Guerra (Grande) 1Os madeirenses na guerra
Guerra (Grande)
Artigo sobre a Primeira Guerra Mundial (1914–1918) e as suas ligações à Madeira: uma lista de madeirenses mortos, feitos prisioneiros ou condecorados, navios afundados por submarinos alemães perto das ilhas, a apreensão de navios alemães no Funchal e a passagem dos restos mortais do Soldado Desconhecido em 1921.
1Os madeirenses na guerra
Ficou sendo conhecida por esta denominação a luta tremenda que teve começo na Europa em 1914, provocada pela Alemanha, e que durante quatro longos anos agitou todo o mundo civilizado, obrigando os países beligerantes a esforços e sacrifícios que nenhuma guerra anterior tinha ainda exigido. Portugal também entrou nessa luta, a pedido da sua velha aliada, a Inglaterra, e as suas tropas, embora pouco numerosas, prestaram excelentes serviços em todos os pontos onde foram chamadas a combater. Quer na Europa, quer na Africa, os soldados portugueses fizeram resplendor com todo o seu brilho o nome do nosso país, e a maneira como os seus serviços durante a campanha foram apreciados pela imprensa estrangeira, especialmente a francesa, é altamente honrosa para o nosso orgulho nacional.
Na relação que a seguir publicamos, vão indicados os nomes dos filhos da nossa terra que morreram em combate ou ficaram prisioneiros do inimigo, e bem assim os daqueles que foram condecorados ou louvados por bons serviços prestados durante a campanha, não abrangendo a mesma relação os nomes de todos os madeirenses que fizeram parte dos corpos expedicionários e estiveram na zona da guerra, por nos ter sido impossível obter a tal respeito informações completas e dignas de confiança:
1.°–Ernesto de França Mendes, major do Estado Maior do Exército. Foi agraciado pelo Governo Francês com a grã cruz da Legião de Honra e pelo Governo inglês com a ordem de Serviços Distintos.
2.°–João Nepomuceno de Freitas, major de Infantaria e comandante do batalhão de Infantaria n.° 2. Ficou prisioneiro no combate de 9 de Abril de 1918.
3.°–Americo Olavo Correia de Azevedo (V. este nome), capitão de Infantaria. Ficou prisioneiro dos alemães no referido combate, e foi condecorado com a Cruz de Guerra e a Torre e Espada.
4.º-Jaime César Nunes de Oliveira, capitão de Infantaria e comandante da 4.ª companhia do batalhão de infantaria n.° 35 do C. E. P. Foi condecorado com a medalha de Serviços Distintos em campanha e com a medalha de campanha com a legenda «Passagem do Escalda e perseguição do inimigo», tendo tido além disso três louvores, sendo dois do General-Comandante do C. E. P. e um do Ministro da Guerra.
5.º-Francisco Silvestre Varela, capitão de Infantaria e comandante da 1ª companhia do batalhão de Infantaria n.° 35. Menção honrosa.
6.°–Jaime Pereira Rodrigues Baptista, capitão de Infantaria. Foi feito prisioneiro no combate de 9 de Abril de 1918.
7.º–Antonio Eduardo Gonçalves Henriques, tenente de Infantaria. Louvado.
8.º–Carlos José Machado dos Santos, tenente medico. Louvado.
9.°–João Paulo da Veiga Pestana, alferes miliciano de infantaria. Contava 20 anos de idade e estava tirando o curso de engenharia em Portugal quando foi chamado a frequentar a escola de oficiais milicianos, partindo pouco depois para a França, onde encontrou morte gloriosa no combate de 9 de Abril de 1918. Em sessão da Câmara Municipal do Funchal de 10 de Abril de 1919 propôs o vereador Francisco Gomes de Gouveia que fosse dado o nome de Alferes Veiga Pestana á rua das Hortas, sendo esta proposta aprovada por unanimidade.
10.°–Gabriel Rocha de Gouveia, alferes miliciano de Infantaria. Era natural da Calheta e morreu em França, a 13 de Outubro de 1917, com cerca de 30 anos de idade.
