Macedo (D. Álvaro da Costa de Sousa) 1O governo e as lutas civis
Macedo (D. Álvaro da Costa de Sousa)
D. Álvaro da Costa de Sousa Macedo foi o último governador e capitão-general da Madeira durante o regime absolutista (1830–1834), conhecido pela sua imparcialidade durante as guerras civis, mas também por ter ordenado a demolição do Teatro Grande do Funchal.
1O governo e as lutas civis
Foi D. Álvaro da Costa de Sousa Macedo o último governador e capitão-general deste arquipélago, e o ultimo representante que o govêrno absoluto teve entre nós. Tomou posse do seu cargo a 1 de Abril de 1830 e saíu da Madeira a 13 de Julho de 1834.
D. Álvaro de Macedo não só não ofereceu a menor resistência à proclamação do governo constitucional nesta ilha, mas acatou inteiramente a nova ordem de cousas e teria até continuado, se o desejasse, a ser o governador da Madeira, segundo o convite que directamente lhe fizera o próprio monarca D. Pedro IV.
Embora se tivesse conservado á frente da governação desta província no período revolto das nossas lutas civis, em que odios e dissenções profundas dividiram a família madeirense em dois bandos irreconciliáveis, soube-se conduzir de modo a não acirrar essas divergências partidárias, mantendo-se, quanto lhe permitiam as circunstancias, numa atitude de notável imparcialidade, que lhe granjearam a estima e a consideração dos povos desta ilha.
2A demolição do Teatro Grande
Apesar do espírito de rectidão e justiça que o animava e das tendências conciliadoras que orientavam os actos da sua administração, houve um momento em que se deixou arrastar pelas despóticas imposições da politica partidária, e cedendo ás instancias dos seus correligionários e maus conselheiros, mandou demolir até os seus fundamentos o Teatro Grande do Funchal, que era a segunda casa de espectáculos do país e que tinha sido construído havia aproximadamente sessenta anos.
Este teatro, de que falaremos com mais largueza, levantava-se no largo que o povo ainda hoje chama da Fortaleza e era de capacidade e proporções superiores a uma pequena terra de província como o Funchal, tendo, além disso, no seu todo, um aspecto de grandeza e majestade que impressionava muito agradavelmente os visitantes. Em algumas noites de espectáculos, os partidários das ideias constitucionais aproveitavam a reunião do grande número de espectadores para expandirem os seus sentimentos liberais e fazerem propaganda dos princípios que professavam, estendendo-se essa propaganda do palco à plateia, apesar disso constituir um desacato às instituições.
A verdadeira causa da demolição foi essa. Um simples encerramento do teatro tinha-o salvo da sua completa destruição, mas D. Álvaro de Macedo, alegando que aquela casa de espectáculos ficava contígua a uma fortaleza, causando embaraços à defesa da cidade, e que igualmente afeava o local e a entrada para o palácio dos governadores, tomou a medida radical de o fazer demolir, não deixando pedra sobre pedra.
D. Álvaro de Macedo tinha sido agraciado com o título de Conde da Madeira. Morreu em França poucos anos depois de sair desta ilha. Era tio de D. Bernardo da Costa de Sousa Macedo, que, por duas vezes, serviu de governador civil dêste distrito.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- França
France. País onde Macedo morreu.
A França é um país onde vários madeirenses combateram e morreram na Primeira Guerra Mundial, entre eles Gabriel Rocha de Gouveia e João Paulo da Veiga Pestana. Foi também lugar de estudo, exílio e refúgio para madeirenses. De lá partiu a expedição que deu origem ao Saque dos Franceses, e era o destino pretendido pelos fugitivos da lenda de Machim.
- Funchal
Cidade onde se situava o teatro demolido.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Largo da Fortaleza
Funchal. Largo onde se situava o Teatro Grande.
O Largo da Fortaleza é um largo do Funchal, na Madeira, onde se erguia o Teatro Grande. Em 28 de janeiro de 1821, populares e tropas reuniram-se ali para exigir a adesão da Madeira ao movimento constitucional.
- Palácio de São Lourenço
Funchal. Palácio dos governadores cuja entrada, segundo se dizia, era desfigurada pelo teatro.
O Palácio de São Lourenço, palácio-fortaleza dos governadores no Funchal, foi palco de cerimónias de beija-mão, receções, bailes e jantares, bem como da exposição de 1861. O Elucidário regista ali um grande incêndio em 1699, um museu de história natural em 1850 e uma tentativa de entrada de soldados em 1829. O Teatro Grande ficava em frente.
- Teatro Grande do Funchal
Funchal. Teatro demolido por ordem de Macedo porque os liberais o utilizavam para propaganda.
O Teatro Grande era um teatro do Funchal onde atuou Oliveira Paixão. Foi demolido em 1832 por ordem de D. Álvaro da Costa de Sousa Macedo, porque os liberais o usavam para fazer propaganda.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 03-
Último governador e capitão-general da Madeira (1830–1834), que ordenou a demolição do Teatro Grande do Funchal.
-
Sobrinho de D. Álvaro, foi por duas vezes governador civil do distrito do Funchal.
-
Rei de Portugal que convidou pessoalmente Macedo a permanecer no cargo de governador após a proclamação constitucional.