Convento de São Bernardino 1Origem e fundação
Convento de São Bernardino
Convento franciscano dedicado a São Bernardino de Sena, na freguesia de Câmara de Lobos. Foi o primeiro convento fundado na Madeira fora do Funchal e ficou conhecido por ser o local de sepultura de Frei Pedro da Guarda. A entrada acompanha a sua fundação, os benfeitores, a reconstrução em 1763, a ruína após a extinção das ordens religiosas e o posterior restauro.
No estrangeiro
1Origem e fundação
Foi o primeiro convento que nesta ilha se fundou fora do Funchal. Pertencia á ordem franciscana e tinha por titular a S. Bernardino de Sena, um dos grandes santos da mesma ordem. Ficava situado na freguesia de Camara de Lôbos em logar ermo e solitario, e a certa distancia da igreja matriz. Teve uma humilde e obscura origem, mas tornou-se depois celebre e afamada em tôda a ilha e parece que até no continente do reino por ter ali vivido e morrido um varão de assinaladas virtudes, por nome Fr. Pedro da Guarda, a que o povo chamou e chama ainda o Santo Servo de Deus. Tornou-se por isso, um centro de atracção para muitos devotos e romeiros, que vinham dos mais distantes logares da ilha invocar a intercessão do santo e humilde franciscano. Com a extinção das ordens religiosas e a atitude do vigario capitular e governador do bispado Antonio Alfredo de Santa Catarina Braga, esfriaram e diminuíram estes preitos de devoção e piedade, mas não se extinguiram de todo porque ainda todos os anos um numero consideravel de individuos procura a sepultura onde foram depostos os restos mortais de Fr. Pedro da Guarda. Nada mais dizemos aqui a respeito da sua vida, virtudes e culto que se lhe prestava, porque lhe consagraremos um artigo especial.
Fr. Gil de Carvalho, humilde frade franciscano, veio do continente do reino para a Madeira, quando os religiosos que ocupavam o hospicio de S. João acabavam de sair desta ilha e foram estabelecer uma comunidade nas proximidades de Lisboa. Desejando, diz o anotador da Historia Insulana, Fr. Gil viver em logar deserto como ermita, levantou um pequeno cenobio com dois cubiculos, em que habitavam João Afonso e Martinho Afonso, os quais esmolavam pelo povoado para a sustentação dos três.
Crescendo o numero de religiosos, trataram de levantar um pequeno convento em terreno que lhes foi doado por João Afonso Correia, escudeiro do infante D. Henrique, e sua mulher Inês Lopes, que nesta ilha foram o tronco da casa Tôrre Bela. A nova casa erguia-se num sitio afastado da povoação, cercado dum lado pela ribeira e do outro por uma rocha, sendo bem propria para o genero de vida a que se dedicavam. Passados alguns anos se reuniram a eles outros religiosos, que formaram uma comunidade sob a direcção de Fr. Gil de Carvalho.
Volvidos muitos anos, entregou aquele religioso o govêrno do seu mosteiro a Fr. Jorge de Sousa, que muito concorreu para o seu engrandecimento. Uma enchente da ribeira havia alguns anos antes destruído a pequena igreja e uma parte do convento, tendo Fr. Jorge construído um novo e mais vasto templo, ao abrigo das correntes caudalosas da ribeira, e dando á comunidade a organização canonica duma verdadeira casa monastica, depois de ter melhorado consideravelmente as condições materiais do mosteiro.
2Padroeiros e restauração
A capela-mor da nova igreja foi fundada por Rui Mendes de Vasconcelos, filho de Martim Mendes de Vasconcelos e de Helena Gonçalves, filha de Zarco, e sua mulher Isabel Correia, que era filha dos doadores do terreno em que se tinha levantado o primitivo convento. João Bettencourt de Vasconcelos, neto do fundador da mesma capela e padroeiro dela, vinculou a têrça dos seus bens para acudir ás necessidades do convento, por testamento aprovado a 12 de Dezembro de 1607. A seu respeito lemos num antigo nobiliario: “...chamavam-lhe o Cavalleiro, de alcunha, nasceo no anno de 1535 e passou á India no de 1580, por capitão da nau São Gregorio; sucedeu nas terças de seus avós, por morte de seu irmão Ruy Mendes, e fez testamento aprovado em 12 de dezembro de 1607, no qual deixou vinculada sua terça nas fazendas por cima de Camara de Lobos e abaixo da quinta da Torre, e a deixou aos frades de São Bernardino, de cuja capella-mór foi padroeiro, como herdeiro do morgado dos ditos seus avós maternos, seus instituidores; falleceu em 12 de Julho de 1615”.
A capela-mor da igreja deste convento era o jazigo privativo dos descendentes dos fundadores e padroeiros dela, e muitos deles foram ali sepultados, sobretudo os sucessores na casa vinculada.
A igreja do convento, que ainda está de pé, embora muito arruinada, tem gravada no alto do frontispicio a era de 1763, que é certamente a data da reconstrução da mesma igreja.
