São João Baptista (Capelas de) 1Capela de São João da Ribeira
São João Baptista (Capelas de)
Verbete sobre as capelas dedicadas a São João Baptista na Madeira, principalmente a Capela de São João da Ribeira, do século XV, no Funchal, primeira sede dos franciscanos, com notas mais breves sobre capelas da mesma invocação na Ponta do Sol, em Câmara de Lobos, na Calheta, no Campanário e em Santana.
No estrangeiro
1Capela de São João da Ribeira
Mais vulgarmente conhecida pelo nome de São João da Ribeira é a capela que fica situada na margem direita da ribeira mais ocidental do Funchal, que no decorrer dos tempos tem sido chamada ribeira de Santa Catarina, de São Paulo, de São Lazaro, de Santo António e de São João, sendo esta ultima a denominação que actualmente conserva. Alguns atribuem a fundação desta capela a João Gonçalves Zarco, sendo sem duvida das mais antigas da diocese e uma das poucas do século XV que ainda existem, embora nada se conserve ali da construção primitiva. Os religiosos franciscanos, que acompanharam o descobridor a esta ilha, construíram junto à capela um pequeno cenobio e ali se conservaram até a construção do convento de São Francisco, levantado na então vila do Funchal. Diz Frutuoso que sendo «o logar ermo e nelle um frade... se enforcou, estes religiosos ordenaram uma casa em baixo...».
Desta noticia difere o que diz o anotador da Historia Insulana, afirmando que os franciscanos «viviam como ermitas... e onze anos depois da descoberta, augmentando-se o numero delles... reuniram-se em congregação no hospício e ermida de S. João, que começaram a edificar em 1432 com algumas esmolas e trabalhos das suas mãos, sem que o Zargo fundasse a ermida...; em 1459 deixaram os religiosos o hospício de São João e seguiram viagem para Portugal...; passados quinze anos chegou à ilha Fr. Rodrigo da Arruda..., o qual instaurou a comunidade no mesmo hospício de São João... Por 1476 instalaram-se os frades em S. Francisco». Estas informações do deão Gonçalves de Andrade, que nos parecem as mais exactas, foram colhidas nas crónicas franciscanas e são por ele dadas como refutação das afirmações do padre Antonio Cordeiro.
Uma impetuosa enchente da ribeira destruiu a capela e parte do hospício adjunto no princípio do século XVIII, tendo a fazenda nacional procedido á sua reconstrução no ano de 1720. A aluvião de 1803 também lhes causou estragos consideráveis.
Em 1762, fundou nesta capela o bispo diocesano D. Gaspar Afonso da Costa Brandão uma confraria de São João Baptista, destinada a manter ali as funções religiosas, mas que julgamos não ter tido uma larga duração. Por meados do século passado, Antonio Ferreira Nogueira e Manuel Fernandes Jardim realizaram ali, á sua custa, importantes obras de reparação, restituindo a capela ao exercício do culto. Noutros tempos era ela o centro duma concorrida romagem, acudindo ali romeiros de toda a ilha. Na actualidade, fazem-se as novenas e festividade do orago com notável brilho e grande afluência de pessoas da cidade e seus arredores. Descrevendo o lugar, a capela, o arraial e as festas do Espírito Santo que noutro tempo ali se realizam, publicaram os Serões um interessante e desenvolvido artigo da autoria do escritor madeirense João dos Reis Gomes.
2Outras capelas da mesma invocação
No sítio do Lombo de São João da freguesia da Ponta do Sol, existe uma capela da mesma invocação, cuja data de construção ignoramos. Pertenceu ao visconde de São João.
No ano de 1700, no sítio do Serrado da Adega da freguesia de Câmara de Lobos, fundaram António Correia Henriques e sua mulher D. Maria da Câmara a capela de São João Baptista, a que deram a respectiva dotação por escritura pública de 17 de Junho daquele ano.
Na ribeira da Calheta, existe em ruínas a capela de São João Baptista, edificada na quinta de São João, sede do vínculo instituído pelo capitão Manuel de Figueiroa, que foi o fundador desta capela no ano de 1651. Encontrando-se muito arruinada, procedeu à sua reconstrução em 1770, D. Guiomar Quiteria Betencourt de Atouguia, viúva de João Albuquerque e Freitas, sendo concedida licença para a sua bênção a 19 de Agosto do mesmo ano.
