Travassos Valdez (José Lúcio) 1Governo e ocupação miguelista
Travassos Valdez (José Lúcio)
Entrada biográfica sobre José Lúcio Travassos Valdez, governador e capitão-general da Madeira de 1827 a 1828, que resistiu à tomada da ilha pelos miguelistas antes de fugir para Inglaterra. Mais tarde, tornou-se Conde de Bonfim, par do reino e ministro de Estado.
1Governo e ocupação miguelista
Este governador e capitão-general da Madeira foi nomeado em Março de 1827 e chegou ao Funchal a 27 de Abril seguinte, tendo tomado posse do seu cargo a 29 do mesmo mês.
Apesar da sua curta administração, procurou Travassos Valdez ser útil a este arquipélago, informando o governo central acerca das mais urgentes necessidades públicas a que convinha acudir sem demora. Mereceram-lhe especial atenção os trabalhos de construção dum cais e os repairos nas fortalezas e quarteis que há muito se faziam sentir.
Durante o seu governo, proclamou-se D. Miguel rei absoluto, em Maio de 1828, mas não acompanhou Valdez o movimento que no país se operava a favor do absolutismo e preparou-se para defender a Madeira de qualquer tentativa de ataque por parte das tropas miguelistas. Tendo, no dia 25 de Junho de 1828, aparecido em frente do nosso porto a fragata realista Príncipe Real conduzindo o novo governador José Maria Monteiro, obstou Valdez ao seu desembarque, tendo a fragata deixado as nossas águas. Como se sabe, no dia 22 de Agosto de 1828, foi a vila de Machico bombardeada pela esquadra miguelista e, em seguida, ocupada esta ilha pelas forças invasoras, havendo no dia 24 de Agosto sido proclamado D. Miguel e tomado posse o novo governador e capitão-general José Maria Monteiro. Quanto à acção de Valdez nesta ocasião, que foi muito importante, veja-se, para evitar escusadas repetições, o artigo Ocupação da Madeira pelas tropas miguelistas.
Travassos Valdez, que no dia 23 de Agosto de 1828 se refugiara com sua esposa e seis filhos a bordo da corveta inglesa Alligator, saiu para Inglaterra no mesmo navio, com outros emigrados políticos, no dia 6 de Setembro daquele ano.
2Carreira e notícia biográfica
José Lúcio Travassos Valdez tinha-se notavelmente distinguido nas guerras peninsulares sob as ordens do general Beresford e depois nas campanhas da liberdade, tendo em breve ascendido aos mais elevados postos. Foi mais tarde agraciado com o título de conde de Bonfim e exerceu os altos cargos de deputado, par do reino e ministro de estado, havendo ainda desempenhado outras importantes comissões de serviço público. Nasceu a 23 de Fevereiro de 1787 e morreu a 10 de Julho de 1862.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 03-
José Lúcio Travassos Valdez foi nomeado governador e capitão-general da Madeira.
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José Lúcio Travassos Valdez tomou posse do cargo de governador no Funchal.
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D. Miguel dissolveu as Cortes, convocou os três estados e foi proclamado rei absoluto, restaurando o absolutismo.
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A fragata Príncipe Real chegou ao Funchal com o governador miguelista José Maria Monteiro, cujo desembarque o governador Travassos Valdez impediu.
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A esquadra miguelista bombardeou Machico, desembarcou tropas e ocupou a Madeira, entrando no Funchal sem oposição em 23 de agosto; o Forte de São João Baptista disparou contra o brigue Infante D. Sebastião.
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Após a capitulação, o governador Travassos Valdez refugiou-se com a família a bordo da Alligator, tal como o Conde de Carvalhal.
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D. Miguel foi proclamado na Madeira, e José Maria Monteiro desembarcou no Funchal e tomou posse como governador miguelista.
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A Alligator saiu do Funchal e transferiu Travassos Valdez e outros emigrados liberais, em alto-mar, para o brigue Jane, com destino a Inglaterra.
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Foi publicado um opúsculo sobre o Conde de Bonfim.
Lugar
Lugares mencionados · 03No estrangeiro
- Funchal
Cidade aonde Valdez chegou para tomar posse em abril de 1827.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Inglaterra
United Kingdom. País para onde Valdez fugiu em setembro de 1828.
A Inglaterra surge no Elucidário como o primeiro grande mercado dos bordados da Madeira e o principal importador dos artigos de vime madeirenses. Era também a origem da maior parte da manteiga consumida no Funchal no início do século XIX. Foi um dos principais refúgios dos emigrados liberais que fugiam à perseguição miguelista, e vários madeirenses estudaram ou exerceram funções diplomáticas no país.
- Machico
Vila bombardeada pela esquadra miguelista em 22 de agosto de 1828.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 05- José Lúcio Travassos Valdez1787–1862
Governador e capitão-general da Madeira (1827–1828) que resistiu à ocupação miguelista e mais tarde se tornou Conde de Bonfim.
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General sob cujo comando Valdez serviu na Guerra Peninsular.
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Proclamado rei absoluto de Portugal em maio de 1828; Valdez recusou apoiar a sua causa.
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Iniciais do autor de um opúsculo de 1860 sobre o Conde de Bonfim.
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Governador miguelista cujo desembarque Valdez impediu em junho de 1828; tomou posse após a invasão de agosto de 1828.