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Tábua (Freguesia da) 1Origem do nome e criação da paróquia
Artigo Nº 3553 Freguesia Vol. III · pp. 596–599 5 min de leitura

Tábua (Freguesia da)

Entrada sobre a freguesia da Tábua, no concelho da Ribeira Brava, que aborda a origem do nome, a criação da freguesia e as côngruas do clero, a igreja paroquial e as capelas, os primeiros povoadores e os principais sítios.

Tábua (Freguesia da)

1Origem do nome e criação da paróquia

Parece que a origem do nome desta paróquia, se deve filiar na existência dum vegetal que se chama tábua. Os nomes de Tabua e Tabuaço foram dados a lugares onde abundava aquela planta, e talvez pelo mesmo motivo a palavra Tábua figura várias vezes na corografia brasileira. Em botânica existem a Typha angustifolia e a Typha latifolia, e embora estas plantas não se encontrem presentemente nesta ilha, como a flora madeirense sofreu modificações sensíveis, em parte provocadas pelo homem é lícito supor que em antigos tempos tais plantas ou alguma delas existisse dentro da área desta freguesia. Nas Canárias encontra-se uma espécie de Typha, não sendo portanto para estranhar que este género tivesse representante na Madeira. No sítio de Lugar de Baixo e na Tábua, existe uma planta — o Cyperus laevigatus — que não se encontra no resto da Madeira. Confundiriam os primeiros povoadores tal planta com a tábua, apesar de se tratar de espécies de famílias diferentes? É também possível, pois que é lícito admitir que Zargo e seus companheiros se não recomendassem pela sua erudição em assuntos botânicos.

Em época mais afastada a grafia desta palavra era Atabua, como se vê em muitos documentos antigos e no respectivo arquivo paroquial. Foi a partir de 1838 que o padre António Francisco Drumond e Vasconcelos alterou a forma primitiva do vocábulo, começando a escrever Tábua e tendo os seus sucessores até o presente adoptado a nova ortografia, que é hoje geralmente seguida por todos.

O anotador das Saudades dá o ano de 1586 como o da criação desta freguesia. O diploma mais antigo citado no índice Geral da Provedoria... e nas Memorias do Estado Eclesiástico... é o de 1 de Março de 1577, que, à primitiva côngrua paroquial de 11$300 réis anuais acrescentou 8$700 réis. Faz-se aí menção dos alvarás régios de 15 de Dezembro de 1588, 15 de Novembro de 1591 e 18 de Janeiro de 1654, que elevaram respectivamente o vencimento anual do pároco a 20$000 réis, meio moio de trigo e um quarto de vinho, 16$000 réis, um moio de trigo e uma pipa de vinho e 19$000 réis, meio moio de trigo e um quarto de vinho.

João Medeiros de Miranda, Manuel de Espínola, António Velho de Amil Luciano Espínola e Rui Gomes foram os primeiros sacerdotes que exerceram funções paroquiais nesta freguesia.

O alvará régio de 2 de Julho de 1743 estabeleceu um curato nesta paróquia, dizendo-se no respectivo diploma que «fora criado a rogo do vigário António Miguel de Faria, por se achar a dita freguesia entre duas caudalosas ribeiras e ter mais de mil fregueses». Ao cura, pelo mesmo alvará, foi fixada a côngrua anual de um moio e meio de trigo e uma pipa e meia de vinho.

2Igreja, capelas e povoadores

Não sabemos onde foi estabelecida a sede da paróquia por ocasião da sua criação. Conjecturamos que já ali existisse uma capela da Santíssima Trindade e que nela se instalasse a sede de nova freguesia, como geralmente sucedeu em toda a diocese nos tempos primitivos da colonização. Seria, por certo, uma capela de acanhadas proporções que deveria ter sofrido vários repairos e talvez acrescentamentos até se edificar um templo de mais amplas dimensões. O templo que servia de igreja paroquial anteriormente ao actual, foi destruído por uma aluvião e ficava em frente da capela da Conceição encontrando-se ainda no local vestígios da construção primitiva. O mandado do Conselho da Fazenda, de 22 de Outubro de 1675, determinou que se procedesse à edificação dum novo templo, mas parece que as respectivas obras não começaram desde logo ou foram executadas com grande morosidade, pois que na frontaria da igreja se lê a inscrição — Rei Dom Pedro — 1696 — que é certamente a data da conclusão do edifício.

Num antigo documento, lemos que em 1747 foi pedido para haver sacrário com o Santíssimo Sacramento na igreja da paróquia da Tábua, o que antes não havia morrendo alguns fiéis sem terem recebido o Sagrado Viático.

Tem esta freguesia as capelas da Madre de Deus e de Nossa Senhora da Conceição, das quais já demos rápida notícia a páginas 312 e 432 do II volume, e a de Nossa Senhora da Candelária, de que ignoramos quaisquer particularidades que lhe digam respeito.

Desta freguesia, disse em 1590 o dr. Gaspar Frutuoso: «Da Ribeira Brava meya legoa, está a Ribeira da Tábua com huma freguesia de quasi trinta fogos. Teve já dous engenhos e tem muitas vinhas, cannas e fructas, mas o vinho he semelhante ao da Ribeira Brava sua visinha. Desta Ribeira da Tábua são os Medeiros, gente nobre e honrada». Observa com razão o anotador das Saudades que naquela época tinha esta paróquia mais de 100 fogos e não apenas 30, como claramente se deduz dos alvarás régios respeitantes às côngruas paroquiais, que vêm ali citados.

