Indústria Sacarina 1Açúcar, álcool e aguardente
Indústria Sacarina
Panorama das indústrias de transformação da cana-de-açúcar na Madeira — açúcar, álcool industrial e aguardente — no início da década de 1930, com dados de produção de 1929–1932 e observações sobre a limitação da aguardente para combater o alcoolismo.
1Açúcar, álcool e aguardente
Das matérias primas fornecidas pelas culturas da cana sacarina e da vinha nasceram imperiosamente as indústrias do fabrico do açúcar, do álcool, da aguardente e do vinho. A indústria sacarina, no regímen proteccionista em que actualmente se encontra, é de todas a mais importante e a que presta melhores serviços á agricultura, como já acima fica dito. A produção do açúcar, que foi nos tempos primitivos da colonização o maior elemento de riqueza e de prosperidade, tem sido muito variável no longo período de cinco séculos, porque ela está intimamente ligada á existência florescente ou decadente dos respectivos canaviais, que em certas épocas as moléstias fizeram completamente desaparecer. O açúcar consumido no arquipélago, que é de superior qualidade, e todo fabricado no Funchal, tendo sido a sua produção de quatro mil cento e setenta e três toneladas no ano de 1932.
O álcool fabricado aplica-se exclusivamente ao tempero e á adubação dos vinhos generosos e sem ele tornava-se impossível a conveniente preparação dos vinhos destinados à exportação. A indústria do álcool no ano de 1932 produziu oitocentos e doze mil e setecentos e setenta e sete litros.
O fabrico da aguardente, que durante muitos anos constituiu o maior flagelo que assolava a Madeira, era muito considerável e tinha entre nós um consumo assustador, mas felizmente que nos últimos vinte anos está reduzido a proporções bastante reduzidas, o que notavelmente tem concorrido para combater com eficácia o alcoolismo e melhorar a saúde publica, sendo, por todos os motivos, para desejar que absoluta e inexoravelmente se mantenham as medidas proibitivas em vigor. Chegou-se a produzir dois milhões de litros de aguardente, embora uma parte dele se aplicasse ao tempero de vinhos consumidos no arquipélago reduzindo-se em 1927, por disposição legal, essa produção a quinhentos mil litros em cada ano, que na sua quasi totalidade era ingerida pelos amadores desse apetecido tóxico, sendo hoje bastante diminuta essa produção.
2Nota da produção
Apresentamos em seguida uma nota da produção total da cana sacarina em todo o arquipélago, durante alguns anos, e bem assim da produção do açúcar e do álcool no mesmo período de tempo, devendo advertir-se que na totalidade da cana produzida está também incluída a que foi empregada no fabrico da aguardente.
| ANOS | PRODUÇÃO DE CANA (QUILOS) | PRODUÇÃO DE AÇÚCAR (QUILOS | PRODUÇÃO DE ALCOOL (LITROS) |
|---|---|---|---|
| 1929 | 44.776.559 | 1.763.313 | 615.093 |
| 1930 | 46.992.144 | 3.148.200 | 715.422 |
| 1931 | 45.006.160 | 3.541.275 | 914.579 |
| 1932 | 48.997.194 | 4.173.565 | 812.777 |
Para um mais perfeito conhecimento deste assunto, torna-se indispensável a leitura dos artigos Açúcar, Aguardente, Álcool e Cana Sacarina, insertos no primeiro volume deste Elucidário.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 03Lugar
Lugares mencionados · 01- Funchal
Todo o açúcar consumido no arquipélago era produzido no Funchal.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.