11.°–Alfredo de França Doria Nobrega, alferes miliciano de Infantaria. Foi condecorado com a Cruz de Guerra, sendo feito depois cavaleiro de Cristo, com palmas, por ter contribuído para que o batalhão de Infantaria 15 fosse, depois da batalha de 9 de Abril de 1918, retomar o seu logar na frente, encorporado como unidade de combate numa brigada britanica. 12.°–Henrique Ernesto Teixeira Moniz, alferes miliciano de Infantaria. Foi primeiramente louvado, recebendo depois a Cruz de Guerra de 3ª classe pela coragem e sangue frio que revelou no combate de 23 de Novembro de 1917.
13.°–Americo Aldonio de Meneses, alferes miliciano de Infantaria. Foi feito prisioneiro no combate de 9 de Abril de 1918.
14.°–Artur de Brito Figueiroa, alferes miliciano de Infantaria. Foi feito prisioneiro no combate de 9 de Abril de 1918.
15.°–Carlos Olavo Correia de Azevedo (V. este nome), alferes miliciano. Ficou prisioneiro em 9 de Abril de 1918.
16.º-Osvaldo de Andrade, alferes de artilharia. Louvado.
17.°–Armando Pinto Correia, alferes de Infantaria. Louvado duas vezes por actos de coragem e dedicação praticados durante a campanha. Partiu para França em Agosto de 1918.
18.°–José Maria da Conceição Macedo, alferes miliciano. Tem a Cruz de Guerra de 3.ª classe por serviços distintos em campanha.
19.°–João da Silva Júnior, alferes miliciano. Foi condecorado com a Cruz de Guerra de 2ª classe por serviços distintos prestados na batalha de 9 de Abril de 1918.
20.°–Daniel Fernandes de Aguiar, tenente de Infantaria. Tem a Cruz de Guerra de 3ª classe e a medalha militar de prata, de bons serviços, e foi louvado pelo arrojo e espírito guerreiro que revelou em muitos combates e pelas missões arriscadas que desempenhou durante a campanha.
2Outros nomes e lápides
21.°–Antonio Martins Ferreira Júnior, alferes de Infantaria 2. Louvado pela coragem com que conduziu os seus homens e esforço empregado para recolher os feridos no raid realizado de 2 para 3 de Abril de 1918, a pesar de se achar também ferido. Tem a Cruz de Guerra e ficou prisioneiro dos alemãis na batalha do Lis em 9 de Abril de 1918.
22.°–Carlos Elói da Mota Freitas. Foi morto no combate naval que o caça minas Augusto de Castilho sustentou com um submarino alemão, em 15 de Outubro de 1918. O Governo concedeu-lhe a Cruz de Guerra de 1.ª classe, tendo o certificado desta condecoração sido enviado pela Secretaria de Estado da Marinha ao pai do mesmo aspirante. A Câmara Municipal do Funchal, em sessão de 8 de Maio de 1919 resolveu dar o nome do aspirante Mota e Freitas à travessa da Sacristia, em Santa Maria Maior.
23.°–João Augusto de Sousa, alferes-capelão. Menção honrosa.
24.°–Jaime de Gouveia Barreto, alferes-capelão. Louvado.
25.°–Eduardo Rodrigues, 2.° sargento. Foi feito prisioneiro no combate de 9 de Abril de 1918.
26.°–Pedro da Silva, soldado voluntário do exército americano, natural da Madeira. Morreu em França, no combate de 12 de Abril de 1918.
27.°–Luiz Baptista, soldado voluntário do exército americano, natural da freguesia de S. Pedro, no Funchal. Foi ferido em combate e condecorado pelo Governo Americano.
28.°–Henrique José de Sousa, tenente de Infantaria. Foi morto em combate, na Africa Oriental.
29.°–João de Andrade, cabo contramestre de corneteiros, natural do Paul do Mar. Faleceu a 24 de Agosto de 1918, no hospital de Lourenço Marques, em virtude de ferimentos recebidos em combate. Fora louvado em ordem de serviço da expedição de 9 de Abril de 1918.
30.º-Julio Teodoro Betencourt, tenente de Infantaria. Tem a Cruz de Guerra de 3.ª classe por serviços distintos na Africa Ocidental, na campanha contra os alemãis.
