Monteiro (José Maria) 1Nomeação e posse
Monteiro (José Maria)
José Maria Monteiro, capitão de mar e guerra e cortesão de D. Miguel, foi o primeiro governador miguelista da Madeira (1828–1830). O seu governo ficou marcado pela perseguição aos liberais, pela emigração em massa e pelo saque em proveito próprio.
1Nomeação e posse
– Foi o primeiro governador miguelista que administrou este arquipélago. A sua nomeação é de 15 de Junho de 1828 e a 25 do mesmo mês apareceu no Funchal a fragata Príncipe Real, que o conduzia, mas a cujo desembarque obstou o Governador e Capitão-General José Lúcio Travassos Valdês. Como se verá no artigo Ocupação da Madeira pelas tropas Miguelistas, tomada esta ilha pelas forças realistas, desembarcou José Maria Monteiro e tomou posse do seu cargo a 24 de Agosto de 1828.
Não foi longo o seu governo, mas ficou tristemente assinalado pelas prepotências que praticou e vexames que fez sofrer aos habitantes do arquipélago. A ominosa alçada que no seu tempo veio a esta ilha e que era presidida pelo desembargador Francisco António Maciel Monteiro, cometeu os maiores excessos e envolveu na sua inquisitorial devassa centena de indivíduos, muitos dos quais foram presos e desterrados para fora desta ilha, não sendo poucos os que seguiram para as nossas possessões ultramarinas. A emigração de pessoas de todas as classes sociais que fugiram às perseguições foi muito avultada, principalmente para a Inglaterra, Brasil e América do Norte. Foi exonerado um numero considerável de funcionários públicos, sendo muitos presos e enviados para Lisboa. (V. Alçadas).
2Prepotências e saída
José Maria Monteiro tornou-se celebre não só pelas perseguições que moveu aos liberais desta ilha, como também pela sua falta de dignidade e de escrúpulos, tendo chegado em certa ocasião a apoderar-se de parte do dinheiro destinado ao pagamento da tropa. Conta-se que nas visitas que fazia amiudadas vezes aos domicílios dos malhados, acompanhado de quadrilheiros, se apoderava de tudo quanto via de algum valor, distinguindo-se também nestas proezas dois filhos seus, a quem se atribuiu um grande roubo, praticado na quinta do Palheiro, pertencente a João de Carvalhal.
José Maria Monteiro, que era capitão de mar e guerra e exercia um cargo palatino junto de D. Miguel, saiu da Madeira em fins de Abril de 1830, jà depois de ter chegado o seu sucessor D. Álvaro da Costa de Sousa Macedo. Para a sua biografia, veja-se o que dissemos a pág. 113 do vol. I e 95 do vol. II, quando falámos do coronel José António de Azevedo Lemos e de Joaquim Melchior Gonçalves.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02-
José Maria Monteiro foi nomeado governador miguelista da Madeira.
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A fragata Príncipe Real chegou ao Funchal com o governador miguelista José Maria Monteiro, cujo desembarque o governador Travassos Valdez impediu.
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D. Miguel foi proclamado na Madeira, e José Maria Monteiro desembarcou no Funchal e tomou posse como governador miguelista.
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D. Álvaro da Costa de Sousa Macedo tomou posse como último governador e capitão-general da Madeira da lista, sucedendo a José Maria Monteiro, que deixou a ilha no fim de abril.
Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- América do Norte
United States/Canada. Destino de emigrantes que fugiam à perseguição.
Região apontada como origem de plantas mais tarde encontradas na Madeira, como Robinia pseudoacacia. Foi o principal destino das exportações de bordados madeirenses e dos emigrantes da Madeira, incluindo os que fugiam à perseguição. Vários padres madeirenses aí viveram ou angariaram fundos.
- Brasil
Brazil. Destino de emigrantes que fugiam à perseguição.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- Funchal
Local onde chegou, em junho de 1828, a fragata que transportava Monteiro.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Inglaterra
United Kingdom. Principal destino dos emigrantes que fugiam à perseguição miguelista.
A Inglaterra surge no Elucidário como o primeiro grande mercado dos bordados da Madeira e o principal importador dos artigos de vime madeirenses. Era também a origem da maior parte da manteiga consumida no Funchal no início do século XIX. Foi um dos principais refúgios dos emigrados liberais que fugiam à perseguição miguelista, e vários madeirenses estudaram ou exerceram funções diplomáticas no país.
- Lisboa
Portugal. Local para onde muitos funcionários demitidos foram enviados como presos.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Quinta do Palheiro
Funchal. Propriedade de João de Carvalhal onde foi atribuído aos filhos de Monteiro um grande roubo.
Quinta da família Carvalhal em São Gonçalo, no Funchal. O 1.º Conde de Carvalhal morreu ali e foi inicialmente sepultado na sua capela; o 2.º Conde deu ali festas célebres e recebeu D. Luís. A arquiduquesa Leopoldina jantou na quinta em 12 de setembro de 1817, D. Carlos jogou ali ténis em 1901 e foi ali introduzido pela primeira vez o tojo.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 08-
Primeiro governador miguelista da Madeira (1828–1830), lembrado pela perseguição aos liberais.
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Sucessor de Monteiro como governador miguelista da Madeira em 1830.
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Pretendente absolutista ao trono português em cuja corte Monteiro exerceu um cargo palaciano.
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Juiz que presidiu à alçada miguelista que prendeu e exilou muitos liberais madeirenses.
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Proprietário da Quinta do Palheiro, roubado, segundo o Elucidário, pelos filhos de Monteiro.
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Pessoa em cuja entrada são apresentados mais pormenores da biografia de Monteiro.
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Coronel em cuja entrada são apresentados mais pormenores da biografia de Monteiro.
- José Lúcio Travassos Valdez1787–1862
Governador liberal e capitão-general da Madeira que impediu Monteiro de desembarcar em junho de 1828.