Com respeito à família Medeiros, diz o dr. Rodrigues de Azevedo que «Ruy Vaz de Medeiros foi um dos primeiros povoadores que vieram para a Madeira: teve de sesmaria muitas terras na Atabua, da ribeira para o sitio do Zimbreiro» Outro antigo povoador da Tábua, diz ainda o dr. Azevedo, foi o francês Ruy Vaz Urzel, que veio para esta ilha por 1480. Foram também ali antigos colonizadores e povoadores Álvaro Martins, Jorge Lourenço, António Rodrigues, Manuel Rodrigues, António Luís, Diogo Fernandes, etc.

Nos motins populares ocorridos na freguesia da Ribeira Brava e nos processos judiciais que se lhes seguiram acharam-se envolvidas várias pessoas da freguesia da Tábua (V. página 385 do volume II).

Os principais sítios são: Praia, Lugares, Terça, Fajã, Ribeira, Boqueirão Pico do Ferreiro Bica de Pau, Corujeira, Zimbreiro, Massapés, Candelária, Ribeira da Caixa, Lugar da Serra e Barbuzano. Quando em 1914 se criou o concelho da Ribeira Brava ficou a freguesia da Tábua fazendo parte dele, tendo então sido desmembrada do concelho da Ponta do Sol. Tem esta freguesia 2235 habitantes (1921).

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 14
  1. O povoador francês Rui Vaz Uzel (Urzel) chegou à Madeira e estabeleceu-se na Tábua.

  2. Cartas régias de 1 de março de 1577 aumentaram as côngruas dos párocos de várias freguesias madeirenses, incluindo a Tábua, o Monte (então com 58 fogos), a Ponta do Pargo (20 000 réis) e Porto do Moniz; a carta relativa a esta última foi o primeiro documento a usar esse nome.

  3. O anotador das Saudades indica este ano para a criação da freguesia da Tábua.

  4. Uma carta régia aumentou a côngrua do pároco da Tábua.

  5. Gaspar Frutuoso descreveu a Rua Direita como a maior rua do Funchal e descreveu a freguesia da Tábua.

  6. Uma carta régia aumentou ou fixou as côngruas dos sacerdotes da Tábua e do Porto da Cruz em dinheiro, vinho e trigo.

  7. Uma carta régia alterou a côngrua do pároco da Tábua.

  8. O Conselho da Fazenda mandou construir uma nova igreja paroquial na Tábua.

  9. A igreja paroquial da Tábua terá sido concluída, como indica a data inscrita na fachada.

  10. Foi instituída uma cura na freguesia da Tábua.

  11. Foi pedido um sacrário para o Santíssimo Sacramento na igreja da Tábua.

  12. O Padre Drumond e Vasconcelos começou a escrever Tábua, em vez de Atabua, como nome da freguesia.

  13. Um decreto criou o concelho da Ribeira Brava. O Campanário foi-lhe transferido do concelho de Câmara de Lobos, e a Tábua do concelho da Ponta do Sol.

  14. O censo de 1921 registou a população das freguesias da Madeira, incluindo 4 083 habitantes na Sé, 3 107 em Santana e 7 061 em São Pedro.

Lugar

Lugares mencionados · 16

No estrangeiro

Mapa: Madeira (16)
  1. Barbuzano

    Ribeira Brava. Um dos principais sítios da freguesia.

  2. Canárias

    Spain. Local onde ocorre uma espécie de Typha.

  3. Capela da Madre de Deus

    Ribeira Brava. Capela da freguesia.

  4. Capela de Nossa Senhora da Candelária

    Ribeira Brava. Capela da freguesia sobre a qual pouco se sabe.

  5. Capela de Nossa Senhora da Conceição

    Ribeira Brava. Capela em frente da qual se situava a antiga igreja, destruída por uma cheia.

  6. Corujeira

    Ribeira Brava. Um dos principais sítios da freguesia.

  7. Lugar da Serra

    Ribeira Brava. Um dos principais sítios da freguesia.

  8. Lugar de Baixo

    Ponta do Sol. Local onde cresce Cyperus laevigatus, tal como na Tábua.

  9. Massapés

    Ribeira Brava. Um dos principais sítios da freguesia.

  10. Pico do Ferreiro

    Ribeira Brava. Um dos principais sítios da freguesia.

  11. Ponta do Sol

    Concelho a que a Tábua pertenceu antes de 1914.

  12. Praia

    Ribeira Brava. Um dos principais sítios da freguesia.

+ 4 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 19
  1. Um dos primeiros povoadores da Tábua.

  2. Anotador das Saudades da Terra, citado a propósito dos primeiros povoadores da Tábua.

  3. Padre que, a partir de 1838, substituiu a grafia Atabua por Tábua.

  4. Um dos primeiros povoadores da Tábua.

  5. Um dos primeiros povoadores da Tábua.

  6. Vigário da Tábua a cujo pedido foi criada uma cura em 1743.

  7. Um dos primeiros párocos da Tábua.

  8. Rei de Portugal mencionado na inscrição de 1696 na fachada da igreja.

  9. Um dos primeiros povoadores da Tábua.

  10. Gaspar Frutuoso1522–1591

    Autor das Saudades da Terra, que descreveu a Tábua em 1590.

+ 9 mais
  1. Descobridor e primeiro capitão do Funchal, referido pela possibilidade de ter confundido plantas ao dar nome à Tábua.

  2. Um dos primeiros párocos da Tábua.

  3. Um dos primeiros povoadores da Tábua.

  4. Um dos primeiros párocos da Tábua.

  5. Um dos primeiros párocos da Tábua.

  6. Manuel Rodrigues1697–1916

    Um dos primeiros povoadores da Tábua.

  7. Um dos primeiros párocos da Tábua.

  8. Um dos primeiros povoadores, que recebeu terras em Atabua por sesmaria.

  9. Povoador francês da Tábua, chegado por volta de 1480.

Na folha T

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.