31.°–Alberto de Sena Mendes, 1.º sargento do batalhão do 1.° grupo de metralhadoras. Morreu no combate de Naulila, depois de haver detido com o fogo da sua peça o avanço dos alemãis.
32.°-–Alvaro Teles de Azevedo, capitão (hoje major) de infantaria. Comandou uma bataria de metralhadoras no sul de Angola e tem a Cruz de Guerra e a medalha de prata de valor militar.
33.º-Manuel da Costa Dias, tenente (hoje major) da administração militar. Esteve no sul de Angola em 1915, e em França de 1917 a 1918. Tem a Cruz de Guerra e duas medalhas de bons serviços.
34.°–Braulio Ludgero de Freitas, tenente (hoje capitão) da administração militar. Esteve em Angola em 1915 e em França de 1917 a 1918. Louvado e tem a medalha de prata, de bons serviços.
35.°–Dr. João Francisco de Sousa. V. este nome.
Dos madeirenses mortos em combate só o cabo João de Andrade pertencia ao regimento de Infantaria n.° 2, existindo no quartel do Colégio uma singela lápide destinada a relembrar o seu nome. Esta lápide foi inaugurada em 10 de Junho de 1920, tendo sido feito o descerramento pelo pai do falecido e assistindo á cerimónia o regimento na sua máxima força.
3Navios afundados
A grande guerra, além de se ter feito sentir na Madeira pelas tristíssimas consequências que atingiram o mundo inteiro, também ecoou sinistra e sangrentamente na capital deste arquipélago com o bombardeamento do nosso porto por submarinos alemãis, nos dias 3 de Dezembro de 1916 e 12 de Dezembro de 1917 como já referimos no artigo Bombardeamento do Funchal. Os submarinos inimigos percorreram com frequência as águas deste arquipélago e as equipagens de muitas embarcações a vapor e á vela, afundadas por eles, vieram procurar a sua salvação nas costas marítimas destas ilhas. Vamos mencionar algumas dessas embarcações, e ainda outras que foram torpedeadas ou assaltadas em viagem para a Madeira, sendo possível que a nossa relação apresente lacunas sensíveis, sobretudo com respeito ao período em que a imprensa se viu forçada a omitir a narrativa de certas ocorrências de guerra.
A escuna Senhora da Conceição foi afundada por um submarino alemão, nas costas da França, mas pertencia à praça do Funchal e trazia um carregamento de enxofre para esta ilha. Tinha sete tripulantes e um praticante de piloto, natural da Madeira, desembarcando todos no porto de Gijon, em Hespanha. O torpedeamento deu-se no mês de Abril de 1916.
No mês de Julho do ano referido, saiu do Funchal, conduzindo um carregamento de vinho com destino a alguns portos do norte da Europa, o vapor dinamarquês Moskow que foi apresado e afundado pelos alemães, tendo a companhia de seguros Aliança Madeirense pago a importância da carga.
O vapor italiano Etna foi torpedeado a 150 milhas do Porto Santo, tendo os seus 44 tripulantes chegado àquela ilha no dia 2 de Abril de 1917.
Na freguesia da Ribeira Brava desembarcaram a 17 de Julho de 1917 os marinheiros que tripulavam o vapor grego Chalkidom, que fora afundado por um submarino a 80 milhas da Madeira. Tinha 23 tripulantes e dirigia-se de New-York para Marselha.
A cerca de 150 milhas da ilha do Porto Santo foi metida a pique a barca portuguesa Viajante, que trazia carga geral para a Madeira. Depois de três dias de extenuante viagem, chegou a equipagem desta embarcação ao Funchal a 5 de Outubro, seguindo alguns dias depois para Portugal.
Aportaram á vizinha ilha do Porto Santo, no dia 22 de Outubro do mesmo ano, cinquenta tripulantes, incluindo os oficiais, do vapor japonês Ikoma Maru, que se dirigia de Marselha para o Chile a receber um carregamento de salitre. O Ikoma Maru travou combate, sem resultado, com o submarino alemão, a 170 milhas daquela ilha e ali foi afundado. Pertenciam á nacionalidade japonesa, com excepção de dois artilheiros e um telegrafista, que eram franceses, tendo chegado ao Funchal no dia 24 de Outubro.
