Lazareto 1Primeiras providências
Lazareto
História do lazareto do Funchal, desde os planos não concretizados de 1816, passando por instalações provisórias, até aos edifícios construídos na foz da Ribeira de Gonçalo Aires (1866–1874), mais tarde usados durante epidemias e para deter presos políticos.
1Primeiras providências
Em sessão da Câmara Municipal do Funchal de 1 de Julho de 1816 foi lida uma portaria do Governador e Capitão-General, ordenando a construção dum lazareto à custa dos bens do Concelho, e, na sessão de 11 do mesmo mês e ano, foi lido um oficio da mesma autoridade, lembrando que os meios precisos para se levantar o referido estabelecimento poderiam ser obtidos por meio duma subscrição.
Apesar destas instruções e da Câmara em 8 de Julho de 1816 ter representado ao Príncipe Regente pedindo o empréstimo da quantia precisa para a construção do lazareto, não foi esta obra levada a efeito, determinando poucos tempos depois o Governador que os navios procedentes de portos suspeitos ancorassem defronte da Praia Formosa, devendo os passageiros fazer quarentena na casa chamada da Engenhoca, que ficava provavelmente naquele sítio ou nas suas imediações.
Em 2 de Dezembro de 1800, mandou a Câmara Municipal que dois navios que haviam chegado ao porto do Funchal sem carta de saúde levantassem ferro dentro de 2 horas, e que os guardas que se achavam a bordo fossem lançados na Praia Formosa e ai despidos e «mergulhados por mais de 6 vezes», ficando depois de quarentena, com sentinela á vista, por espaço de 40 dias.
2Lazareto do Gorgulho e de Gonçalo Aires
Em 1848, sendo governador civil da Madeira José Silvestre Ribeiro, foi estabelecido um lazareto na quinta do Gorgulho, pertencente ao súbdito inglês Henrique Veitch, tendo o periódico O Madeirense, de 11 de Novembro do mesmo ano, publicado o regulamento daquele estabelecimento.
Da Quinta do Gorgulho, passou o lazareto em 1851 para umas casas mandadas edificar pelo conselheiro José Silvestre Ribeiro num terreno pertencente á Fazenda Nacional, á foz da Ribeira de Gonçalo Aires, sendo neste mesmo terreno que foram levantados mais tarde os prédios do actual lazareto, cujas obras principiaram no dia 22 de Abril de 1866 e acabaram em 1874. Em 1857, foi destruída por um incêndio um das dependências do lazareto mandado construir por José Silvestre Ribeiro.
Na construção dos prédios da foz da Ribeira de Gonçalo Aires, foram postas de parte certas exigências topograficas que deviam ser atendidas, não tendo os mesmos prédios sido aproveitados por tal motivo para lazareto geral, embora esteja reconhecido que podem servir sem inconveniente para lazareto de observação. Em 1874, vieram á Madeira, de mandado do Governo, os Drs. Craveiro e Pereira, para procederem ao exame do edifício do lazareto, sendo curioso notar que as mesmas entidades que haviam concorrido para a construção desse estabelecimento na foz da ribeira de Gonçalo Aires, foram as primeiras a declarar aqueles médicos que ele não correspondia aos fins para que fora empreendido e executado.
3Serviços posteriores
O edifício do lazareto serviu em 1904 para o tratamento das pessoas atacadas de meningite cérebro-espinhal, em 1905 para o das pessoas atacadas de peste bubónica, em 1907 para o dos variolosos e em 1910 e 1911 para o dos coléricos. Em 1897, pensou-se em estabelecer uma enfermaria para alienados no mesmo edifício, e nesse mesmo ano tentou a Câmara Municipal do Funchal transferir para ali a cadeia da Comarca, o que não pôde levar a efeito, em razão do Governo não ter atendido á petição que nesse sentido lhe fora dirigida.
Em 1919, estiveram recolhidos no Lazareto 280 presos políticos, implicados na revolução monárquica que houve neste mesmo ano em Portugal.
