António Alfredo
Biografia de António Alfredo de Santa Catarina Braga, antigo frade franciscano e pregador liberal que governou a diocese do Funchal de 1834 a 1840. Ficou conhecido por ter reprimido o culto de Frei Pedro da Guarda em Câmara de Lobos, em 1835.
Vida e governo do bispado
Antonio Alfredo de Santa Catarina Braga, egresso franciscano, nasceu na cidade do Porto no ultimo quartel do século XVIII. Por 1820 abandonou o convento, fazendo-se clérigo secular. Nas casas da sua ordem regeu com brilho as cadeiras de filosofia e teologia, foi no seu tempo um notável e afamado pregador. Perseguido pelas suas ideias liberais, foi deportado para Cabo Verde, seguindo depois para o Brasil, donde regressou á pátria quando se estabeleceu o governo constitucional, sendo então nomeado cónego da Sé de Évora e mais tarde governador dos bispados de Bragança e Funchal, e tendo exercido outras importantes comissões de serviço publico.
Por decreto de 7 de Novembro de 1834 foi Antonio Alfredo nomeado governador temporal do bispado do Funchal, lugar que exerceu até Abril de 1840, tendo por decreto de 25 de Fevereiro deste ultimo ano sido exonerado e encarregado de desempenhar outra comissão de serviço. Era homem de raro talento e vasta ilustração de que dão testemunho os seus contemporâneos e os discursos, pastorais e outros escritos avulsos que nos legou, mas não deixou no entretanto assinalada a sua passagem no governo desta diocese pela mais austera probidade e escrupuloso proceder. Tornou-se celebre, causando grave escândalo, o acto aparatoso e solene de ir pessoalmente ao convento de S. Bernardino, em Câmara de Lobos, em princípios de Junho de 1835, a fim de proibir o culto que ali se prestava a Fr. Pedro da Guarda, conhecido pelo nome de Santo Servo de Deus, fazendo queimar na sua presença a estátua do humilde religioso, que se venerava numa capela junto ao convento. Publicou então uma pastoral, em que se condenava e proibia todo o culto que porventura se pretendesse prestar a Fr. Pedro da Guarda.
Saiu desta ilha para Lisboa a 14 de Abril de 1840 e no mesmo ano foi nomeado governador do bispado de Bragança, vindo a morrer poucos anos depois na cidade do Porto.
Em 1849 publicou-se póstuma, por diligências dum parente, a sua Miscellanea ou colecção de vários escritos, de que apenas saiu o primeiro volume.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
António Alfredo de Santa Catarina Braga deixou o convento franciscano para se tornar sacerdote secular.
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António Alfredo foi nomeado governador temporal da diocese do Funchal.
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O governador da diocese, António Alfredo de Santa Catarina Braga, mandou queimar publicamente a estátua de Frei Pedro da Guarda em São Bernardino e, no dia seguinte, publicou uma provisão que proibia o seu culto.
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Um decreto exonerou António Alfredo do governo da diocese do Funchal.
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António Alfredo deixou a Madeira rumo a Lisboa.
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Foi publicado o primeiro volume da obra póstuma Miscellanea, de António Alfredo.
Lugar
Lugares mencionados · 08No estrangeiro
- Bragança
Portugal. Diocese que governou a partir de 1840.
Bragança é um distrito e uma diocese de Portugal Continental, referidos pela sua baixa densidade populacional. Várias figuras ligadas à Madeira exerceram ali funções, nomeadamente como governador civil, governador da diocese a partir de 1840, vigário-geral a partir de 1824 e vice-reitor do Seminário.
- Brasil
Brazil. País para onde se dirigiu após a deportação.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- Cabo Verde
Cape Verde. Local para onde foi deportado devido às suas ideias liberais.
Cabo Verde é um arquipélago e antiga colónia portuguesa que serviu de lugar de exílio e deportação para madeirenses, incluindo liberais na década de 1820, manifestantes contra os decretos relativos aos lacticínios e participantes nos motins de 1936. Lowe visitou-o em 1864 e 1866. Partilha com a Madeira uma espécie de planta com flor.
- Câmara de Lôbos
Câmara de Lobos. Freguesia onde se situava o convento de São Bernardino.
Freguesia a oeste do Funchal. O Elucidário relaciona o seu nome com a viagem de descoberta de Zarco e descreve as suas igrejas, capelas e colegiada, os primeiros povoadores, a comunidade piscatória e as vinhas afamadas. Regista também os sítios, limites, levadas e população da freguesia.
- Convento de São Bernardino
Câmara de Lobos. Convento onde proibiu o culto de Frei Pedro da Guarda em 1835.
Convento franciscano dedicado a São Bernardino de Sena, em Câmara de Lobos. Foi o primeiro convento fundado na Madeira fora do Funchal e ficou conhecido por ser o local de sepultura de Frei Pedro da Guarda, cuja estátua ali foi queimada em 1835. Foi reconstruído em 1763, acolheu um seminário menor em 1831–1833, caiu em ruína após a extinção das ordens religiosas e foi posteriormente restaurado.
- Évora
Portugal. Tornou-se cónego da Sé de Évora.
Évora é uma cidade em Portugal Continental com uma sé arquiepiscopal e uma universidade, ligada a vários membros do clero madeirense. Foi a terra natal do bispo D. Estevão Brioso e de D. Martinho de Portugal. O 4.º Conde de Vimioso morreu num convento da cidade.
- Lisboa
Portugal. Destino quando deixou a Madeira em 1840.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Porto
Portugal. Cidade onde António Alfredo nasceu e morreu.
Cidade portuguesa onde começou a revolução liberal de 1820. O seu distrito é o único com maior densidade populacional do que o do Funchal. Vários madeirenses estudaram na sua escola médica ou na Academia Politécnica, e alguns viveram ou morreram na cidade. O editor de O Funchalense Liberal foi ali enforcado, e o Marítimo venceu ali o FC Porto em 1922.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02-
Antigo franciscano e pregador liberal que governou a diocese do Funchal (1834–1840) e reprimiu o culto de Frei Pedro da Guarda.
- Frei Pedro da Guarda1435–1505
Humilde frade venerado como «Santo Servo de Deus», cujo culto em São Bernardino foi proibido e cuja estátua foi queimada em 1835.