Como fica dito a igreja foi ampliada e reconstruída no ano de 1763, mas exposta ao maior abandono com a expulsão das ordens religiosas entrou em rapida ruína, tendo sido inteiramente restaurada há poucos anos, devido aos diligentes esforços do respectivo paroco de Camara de Lôbos João Joaquim de Carvalho. As dependencias da antiga casa conventual também foram restauradas na mesma ocasião e, nelas funcionaram, no periodo decorrido de 1931 a 1933, as aulas dos primeiros anos do curso de preparatorios do pequeno seminario diocesano, que foi extinto e encorporado no Seminario da Incarnação.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
Nasceu João Bettencourt de Vasconcelos.
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João Bettencourt de Vasconcelos partiu para a Índia como capitão da nau São Gregório.
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Foi aprovado o testamento de João Bettencourt de Vasconcelos, que vinculava a sua terça ao Convento de São Bernardino.
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Morreu João Bettencourt de Vasconcelos.
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A igreja do Convento de São Bernardino foi ampliada e reconstruída.
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Os edifícios restaurados do Convento de São Bernardino acolheram as aulas do primeiro ano do seminário menor diocesano.
Lugar
Lugares mencionados · 07- Convento de São Bernardino · Assunto
Câmara de Lobos
Convento franciscano dedicado a São Bernardino de Sena, em Câmara de Lobos. Foi o primeiro convento fundado na Madeira fora do Funchal e ficou conhecido por ser o local de sepultura de Frei Pedro da Guarda, cuja estátua ali foi queimada em 1835. Foi reconstruído em 1763, acolheu um seminário menor em 1831–1833, caiu em ruína após a extinção das ordens religiosas e foi posteriormente restaurado.
- Câmara de Lôbos
Câmara de Lobos. Freguesia onde se situava o convento.
Freguesia a oeste do Funchal. O Elucidário relaciona o seu nome com a viagem de descoberta de Zarco e descreve as suas igrejas, capelas e colegiada, os primeiros povoadores, a comunidade piscatória e as vinhas afamadas. Regista também os sítios, limites, levadas e população da freguesia.
- Funchal
O convento foi o primeiro fundado fora do Funchal.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Hospício de São João
Câmara de Lobos. Antiga casa franciscana cujos frades tinham deixado a ilha quando Frei Gil chegou.
Antiga casa franciscana cujos frades já tinham deixado a ilha quando Frei Gil chegou.
- Lisboa
Portugal. Foi perto de Lisboa que os frades de São João estabeleceram uma nova comunidade.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Quinta da Torre
Câmara de Lobos. Quinta que confinava com os terrenos vinculados ao convento.
A Quinta da Torre confinava com as terras vinculadas ao Convento de São Bernardino. A nota sobre os Freitas regista-a como residência de Gonçalo de Freitas em Santa Cruz, embora a quinta esteja atribuída a Câmara de Lobos.
- Seminário da Encarnação
Funchal. Seminário no qual foi integrado o seminário menor instalado no convento.
O Seminário da Encarnação é um edifício do Funchal destinado a seminário. O seminário menor, antes instalado no Convento de São Bernardino, foi nele integrado. O edifício acolheu mais tarde a Escola de Utilidades e Belas Artes e, depois, as repartições da Junta Geral. O Dr. Manuel Gomes Jardim defendeu a sua devolução à Igreja.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 17-
Vigário capitular e governador da diocese cuja atitude diminuiu a devoção a Frei Pedro da Guarda.
- Frei Pedro da Guarda1435–1505
Frade franciscano conhecido como o Santo Servo de Deus, cujo túmulo no convento atraía peregrinos.
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Neto de Zarco que fundou a capela-mor da nova igreja conventual.
- Gil de Carvalhom. 1541
Frade franciscano de Portugal Continental que fundou a ermida original e dirigiu a comunidade.
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Filha de Zarco e mãe de Rui Mendes de Vasconcelos.
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Mulher de João Afonso Correia, com quem doou os terrenos do convento.
- Infante D. Henrique1394–1460
Infante D. Henrique, a quem João Afonso Correia serviu como escudeiro.
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Mulher de Rui Mendes de Vasconcelos e filha dos doadores dos terrenos.
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Companheiro de Frei Gil nos primeiros tempos, que pedia esmolas para a ermida.
- João Bettencourt de Vasconcelos1535–1615
Padroeiro da capela-mor e capitão da nau São Gregório numa viagem à Índia em 1580; pelo testamento de 1607, vinculou a sua terça ao convento.
+ 7 mais
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor e primeiro capitão do Funchal, avô do fundador da capela-mor.
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Pároco de Câmara de Lobos que restaurou a igreja e o convento arruinados.
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Sucessor de Frei Gil, que construiu uma igreja maior e deu organização canónica à comunidade.
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Pai de Rui Mendes de Vasconcelos.
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Companheiro de Frei Gil nos primeiros tempos, que pedia esmolas para a ermida.
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Irmão de João Bettencourt de Vasconcelos, a quem coube a herança após a morte daquele.
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Santo franciscano a quem o convento foi dedicado.