O Lazareto de Gonçalo Aires teve um director e um médico nomeados em 1889, e um fiscal nomeado em 1890. Estes empregados, que o Governo admitira em virtude do disposto no art. 59 do decreto com força de lei de 3 de Dezembro de 1868, deixaram de prestar serviço no mesmo lazareto depois da publicação do Regulamento de Saúde de 24 de Dezembro de 1901, que transformou esse estabelecimento em posto de observação.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 11-
A Câmara Municipal do Funchal expulsou dois navios sem cartas de saúde e pôs os seus guardas de quarentena durante 40 dias.
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A Câmara Municipal do Funchal tomou conhecimento da ordem do governador para construir um lazareto e pediu ao Príncipe Regente um empréstimo para a obra.
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Foi instalado um lazareto na Quinta do Gorgulho.
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O lazareto do Funchal foi transferido para casas na foz da Ribeira de Gonçalo Aires.
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Um incêndio destruiu parte do lazareto de Gonçalo Aires.
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Começou a construção dos atuais edifícios do lazareto, concluída em 1874; o cais do Lazareto foi provavelmente construído durante estas obras.
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O Regulamento de Saúde transformou o lazareto do Funchal num posto de observação.
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Ocorreu na Madeira uma epidemia de meningite cerebrospinal, tendo os doentes sido tratados no lazareto.
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A peste bubónica surgiu no Funchal no final de 1905, sem assumir proporções epidémicas; os doentes foram isolados no lazareto de Gonçalo Aires, cujo rigoroso isolamento alimentou o receio e a agitação populares.
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Uma epidemia de cólera atingiu a Madeira e causou cerca de 550 mortes; o Dr. Carlos França foi enviado para dirigir os serviços sanitários, e o lazareto e um hospital improvisado no forte de Machico trataram os doentes.
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Cerca de 289 presos políticos da revolta monárquica, entre eles Salema Vaz, desembarcaram no Funchal vindos no vapor Africa e foram internados no lazareto de Gonçalo Aires.
Lugar
Lugares mencionados · 06- Lazareto · Assunto
Funchal
Lazareto do Funchal. Os planos de 1816 não se concretizaram e foram usadas instalações provisórias antes da construção de edifícios na foz da Ribeira de Gonçalo Aires (1866–1874). Estes foram posteriormente utilizados durante epidemias e para deter presos políticos.
- Engenhoca
Funchal. Casa onde os passageiros cumpriam quarentena, provavelmente perto da Praia Formosa.
Casa onde os passageiros cumpriam quarentena, provavelmente perto da Praia Formosa.
- Funchal
Concelho cuja Câmara Municipal recebeu ordem para construir o lazareto.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Praia Formosa
Funchal. Praia ao largo da qual fundeavam os navios suspeitos para cumprir quarentena.
A Praia Formosa é uma praia de areia a oeste do Funchal que constitui o limite sul da freguesia de São Martinho. Corsários franceses desembarcaram ali em 3 de outubro de 1566, antes de saquearem o Funchal, e o local foi posteriormente fortificado. O Elucidário regista ainda o naufrágio do Britannia em 1828, um ancoradouro de quarentena ao largo da praia, a abundância de cristais de olivina e várias plantas dignas de nota.
- Quinta do Gorgulho
Funchal. Quinta usada como lazareto de 1848 a 1851.
Quinta utilizada como lazareto de 1848 a 1851.
- Ribeira de Gonçalo Aires
Funchal. Ribeira em cuja foz se situavam os edifícios do lazareto.
A Ribeira de Gonçalo Aires situa-se na freguesia de São Gonçalo e recebeu, segundo Gaspar Frutuoso, o nome do explorador Gonçalo Aires, que por ela desceu durante a primeira exploração da Madeira. Na sua foz fica o lazareto; esta foz era um dos vértices dos limites da cidade do Funchal em 1909.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 04-
Médico enviado pelo governo em 1874 para examinar o edifício do lazareto.
- Henrique Veitchm. 1857
Súbdito britânico proprietário da Quinta do Gorgulho, usada como lazareto em 1848.
- José Silvestre Ribeiro1807–1891
Governador civil da Madeira que instalou o lazareto no Gorgulho em 1848 e mandou construir casas para o efeito em Gonçalo Aires em 1851.
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Médico enviado pelo governo em 1874 para examinar o edifício do lazareto.