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Elucidário Madeirense Início
Veitch (Henrique) 1O cônsul e Napoleão
Artigo Nº 3733 Funcionário, magistrado ou diplomata Vol. III · pp. 688–689 3 min de leitura

Veitch (Henrique)

Henrique (Henry) Veitch foi um súbdito britânico que exerceu durante muitos anos o cargo de cônsul inglês na Madeira e ali morreu em 1857. É recordado pelo encontro com Napoleão a bordo do Northumberland em 1815, pelos seus edifícios de arquitetura singular e pela proteção que deu a madeirenses durante a ocupação miguelista e as guerras civis.

Veitch (Henrique)

1O cônsul e Napoleão

A 7 de Agosto de 1857, faleceu nesta ilha o súbdito britânico Henrique Veitch, que durante largos anos exerceu as funções de cônsul de Inglaterra entre nós. Deixou o seu nome vinculado á história deste arquipélago, principalmente pela valiosa protecção que dispensou a muitos madeirenses por ocasião da tomada da Madeira pelas tropas miguelistas e ainda durante o período revolto das nossas lutas civis. Henrique Veitch recebeu a nomeação de representante do seu país na Madeira, durante a segunda ocupação desta ilha por tropas inglesas e em ano que não podemos precisar agora, mas que foi no período decorrido de 1807 a 1814. Apesar do cargo que desempenhava numa tão melindrosa situação, soube conduzir-se de modo a não levantar conflitos com as autoridades locais nem a concitar contra si a má vontade dos habitantes desta ilha.

Henrique Veitch ligou o seu nome á passagem de Napoleão pela Madeira a 23 de Agosto de 1815, pois, como é sabido foi a única pessoa que esteve a bordo da nau Northumberland e falou ao imperador, afirmando-se que este o atendera e escutara pelo facto de Veitch lhe ter dado o tratamento de majestade, quando a bordo só era permitido trata-lo pelo simples nome de general Bonaparte. Ao oferecer o cônsul inglês os seus préstimos a Napoleão, respondeu este que lhe seria muito agradável receber alguns livros e frutas, ao que muito gentilmente acedeu Veitch, enviando-lhe uma magnífica oferta de frutas, doces e vinhos velhos. Tendo Napoleão mandado a Veitch alguns luízes em ouro, destinados ao pagamento do bote que conduzira os refrescos a bordo, diz a tradição que o cônsul os lançara na pedra angular da igreja anglicana da rua da Bela Vista, ao abrir-se o alicerce para a construção daquele templo (Vid. II-422).

2Edificações e protecção aos perseguidos

Henrique Veitch tinha tamanha predilecção pela Madeira, que aqui despendeu uma parte considerável da sua fortuna na aquisição de muitos prédios e na construção de vários edifícios, entre os quais se destaca a casa da Rua 5 de Outubro, entre as pontes do Bom Jesus e Nova, de uma arquitectura muito original entre nós e que logo desperta a atenção do observador curioso que ali passe. Também são edificações características as casas da rua das Queimadas de Baixo, do sítio da Calassa e da vila de Câmara de Lobos, merecendo menção especial a linda habitação do Jardim da Serra, pela originalidade da construção, pela amenidade do sítio e ainda pelo estranho mausoléu que ali se encontra a pequena distancia da casa e em plena serrania, e onde repousam os despojos mortais do cônsul inglês Henrique Veitch.

Como já referimos, foi valiosa a protecção dispensada por Veitch a muitos madeirenses na época agitada das nossas lutas civis. As suas casas serviram de seguro e hospitaleiro asilo a muitos perseguidos políticos e em 1828, quando as tropas absolutistas ocuparam a Madeira, promoveu a fuga de muitos habitantes desta ilha para bordo da fragata de guerra Alligator, entre os quais se contava o governador Travassos Valdez, o conde de Carvalhal e dois sobrinhos, o deão Januario Camacho, o coronel Albuquerque, o Juiz de fora, o corregedor e muitos outros.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 04
  1. Em 24 de dezembro de 1807, a esquadra do almirante Samuel Hood fundeou no Funchal com tropas sob o comando do general Beresford, dando início à segunda ocupação britânica da Madeira, que durou até outubro de 1814; durante a ocupação, Henrique Veitch foi nomeado cônsul britânico.

  2. A esquadra que transportava Napoleão a bordo do Northumberland para o exílio em Santa Helena chegou ao largo do Funchal, onde o cônsul Henry Veitch o visitou, e partiu para Santa Helena.

  3. Uma expedição miguelista comandada pelo coronel José António de Azevedo Lemos desembarcou em Machico e ocupou a Madeira, proclamando o absolutismo; o governador Valdez e os dirigentes liberais refugiaram-se a bordo da fragata britânica Alligator.

  4. Henrique Veitch morreu na Madeira.

Lugar

Lugares mencionados · 06
Mapa: Madeira (6)
  1. Calaça

    Funchal. Localidade onde se encontra uma casa construída por Veitch.

  2. Câmara de Lôbos

    Câmara de Lobos. Vila onde Veitch construiu uma casa.

  3. Igreja Anglicana

    Funchal. Segundo a tradição, Veitch colocou moedas de ouro de Napoleão na sua primeira pedra.

  4. Jardim da Serra

    Câmara de Lobos. Local da casa de campo de Veitch e do mausoléu onde está sepultado.

  5. Rua 5 de Outubro

    Funchal. Local da casa de arquitetura original de Veitch, entre as pontes do Bom Jesus e Nova.

  6. Rua das Queimadas de Baixo

    Funchal. Local de uma das casas de arquitetura característica de Veitch.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 06
  1. Cônsul britânico na Madeira durante muitos anos, que se encontrou com Napoleão em 1815 e protegeu liberais madeirenses durante as guerras civis.

  2. Coronel a quem Veitch ajudou a refugiar-se na Alligator em 1828.

  3. Nobre madeirense que, com a ajuda de Veitch, se refugiou na fragata Alligator com dois sobrinhos em 1828.

  4. Deão que escapou à ocupação miguelista de 1828 a bordo da Alligator.

  5. Governador da Madeira que, com a ajuda de Veitch, fugiu a bordo da fragata Alligator quando as tropas absolutistas tomaram a ilha em 1828.

  6. Antigo imperador francês que passou pela Madeira a bordo do Northumberland em 23 de agosto de 1815, a caminho do exílio, e recebeu Veitch.

Na folha V

Vistos recentemente

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