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Misericórdia de Santa Cruz 1Fundação e edifício
Artigo Nº 2393 Instituição de beneficência Vol. II · pp. 717–719 3 min de leitura

Misericórdia de Santa Cruz

A Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz, irmandade de beneficência fundada no início do século XVI, cujo edifício hospitalar data de 1520, é a instituição do género mais importante da Madeira fora do Funchal. O verbete transcreve um relatório oficial de 1920 sobre o edifício, as obras de reparação, as finanças, o pessoal e os doentes.

Misericórdia de Santa Cruz

1Fundação e edifício

O Boletim do Trabalho Industrial n.° 95, que já por mais duma vez deixámos citado, insere uma muito interessante e quanto possível completa noticia acerca desta Misericórdia, que vamos integralmente transcrever:

«Parece averiguado que esta instituição de beneficência se fundou em principio do século XVI, na vila de Santa Cruz, tendo sido levantado o edifício próprio no ano de 1520. É, fora da cidade do Funchal, o estabelecimento mais importante no seu género, e foi de sua origem talhado com amplas acomodações em relação ao meio que servia.

Tendo sido cuidado e conservado, ainda hoje (1920) proporciona serviços de hospitalização a enfermos pobres, em razoáveis condições de conforto, o que se não da em nenhum outro concelho rural do distrito.

Entre os prováveis instituidores deste Hospital, criado pela Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz, citam-se como irmãos mesários de maior condição os nomes de Manuel da Costa Moniz, José Bettencourt de Freitas, Diogo Lopes Fernandes, António Mendes Bettencourt, António Baptista Spínola e Marcos de Aragão.

«O edificio desta Misericórdia experimentou importantes trabalhos de reparação nos anos de 1759, 1786 e 1892, a expensas da caridade pública, sem o que jà teria desaparecido; e em 1908 foi de novo reparado por ordem e conta do Estado.

Este edifício consta duma casa de dois pavimentos com uma grande capela e muitos compartimentos, como sejam amplas enfermarias, sala para farmácia, alguns outros quartos, casas de banho, etc., e casas de desinfecção e mortuária.

Dadas as dimensões e o estado do edifício, maiores e melhores serviços de hospitalização podia ele prestar, se os seus rendimentos o permitissem. Estes, porém, são muito escassos e para muito pouco dão, se a caridade pública os não acompanhar e vier regularmente ajudando.

Assim, os rendimentos próprios desta Misericórdia orçam por pouco mais de 200$ anuais, e é evidente que este valor, não acrescido dos auxílios da beneficência publica, para muito pouco pode chegar, mormente considerando-se nos maiores encargos que sempre resultam da conservação e exploração dum edifício de amplas dimensões.

2Administração e movimento

«Esta Misericórdia tem estatutos aprovados pelo Governo Civil do Funchal em 1889. «Em 1910 a direcção e prestação de todos os serviços internos e de enfermaria no hospital desta Misericórdia estavam a cargo das irmãs hospitaleiras franciscanas, que ali prestaram bons serviços, e que foram as mesmas que improvisaram um hospital no Lazareto de Gonçalo Aires, na cidade do Funchal, quando da última epidemia de variola que assolou a Madeira.

Tendo sido suprimido o serviço destas religiosas, continuou o Hospital da Misericórdia funcionando sob a direcção duma mesa gerente eleita de entre os irmãos da Confraria de Santa Isabel, e com o concurso do pessoal de enfermaria e farmácia que ficou sendo parcialmente o mesmo que existia, mas secularizado.

Os serviços de farmàcia passaram porém a ser dados de arrendamento, continuando no entanto o mesmo pessoal manipulador empregado na Misericórdia.

«Em 1913 a receita desta Misericórdia foi de 1.034$68, incluindo um saldo de 640$ do ano anterior, sendo a respectiva despesa de igual valor e onde se compreende a verba de 400$ gastos em reparos da capela do Hospital.

O pessoal do estabelecimento compreende um médico com 36$, um escrituràrio com 36$ e duas enfermeiras a 30$, tudo anualmente.

«O movimento de doentes foi em 1913 de 14 doentes, 6 homens e 8 mulheres, dos quais melhoraram 9, faleceram 3 e ficaram em tratamento 2. «Do exposto se vê, que relativamente pequenos são os serviços que este hospital pode prestar ou a respectiva Misericórdia, mas que dadas as recomendáveis condições da sua instalação, bem digno era de protecção eficaz que lhe permitisse aumentar a hospitalização e benefícios que proporciona, correspondendo assim melhor às necessidades crescentes do meio que serve, que é hoje uma vila das mais importantes do distrito, sede de concelho e de comarca.»

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 09
  1. Foi fundada a Misericórdia de Santa Cruz.

  2. Foi construído o edifício do hospital da Misericórdia em Santa Cruz.

  3. O Edifício da Misericórdia de Santa Cruz foi objeto de grandes reparações custeadas pela caridade pública.

  4. O Edifício da Misericórdia de Santa Cruz foi objeto de grandes reparações custeadas pela caridade pública.

  5. Os estatutos da Misericórdia de Santa Cruz foram aprovados pelo Governo Civil do Funchal.

  6. O Edifício da Misericórdia de Santa Cruz foi objeto de grandes reparações custeadas pela caridade pública.

  7. O Edifício da Misericórdia de Santa Cruz foi reparado por ordem e a expensas do Estado.

  8. Os serviços internos e de enfermagem do hospital da Misericórdia de Santa Cruz estavam a cargo das irmãs hospitaleiras franciscanas.

  9. A Misericórdia de Santa Cruz teve uma receita de 1 034,68 escudos, gastou 400 escudos na reparação da capela e tratou 14 doentes.

Lugar

Lugares mencionados · 03
Mapa: Madeira (3)
  1. Funchal

    Cidade cujas instituições são as únicas que superam o hospital de Santa Cruz.

  2. Lazareto de Gonçalo Aires

    Funchal. Edifício de quarentena onde as mesmas irmãs franciscanas instalaram um hospital durante a última epidemia de varíola.

  3. Santa Cruz

    Vila onde se situam a Misericórdia e o seu hospital.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 06
  1. Referido como um dos prováveis fundadores e principais membros da mesa do hospital da Misericórdia de Santa Cruz.

  2. Referido como um dos prováveis fundadores e principais membros da mesa do hospital da Misericórdia de Santa Cruz.

  3. Referido como um dos prováveis fundadores e principais membros da mesa do hospital da Misericórdia de Santa Cruz.

  4. Referido como um dos prováveis fundadores e principais membros da mesa do hospital da Misericórdia de Santa Cruz.

  5. Referido como um dos prováveis fundadores e principais membros da mesa do hospital da Misericórdia de Santa Cruz.

  6. Referido como um dos prováveis fundadores e principais membros da mesa do hospital da Misericórdia de Santa Cruz.

Na folha M

Vistos recentemente

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