Iluminação Pública 1Candeeiros a azeite e petróleo
Iluminação Pública
História da iluminação pública das ruas do Funchal, desde uma tentativa de curta duração em 1821 e das lâmpadas a azeite instaladas por José Silvestre Ribeiro em 1846, passando pela iluminação a petróleo e por projetos de iluminação a gás que não se concretizaram, até à inauguração da iluminação elétrica em 1897.
1Candeeiros a azeite e petróleo
Quem, há pouco mais de noventa anos percorresse, pela noite, as ruas do Funchal, encontrava-as envolvidas em completa escuridão. De longe em longe, um traço de luz coado pelas vidraças das habitações ou uma lanterna guiando algum transeunte noctívago, vinham quebrar momentaneamente as trevas em que a cidade se achava sepultada.
O benemérito conselheiro José Silvestre Ribeiro tomou posse do cargo de governador civil a 7 de Outubro de 1846 e logo a 23 do mesmo mês mandou colocar alguns candeeiros, embora poucos, nos pontos mais centrais da cidade. Estava iniciado o grande melhoramento da iluminação publica do Funchal.
Os particulares vieram em auxilio da iniciativa do ilustre governador, e algumas das pessoas mais abastadas fizeram também colocar candieiros nos prédios que habitavam. Em Dezembro daquele ano já a cidade contava algumas dezenas de focos de iluminação publica. Só mais tarde, á força de instâncias de Silvestre Ribeiro, é que a Câmara Municipal tomou a deliberação de alargar a área da iluminação e tomar a si os encargos daquele importante serviço. O mesmo governador comunicava ao governo central, a 22 de Agosto de 1849, que esta cidade se achava iluminada com 70 candieiros, esperando que esse numero fosse gradualmente aumentado.
A iluminação foi alimentada a azeite até o ano de 1870, passando pouco depois a ser a petróleo até a instalação da luz eléctrica.
Da extremidade de umas hastes de ferro horizontais, de pouco mais de um metro de comprimento, pendiam os candeeiros, sendo os mais antigos amarrados a uma corrente, que, ao longo da haste e da parede, se vinha prender numa fechadura que era aberta para fazer subir ou descer o deposito do combustível e assim proceder-se á sua limpeza e também acender-se ou apagar-se o candeeiro. Depois passaram a estar fixos na extremidade de varas de ferro, sendo preciso o auxilio de escadas para todo o serviço de iluminação.
2Gás e luz eléctrica
Silvestre Ribeiro ainda fez varias tentativas para iluminar a cidade a gás, mas resultaram inúteis os seus esforços e diligências. Na sessão camarária de 14 de Julho de 1858 tomaram-se nesse sentido algumas deliberações, que não foram coroadas de melhor êxito. Chegou a abrir-se um concurso, cujas bases foram publicadas num opúsculo, mas sem resultado algum apreciável.
A 4 de Janeiro de 1884 a Câmara do Funchal fez um contrato com o engenheiro Eduardo Augusto Kopke para a iluminação do Funchal a gás, podendo ser substituída pela luz eléctrica, contrato que não chegou a ter execução.
A 22 de Maio de 1895 realizou-se novo contrato entre o mesmo engenheiro e a Câmara Municipal desta cidade para a iluminação a luz eléctrica, que ainda está em vigor, e em 20 de Abril de 1896 transferiu A. Kopke para «The Madeira Electric Lighting Company Limited», a concessão que lhe havia sido feita, tendo esta transferência sido autorizada pela Camara, em sessão de 25 de Maio de 1896. A inauguração da luz eléctrica na cidade do Funchal teve logar em 19 de Maio de 1897, e em 28 de Dezembro do ano imediato funcionavam já as 500 lâmpadas e os 8 arcos voltaicos mencionados no artigo 4.° do contrato, tendo esta ultima data sido considerada como termo do prazo de 24 meses fixado á mesma companhia para a instalação das luzes destinadas á iluminação publica.
Em 5 de Janeiro de 1899 aprovou a Câmara Municipal uma proposta para ser elevado de 500 a 701 o numero de lâmpadas da iluminação publica, existindo presentemente em toda a cidade e subúrbios 14 arcos voltaicos e 1400 lâmpadas, e estendendo-se a mesma iluminação até o Lazareto, quinta Reid, no Caminho do Meio, Conceição, em S. Roque, Quinta do Leme, em Santo António, Nazaré em São Martinho, e Confeiteira, no Monte.
Em 1821 tentou a Câmara Municipal do Funchal estabelecer a iluminação publica na cidade, tendo resolvido em sessão de 26 de Fevereiro «fazer colocar 1, 2 ou 3 lanternas em cada rua, e devendo os moradores concorrer alternadamente com as despesas para a mesma iluminação».
Em fins de Fevereiro de 1821 apareceram iluminadas algumas ruas da cidade, mas este melhoramento teve curta duração, a pesar da sua utilidade.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 11-
A Câmara Municipal do Funchal decidiu colocar lanternas em todas as ruas, a expensas dos moradores, mas a medida durou pouco tempo.
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José Silvestre Ribeiro tomou posse como governador civil do distrito do Funchal em 7 de outubro de 1846. Exerceu o cargo até 1852 e retomou projetos como a ponte da Ribeira Seca.
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José Silvestre Ribeiro mandou instalar os primeiros candeeiros públicos no centro do Funchal.
