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Paço Episcopal 1Primitivas residências e o antigo paço
Artigo Nº 2717 Outro edifício Funchal Vol. III · pp. 55–57 5 min de leitura

Paço Episcopal

História das residências dos bispos no Funchal, desde as casas onde se alojaram os primeiros prelados até ao paço construído por D. João do Nascimento após o terramoto de 1748, mais tarde utilizado como liceu, e às residências episcopais posteriores.

Paço Episcopal
Mapa: Madeira (11)

1Primitivas residências e o antigo paço

Quando o Papa Leão X, pela bula Pro excellenti preeminentia, de 14 de Junho de 1514, criou a diocese do Funchal, já o magnifico templo que hoje serve de Catedral estava quase concluído, tendo a sua construção começado no fim do século XV ou nos primeiros anos do seculo XVI. O mesmo não sucedera com o paço episcopal.

O primeiro prelado do Funchal que residiu entre nós foi D. Jorge de Lemos, que não sabemos que casas de moradia teria ocupado nesta cidade. D. Jerónimo Barreto foi o segundo bispo que veio a esta ilha e, segundo Frutuoso, teve sua habitação na rua Direita, «nuns aposentos muito ricos, com seus frescos jardins»(vol. I, pag. 365).

Chegando em 1586 á Madeira D. Luís Figueiredo de Lemos, sétimo prelado Funchalense e terceiro que viera pessoalmente administrar o seu bispado, foi estabelecer a sua moradia á rua das Pretas, numas casas particulares, que depois pertenceram ao alferes-mor desta ilha Tristão Gomes de Castro, onde se afirma que já os seus antecessores tinham tido a sua residência habitual. Foi este prelado, um dos mais ilustres desta diocese e que a governou de 1586 a 1608, que construiu o antigo paço dos bispos e também o primitivo edifício do seminário, que lhe ficava anexo. Deles restam alguns aposentos, a capela episcopal e uma espécie de claustro, construção característica das velhas residências conventuais, que hoje constituem dependências do actual palácio da rua do Bispo. A capela, que deixou de ser aplicada ao serviço do culto depois da construção do novo paço episcopal, era dedicada a S. Luís de Tolosa e ali foi sepultado o seu fundador, que faleceu nesta cidade a 26 de Novembro de 1608. O prelado desta diocese, D. Manuel Agostinho Barreto, em vista do estado de completo abandono em que se encontrava esta velha capela, fêz dali trasladar, em 1903, para a Sé Catedral, os restos mortais de D. Luís Figueiredo de Lemos, que jazem logo á entrada do templo, cobertos com a mesma lousa tumular de mármore branco que se via na primitiva sepultura.

O bispo D. Frei António Teles da Silva (1675-1682) ampliou o primitivo paço, e o prelado D. José de Sousa de Castelo Branco (1698-1721) incorporou nele o seminário, que lhe ficava anexo, pela mudança deste para a rua do Mosteiro Novo. O terramoto que se sentiu na Madeira na noite de 31 de Março para 1 de Abril de 1748 causou consideráveis estragos por toda a ilha, em muitos edifícios públicos e particulares, ficando também bastante arruinado o antigo palácio dos bispos e o seminário adjunto. Era então bispo do Funchal D. João do Nascimento, que dirigiu o Governo desta diocese de 1741 a 1753, revelando-se um prelado eminente que deixou assinalada a sua passagem nesta ilha por varias obras notáveis, tanto no desempenho das suas funções episcopais como no exercício interino durante alguns anos do lugar de governador e capitão-general deste arquipélago.

2O novo paço episcopal

A ele se deve a construção do paço episcopal, onde hoje (1921) se encontra instalado o liceu. Tendo que abandonar a antiga residência dos bispos, pelo estado de ruína em que a deixara o terramoto, empreendeu sem demora a construção dum novo palácio, que projectou levantar nas imediações da Sé Catedral. As insuperáveis dificuldades que surgiram na aquisição dum novo local, obrigaram-no a aproveitar o do arruinado paço, que foi inteiramente demolido, com excepção da parte que ainda hoje se conserva de pé. Ali fêz erguer, desde os fundamentos, o novo paço episcopal, que apesar de ser uma construção pesada e despida de quaisquer primores arquitecturais, é, no entanto, para esta pequena cidade e para a época da sua construção, um edifício de relativa importancia, que em nada desonrava a hierarquia dos seus moradores.

O novo paço foi construído no período decorrido de 1748 a 1751. O seu fundador gastou nele cerca de dez contos de réis, contribuindo também o erário publico com quantia aproximadamente igual, tendo sido o custo total da obra de vinte contos de réis, importância esta que dispendida há 170 anos representa hoje uma soma avultada. (1921)

D. João do Nascimento para levar esta obra a seu termo, teve que lutar com gravíssimas dificuldades, que a sua inquebrantável tenacidade soube dominar e vencer.

Pouco tempo gozou da sua obra, pois veio a morrer a 26 de Novembro de 1753 e jaz sepultado na Sé Catedral desta cidade.

Tendo falecido o prelado D. Manuel Agostinho Barreto em 1911, passou o Paço Episcopal á posse da Fazenda Nacional e ali se instalou o liceu desta cidade, no mês de Janeiro de 1914.

