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São João Baptista (Capelas de) 1Capela de São João da Ribeira
Artigo Nº 3356 Capela Calheta Vol. III · pp. 463–465 4 min de leitura

São João Baptista (Capelas de)

Verbete sobre as capelas dedicadas a São João Baptista na Madeira, principalmente a Capela de São João da Ribeira, do século XV, no Funchal, primeira sede dos franciscanos, com notas mais breves sobre capelas da mesma invocação na Ponta do Sol, em Câmara de Lobos, na Calheta, no Campanário e em Santana.

São João Baptista (Capelas de)

No estrangeiro

Mapa: Madeira (16)

1Capela de São João da Ribeira

Mais vulgarmente conhecida pelo nome de São João da Ribeira é a capela que fica situada na margem direita da ribeira mais ocidental do Funchal, que no decorrer dos tempos tem sido chamada ribeira de Santa Catarina, de São Paulo, de São Lazaro, de Santo António e de São João, sendo esta ultima a denominação que actualmente conserva. Alguns atribuem a fundação desta capela a João Gonçalves Zarco, sendo sem duvida das mais antigas da diocese e uma das poucas do século XV que ainda existem, embora nada se conserve ali da construção primitiva. Os religiosos franciscanos, que acompanharam o descobridor a esta ilha, construíram junto à capela um pequeno cenobio e ali se conservaram até a construção do convento de São Francisco, levantado na então vila do Funchal. Diz Frutuoso que sendo «o logar ermo e nelle um frade... se enforcou, estes religiosos ordenaram uma casa em baixo...».

Desta noticia difere o que diz o anotador da Historia Insulana, afirmando que os franciscanos «viviam como ermitas... e onze anos depois da descoberta, augmentando-se o numero delles... reuniram-se em congregação no hospício e ermida de S. João, que começaram a edificar em 1432 com algumas esmolas e trabalhos das suas mãos, sem que o Zargo fundasse a ermida...; em 1459 deixaram os religiosos o hospício de São João e seguiram viagem para Portugal...; passados quinze anos chegou à ilha Fr. Rodrigo da Arruda..., o qual instaurou a comunidade no mesmo hospício de São João... Por 1476 instalaram-se os frades em S. Francisco». Estas informações do deão Gonçalves de Andrade, que nos parecem as mais exactas, foram colhidas nas crónicas franciscanas e são por ele dadas como refutação das afirmações do padre Antonio Cordeiro.

Uma impetuosa enchente da ribeira destruiu a capela e parte do hospício adjunto no princípio do século XVIII, tendo a fazenda nacional procedido á sua reconstrução no ano de 1720. A aluvião de 1803 também lhes causou estragos consideráveis.

Em 1762, fundou nesta capela o bispo diocesano D. Gaspar Afonso da Costa Brandão uma confraria de São João Baptista, destinada a manter ali as funções religiosas, mas que julgamos não ter tido uma larga duração. Por meados do século passado, Antonio Ferreira Nogueira e Manuel Fernandes Jardim realizaram ali, á sua custa, importantes obras de reparação, restituindo a capela ao exercício do culto. Noutros tempos era ela o centro duma concorrida romagem, acudindo ali romeiros de toda a ilha. Na actualidade, fazem-se as novenas e festividade do orago com notável brilho e grande afluência de pessoas da cidade e seus arredores. Descrevendo o lugar, a capela, o arraial e as festas do Espírito Santo que noutro tempo ali se realizam, publicaram os Serões um interessante e desenvolvido artigo da autoria do escritor madeirense João dos Reis Gomes.

2Outras capelas da mesma invocação

No sítio do Lombo de São João da freguesia da Ponta do Sol, existe uma capela da mesma invocação, cuja data de construção ignoramos. Pertenceu ao visconde de São João.

No ano de 1700, no sítio do Serrado da Adega da freguesia de Câmara de Lobos, fundaram António Correia Henriques e sua mulher D. Maria da Câmara a capela de São João Baptista, a que deram a respectiva dotação por escritura pública de 17 de Junho daquele ano.

Na ribeira da Calheta, existe em ruínas a capela de São João Baptista, edificada na quinta de São João, sede do vínculo instituído pelo capitão Manuel de Figueiroa, que foi o fundador desta capela no ano de 1651. Encontrando-se muito arruinada, procedeu à sua reconstrução em 1770, D. Guiomar Quiteria Betencourt de Atouguia, viúva de João Albuquerque e Freitas, sendo concedida licença para a sua bênção a 19 de Agosto do mesmo ano.

Existiu na freguesia do Campanário uma capela dedicada a São João Baptista, instituída em 1728 pelo padre João Betencourt da Câmara. Em 1813, era administrada pelo morgado Luís Sauvayre.

Com a mesma invocação, houve uma capela na freguesia de Santana, que foi erigida em 1660 pelo cónego Domingos Gonçalves de Alvarenga.