O iate americano Margaret S. Roberts, que a 6 de Outubro do ano referido saíra de New York, conduzindo um carregamento de trigo para a Madeira, foi torpedeado a 15 de Novembro entre os Açores e esta ilha, chegando os seus seis tripulantes ao Funchal, no dia 19 do mesmo mês. Um submarino alemão, conduzindo apresados dois vapores noruegueses, encontrou a galera francesa Tijuca, no dia 22 de Novembro de 1917, a cerca de 240 milhas a nordeste da Madeira, tendo afundado os vapores, a galera e o iate português Trombeta, que navegava nas mesmas águas. As equipagens dos navios noruegueses e do iate português tomaram o rumo dos Açores, dirigindo-se os tripulantes do Tijuca ao Funchal, onde desembarcaram, em numero de 36, no dia 27 de Novembro.
No dia 17 do mencionado mês e ano, foi torpedeado a 250 milhas desta ilha, o lugre português Açoreano, cuja tripulação, composta de 12 indivíduos, aportou á Ponta do Sol no dia 19, seguindo no mesmo dia para o Funchal.
No nosso porto fundeou no dia 4 de Junho de 1917 o vapor norueguês Kaggefos, que conduzia a tripulação, composta de 23 marinheiros, do vapor da mesma nacionalidade Sorland, que tinha sido metido a pique por um submarino alemão, nas costas da França, e que se dirigia de Saint Nazaire para Baltimore. Estes tripulantes desembarcaram no Funchal, e alguns dias depois seguiram para Inglaterra.
A 30 de Janeiro de 1918 foi torpedeado o pequeno vapor Neptuno (antigo Maria) pertencente á praça do Funchal. Saíra na véspera de Lisboa com destino a esta ilha.
Na primeira quinzena do mês de Fevereiro de 1918 aportaram ao Funchal os tripulantes de um navio inglês, um grego e um italiano, torpedeados nas águas deste arquipelago. A 250 milhas das nossas costas, entre os Açores e Madeira, foi afundada uma barca italiana, tendo os vinte homens que a tripulavam chegado ao Funchal no dia 15 de Março de 1918.
A 30 do mesmo mês e ano, foi afundada a 100 milhas do Porto Santo a escuna portuguesa Beira Alta, que trazia de Lisboa para a Madeira 20 toneladas de semilhas, além doutra carga.
Aportaram ao Funchal, nos primeiros dias do mês de Abril de 1918, os tripulantes de um veleiro português, que seguia o rumo dos Açores para Lisboa e que fora torpedeado por um submarino.
4Apreensão de navios e Soldado desconhecido
É de 24 de Fevereiro de 1916 o decreto que autorizou a apreensão dos navios das nações inimigas surtos em portos portugueses, encontrando-se então ancorados na baía do Funchal os vapores alemãis Colmar, Petropolis, Guahyba e Hochfeld. Em virtude de ordens superiores, o capitão do nosso porto Sales Henriques, acompanhado do comandante da guarda fiscal tenente Leovegildo Rodrigues, procedeu no dia 2 de Março de 1916 á ocupação daquelas embarcações, tendo os respectivos tripulantes, em numero de 100, deixado sem demora os seus navios. Segundo as declarações dalguns desses tripulantes, o governo alemão mandou destruir e inutilizar varias peças dos maquinismos, obstando assim a que os navios pudessem navegar. Essas ordens foram cumpridas pelas tripulações, mas depois dos convenientes reparos, ficaram os vapores em boas condições de navegabilidade, tendo seguido todos para o continente. A esses navios foram postos os nomes de Madeira, Porto Santo, Machico e Desertas.
Os súbditos alemãis residentes na Madeira foram internados no Lazareto de Gonçalo Aires, seguindo dali para a ilha Terceira. Do Lazareto evadiu-se o capitão do vapor Colmar, correndo entre o publico varias versões acerca da maneira como se realizou aquela fuga.
