Convento da Incarnaçao 1Fundação do mosteiro
Convento da Incarnaçao
História do Convento de Nossa Senhora da Incarnação, no Funchal, fundado em 1650 pelo cónego Henrique Calaça de Viveiros para celebrar a restauração da independência de Portugal, e das utilizações posteriores do espaço como quartel de tropas britânicas, seminário diocesano e instalações da Junta Geral.
1Fundação do mosteiro
A fundação do convento de Nossa Senhora da Incarnação foi inspirada por um sentimento do mais puro e ardente patriotismo. O conego Henrique Calaça de Viveiros fizera votos de levantar um mosteiro em honra e louvor da Virgem da Incarnação, a quem era muito devotado, quando o seu país se libertasse inteiramente do ferreo jugo castelhano e retomasse a sua antiga independencia. Cumpriu religiosamente o seu voto, fazendo erguer o modesto convento no ano de 1650. O conego Calaça nasceu por 1589 e morreu a 25 de Maio de 1662. O seu retrato em tamanho natural, que ainda há poucos anos se encontrava no côro do mosteiro, conservava num dos angulos da tela os seguintes dizeres: Retrato natural do conego Henrique Calaça de Viveiros, fundador deste convento. Falleceu em 25 de Maio de 1662, em edade de 73 annos.
Diz o dr. Alvaro de Azevedo: “...principiou por uma capella, que se presume fora instituida por Antonio Mialheiro, finado em 1565; D. Isabel Maria Acciaioli mandou fazer capella-mór; e depois, em 1650, o conego Henrique Calaça de Viveiros fundou o mosteiro...”. Destas palavras se conclue que a fundação do convento pertence ao conego Calaça, tendo porém aproveitado a capela já ali existente. A vasta cêrca fazia parte duma excelente quinta que o fundador possuía naquele sitio.
Parece que começou por ser um recolhimento com o nome de Santa Teresa de Jesus, seguindo as recolhidas a ordem terceira do Carmo e tendo ali dado entrada no ano de 1652. Só em 1660 é que foi transformado em mosteiro, sob a regra franciscana de Santa Clara, sendo sua primeira abadessa uma religiosa do convento de Santa Clara, escolhida pela autoridade eclesiastica. Foi no ano referido de 1660, isto é dois anos antes de morrer, que o conego Calaça de Viveiros doou todos os seus bens ao convento de que tinha sido o fundador. O mosteiro e igreja sofreram importantes reparos por meados do seculo XVIII, sendo então construído um novo e vasto côro, em substituição do antigo, que era de acanhadas dimensões. Para estas obras contribuíu a fazenda real com um conto de réis, o que foi concedido pelo alvará regio de 10 de Fevereiro de 1750. No ano seguinte concorreu também a fazenda real com 750:000 réis para a construção do grande muro que ladeia a estrada que conduz á igreja de Santa Luzia.
2Ocupação inglêsa e destinos do edificio
As freiras da Incarnação tiveram que abandonar o seu convento quando os inglêses ocuparam pela segunda vez esta ilha no periodo decorrido de Dezembro de 1807 a Outubro de 1814. As tropas britanicas instalaram-se principalmente no colegio dos jesuitas, que então servia de seminario, e no convento da Incarnação, saindo as religiosas para o mosteiro de Santa Clara no dia 7 de Janeiro de 1808. Para a conveniente acomodação e aquartelamento das fôrças inglêsas, fizeram-se ali varias obras, que bastante danificaram o edificio, tendo sido a igreja transformada em templo anglicano. A fundação patriotica e genuinamente catolica de Henrique Calaça, estava ocupada por tropas estrangeiras e dedicada a um culto heretico! Para o efeito da execução das leis de desamortização, foi este convento avaliado, por mandado do govêrno, em Agôsto de 1862, tendo a avaliação computado em 10.320$000 réis o valor do edificio, igreja, cêrca, casa do capelão, etc.
Por uma portaria de Junho de 1895, foi provisoriamente concedido o edificio da Incarnação para nele se instalar uma oficina de São José, que ali teve uma precaria e arrastada existencia, e cuja duração foi muito curta.
Ao bispo desta diocese D. Manuel Agostinho Barreto foi concedido o edificio, igreja e cêrca do convento da Incarnação, por decreto de 11 de Julho de 1905, para ali se edificar uma casa destinada á instalação do Seminario Diocesano que começou a funcionar em Outubro de 1909 no vasto e belo edificio que o ilustre prelado fêz construir á sua custa no local do antigo mosteiro (V. Seminario).
A lei de 20 de Abril de 1911 extinguiu o seminario do Funchal, e neste edificio se instalou alguns anos depois uma Escola de Utilidades e Belas Artes, que teve poucos anos de existencia. (V. Escola de Utilidades e Belas Artes).
No edificio onde funcionaram o Seminario e a Escola de Belas Artes, foram em Setembro de 1919 instaladas as diversas repartições da Junta Geral do distrito, que para esse fim obteve esta casa por compra feita ao Estado.