Parece que havia outra capela de São João na freguesia da Calheta, situada no Lombo do Atouguia, que ainda existe, mas que é hoje conhecida pelo nome de S. Pedro de Alcantara. É possível que primitivamente tivesse duas invocações, o que não seria caso único nesta ilha.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 12
  1. Os franciscanos começaram a construir o hospício e a ermida de São João, no Funchal.

  2. Os primeiros frades franciscanos deixaram o hospício de São João, no Funchal, e partiram para Xabregas, perto de Lisboa.

  3. Os franciscanos dirigidos por Frei Rodrigo de Arruda chegaram ao Funchal, um breve pontifício autorizou a comunidade e os frades mudaram-se de São João para o Convento de São Francisco.

  4. O capitão Manuel de Figueiroa fundou a Capela de São João Baptista na Quinta de São João, na Calheta.

  5. O cónego Domingos Gonçalves de Alvarenga ergueu a Capela de São João Baptista em Santana.

  6. A Capela de São João, em Câmara de Lobos, foi dotada por escritura pública.

  7. O Estado reconstruiu a Capela de São João da Ribeira depois de uma cheia a ter destruído.

  8. O Padre João Betencourt da Câmara fundou a Capela de São João no Campanário.

  9. O bispo Gaspar Afonso da Costa Brandão fundou uma confraria de São João Baptista na capela.

  10. Foi concedida licença para benzer a reconstruída Capela de São João Baptista, na Calheta.

  11. A grande aluvião de 9 de outubro de 1803, considerada a maior calamidade da Madeira, devastou o Funchal e outras partes da ilha, matou cerca de 600 pessoas e destruiu a igreja do Calhau, muros de contenção das ribeiras, pontes e capelas em Machico, Santa Cruz e noutros locais. Motivou a missão de Oudinot e a expansão da cidade para o exterior.

  12. A Capela de São João Baptista, no Campanário, era administrada por Luís Sauvayre.

Lugar

Lugares mencionados · 16
  1. Capelas de São João Baptista · Assunto

    Calheta

  2. Calheta

    Freguesia onde poderá ter existido outra Capela de São João.

  3. Câmara de Lôbos

    Câmara de Lobos. Freguesia onde se situa a capela do Serrado da Adega.

  4. Campanário

    Ribeira Brava. Freguesia onde existiu uma Capela de São João fundada em 1728.

  5. Capela de São João da Ribeira

    Funchal. Tema principal: antiga capela na margem direita da ribeira de São João.

  6. Convento de São Francisco

    Funchal. Convento para onde os frades franciscanos se mudaram cerca de 1476.

  7. Funchal

    Cidade onde se situa a capela principal.

  8. Lombo de São João

    Ponta do Sol. Local onde existiu uma Capela de São João.

  9. Lombo do Atouguia

    Calheta. Local de uma capela hoje chamada São Pedro de Alcântara, talvez outrora dedicada a São João.

  10. Ponta do Sol

    Freguesia onde se situa o Lombo de São João.

  11. Portugal

    Destino dos frades em 1459.

  12. Quinta de São João

    Calheta. Sede do morgadio de Manuel de Figueiroa e local da capela de 1651.

+ 4 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 18
  1. Autor da Historia Insulana, cujas afirmações sobre a capela foram refutadas pelo anotador da obra.

  2. Custearam-lhe importantes reparações na Capela de São João da Ribeira em meados do século XIX.

  3. Fundou com a mulher a Capela de São João no Serrado da Adega, em Câmara de Lobos, em 1700.

  4. Bispo do Funchal que fundou uma confraria de São João Baptista na capela, em 1762.

  5. Cónego que ergueu a Capela de São João em Santana, em 1660.

  6. Gaspar Frutuoso1522–1591

    Cronista citado a propósito da antiga casa franciscana junto à capela.

  7. Viúva que reconstruiu a capela arruinada da Calheta em 1770.

  8. Falecido marido de D. Guiomar Quitéria Betencourt de Atouguia.

  9. Fundou a Capela de São João no Campanário em 1728.

  10. Escritor madeirense que publicou na revista Serões um artigo sobre a capela e as suas festividades.

+ 8 mais
  1. Descobridor da Madeira, a quem alguns atribuem a fundação da Capela de São João da Ribeira.

  2. Administrador da capela do Campanário em 1813.

  3. Fundador, em 1651, da Capela de São João na Quinta de São João, na Calheta, sede do seu morgadio.

  4. Contribuiu para custear as reparações que, em meados do século XIX, devolveram a capela ao culto.

  5. Deão e anotador da Historia Insulana, cujo relato sobre os franciscanos o Elucidário considera o mais rigoroso.

  6. Fundou com o marido a capela de Câmara de Lobos em 1700.

  7. Frade franciscano que restabeleceu a comunidade no hospício de São João cerca de quinze anos após 1459.

  8. Antigo proprietário da Capela de São João, no Lombo de São João, Ponta do Sol.

Na folha S

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.