Barreto (D. Jeronimo) 1Origem e nomeação
Barreto (D. Jeronimo)
Biografia de D. Jerónimo Barreto (1543–1589), sexto bispo do Funchal (1574–1585), lembrado sobretudo por ter convocado o primeiro sínodo diocesano da ilha e promulgado as Constituições Diocesanas de 1578.
1Origem e nomeação
Foi D. Jeronimo Barreto o sexto bispo do Funchal, tendo estado na direcção desta diocese no período decorrido de 1574 a 1585, e sendo neste ano transferido para o bispado do Algarve.
Pertencia a nobres e distintas famílias, sendo filho de Gaspar Nunes Barreto e de D. Isabel Cardoso, senhores de Farreriz e Penagate, e tendo nascido no arcebispado de Braga no ano de 1543.
Depois de haver terminado o seu curso de teologia na Universidade de Coimbra e não tendo ainda a idade legal para exercer o episcopado, foi nomeado bispo da Madeira em 1572 e por isso só pode receber a sagração episcopal em 1573, quando completou os anos exigidos pelas leis canónicas.
2Episcopado e Constituições
A 31 de Outubro de 1574 chegou ao Funchal a assumir o governo desta diocese, deixando de si as mais honrosas tradições e vinculando o seu nome ao assinalado serviço da organização e publicação das Constituições Diocesanas, que se tornavam indispensáveis para o bom regimen dos diversos negócios religiosos do bispado.
Para isso, fez reunir, pela primeira vez nesta ilha, um sínodo diocesano com a assistência do cabido, clero paroquial e outros sacerdotes e em sessões sucessivas se discutiram e organizaram as Constituições, que foram solenemente promulgadas na Sé Catedral no dia 18 de Outubro de 1578, aniversário da sagração da mesma Sé. Estas Constituições foram impressas em Lisboa em 1585 num volume de 188 paginas. O bispo D. Luiz Figueiredo de Lemos promulgou em 1579 umas Constituições Extravagantes, que foram impressas em 1601. Umas e outras ainda hoje constituem as leis canónicas privativas, por que se rege esta diocese na execução das leis gerais da Igreja. Foi D. Jerónimo Barreto extremamente zeloso no desempenho das suas funções episcopais, e entre outras medidas que adoptou no governo da sua diocese, deve mencionar-se a criação de algumas paróquias e curatos, a reforma que introduziu no cabido e nas colegiadas, fazendo em especial suscitar a observância de muitos pontos da disciplina eclesiástica que tinham caído em desuso. D. Jerónimo Barreto foi transferido para a diocese de Silves em 1585 e ali morreu em 1589 tendo apenas 45 anos de idade.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 09-
D. Jerónimo Barreto, futuro bispo do Funchal, nasceu na arquidiocese de Braga.
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D. Jerónimo Barreto foi nomeado bispo da Madeira.
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O bispo D. Jerónimo Barreto recebeu a consagração episcopal.
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O bispo D. Jerónimo Barreto chegou ao Funchal para governar a diocese.
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O primeiro sínodo diocesano da Madeira, realizado na Sé Catedral do Funchal sob a presidência do bispo D. Jerónimo Barreto, elaborou e promulgou as Constituições Diocesanas, que, entre outras disposições, proibiam representações teatrais nas igrejas sem licença do bispo.
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O bispo Luís Figueiredo de Lemos promulgou as Constituições Extravagantes.
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As Constituições Synodaes do Bispado do Funchal, resultantes do sínodo de 1578 do bispo D. Jerónimo Barreto, foram impressas em Lisboa, e Barreto foi transferido para Silves.
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D. Jerónimo Barreto morreu em Silves aos 45 anos.
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O bispo Luís de Figueiredo mandou reimprimir em Lisboa, por Pedro Craesbeeck, as Constituições Diocesanas juntamente com as Constituições Extravagantes.
Lugar
Lugares mencionados · 09No estrangeiro
- Algarve
Portugal. Diocese para a qual Barreto foi transferido em 1585.
O Algarve é uma região de Portugal Continental de onde vieram muitos dos primeiros povoadores da Madeira, nomeadamente de Boliqueime, e provavelmente gado. Zarco vigiou a sua costa como capitão, e Bartolomeu Perestrelo morreu ali. Simão Gonçalves da Câmara aportou ao Algarve durante a sua viagem interrompida para Espanha.
- Braga
Portugal. Arquidiocese onde Barreto nasceu.
Braga é uma cidade, um distrito e uma arquidiocese de Portugal Continental; o seu distrito era o segundo mais densamente povoado do país, com cerca de 140 habitantes por km². D. José da Costa Torres dirigiu a arquidiocese a partir de 1806 e morreu na cidade. O Corpo Nacional de Escutas foi fundado em Braga em 1923, e a cidade deu o nome ao instrumento requinta.
- Funchal
Sede da diocese que Barreto governou.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Local onde as Constituições foram impressas em 1585.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Sé do Funchal
Funchal. Local onde as Constituições foram promulgadas em 1578.
A Sé do Funchal é a catedral do Funchal, na freguesia da Sé. A sua construção começou em 1493; tornou-se sede paroquial em 1508 e catedral em 1514. Foi ponto de partida de procissões e local do voto a São Tiago, e nela estão sepultados bispos.
- Silves
Portugal. Sede da diocese do Algarve onde Barreto morreu.
Cidade e antiga sede da diocese do Algarve, em Portugal. O Elucidário regista que Henrique Moniz foi seu alcaide-mor e que Tristão Vaz e D. Jerónimo Barreto ali morreram.
- Universidade de Coimbra
Portugal. Local onde Barreto estudou teologia.
A Universidade de Coimbra, em Portugal Continental, recebeu apoio da Madeira através de dízimos e foi frequentada por muitos madeirenses. Vários formaram-se ali, sobretudo em Direito, e outros, como António da Gama e Vitúrio Lopes Rocha, também ali lecionaram. Júlio Augusto Henriques ocupou a sua cátedra de Botânica.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 04- D. Jerónimo Barreto1543–1589
Sexto bispo do Funchal (1574–1585), que promulgou as Constituições Diocesanas de 1578 antes de ser transferido para o Algarve.
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Bispo do Funchal que promulgou as Constituições Extravagantes, impressas em 1601.
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Pai do bispo D. Jerónimo Barreto, senhor de Farreriz e Penagate.
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Mãe do bispo D. Jerónimo Barreto, senhora de Farreriz e Penagate.