Brandão (D. Gaspar Afonso da Costa) 1Episcopado e naturalidade
Brandão (D. Gaspar Afonso da Costa)
D. Gaspar Afonso da Costa Brandão foi o 17.º bispo do Funchal (1757–1784). Reformou a disciplina do clero e dos conventos, exerceu por pouco tempo o governo da Madeira e foi criticado pela sua pastoral contra os jesuítas expulsos.
1Episcopado e naturalidade
No longo período de 26 anos, decorridos de 1757 a 1784, esteve D. Gaspar Afonso da Costa Brandão à frente dos destinos desta diocese, sendo dela o seu 17.º bispo. Embora não conheçamos detalhadamente os actos do seu episcopado, sabemos no entretanto que foi um prelado distinto e que deixou da sua administração episcopal as mais honrosas tradições. Certo que a sua atitude por ocasião da expulsão da Companhia de Jesus desta ilha, foi acremente censurada pelos católicos e parece que até pela curia romana, sendo particularmente notada a violência da linguagem da pastoral que então publicou contra os membros daquela ordem religiosa. O prelado não se afastou do caminho seguido pelo alto clero português, que não teve forças nem coragem para reagir contra as despóticas imposições do marquês de Pombal.
D. Gaspar Brandão nasceu em Vila Cova de Sub Avo da comarca de Arganil e diocese de Coimbra, sendo filho de Bento de Figueiredo, pertencente a antigas famílias daquela localidade.
Era clérigo secular, e em 1756 foi por D. José I apresentado bispo do Funchal, tendo sido confirmado por Bento XIV no consistorio de 19 do mês de Julho daquele ano. Recebeu a sagração episcopal no ano imediato, chegando a esta cidade no dia 5 de Agosto de 1757.
2Reformas, governo e morte
Veio acompanhado dos padres Alasia e Reis, membros da Congregação da Missão, que durante os dez anos em que permaneceram nesta diocese, foram os seus mais valiosos auxiliares nas reformas que empreendeu, sobretudo na observância da disciplina nos conventos tanto de religiosos como de religiosas, onde se tinham introduzido abusos já inveterados e que dificilmente puderam ser de todo corrigidos. Nas missões evangélicas realizadas nas paróquias nos exercícios espirituais do clero e ordinandos e noutras obras de caracter religioso e eclesiástico, prestaram os referidos sacerdotes Alasia e Reis serviços relevantissimos, que ficaram assinalados nos anais desta diocese.
Ainda nos adros de algumas igrejas paroquiais se encontram hoje levantadas cruzes sobre modestos plintos, em memória da passagem daqueles religiosos por aquelas freguesias, no exercício da pregação evangélica. Foi D. Gaspar Brandão muito zeloso na pastoreação do seu rebanho, revelando-se principalmente nas visitas que fez às paróquias, nas pastorais que escreveu, na pregação, na reforma do seminário, nas missões e na estricta observância da disciplina eclesiástica.
Serviu de governador e capitão general de 1758 a 1759, deixando assinalada a sua passagem no governo superior do arquipelago por uma administração em extremo zelosa e honesta.
Por motivos que não conseguimos averiguar, ordenou o prelado a prisão no Aljube do bacharel Antonio Xavier Pimentel, do que resultou uma grave luta com o governador e capitão general João Gonçalves da Câmara Coutinho, trocando-se entre estas duas autoridades uma larga correspondência, a que veio por termo a interferência do governo da metrópole, a que D. Gaspar Brandão então recorreu. D. Gaspar Afonso da Costa Brandão morreu nesta cidade a 14 de Janeiro de 1784 e foi sepultado na capela mor da nossa Sé Catedral.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
O Papa Bento XIV confirmou Gaspar Afonso da Costa Brandão como bispo do Funchal.
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D. Gaspar Afonso da Costa Brandão governou a diocese do Funchal como seu 17.º bispo.
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O bispo Brandão chegou ao Funchal.
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O bispo Brandão exerceu os cargos de governador e capitão-general da Madeira.
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O bispo D. Gaspar Afonso da Costa Brandão morreu no Funchal.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Aljube
Funchal. Prisão eclesiástica onde Pimentel esteve detido por ordem do bispo.
O Aljube era a prisão eclesiástica do Funchal, existente desde cerca de 1562 e ainda em uso em 1834. Muitos sacerdotes estiveram ali detidos durante as lutas entre miguelistas e liberais, incluindo 21 clérigos sob a Alçada de 1828; Pimentel foi preso no Aljube por ordem do bispo.
- Funchal
Sede da sua diocese; chegou à cidade em 1757 e aí morreu em 1784.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Sé do Funchal
Funchal. Sé Catedral em cuja capela-mor o bispo foi sepultado.
A Sé do Funchal é a catedral do Funchal, na freguesia da Sé. A sua construção começou em 1493; tornou-se sede paroquial em 1508 e catedral em 1514. Foi ponto de partida de procissões e local do voto a São Tiago, e nela estão sepultados bispos.
- Vila Cova de Subavô
Arganil · Portugal. Local de nascimento do bispo, no distrito de Arganil.
Terra natal do bispo, no distrito de Arganil.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 09-
17.º bispo do Funchal (1757–1784), que também exerceu interinamente o governo da Madeira em 1758–1759.
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Padre da Congregação da Missão que ajudou Brandão nas suas reformas e nas missões paroquiais durante dez anos.
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Bacharel que o bispo mandou prender no Aljube, dando origem a um conflito com o governador.
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Pai do bispo Gaspar Brandão, pertencente a uma antiga família de Vila Cova de Sub Avo.
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Papa Bento XIV, que confirmou Brandão como bispo no consistório de 19 de julho de 1756.
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Rei de Portugal que apresentou Brandão para bispo do Funchal em 1756.
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Governador e capitão-general que entrou em conflito com o bispo Brandão devido à prisão de Pimentel.
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Ministro português a cujas políticas despóticas, incluindo a expulsão dos jesuítas, o alto clero português não resistiu.
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Padre da Congregação da Missão que ajudou Brandão nas suas reformas e nas missões paroquiais.