Existiu na freguesia do Campanário uma capela dedicada a São João Baptista, instituída em 1728 pelo padre João Betencourt da Câmara. Em 1813, era administrada pelo morgado Luís Sauvayre.
Com a mesma invocação, houve uma capela na freguesia de Santana, que foi erigida em 1660 pelo cónego Domingos Gonçalves de Alvarenga.
Parece que havia outra capela de São João na freguesia da Calheta, situada no Lombo do Atouguia, que ainda existe, mas que é hoje conhecida pelo nome de S. Pedro de Alcantara. É possível que primitivamente tivesse duas invocações, o que não seria caso único nesta ilha.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 12-
Os franciscanos começaram a construir o hospício e a ermida de São João, no Funchal.
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Os primeiros frades franciscanos deixaram o hospício de São João, no Funchal, e partiram para Xabregas, perto de Lisboa.
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Os franciscanos dirigidos por Frei Rodrigo de Arruda chegaram ao Funchal, um breve pontifício autorizou a comunidade e os frades mudaram-se de São João para o Convento de São Francisco.
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O capitão Manuel de Figueiroa fundou a Capela de São João Baptista na Quinta de São João, na Calheta.
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O cónego Domingos Gonçalves de Alvarenga ergueu a Capela de São João Baptista em Santana.
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A Capela de São João, em Câmara de Lobos, foi dotada por escritura pública.
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O Estado reconstruiu a Capela de São João da Ribeira depois de uma cheia a ter destruído.
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O Padre João Betencourt da Câmara fundou a Capela de São João no Campanário.
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O bispo Gaspar Afonso da Costa Brandão fundou uma confraria de São João Baptista na capela.
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Foi concedida licença para benzer a reconstruída Capela de São João Baptista, na Calheta.
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A grande aluvião de 9 de outubro de 1803, considerada a maior calamidade da Madeira, devastou o Funchal e outras partes da ilha, matou cerca de 600 pessoas e destruiu a igreja do Calhau, muros de contenção das ribeiras, pontes e capelas em Machico, Santa Cruz e noutros locais. Motivou a missão de Oudinot e a expansão da cidade para o exterior.
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A Capela de São João Baptista, no Campanário, era administrada por Luís Sauvayre.
Lugar
Lugares mencionados · 16- Capelas de São João Baptista · Assunto
Calheta
Capelas dedicadas a São João Baptista na Madeira. Destaca-se a Capela de São João da Ribeira, do século XV, no Funchal, primeira sede dos franciscanos. O Elucidário acrescenta notas mais breves sobre capelas da mesma invocação na Ponta do Sol, em Câmara de Lobos, na Calheta, no Campanário e em Santana.
- Calheta
Freguesia onde poderá ter existido outra Capela de São João.
A Calheta é uma vila, freguesia e concelho na costa sudoeste da Madeira e um dos povoamentos mais antigos da ilha. O Elucidário aborda o seu nome, os primeiros povoadores, como Pedro Berenguer, a igreja e numerosas capelas, incluindo uma de um antigo convento franciscano, e o motim de 1834.
- Câmara de Lôbos
Câmara de Lobos. Freguesia onde se situa a capela do Serrado da Adega.
Freguesia a oeste do Funchal. O Elucidário relaciona o seu nome com a viagem de descoberta de Zarco e descreve as suas igrejas, capelas e colegiada, os primeiros povoadores, a comunidade piscatória e as vinhas afamadas. Regista também os sítios, limites, levadas e população da freguesia.
- Campanário
Ribeira Brava. Freguesia onde existiu uma Capela de São João fundada em 1728.
O Campanário é uma freguesia da Madeira que pertenceu ao concelho de Câmara de Lobos antes de integrar o da Ribeira Brava e é atravessada pela Ribeira do Campanário (ou Ribeira da Lapa). O Elucidário regista o seu porto, a sua banda, a sua capitania-mor, os dízimos pagos aos Jesuítas, uma antiga capela de São João fundada em 1728 e o vigário condenado pela Alçada de 1823. Foi também terra natal do bispo D. Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade e do jurista Francisco Justino Gonçalves de Andrade.
- Capela de São João da Ribeira
Funchal. Tema principal: antiga capela na margem direita da ribeira de São João.
