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Convento de São Bernardino 1Origem e fundação
Artigo Nº 1039 Convento ou seminário Câmara de Lobos Vol. I · pp. 601–603 4 min de leitura

Convento de São Bernardino

Convento franciscano dedicado a São Bernardino de Sena, na freguesia de Câmara de Lobos. Foi o primeiro convento fundado na Madeira fora do Funchal e ficou conhecido por ser o local de sepultura de Frei Pedro da Guarda. A entrada acompanha a sua fundação, os benfeitores, a reconstrução em 1763, a ruína após a extinção das ordens religiosas e o posterior restauro.

Convento de São Bernardino

No estrangeiro

Mapa: Madeira (7)

1Origem e fundação

Foi o primeiro convento que nesta ilha se fundou fora do Funchal. Pertencia á ordem franciscana e tinha por titular a S. Bernardino de Sena, um dos grandes santos da mesma ordem. Ficava situado na freguesia de Camara de Lôbos em logar ermo e solitario, e a certa distancia da igreja matriz. Teve uma humilde e obscura origem, mas tornou-se depois celebre e afamada em tôda a ilha e parece que até no continente do reino por ter ali vivido e morrido um varão de assinaladas virtudes, por nome Fr. Pedro da Guarda, a que o povo chamou e chama ainda o Santo Servo de Deus. Tornou-se por isso, um centro de atracção para muitos devotos e romeiros, que vinham dos mais distantes logares da ilha invocar a intercessão do santo e humilde franciscano. Com a extinção das ordens religiosas e a atitude do vigario capitular e governador do bispado Antonio Alfredo de Santa Catarina Braga, esfriaram e diminuíram estes preitos de devoção e piedade, mas não se extinguiram de todo porque ainda todos os anos um numero consideravel de individuos procura a sepultura onde foram depostos os restos mortais de Fr. Pedro da Guarda. Nada mais dizemos aqui a respeito da sua vida, virtudes e culto que se lhe prestava, porque lhe consagraremos um artigo especial.

Fr. Gil de Carvalho, humilde frade franciscano, veio do continente do reino para a Madeira, quando os religiosos que ocupavam o hospicio de S. João acabavam de sair desta ilha e foram estabelecer uma comunidade nas proximidades de Lisboa. Desejando, diz o anotador da Historia Insulana, Fr. Gil viver em logar deserto como ermita, levantou um pequeno cenobio com dois cubiculos, em que habitavam João Afonso e Martinho Afonso, os quais esmolavam pelo povoado para a sustentação dos três.

Crescendo o numero de religiosos, trataram de levantar um pequeno convento em terreno que lhes foi doado por João Afonso Correia, escudeiro do infante D. Henrique, e sua mulher Inês Lopes, que nesta ilha foram o tronco da casa Tôrre Bela. A nova casa erguia-se num sitio afastado da povoação, cercado dum lado pela ribeira e do outro por uma rocha, sendo bem propria para o genero de vida a que se dedicavam. Passados alguns anos se reuniram a eles outros religiosos, que formaram uma comunidade sob a direcção de Fr. Gil de Carvalho.

Volvidos muitos anos, entregou aquele religioso o govêrno do seu mosteiro a Fr. Jorge de Sousa, que muito concorreu para o seu engrandecimento. Uma enchente da ribeira havia alguns anos antes destruído a pequena igreja e uma parte do convento, tendo Fr. Jorge construído um novo e mais vasto templo, ao abrigo das correntes caudalosas da ribeira, e dando á comunidade a organização canonica duma verdadeira casa monastica, depois de ter melhorado consideravelmente as condições materiais do mosteiro.

2Padroeiros e restauração

A capela-mor da nova igreja foi fundada por Rui Mendes de Vasconcelos, filho de Martim Mendes de Vasconcelos e de Helena Gonçalves, filha de Zarco, e sua mulher Isabel Correia, que era filha dos doadores do terreno em que se tinha levantado o primitivo convento. João Bettencourt de Vasconcelos, neto do fundador da mesma capela e padroeiro dela, vinculou a têrça dos seus bens para acudir ás necessidades do convento, por testamento aprovado a 12 de Dezembro de 1607. A seu respeito lemos num antigo nobiliario: “...chamavam-lhe o Cavalleiro, de alcunha, nasceo no anno de 1535 e passou á India no de 1580, por capitão da nau São Gregorio; sucedeu nas terças de seus avós, por morte de seu irmão Ruy Mendes, e fez testamento aprovado em 12 de dezembro de 1607, no qual deixou vinculada sua terça nas fazendas por cima de Camara de Lobos e abaixo da quinta da Torre, e a deixou aos frades de São Bernardino, de cuja capella-mór foi padroeiro, como herdeiro do morgado dos ditos seus avós maternos, seus instituidores; falleceu em 12 de Julho de 1615”.