O decreto de 25 de Abril de 1927 mandou entregar á Comissão Diocesana do Culto o edificio do Seminario da Incarnação, mas a Junta Geral fêz uma tenaz oposição a essa entrega, que somente veio a verificar-se no mês de Outubro de 1933, depois duma porfiosa luta de seis anos. Nesse referido ano passou novamente o seminario diocesano com os seus multiplos serviços de aulas e de internato dos alunos a funcionar na edificio mandado construir pelo eminente prelado D. Manuel Agostinho Barreto.
Acêrca da fundação deste mosteiro, deve ler-se o opusculo que o “Arquivo Historico da Madeira” publicou sob o titulo de A Restauração de Portugal e o Convento da Incarnação, Lisboa, MCMXL, de 50 pags. A última freira do convento da Incarnação, a madre Vicencia Violante do Céu, faleceu a 20 de Abril de 1890.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 15-
O cónego Henrique Calaça de Viveiros fundou o Convento da Encarnação no Funchal.
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As primeiras recolhidas entraram na casa de Santa Teresa de Jesus, precursora do Convento da Encarnação.
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A casa da Encarnação tornou-se um convento de clarissas, ao qual o fundador doou os seus bens.
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Um alvará régio concedeu um conto de réis para obras de reparação e um novo coro no Convento da Encarnação.
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Em 24 de dezembro de 1807, a esquadra do almirante Samuel Hood fundeou no Funchal com tropas sob o comando do general Beresford, dando início à segunda ocupação britânica da Madeira, que durou até outubro de 1814; durante a ocupação, Henrique Veitch foi nomeado cônsul britânico.
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As freiras do Convento da Encarnação transferiram-se para Santa Clara quando as tropas britânicas ocuparam o seu convento.
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O Convento da Encarnação foi avaliado em 10 320$000 réis para efeitos de desamortização.
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Morreu Vicência Violante do Céu, a última freira do Convento da Encarnação.
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O edifício do antigo Convento da Incarnação foi cedido a uma Oficina de São José.
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O terreno do Convento da Incarnação foi concedido ao bispo D. Manuel Agostinho Barreto para a construção de um seminário.
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O novo seminário diocesano abriu no edifício construído nos terrenos do Convento da Incarnação, sob o episcopado de D. Manuel Agostinho Barreto.
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Um decreto extinguiu o Seminário Diocesano do Funchal e o seu edifício passou para o Estado, embora o Seminário continuasse a funcionar sem reconhecimento oficial na antiga casa.
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A Junta Geral extinguiu a Escola de Utilidades e Belas Artes e instalou os seus serviços no edifício do antigo Convento da Incarnação, que fora seminário.
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Um decreto determinou a devolução do edifício à Igreja.
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O Seminário do Funchal regressou ao edifício do antigo Convento da Incarnação e aí retomou a atividade.
Lugar
Lugares mencionados · 05- Convento da Incarnaçao · Assunto
Funchal
O Convento de Nossa Senhora da Incarnação, no Funchal, foi fundado em 1650 pelo cónego Henrique Calaça de Viveiros para celebrar a restauração da independência de Portugal. O espaço foi posteriormente utilizado como quartel de tropas britânicas, seminário diocesano e instalações da Junta Geral.
- Colégio dos Jesuítas
Funchal. Também serviu de alojamento às tropas britânicas durante a ocupação.
Antigo colégio dos Jesuítas no Funchal, cujas Aulas do Pátio acolheram o ensino secundário e, mais tarde, o liceu, e onde também funcionou a Escola de Geometria e Trigonometria. Acolheu o Seminário diocesano de 1788 a 1801, foi disputado pelo bispo e pelo governador para servir de seminário ou de quartel e foi ocupado por tropas britânicas em 1801. Mais tarde, serviu de quartel de infantaria, e parte do seu recinto foi cedida para alargar a Rua do Castanheiro.
- Convento de Santa Clara
Funchal. Convento de onde veio a primeira abadessa e que acolheu as freiras em 1808.
Convento no Funchal fundado entre 1492 e 1497 pelo segundo capitão-donatário, João Gonçalves da Câmara, junto à igreja da Conceição de Cima. É local de sepultura da família Câmara e conserva um documento de 1447 em que o nome aparece grafado «Zargo». Em 1912, foi cedido para a instalação de um novo hospital e, mais tarde, escolhido para acolher o museu arqueológico.
- Funchal
Cidade cujo seminário foi extinto em 1911.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Igreja de Santa Luzia
Funchal. Igreja a que conduzia o caminho junto ao grande muro do convento.
A atual igreja paroquial de Santa Luzia, no Funchal, foi concluída por volta de 1741. Chega-se a ela pela estrada junto ao grande muro do Convento da Incarnação. O último pé de quina-vermelha subsistia acima da igreja em 1909.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Historiador citado a propósito da origem do convento numa capela anterior.
- António Mialheirom. 1565
Presumível fundador da capela que precedeu o convento.
- D. Manuel Agostinho Barreto1835–1911
Bispo do Funchal que recebeu o terreno do convento em 1905 e aí construiu o seminário diocesano a expensas próprias.
- Henrique Calaça de Viveiros1589–1662
Cónego que fundou o Convento da Incarnação em 1650 para cumprir uma promessa pela independência de Portugal e que mais tarde lhe deixou todos os seus bens.
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Mandou construir a capela-mor da capela anterior.
- Vicência Violante do Céum. 1890
Última freira do Convento da Incarnação.