A Capela de São João da Ribeira é uma antiga capela no Funchal, na margem direita da ribeira de São João. Foi o local da primeira hospedaria e ermida dos frades franciscanos e, provavelmente, da primeira comunidade franciscana.
- Convento de São Francisco
Funchal. Convento para onde os frades franciscanos se mudaram cerca de 1476.
O Convento de São Francisco foi um convento franciscano fundado no Funchal em 1473 e assinalava o limite ocidental da cidade em 1508. A sua igreja foi demolida em 1865, e os seus objetos, livros, lápides e ossadas foram para o cemitério das Angústias, o museu e a Biblioteca Municipal. Os edifícios albergaram presos durante um breve período, até 1836, e a polícia em 1857.
- Funchal
Cidade onde se situa a capela principal.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lombo de São João
Ponta do Sol. Local onde existiu uma Capela de São João.
O Lombo de São João é uma localidade da Ponta do Sol com uma capela de São João. É provavelmente o local das terras que pertenceram a Rodrigo Anes Coelho.
- Lombo do Atouguia
Calheta. Local de uma capela hoje chamada São Pedro de Alcântara, talvez outrora dedicada a São João.
Lombo do Atouguia é uma localidade habitada da freguesia da Calheta, cujo nome provém do povoador Luís de Atouguia e das terras da sua família. Tem várias capelas dos séculos XVII e XVIII, entre elas a Capela de São Pedro de Alcântara, talvez anteriormente dedicada a São João.
- Ponta do Sol
Freguesia onde se situa o Lombo de São João.
Freguesia e concelho da costa sul, povoados a partir de cerca de 1440 por Rodrigo Enes «o Coxo». A igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz conserva um tríptico. O Elucidário regista também o cais de 1848, pago pela Câmara Municipal, e a visita régia de 1858.
- Portugal
Destino dos frades em 1459.
Portugal, a metrópole da Madeira. O Elucidário refere que, antes de 1877, foram enviados destacamentos de artilharia do continente para guarnecer a Madeira, que a ilha ficou ligada a Portugal por cabo telegráfico em 1874 e que, anteriormente, dali se enviavam pastel e ofertas de mel para o continente. As laranjas e as azeitonas do continente são comparadas favoravelmente com as da Madeira e de Porto Santo.
- Quinta de São João
Calheta. Sede do morgadio de Manuel de Figueiroa e local da capela de 1651.
A Quinta de São João foi a sede do vínculo de Manuel de Figueiroa e o local de uma capela de 1651. É descrita como a antiga casa senhorial dos morgados de São João, na Rua das Maravilhas.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 18- António Cordeiro1641–1722
Autor da Historia Insulana, cujas afirmações sobre a capela foram refutadas pelo anotador da obra.
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Custearam-lhe importantes reparações na Capela de São João da Ribeira em meados do século XIX.
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Fundou com a mulher a Capela de São João no Serrado da Adega, em Câmara de Lobos, em 1700.
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Bispo do Funchal que fundou uma confraria de São João Baptista na capela, em 1762.
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Cónego que ergueu a Capela de São João em Santana, em 1660.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista citado a propósito da antiga casa franciscana junto à capela.
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Viúva que reconstruiu a capela arruinada da Calheta em 1770.
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Falecido marido de D. Guiomar Quitéria Betencourt de Atouguia.
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Fundou a Capela de São João no Campanário em 1728.
- João dos Reis Gomesn. 1869
Escritor madeirense que publicou na revista Serões um artigo sobre a capela e as suas festividades.
+ 8 mais
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor da Madeira, a quem alguns atribuem a fundação da Capela de São João da Ribeira.
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Administrador da capela do Campanário em 1813.
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Fundador, em 1651, da Capela de São João na Quinta de São João, na Calheta, sede do seu morgadio.
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Contribuiu para custear as reparações que, em meados do século XIX, devolveram a capela ao culto.
- Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade1767–1847
Deão e anotador da Historia Insulana, cujo relato sobre os franciscanos o Elucidário considera o mais rigoroso.
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Fundou com o marido a capela de Câmara de Lobos em 1700.
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Frade franciscano que restabeleceu a comunidade no hospício de São João cerca de quinze anos após 1459.
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Antigo proprietário da Capela de São João, no Lombo de São João, Ponta do Sol.