Quando em 1915 o actual prelado desta diocese veio assumir a direcção do bispado, encontrou preparada uma casa destinada a residência episcopal, que os católicos alugaram e mobilaram, e dela fizeram entrega ao chefe da igreja funchalense. Essa casa fica situada na rua dos Netos, fazendo esquina com a rua dos Ferreiros, ao lado direito de quem sobe esta rua. Pouco tempo permaneceu ali a residência do prelado diocesano, pois que, pela aquisição, por doação e herança, duma excelente casa de habitação no largo do Ribeiro Real, ficou esta definitivamente transformada em Paço Episcopal e ali reside actualmente o prelado e nas dependências do prédio se acham instaladas as repartições eclesiásticas.

O destino a dar ao antigo Paço Episcopal ficou regulado pelos decretos de 5 de Julho e 6 de Agosto de 1913, de 9 de Março e 24 de Agosto de 1922.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 10
  1. A bula Pro excellenti praeeminentia, do Papa Leão X, criou a diocese do Funchal, pondo fim à supremacia espiritual da Ordem de Cristo; a igreja tornou-se catedral, D. Diogo Pinheiro foi nomeado primeiro bispo e Frei Nuno Cão primeiro deão.

  2. D. Luís Figueiredo de Lemos governou a diocese e construiu o primeiro paço episcopal no Funchal.

  3. O bispo D. Luís Figueiredo de Lemos morreu no Funchal e foi sepultado na Capela de São Luís, que mandara construir junto ao Paço Episcopal.

  4. O Paço Episcopal do Funchal foi construído ao custo de vinte contos de réis.

  5. Na noite de 31 de março para 1 de abril de 1748, um violento sismo atingiu a Madeira, causando poucas mortes, mas grandes danos em edifícios, incluindo a Sé, o paço episcopal, a alfândega, a Igreja do Monte, a casa do Mosteiro Novo e numerosas capelas e igrejas paroquiais.

  6. O bispo D. Frei João do Nascimento morreu no Funchal (uma entrada indica 26 de novembro).

  7. Os restos mortais do bispo D. Luís de Figueiredo de Lemos foram trasladados da Capela de São Luís para a Sé Catedral do Funchal.

  8. Os decretos de 5 de julho e 6 de agosto regulamentaram a utilização do antigo paço episcopal.

  9. Ao abrigo da Lei da Separação, o Liceu do Funchal foi instalado no antigo Paço Episcopal.

  10. O novo bispo do Funchal chegou e instalou-se numa casa disponibilizada pelos católicos.

  11. Os decretos de 9 de março e 24 de agosto regulamentaram a utilização do antigo paço episcopal.

Lugar

Lugares mencionados · 11
  1. Paço Episcopal · Assunto

    Funchal

  2. Capela de São Luís de Tolosa

    Funchal. Capela de São Luís de Tolosa, que subsiste no paço e onde Figueiredo de Lemos foi inicialmente sepultado.

  3. Funchal

    Sede da diocese e local dos paços episcopais.

  4. Largo do Ribeiro Real

    Funchal. Localização do paço episcopal que viria a ser a residência definitiva.

  5. Rua das Pretas

    Funchal. Rua onde residiram os primeiros bispos.

  6. Rua Direita

    Funchal. Rua onde viveu D. Jerónimo Barreto.

  7. Rua do Bispo

    Funchal. Rua onde se situava o Paço Episcopal.

  8. Rua do Mosteiro Novo

    Funchal. Rua para onde foi transferido o Seminário.

  9. Rua dos Ferreiros

    Funchal. Esquina da casa arrendada ao bispo.

  10. Rua dos Netos

    Funchal. Local da casa arrendada ao bispo em 1915.

  11. Sé do Funchal

    Funchal. Sé Catedral, quase concluída em 1514, onde estão sepultados bispos.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 10
  1. Bispo do Funchal (1675–1682) que ampliou o primeiro paço.

  2. Primeiro bispo do Funchal a residir na ilha; desconhece-se onde morou.

  3. Bispo do Funchal (1741–1753) e governador interino que construiu o novo paço episcopal entre 1748 e 1751.

  4. Segundo bispo residente, que, segundo Frutuoso, viveu numa residência sumptuosa na Rua Direita.

  5. Bispo do Funchal (1698–1721) que incorporou o Seminário no paço quando aquele mudou de instalações.

  6. Bispo do Funchal (1586–1608) que construiu o primeiro paço episcopal e o Seminário; os seus restos mortais foram trasladados para a Sé Catedral em 1903.

  7. Bispo do Funchal que trasladou os restos mortais de Figueiredo de Lemos em 1903; após a sua morte, em 1911, o paço passou para o Estado.

  8. Gaspar Frutuoso1522–1591

    Cronista citado a propósito da residência de D. Jerónimo Barreto.

  9. Papa que criou a diocese do Funchal por bula em 1514.

  10. Alferes-mor da Madeira que mais tarde foi proprietário das casas da Rua das Pretas utilizadas pelos primeiros bispos.

Na folha P

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