Museu Arqueológico 1Fundação e objectos reunidos
Museu Arqueológico
História do museu arqueológico fundado pela Câmara Municipal do Funchal em 1915 no antigo Convento de Santa Clara, para reunir vestígios de edifícios demolidos ou extintos. A oposição da Misericórdia e a inação municipal deixaram o projeto paralisado e o acervo ao abandono até 1921.
1Fundação e objectos reunidos
A 26 de Janeiro de 1915, resolveu a Câmara Municipal do Funchal autorizar a remoção para o convento de Santa Clara de vários objectos que lhe pertenciam, afim de dar princípio à fundação dum museu arqueológico, susceptível de sofrer mais tarde grande desenvolvimento, tendo sido transportados para aí depois desta deliberação, vários objectos dignos de apreço, que se achavam esquecidos ou desprezados nos armazéns do Município e noutras partes. Entre os objectos removidos para o convento, contam-se o escudo e a coroa, em mármore, do convento de S. Francisco, a roda do convento das Mercês, uma inscrição da ponte de S. João, vários quadros do palácio episcopal, os paramentos da capela do mesmo palácio, o escudo, em mármore, da antiga cadeia, o escudo e a coroa, em mármore, do arco dos Varadouros, a inscrição latina, em basalto da terra, do mesmo arco, diferentes artigos do extinto hospital de S. Lazaro, as medidas antigas da oficina das aferições, o retrato do cónego Viveiros, fundador do convento da Incarnação, etc., etc.
2Oposição e abandono
A guerra acintosa que a comissão administrativa da Santa Casa da Misericórdia, presidida por Francisco Gomes de Gouveia, moveu à instituição do museu arqueológico no edifício do extinto convento e a pouca energia com que a Câmara fez valer os seus direitos à posse de certas dependências do mesmo edifício, deram lugar a que aquele estabelecimento estacionasse logo nos seus princípios, deixando assim de prestar os serviços que era licito esperar dele. Em Janeiro de 1916, ainda a Câmara Municipal resolveu representar ao Governo, solicitando a concessão de todos os artigos pertencentes ao convento de Santa Clara e possuindo algum valor histórico, afim de serem guardados no museu arqueológico, mas esta prova de interesse por um estabelecimento que, quando devidamente montado, bem poderia proporcionar alimento ao espírito de indagação das pessoas eruditas, foi a ultima de que temos conhecimento, não voltando depois disso a falar-se em acondicionar devidamente inúmeros objectos de valor que se podem deteriorar ou levar descaminho por se acharem votados ao mais completo abandono. (1921).
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02Lugar
Lugares mencionados · 10- Cadeia do Funchal
Funchal. O seu brasão de mármore foi transferido para o museu.
O seu escudo de mármore foi levado para o museu.
- Convento da Encarnação
Funchal. Convento fundado pelo Cónego Viveiros.
Convento do Funchal fundado pelo Cónego Henrique Calaça de Viveiros depois de 1508. A sua capela acolheu temporariamente a sede da paróquia, e em 1909 foi construído um novo edifício para o Seminário nos seus terrenos. Foi proposto como local para o hospital, o asilo e a Cadeia.
- Convento das Mercês
Funchal. A sua roda foi transferida para o museu.
O Convento das Mercês, no Funchal, teve origem em 1654 numa casa de recolhimento de leigas, tornou-se convento de clarissas de observância rigorosa em 1663 e começou a ser demolido em 1911. Era conhecido pela austeridade das suas freiras, a sua fundação é tema de uma lenda e deu nome à Rua das Mercês. A Madre Brites da Paixão viveu, morreu e foi sepultada ali, e a sua igreja guardava a imagem de Nossa Senhora da Soledade.
- Convento de Santa Clara
Funchal. Antigo convento escolhido para albergar o museu.
Convento no Funchal fundado entre 1492 e 1497 pelo segundo capitão-donatário, João Gonçalves da Câmara, junto à igreja da Conceição de Cima. É local de sepultura da família Câmara e conserva um documento de 1447 em que o nome aparece grafado «Zargo». Em 1912, foi cedido para a instalação de um novo hospital e, mais tarde, escolhido para acolher o museu arqueológico.
- Convento de São Francisco
Funchal. O seu brasão e a sua coroa de mármore foram transferidos para o museu.
O Convento de São Francisco foi um convento franciscano fundado no Funchal em 1473 e assinalava o limite ocidental da cidade em 1508. A sua igreja foi demolida em 1865, e os seus objetos, livros, lápides e ossadas foram para o cemitério das Angústias, o museu e a Biblioteca Municipal. Os edifícios albergaram presos durante um breve período, até 1836, e a polícia em 1857.
- Funchal
Concelho cuja Câmara Municipal fundou o museu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Hospital de São Lázaro
Funchal. Objetos deste hospital extinto foram transferidos para o museu.
O Hospital de São Lázaro situava-se no Funchal e talvez já estivesse construído em 1508. Tinha uma capela com a mesma invocação. Encerrou em 1912; no seu terreno foi construída a nova cadeia, já designada cadeia civil em 1921, e objetos provenientes do hospital foram levados para o Museu Arqueológico.
- Paço Episcopal
Funchal. Pinturas e paramentos da sua capela foram transferidos para o museu.
Antigo paço dos bispos no Funchal, construído em 1751 após o terramoto de 1748 e ampliado pelo bispo Teles da Silva, com a Capela de São Luís ao lado. Acolheu o Seminário e hospedou o núncio. A partir de 1914, foi ocupado pelo liceu, obrigando a Câmara Eclesiástica a mudar de instalações; pinturas e paramentos provenientes do paço foram para o Museu Arqueológico.
- Ponte de São João
Funchal. Uma inscrição desta ponte foi transferida para o museu.
Ponte no Funchal, numa das extremidades da Rua da Carreira. Uma padaria ali situada foi saqueada em 1931, e uma inscrição da ponte foi levada para o Museu Arqueológico.
- Portão dos Varadouros
Funchal. O seu escudo, a coroa e a inscrição em latim foram levados para o museu.
Porta principal das muralhas do Funchal, datada de 1689 e encimada pela Capela de Nossa Senhora dos Varadouros e por uma inscrição em latim. Serviu de entrada principal da cidade e foi usada para entradas oficiais até 1839. Foi demolida em 1911, e o seu escudo, coroa e inscrição foram levados para o Museu Arqueológico.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02-
Presidiu à comissão da Misericórdia que se opôs à instalação do museu no Convento de Santa Clara.
-
Cónego fundador do Convento da Encarnação, cujo retrato foi transferido para o museu.