No dia 30 de Março de 1921 desembarcaram no cais da Pontinha, pouco depois das 8 horas da noite, os despojos mortais de um soldado desconhecido, que caíra, dando a vida pela pátria, nas plagas longínquas da Africa Oriental, na luta contra os alemãis. A urna contendo os despojos, que tinha vindo no vapor Briton, da Union Castle Mail, passou a noite no Posto de Desinfecção Marítima, sendo conduzida no dia imediato, pela 1 hora da tarde, para os Paços do Concelho, onde ficou depositada até o dia 3 de Abril, em que embarcou para bordo do cruzador Republica, encarregado de transportá-la para Lisboa. Tanto por ocasião da vinda da urna para os Paços do Concelho, onde ficou em câmara ardente, como da retirada dela para o cais, a fim de embarcar, se formaram luzidos e imponentes cortejos, tendo-se encorporado no dia 1 de Abril as autoridades civis e militares, o corpo consular, alguns oficiais ingleses, representantes das diferentes escolas e agremiações, contingentes das forças militares da guarnição do Funchal, etc. etc. No artigo Soldado desconhecido procuraremos descrever as aparatosas manifestações que se realizaram nesta cidade de 1 a 3 de Abril de 1921, para glorificar o modesto soldado, cujos restos mortais descansam agora no majestoso mosteiro da Batalha, mandado edificar pelo rei D. João I após a heróica peleja de Aljubarrota.
Para melhor esclarecimento do que deixamos dito, deve ler-se o artigo Bombardeamento do Funchal, inserto a pag. 159 do vol. I deste Elucidário. Ainda como informação que bastante interessa a este assunto, diremos que no Diário da Madeira, de 9 de Janeiro de 1919, se encontra uma desenvolvida narrativa do primeiro bombardeamento do Funchal, de 3 de Dezembro de 1916, escrita pelo próprio comandante do submarino U. 38 Max Valentiner, de que um redactor do Seculo fez largos extractos e criteriosamente comentou. O Diário do Governo de 14 de Abril de 1938 publicou uma relação de 62 pessoas residentes no Funchal, vitimas dos prejuízos causados por um submarino alemão, ás quais se reconheceu o direito a certas indemnizações no valor total de 46.451$04.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 08-
A Grande Guerra começou na Europa e durou quatro anos, provocando uma acentuada diminuição das escalas de navios no Funchal.
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Um decreto autorizou a apreensão de navios inimigos nos portos portugueses.
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As autoridades portuguesas ocuparam quatro vapores alemães na baía do Funchal.
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A escuna funchalense Senhora da Conceição foi afundada ao largo de França.
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O submarino alemão U-38 torpedeou três navios no porto do Funchal, entre eles a canhoneira francesa Surprise (morreram 33 tripulantes e 7 portugueses), e bombardeou a cidade, causando pânico generalizado. As vítimas foram mais tarde homenageadas num monumento da autoria de Francisco Franco.
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Um submarino alemão bombardeou o Funchal pela segunda vez, matando cinco pessoas na cidade e danificando gravemente a igreja de Santa Clara.
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O vapor funchalense Neptuno foi torpedeado quando vinha de Lisboa.
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Batalha de La Lys, na qual muitos madeirenses morreram ou foram feitos prisioneiros.
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O caça-minas Augusto de Castilho combateu um submarino alemão; Mota Freitas morreu no confronto.
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A Câmara Municipal do Funchal deu à Rua das Hortas o nome de Rua do Alferes Veiga Pestana.
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A Câmara Municipal do Funchal deu à Travessa da Sacristia o nome do aspirante Carlos Elói Mota e Freitas.
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Foi descerrada no quartel do Colégio uma placa em homenagem ao cabo João de Andrade.
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A urna do Soldado Desconhecido de África chegou ao Funchal a bordo do Briton, ficou em câmara ardente nos Paços do Concelho e foi embarcada no cruzador República com destino a Lisboa; o general Norton de Matos participou no cortejo.
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O diário oficial enumerou 62 residentes no Funchal com direito a indemnização pelos danos causados pelos ataques submarinos da Primeira Guerra Mundial.
