Historia Insulana 1A obra e o seu valor
Historia Insulana
Verbete sobre a Historia Insulana (1717; 2.ª edição em 1866), do Padre António Cordeiro, uma história das ilhas atlânticas portuguesas cuja parte dedicada à Madeira resume as Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso. Aborda também as notas acrescentadas à edição de 1866 por António Joaquim Gonçalves de Andrade.
1A obra e o seu valor
O título completo desta obra é Historia Insulana das Ilhas a Portugal sugeitas no Oceano Occidental, sendo seu autor o padre António Cordeiro (V. este nome) e havendo-se feito dela duas edições nos anos de 1717 e 1866. Foi até 1873 um trabalho muito conhecido e apreciado por todos os que se interessavam pela historia do arquipélago madeirense, mas com a publicação naquele ano das Saudades da Terra e das valiosíssimas anotações que as acompanham, passou a obra do padre Cordeiro a ter um valor muito secundário, principalmente pela circunstancia de ser um resumo, nem sempre isento de defeitos, do desenvolvido manuscrito do Dr. Gaspar Frutuoso. Além das poucas paginas que alguns cronistas tinham dedicado á historia da Madeira, nada mais se conhecia impresso sobre o assunto, tendo por esse motivo despertado verdadeiro interesse o aparecimento do livro do padre Antonio Cordeiro. Como faz notar o Dr. Álvaro Rodrigues de Azevedo no prefácio das Saudades da Terra, não supre a Historia Insulana o trabalho de Frutuoso, nem em alguma cousa se lhe avantaja, porque a obra de Cordeiro é um resumo das Saudades e não vai além de 1590, ano em que elas foram escritas, a pesar da Historia Insulana ter sido publicada no ano de 1717. Enquanto o livro II das Saudades ocupa 300 paginas impressas, o livro III da Historia Insulana, que se ocupa da Madeira, não excede 44 paginas de texto na segunda edição desta obra.
2Conteúdo e notas da segunda edição
A Historia Insulana compõe-se de nove livros, tratando o primeiro dos diversos povos que ocuparam a antiga Lusitania, o segundo das Canárias e Cabo Verde, o terceiro do Porto Santo e Madeira e os seis restantes das ilhas dos Açores, ás quais consagra Cordeiro a parte mais considerável da sua obra. Há muito que se tinha esgotado e era já bastante rara a Historia Insulana, quando em 1866 se fez uma segunda edição, em tudo igual á primeira, com excepção de um aditamento que tem por título Algumas notas e adições á História Insulana do padre Antonio Cordeiro na parte relativa á ilha da Madeira, por A. J. G. A. Numa breve introdução, diz o anotador, referindo-se ao vasto trabalho de Gaspar Frutuoso, embora um pouco exageradamente: «esta obra continha materiais reunidos sem critica, amontoados de genealogias, em que era valente o seu autor, e lançados sem ordem, os quais exigiam um homem de outro pulso, e capaz de escrever uma historia seguida e limpa dos muitos defeitos que porventura o mesmo Gaspar Frutuoso haveria evitado, se lhe sobejasse vida. Tal não era o padre Cordeiro! ele não se deu a este trabalho, nem procurou verificar os factos relatados pelo seu antecessor; antes contentando-se de recopila-los como Justino fizera á historia de Trogo Pompeu, cahiu nas mesmas faltas do seu original, e a Insulana está ainda bem longe de perfeição».
Pinheiro Chagas no II volume da terceira edição da sua Historia de Portugal, atribue erradamente estas notas ao escritor Guião, sendo indubitavelmente certo que elas pertencem ao distinto madeirense Antonio Joaquim Gonçalves de Andrade (V. este nome), deão da Sé do Funchal, que residia em Lisboa, quando se publicou a segunda edição da Insulana. Essas notas, que ocupam apenas trinta paginas de texto, são muito interessantes e valiosas, e mostram o aprofundado conhecimento que o autor tinha das cousas históricas deste arquipelago.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Gaspar Frutuoso escreveu as Saudades da Terra em São Miguel, obra fundamental para a história da Madeira; no mesmo ano, Jerónimo Dias Leite foi nomeado cónego de prebenda inteira.
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Foi publicada a primeira edição da Historia Insulana.
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Foi publicada uma segunda edição da Historia Insulana, de António Cordeiro, com notas sobre a Madeira; o responsável pelas notas fez uma referência rigorosa ao livro de Constantino.
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Álvaro Rodrigues de Azevedo publicou no Funchal a sua edição anotada do livro II de Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso, feita a partir da cópia de Agrela e acompanhada de extensas notas, incluindo uma lista de governadores.
Lugar
Lugares mencionados · 07No estrangeiro
- Açores
Portugal. Os Açores ocupam seis dos nove livros.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- Cabo Verde
Cape Verde. Tratado no livro II.
Cabo Verde é um arquipélago e antiga colónia portuguesa que serviu de lugar de exílio e deportação para madeirenses, incluindo liberais na década de 1820, manifestantes contra os decretos relativos aos lacticínios e participantes nos motins de 1936. Lowe visitou-o em 1864 e 1866. Partilha com a Madeira uma espécie de planta com flor.
- Canárias
Spain. Tratadas no livro II.
As Canárias são o arquipélago vizinho da Madeira, cuja descoberta é objeto de relatos divergentes. Segundo a tradição, o seu rei Béthencourt vendeu-as ao Infante D. Henrique em troca de terras na Madeira. O Elucidário refere numerosos contactos entre os dois arquipélagos, incluindo visitas científicas, a digressão do Orfeão Madeirense em maio de 1922 e o massacre de quarenta Jesuítas nas suas águas.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde Gonçalves de Andrade vivia quando surgiu a edição de 1866.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Lusitânia
Portugal. Os seus povos antigos são o tema do livro I.
Os seus povos antigos são o tema do Livro I.
- Porto Santo
Tratado no livro III da Historia Insulana.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 08- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Anotador da edição de 1873 das Saudades da Terra, em cujo prefácio considerou a obra de Cordeiro inferior à de Frutuoso.
- António Cordeiro1641–1722
Padre e autor da Historia Insulana, publicada pela primeira vez em 1717.
- António Joaquim Gonçalves de Andrade1795–1868
Deão madeirense da Sé Catedral do Funchal, residente em Lisboa, que escreveu as notas sobre a Madeira acrescentadas à edição de 1866.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Autor do manuscrito das Saudades da Terra (1590), que Cordeiro resumiu.
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Escritor a quem Manuel Pinheiro Chagas atribuiu erradamente as notas de 1866.
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Historiador da Antiguidade que resumiu a obra de Trogo Pompeu, num paralelo com o método de Cordeiro.
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Autor de uma Historia de Portugal que atribuiu erradamente as notas de 1866 a Guião.
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Historiador da Antiguidade cuja obra foi resumida por Justino.