Saltar para o conteúdo
Elucidário Madeirense Início
Historia Insulana 1A obra e o seu valor
Artigo Nº 1799 Livro ou obra literária Vol. II · pp. 241–243 3 min de leitura

Historia Insulana

Verbete sobre a Historia Insulana (1717; 2.ª edição em 1866), do Padre António Cordeiro, uma história das ilhas atlânticas portuguesas cuja parte dedicada à Madeira resume as Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso. Aborda também as notas acrescentadas à edição de 1866 por António Joaquim Gonçalves de Andrade.

Historia Insulana

1A obra e o seu valor

O título completo desta obra é Historia Insulana das Ilhas a Portugal sugeitas no Oceano Occidental, sendo seu autor o padre António Cordeiro (V. este nome) e havendo-se feito dela duas edições nos anos de 1717 e 1866. Foi até 1873 um trabalho muito conhecido e apreciado por todos os que se interessavam pela historia do arquipélago madeirense, mas com a publicação naquele ano das Saudades da Terra e das valiosíssimas anotações que as acompanham, passou a obra do padre Cordeiro a ter um valor muito secundário, principalmente pela circunstancia de ser um resumo, nem sempre isento de defeitos, do desenvolvido manuscrito do Dr. Gaspar Frutuoso. Além das poucas paginas que alguns cronistas tinham dedicado á historia da Madeira, nada mais se conhecia impresso sobre o assunto, tendo por esse motivo despertado verdadeiro interesse o aparecimento do livro do padre Antonio Cordeiro. Como faz notar o Dr. Álvaro Rodrigues de Azevedo no prefácio das Saudades da Terra, não supre a Historia Insulana o trabalho de Frutuoso, nem em alguma cousa se lhe avantaja, porque a obra de Cordeiro é um resumo das Saudades e não vai além de 1590, ano em que elas foram escritas, a pesar da Historia Insulana ter sido publicada no ano de 1717. Enquanto o livro II das Saudades ocupa 300 paginas impressas, o livro III da Historia Insulana, que se ocupa da Madeira, não excede 44 paginas de texto na segunda edição desta obra.

2Conteúdo e notas da segunda edição

A Historia Insulana compõe-se de nove livros, tratando o primeiro dos diversos povos que ocuparam a antiga Lusitania, o segundo das Canárias e Cabo Verde, o terceiro do Porto Santo e Madeira e os seis restantes das ilhas dos Açores, ás quais consagra Cordeiro a parte mais considerável da sua obra. Há muito que se tinha esgotado e era já bastante rara a Historia Insulana, quando em 1866 se fez uma segunda edição, em tudo igual á primeira, com excepção de um aditamento que tem por título Algumas notas e adições á História Insulana do padre Antonio Cordeiro na parte relativa á ilha da Madeira, por A. J. G. A. Numa breve introdução, diz o anotador, referindo-se ao vasto trabalho de Gaspar Frutuoso, embora um pouco exageradamente: «esta obra continha materiais reunidos sem critica, amontoados de genealogias, em que era valente o seu autor, e lançados sem ordem, os quais exigiam um homem de outro pulso, e capaz de escrever uma historia seguida e limpa dos muitos defeitos que porventura o mesmo Gaspar Frutuoso haveria evitado, se lhe sobejasse vida. Tal não era o padre Cordeiro! ele não se deu a este trabalho, nem procurou verificar os factos relatados pelo seu antecessor; antes contentando-se de recopila-los como Justino fizera á historia de Trogo Pompeu, cahiu nas mesmas faltas do seu original, e a Insulana está ainda bem longe de perfeição».

Pinheiro Chagas no II volume da terceira edição da sua Historia de Portugal, atribue erradamente estas notas ao escritor Guião, sendo indubitavelmente certo que elas pertencem ao distinto madeirense Antonio Joaquim Gonçalves de Andrade (V. este nome), deão da Sé do Funchal, que residia em Lisboa, quando se publicou a segunda edição da Insulana. Essas notas, que ocupam apenas trinta paginas de texto, são muito interessantes e valiosas, e mostram o aprofundado conhecimento que o autor tinha das cousas históricas deste arquipelago.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 04
  1. Gaspar Frutuoso escreveu as Saudades da Terra em São Miguel, obra fundamental para a história da Madeira; no mesmo ano, Jerónimo Dias Leite foi nomeado cónego de prebenda inteira.

  2. Foi publicada a primeira edição da Historia Insulana.

  3. Foi publicada uma segunda edição da Historia Insulana, de António Cordeiro, com notas sobre a Madeira; o responsável pelas notas fez uma referência rigorosa ao livro de Constantino.

  4. Álvaro Rodrigues de Azevedo publicou no Funchal a sua edição anotada do livro II de Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso, feita a partir da cópia de Agrela e acompanhada de extensas notas, incluindo uma lista de governadores.

Lugar

Lugares mencionados · 07

No estrangeiro

Mapa: Porto Santo (6)
  1. Açores

    Portugal. Os Açores ocupam seis dos nove livros.

  2. Cabo Verde

    Cape Verde. Tratado no livro II.

  3. Canárias

    Spain. Tratadas no livro II.

  4. Lisboa

    Portugal. Cidade onde Gonçalves de Andrade vivia quando surgiu a edição de 1866.

  5. Lusitânia

    Portugal. Os seus povos antigos são o tema do livro I.

  6. Porto Santo

    Tratado no livro III da Historia Insulana.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 08
  1. Anotador da edição de 1873 das Saudades da Terra, em cujo prefácio considerou a obra de Cordeiro inferior à de Frutuoso.

  2. Padre e autor da Historia Insulana, publicada pela primeira vez em 1717.

  3. Deão madeirense da Sé Catedral do Funchal, residente em Lisboa, que escreveu as notas sobre a Madeira acrescentadas à edição de 1866.

  4. Gaspar Frutuoso1522–1591

    Autor do manuscrito das Saudades da Terra (1590), que Cordeiro resumiu.

  5. Escritor a quem Manuel Pinheiro Chagas atribuiu erradamente as notas de 1866.

  6. Historiador da Antiguidade que resumiu a obra de Trogo Pompeu, num paralelo com o método de Cordeiro.

  7. Autor de uma Historia de Portugal que atribuiu erradamente as notas de 1866 a Guião.

  8. Historiador da Antiguidade cuja obra foi resumida por Justino.

Na folha H

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.