Lugar
Lugares mencionados · 15No estrangeiro
- Cais da Pontinha
Funchal. Local onde desembarcaram os restos mortais do Soldado Desconhecido em 1921.
O cais da Pontinha, no Funchal, foi construído entre 1876 e 1878 e melhorado com as obras do molhe. Foi local de desembarque de visitantes ilustres, entre eles a imperatriz da Áustria, e dos restos mortais do Soldado Desconhecido em 1921, além de ponto terminal de um sistema de abastecimento de água aos navios.
- Calheta
Local de nascimento de Gabriel Rocha de Gouveia.
A Calheta é uma vila, freguesia e concelho na costa sudoeste da Madeira e um dos povoamentos mais antigos da ilha. O Elucidário aborda o seu nome, os primeiros povoadores, como Pedro Berenguer, a igreja e numerosas capelas, incluindo uma de um antigo convento franciscano, e o motim de 1834.
- Funchal
Capital bombardeada por submarinos e ponto de desembarque de tripulações náufragas.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lazareto de Gonçalo Aires
Funchal. Local onde foram internados residentes alemães.
O Lazareto de Gonçalo Aires é um edifício de quarentena na foz da Ribeira de Gonçalo Aires, cuja construção foi decretada em 1849. Foi convertido em hospital de isolamento para doentes com peste e saqueado por populares em 7 de janeiro de 1906. Mais tarde, serviu para internar deportados políticos, incluindo os de 1919, e residentes alemães durante a Grande Guerra.
- Lourenço Marques
Mozambique. Local onde João de Andrade morreu no hospital.
Lourenço Marques é uma cidade e um distrito de Moçambique, na África Oriental, para onde emigraram madeirenses em 1889–1890 e onde jogaram muitos futebolistas madeirenses. Vários madeirenses ali prestaram serviço, escreveram sobre o lugar ou morreram: João de Andrade e o Dr. António Aurélio da Costa Ferreira ali faleceram, César Pereira chegou em 1897 para prestar serviço colonial e Aires de Ornelas administrou o distrito.
- Mosteiro da Batalha
Portugal. Local onde repousa o Soldado Desconhecido.
O Mosteiro da Batalha é o mosteiro de Portugal Continental onde foram sepultados os Soldados Desconhecidos da Grande Guerra.
- Naulila
Angola. Local de uma batalha em Angola na qual morreu Alberto de Sena Mendes.
Local da batalha em Angola em que morreu Alberto de Sena Mendes.
- Paul do Mar
Calheta. Local de nascimento do cabo João de Andrade.
O Paul do Mar é uma freguesia da costa sudoeste da Madeira, criada em 1676 a partir do Estreito da Calheta. É um porto de pesca servido pela antiga levada do Rabaçal, onde se cultiva malvasia e onde se assinalou uma incidência muito elevada de tracoma. Teve a fortaleza de Santo António, uma banda e salinas instaladas por volta de 1865, posteriormente abandonadas por falta de rentabilidade.
- Ponta do Sol
Local de desembarque da tripulação do Açoreano.
Freguesia e concelho da costa sul, povoados a partir de cerca de 1440 por Rodrigo Enes «o Coxo». A igreja paroquial de Nossa Senhora da Luz conserva um tríptico. O Elucidário regista também o cais de 1848, pago pela Câmara Municipal, e a visita régia de 1858.
- Porto Santo
Local onde desembarcaram tripulações de navios afundados.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
- Quartel do Colégio
Funchal. Quartel com uma placa em homenagem a João de Andrade.
Quartel no Funchal, instalado no antigo colégio dos jesuítas, onde o tenente Lapierre foi assassinado. Tem uma placa dedicada a João de Andrade.
- Ribeira Brava
Local de desembarque da tripulação do Chalkidom em 1917.
A Ribeira Brava é uma das freguesias mais antigas da Madeira. Deve o nome à sua ribeira impetuosa e possui vila, porto e cais. O Elucidário aborda a sua igreja colegiada e as respetivas pinturas, o convento franciscano e as capelas, bem como a festa de São Pedro, com barco e dança das espadas. Regista também tumultos contra o sistema métrico e as mortes causadas por disparos das tropas sobre a população durante as eleições de 1884.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 40-
Sargento de metralhadoras morto em Naulila.
