Gonçalves (Joaquim Melchior)
Ardente liberal do Funchal, membro da primeira Câmara Constitucional, exilado em Cabo Verde em 1823 e novamente perseguido em 1828, que ficou conhecido por ter dado um murro no governador José Maria Monteiro.
Foi membro da primeira Câmara Constitucional do Funchal, capitão de ordenanças e sócio correspondente da Sociedade dos Amigos das Sciencias e Artes. Condenado pela alçada que veio à Madeira em 1823 a quatro anos de degredo para as ilhas de Cabo Verde, partiu para ali, voltando, porém à pátria em 1826. Constitucional exaltadíssimo, foi pronunciado pela alçada mandada á Madeira em 1828, mas não chegou desta vez a ser preso por se ter homiziado.
Conta-se que tendo Melchior Gonçalves saído em certa noite para visitar alguns amigos, se encontrou no Largo da Sé com um bando de quadrilheiros, dirigidos pelo Governador José Maria Monteiro. Reconhecendo que lhe era impossível fugir, tomou a resolução de se dirigir ao referido governador, e declarando-lhe que andava em sua busca para lhe fazer uma comunicação que só por ele devia ser ouvida, pediu-lhe que para poder falar livremente fizesse retirar os quadrilheiros para uma certa distancia.
Tendo o pedido sido satisfeito, dispunha-se o governador a ouvir a comunicação que Melchior Gonçalves tinha a fazer-lhe, quando este lhe atirou rapidamente alguns socos que o prostaram, fugindo em seguida, sem que os quadrilheiros, que logo correram em sua perseguição, conseguissem alcançá-lo.
Ignoramos as datas do nascimento e do falecimento de Francisco Melchior Gonçalves, mas diz-nos pessoa da sua família que era natural do Campanário e que emigrou antes de 1834 para o Brasil, onde morreu.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04-
Uma alçada régia absolutista chegou ao Funchal para investigar os acontecimentos constitucionais de 1821. Funcionou nos Paços do Concelho até ao início de novembro de 1823, dispersou os maçons e condenou muitos liberais ao degredo, entre eles Joaquim Melchior Gonçalves para Cabo Verde e outros para Angola.
-
Joaquim Melchior Gonçalves regressou do exílio.
-
A alçada de D. Miguel chegou à Madeira, pronunciou 216 liberais e maçons e mandou prender 101; alguns, como Nery e Agrela, foram enviados para Lisboa, enquanto outros fugiram ou se esconderam.
-
Joaquim Melchior Gonçalves emigrou para o Brasil antes de 1834.
Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Brasil
Brazil. País para onde emigrou e onde morreu.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- Cabo Verde
Cape Verde. Local do seu exílio, de 1823 a 1826.
Cabo Verde é um arquipélago e antiga colónia portuguesa que serviu de lugar de exílio e deportação para madeirenses, incluindo liberais na década de 1820, manifestantes contra os decretos relativos aos lacticínios e participantes nos motins de 1936. Lowe visitou-o em 1864 e 1866. Partilha com a Madeira uma espécie de planta com flor.
- Campanário
Ribeira Brava. A sua freguesia natal, segundo a família.
O Campanário é uma freguesia da Madeira que pertenceu ao concelho de Câmara de Lobos antes de integrar o da Ribeira Brava e é atravessada pela Ribeira do Campanário (ou Ribeira da Lapa). O Elucidário regista o seu porto, a sua banda, a sua capitania-mor, os dízimos pagos aos Jesuítas, uma antiga capela de São João fundada em 1728 e o vigário condenado pela Alçada de 1823. Foi também terra natal do bispo D. Manuel Joaquim Gonçalves de Andrade e do jurista Francisco Justino Gonçalves de Andrade.
- Funchal
Sede da Câmara Municipal de que fez parte.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Largo da Sé
Funchal. Largo onde se encontrou com a patrulha do governador.
Largo do Funchal onde se situava a casa de D. Guiomar, utilizada pela Câmara a partir de 1802 e, mais tarde, como cadeia. Ali foi construído, a partir de 1686, o hospital da Misericórdia; em 1822, foi lançada a primeira pedra de um monumento liberal, e ali foram queimados documentos constitucionais.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02-
Vereador liberal do Funchal e capitão de milícias, exilado em 1823, que mais tarde emigrou para o Brasil.
-
Governador em quem Melchior Gonçalves bateu e de quem escapou no Largo da Sé.