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José Silvestre Ribeiro comunicou que o Funchal era iluminado por 70 candeeiros públicos.
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A Câmara Municipal do Funchal deliberou introduzir a iluminação a gás, mas a decisão não teve seguimento.
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Terminou a iluminação pública a óleo no Funchal, em breve substituída por candeeiros a petróleo.
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A Câmara Municipal do Funchal contratou Eduardo Augusto Kopke para instalar iluminação a gás, mas o projeto nunca foi executado.
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Foi assinado com Kopke um contrato para a iluminação pública elétrica.
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Kopke transferiu a concessão da iluminação pública para a The Madeira Electric Lighting Company Limited.
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Foi inaugurada a iluminação pública elétrica no Funchal.
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Entraram em funcionamento as 500 lâmpadas e as 8 lâmpadas de arco contratadas para a iluminação pública do Funchal.
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A Câmara Municipal do Funchal aprovou o aumento do número de lâmpadas públicas de 500 para 701.
Lugar
Lugares mencionados · 12- Caminho do Meio
Funchal. Caminho ao longo do qual se estendeu a iluminação.
O Caminho do Meio é um caminho na freguesia de Santa Maria Maior, no Funchal, onde termina a Levada da Serra. Junto a ele situam-se a Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens e uma capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Ali cresce o arbusto tudesco, e a iluminação pública foi prolongada ao longo do caminho.
- Conceição
Calheta. Localidade de São Roque alcançada pela iluminação.
A Conceição é um sítio da freguesia do Estreito da Calheta, com uma Capela de Nossa Senhora da Conceição construída em 1673. Foi outrora sede de um dos maiores morgadios da Madeira.
- Confeiteira
Funchal. Limite da iluminação no Monte.
A Confeiteira é um sítio da freguesia do Monte, no Funchal. Assinalava o limite da iluminação pública no Monte, e as obras do caminho de ferro do Monte começaram ali com a construção de grandes muros de suporte.
- Funchal
Cidade cuja iluminação pública é descrita no verbete.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lazareto
Funchal. Um dos limites alcançados pela iluminação elétrica.
Lazareto do Funchal. Os planos de 1816 não se concretizaram e foram usadas instalações provisórias antes da construção de edifícios na foz da Ribeira de Gonçalo Aires (1866–1874). Estes foram posteriormente utilizados durante epidemias e para deter presos políticos.
- Monte
Funchal. Freguesia dos arredores alcançada pela iluminação.
Freguesia de Nossa Senhora do Monte, acima do Funchal, a cerca de 600 m de altitude, onde o aparecimento das folhas ocorre mais tarde do que no Funchal. Inclui os sítios do Jardim Botânico, da Igreja e dos Marmeleiros e a Quinta de Sant'Ana. O Elucidário regista as suas numerosas plantas, entre elas acácias e Sonchus fruticosus.
- Nazaré
Funchal. Limite da iluminação em São Martinho.
Nazaré é o principal sítio da freguesia de São Martinho, no Funchal, e recebeu o nome da Capela de Nossa Senhora da Nazaré ali existente. É referido como o sítio da Quinta Bianchi e o local da Quinta da Bela Vista, bem como o limite da iluminação pública em São Martinho.
- Quinta do Leme
Funchal. Limite da iluminação em Santo António.
Sítio habitado e quinta na freguesia de Santo António, Funchal. Foi a casa de família e sede do morgadio dos Leme, com a casa de António de Leme e a Capela de São Filipe. Consta também como limite da iluminação pública em Santo António.
- Quinta Reid
Funchal. Ponto do Caminho do Meio alcançado pela iluminação elétrica.
Ponto do Caminho do Meio até onde chegou a iluminação elétrica.
- Santo António
Funchal. Freguesia dos arredores alcançada pela iluminação.
Santo António é uma freguesia do concelho do Funchal, na Madeira, onde nasce a ribeira de São João e onde os Jesuítas tinham a sua residência do Pico do Cardo. A igreja possui uma inscrição latina de 1783, e na freguesia encontram-se as capelas da Madalena, de São João e Santana e do Pópulo; a freguesia dá também nome a uma elevação de cerca de 400 metros perto da igreja.
- São Martinho
Funchal. Freguesia dos arredores alcançada pela iluminação.
São Martinho é uma freguesia suburbana a oeste do Funchal, criada em 1579 a partir de São Pedro e parcialmente integrada na cidade em 1927. Teve fábricas de açúcar, cultivou vinha da casta Tinta e possui bombas vulcânicas características. É apontada como terra natal de D. Nuno de Aguiar.
- São Roque
Funchal. Freguesia dos arredores alcançada pela iluminação elétrica.
São Roque é uma freguesia suburbana do Funchal, desmembrada de São Pedro e criada por carta régia de 1579; deve o nome à sua primitiva capela de São Roque. O Elucidário traça a história da igreja paroquial e enumera as capelas, os principais sítios e a população da freguesia.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02-
Engenheiro que celebrou contratos com a Câmara Municipal do Funchal para a iluminação a gás, em 1884, e para a iluminação elétrica, em 1895, tendo transferido a concessão em 1896.
- José Silvestre Ribeiro1807–1891
Governador civil da Madeira a partir de 1846, introduziu no Funchal a primeira iluminação pública duradoura das ruas e tentou implementar a iluminação a gás.