A capela-mor da igreja deste convento era o jazigo privativo dos descendentes dos fundadores e padroeiros dela, e muitos deles foram ali sepultados, sobretudo os sucessores na casa vinculada.

A igreja do convento, que ainda está de pé, embora muito arruinada, tem gravada no alto do frontispicio a era de 1763, que é certamente a data da reconstrução da mesma igreja.

Como fica dito a igreja foi ampliada e reconstruída no ano de 1763, mas exposta ao maior abandono com a expulsão das ordens religiosas entrou em rapida ruína, tendo sido inteiramente restaurada há poucos anos, devido aos diligentes esforços do respectivo paroco de Camara de Lôbos João Joaquim de Carvalho. As dependencias da antiga casa conventual também foram restauradas na mesma ocasião e, nelas funcionaram, no periodo decorrido de 1931 a 1933, as aulas dos primeiros anos do curso de preparatorios do pequeno seminario diocesano, que foi extinto e encorporado no Seminario da Incarnação.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 06
  1. Nasceu João Bettencourt de Vasconcelos.

  2. João Bettencourt de Vasconcelos partiu para a Índia como capitão da nau São Gregório.

  3. Foi aprovado o testamento de João Bettencourt de Vasconcelos, que vinculava a sua terça ao Convento de São Bernardino.

  4. Morreu João Bettencourt de Vasconcelos.

  5. A igreja do Convento de São Bernardino foi ampliada e reconstruída.

  6. Os edifícios restaurados do Convento de São Bernardino acolheram as aulas do primeiro ano do seminário menor diocesano.

Lugar

Lugares mencionados · 07
  1. Convento de São Bernardino · Assunto

    Câmara de Lobos

  2. Câmara de Lôbos

    Câmara de Lobos. Freguesia onde se situava o convento.

  3. Funchal

    O convento foi o primeiro fundado fora do Funchal.

  4. Hospício de São João

    Câmara de Lobos. Antiga casa franciscana cujos frades tinham deixado a ilha quando Frei Gil chegou.

  5. Lisboa

    Portugal. Foi perto de Lisboa que os frades de São João estabeleceram uma nova comunidade.

  6. Quinta da Torre

    Câmara de Lobos. Quinta que confinava com os terrenos vinculados ao convento.

  7. Seminário da Encarnação

    Funchal. Seminário no qual foi integrado o seminário menor instalado no convento.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 17
  1. Vigário capitular e governador da diocese cuja atitude diminuiu a devoção a Frei Pedro da Guarda.

  2. Frade franciscano conhecido como o Santo Servo de Deus, cujo túmulo no convento atraía peregrinos.

  3. Neto de Zarco que fundou a capela-mor da nova igreja conventual.

  4. Frade franciscano de Portugal Continental que fundou a ermida original e dirigiu a comunidade.

  5. Filha de Zarco e mãe de Rui Mendes de Vasconcelos.

  6. Mulher de João Afonso Correia, com quem doou os terrenos do convento.

  7. Infante D. Henrique, a quem João Afonso Correia serviu como escudeiro.

  8. Mulher de Rui Mendes de Vasconcelos e filha dos doadores dos terrenos.

  9. Companheiro de Frei Gil nos primeiros tempos, que pedia esmolas para a ermida.

  10. Padroeiro da capela-mor e capitão da nau São Gregório numa viagem à Índia em 1580; pelo testamento de 1607, vinculou a sua terça ao convento.

+ 7 mais
  1. Descobridor e primeiro capitão do Funchal, avô do fundador da capela-mor.

  2. Pároco de Câmara de Lobos que restaurou a igreja e o convento arruinados.

  3. Sucessor de Frei Gil, que construiu uma igreja maior e deu organização canónica à comunidade.

  4. Pai de Rui Mendes de Vasconcelos.

  5. Companheiro de Frei Gil nos primeiros tempos, que pedia esmolas para a ermida.

  6. Irmão de João Bettencourt de Vasconcelos, a quem coube a herança após a morte daquele.

  7. Santo franciscano a quem o convento foi dedicado.

Na folha C

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