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Alferes miliciano condecorado com a Cruz de Guerra e feito cavaleiro da Ordem de Cristo.
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Capitão de infantaria que comandou uma bateria de metralhadoras no sul de Angola.
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Alferes miliciano feito prisioneiro em 9 de abril de 1918.
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Capitão de infantaria madeirense feito prisioneiro em 9 de abril de 1918 e condecorado com a Cruz de Guerra e a Ordem da Torre e Espada.
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Tenente de infantaria louvado durante a guerra.
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Alferes de infantaria condecorado e feito prisioneiro na batalha de La Lys.
- Armando Eduardo Pinto Correia1897–1943
Alferes de infantaria louvado duas vezes; partiu para França em agosto de 1918.
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Alferes miliciano feito prisioneiro em 9 de abril de 1918.
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Capitão do porto do Funchal que ocupou os vapores alemães em 1916.
+ 30 mais
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Oficial de administração militar que serviu em Angola e em França.
- Carlos Elói Mota Freitas1894–1918
Aspirante da Marinha morto a bordo do caça-minas Augusto de Castilho; uma travessa do Funchal recebeu o seu nome.
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Tenente médico do Exército louvado durante a guerra.
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Alferes miliciano feito prisioneiro em 9 de abril de 1918.
- D. João Im. 1433
Rei de Portugal que fundou o Mosteiro da Batalha, onde repousa o Soldado Desconhecido.
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Tenente de infantaria condecorado e elogiado pela audácia demonstrada em numerosos combates.
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Sargento feito prisioneiro em 9 de abril de 1918.
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Major madeirense do estado-maior do Exército, condecorado com a Legião de Honra e a Ordem de Serviços Distintos britânica.
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Vereador do Funchal que propôs, em 1919, dar o nome de Veiga Pestana a uma rua.
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Capitão de infantaria distinguido com uma menção honrosa.
- Gabriel Rocha de Gouveia1887–1917
Alferes miliciano da Calheta que morreu em França em 1917.
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Alferes miliciano condecorado com a Cruz de Guerra pela coragem demonstrada em 23 de novembro de 1917.
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Tenente de infantaria morto na África Oriental.
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Capitão de infantaria do Corpo Expedicionário Português, condecorado e louvado três vezes.
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Capitão de infantaria capturado em 9 de abril de 1918.
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Capelão militar que recebeu uma menção honrosa.
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Alferes miliciano condecorado com a Cruz de Guerra pelos serviços prestados em 9 de abril de 1918.
- João Fernandes de Andradem. 1918
Cabo corneteiro natural do Paul do Mar, que morreu em Lourenço Marques devido aos ferimentos sofridos; uma placa no Funchal presta-lhe homenagem.
- João Francisco de Sousa1868–1915
Madeirense incluído entre os participantes na guerra, com verbete próprio.
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Major de infantaria que comandava o Batalhão de Infantaria n.º 2, capturado em 9 de abril de 1918.
- João Paulo da Veiga Pestana1895–1918
Alferes miliciano de vinte anos, morto em 9 de abril de 1918; a Rua das Hortas, no Funchal, recebeu o seu nome.
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Alferes miliciano condecorado com a Cruz de Guerra de 3.ª classe.
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Tenente de infantaria condecorado pelos serviços prestados na África Ocidental.
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Comandante da Guarda Fiscal que ajudou a apreender os navios alemães em 1916.
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Voluntário no exército americano, natural de São Pedro, no Funchal, que foi ferido e condecorado.
- Manuel da Costa Dias1883–1930
Oficial da administração militar que prestou serviço em Angola e França.
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Comandante do submarino alemão U-38, que escreveu um relato do bombardeamento do Funchal em 1916.
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Alferes de artilharia que recebeu um louvor.
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Capelão militar que recebeu um louvor.
- Pedro Pereira da Silvam. 1918
Voluntário madeirense no exército americano, morto em França.