer a linha recta do dever sem tergiversações ou passos oblíquos.
No embate das paixões partidárias, publicou uma pastoral datada de 28 de Junho de 1828 e outra de 13 de Setembro do mesmo ano, em que se defendem e aplaudem os mais contraditórios princípios políticos. Na primeira preconiza-se o sistema representativo e faz-se o elogio de D. Pedro, e na segunda defende-se o sistema do governo absoluto e aplaude-se a obra de D. Miguel. D. Francisco José Rodrigues de Andrade a pesar da publicação da sua primeira pastoral, receoso dos acontecimentos políticos que estavam a desenrolar-se, saiu da Madeira a 10 de Julho de 1828, acompanhado de muitos eclesiásticos. Em Lisboa publicou a sua segunda pastoral de 13 de Setembro do mesmo ano, impressa num folheto de 27 paginas e que é hoje muito rara em todo o país.
2Exílio, morte e lápide
Passados alguns meses, regressou á sua diocese, mas continuaram as lutas e dissenções, que só verdadeiramente terminaram com a sua saída definitiva da Madeira em 1834. No dia 5 de Junho deste ano proclamou-se o governo constitucional na Madeira e, no dia 12 do mesmo mês, o bispo D. Francisco de Andrade cometeu ao cabido a administração da diocese, tendo no dia seguinte deixado esta ilha em direcção á Itália.
Para ali o acompanharam vários eclesiásticos e entre eles os padres Antonio Joaquim Gonçalves de Andrade, Zeferino de Sant'Ana, Antonio Alexandrino de Vasconcelos e Antonio Gomes Neto. Escolheu a cidade de Genova para fixar a sua residência e na freguesia de Promentario se acolheu ao convento de S. Bartolomeu de Fossato a curtir os amargos dias do exílio. Passados quatro anos incompletos ali faleceu a 2 de Maio de 1838, sendo sepultado na igreja paroquial de Promentario.
Em 1891, decorrido pouco mais de meio século, procedendo o pároco de Promentario a importantes reparos na sua igreja, lembrou-se de colocar sobre a campa rasa de D. Francisco de Andrade uma lápide tumular com um epitáfio que indicasse o lugar onde jaziam os restos mortais do bispo português. Para este fim se dirigiu ao ilustre prelado desta diocese D. Manuel Agostinho Barreto, que com o auxilio de alguns sacerdotes madeirenses, enviou para Itália a indispensável quantia, que chegou a alguns centos de mil reis, para a colocação daquela lápide no sepulcro de D. Francisco de Andrade. A lápide, em belo mármore, além de ter esculpidas as armas do prelado, contém uma inscrição em caracteres de bronze, que consta do seguinte:
Franciscus Josephus Rodrigues d'Andrade / Domo Olisipone / Funchalensis in Madeira insula Pontifex / Lusitania civico turbata motu / extorris / a proximum S. Bartholo. monasterium - viribus. non animo fractus/in pace Requievit/Kal. Mai. Anno 1838/An. natus 77/Ne tanti viri pro patria sibi optatissima tanta heri perpessi / excederet memoria Emanuel Augustinus Barreto vir excellentis decessori suo / An. 1891.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 07-
Nasceu Francisco José Rodrigues de Andrade.
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O Papa Pio VII confirmou D. Francisco José Rodrigues de Andrade como bispo do Funchal.
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O bispo Francisco José Rodrigues de Andrade tomou posse da diocese do Funchal por procuração a 1 de março e assumiu a sua direção a 1 de maio.
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O bispo do Funchal, D. Francisco José Rodrigues de Andrade, publicou uma pastoral em louvor do governo representativo e de D. Pedro.
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Receando a agitação política, o bispo deixou a Madeira acompanhado por muitos membros do clero.
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Em Lisboa, o bispo do Funchal publicou uma pastoral em defesa do absolutismo e de D. Miguel.
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O governo constitucional (liberal) e a Carta Constitucional foram proclamados no Funchal, pacificamente na cidade, embora com violência em algumas freguesias, estabelecendo as instituições liberais na Madeira.
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O bispo D. Francisco José Rodrigues de Andrade confiou a diocese ao Cabido e partiu para Itália no dia seguinte.
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D. Francisco José Rodrigues de Andrade morreu no exílio em Promontorio, Génova.
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Foi colocada na sepultura de D. Francisco José Rodrigues de Andrade uma lápide de mármore custeada pelo bispo Manuel Agostinho Barreto.
Lugar
Lugares mencionados · 08No estrangeiro
- Convento de San Bartolomeo del Fossato
Italy. Convento onde viveu o bispo exilado.
Convento onde viveu o bispo exilado.
- Funchal
Sede da diocese governada por Andrade.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Génova
Italy. Cidade onde Andrade viveu no exílio e morreu.
Cidade italiana de origem das famílias Lomelino (Lomellini), Espínola e Catanho, onde nasceu António Espínola. O bispo D. Francisco José Rodrigues de Andrade viveu ali exilado e morreu depois de renunciar à diocese; Joaquim Pedro Cardoso Casado Giraldes morreu também ali, enquanto cônsul português. A obra A Piccone foi publicada na cidade.
- Itália
Italy. País onde o bispo esteve exilado.
A Itália é referida em vários contextos. Foi o local de exílio do bispo D. Francisco José Rodrigues de Andrade em 1834 e foi visitada durante a peregrinação madeirense de 1926. Um santuário italiano terá servido de modelo à Capela de Nossa Senhora da Graça.
- Lisboa
Portugal. Cidade natal de Andrade, onde publicou a sua segunda pastoral em 1828.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Promontorio
Italy. Freguesia de Génova onde Andrade morreu e foi sepultado.
Freguesia genovesa onde Andrade morreu e foi sepultado.
- São Nicolau (Lisboa)
Portugal. Freguesia de Lisboa da qual Andrade foi pároco antes de se tornar bispo.
Freguesia de Lisboa onde Andrade foi pároco antes de se tornar bispo.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 09- Francisco José Rodrigues de Andrade1761–1838
22.º bispo do Funchal (1822–1834), a quem esta entrada é dedicada e que morreu no exílio em Génova.
- António Alexandrino de Vasconcelos1791–1884
Sacerdote que acompanhou o bispo no exílio em Itália em 1834.
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Sacerdote que acompanhou o bispo no exílio em Itália em 1834.
- António Joaquim Gonçalves de Andrade1795–1868
Sacerdote que acompanhou o bispo no exílio em Itália em 1834.
- D. Manuel Agostinho Barreto1835–1911
Bispo do Funchal que, em 1891, custeou uma lápide para a sepultura de Andrade em Itália.
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Rei absolutista português aclamado na pastoral de Andrade de 13 de setembro de 1828.
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Príncipe liberal português elogiado na pastoral de Andrade de 28 de junho de 1828.
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Papa que confirmou Andrade como bispo do Funchal em 21 de setembro de 1821.
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Padre que acompanhou o bispo no exílio em Itália, em 1834.