Rego (Dr. António Balbino do) 1Carreira e a peste
Rego (Dr. António Balbino do)
Biografia do Dr. António Balbino do Rego (n. 1874), médico de Portugal Continental que dirigiu o Laboratório de Bacteriologia e Higiene do Funchal e o hospital de isolamento no Lazareto de Gonçalo Aires durante o surto de peste bubónica de 1905–1906. A hostilidade popular às suas rigorosas medidas de isolamento obrigou-o a deixar a Madeira.
1Carreira e a peste
Era natural do Continente da Republica e nasceu a 23 de Maio de 1874. No ano de 1900, concluiu o seu curso médico na Escola do Porto e em 1904 foi nomeado director do Laboratório de Bacteriologia e Higiene do Funchal, que há pouco tinha sido criado pela Junta Geral deste distrito.
Exercia o Dr. Balbino do Rego nesta cidade a clínica particular e desempenhava as suas funções oficiais de director do Laboratório de Bacteriologia, quando, em fins do ano de 1905, se manifestou entre nós uma doença de carácter suspeito, que obrigou as autoridades sanitárias a internar no Lazareto de Gonçalo Aires, transformado em hospital de isolamento, os indivíduos atacados dessa doença, sendo colocado na direcção desse hospital o director do Laboratório de Bacteriologia e Higiene. Os tristes e lamentaveis acontecimentos que então se seguiram vêm sumariamente narrados nos artigos Motins Populares (Volume II, páginas 404), Peste Bubónica (Volume III, páginas 77) e Poesia Popular (Volume III, páginas 87) e para lá remetemos os leitores, evitando deste modo escusadas e fastidiosas repetições.
O erro do Dr. Balbino do Rego foi querer manter uma incomunicabilidade e um isolamento absolutos dos doentes, medida esta necessária e que em tese se justificava plenamente, mas que, dadas as circunstancias ocorrentes e de modo particular a atitude censurável da imprensa e da política, convinha ter atenuado, sem prejuízo da saúde pública, como já tardiamente chegou a fazer-se. Não cometeu outra falta nem outro erro, devendo no entretanto dizer-se que o pessoal de enfermagem do hospital de isolamento deixou muito a desejar e que varios abusos e mesmo excessos se praticaram, mas que não são da responsabilidade do respectivo director. A historia daqueles acontecimentos ainda não está feita com inteira imparcialidade e por isso nos é grato deixar consignados nesta obra alguns elementos que possam servir para o estudo consciencioso deste período revolto da historia madeirense.
2Retirada e obras
O Dr. Balbino do Rego, que após os acontecimentos do Lazareto teve a casa apedrejada pelo povo, não obstante junto dela se achar postada uma força de marinha, viu-se forçado a refugiar-se na fortaleza de S. Lourenço, donde passou para bordo do D. Carlos, retirando finalmente para Lisboa no vapor da Companhia Insulana.
Mais tarde, voltou o Dr. Balbino do Rego á Madeira, por ordem do conselheiro João Franco, ministro do reino, afim de tomar novamente a direcção do Laboratório de Bacteriologia, mas as manifestações populares revestiram uma atitude tão grave, que violentaram as autoridades locais a impedir o desembarque daquele clínico, que seguiu para a capital no mesmo dia em que chegou ao nosso porto, passando directamente da embarcação que o trouxera de Lisboa para aquela que ali novamente o conduziu.
O Dr. Antonio Balbino do Rego, foi, por meio de concurso, nomeado médico e cirurgião dos hospitais civis de Lisboa e também director do Posto Antropometrico da Policia Cívica da mesma cidade (1921).
No ano de 1907, publicou o Dr. Balbino do Rego dois interessantes opúsculos intitulados Um ano Depois Assumptos Madeirenses e Na Ilha da Madeira Hospital Improvisado, que encerram valiosos elementos para o estudo da epidemia de peste bubonica nesta ilha.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
Nasceu António Balbino do Rego.
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António Balbino do Rego concluiu o curso de Medicina no Porto.
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Um decreto criou o Laboratório de Bacteriologia e Higiene no Funchal, cuja direção foi assumida por António Balbino do Rego.
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A peste bubónica surgiu no Funchal no final de 1905, sem assumir proporções epidémicas; os doentes foram isolados no lazareto de Gonçalo Aires, cujo rigoroso isolamento alimentou o receio e a agitação populares.
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Uma epidemia de peste na Madeira provocou intensa indignação pública; o Dr. António Balbino do Rego publicou dois opúsculos sobre o assunto.
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O Dr. António Balbino do Rego exerceu medicina nos hospitais civis de Lisboa e dirigiu o posto antropométrico da polícia.
Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Fortaleza de São Lourenço
Funchal. Local onde Rego se refugiou depois de a sua casa ter sido apedrejada.
A Fortaleza de São Lourenço, no Funchal, começou por ser um simples baluarte no tempo do quarto e do quinto capitães-donatários e ficou concluída até ao reinado de D. Sebastião; a entrada principal está voltada para o Largo da Restauração. Mais tarde, serviu de palácio e acolheu a estação meteorológica do Funchal. Nela foi hasteada a bandeira republicana nos dias 6 e 7 de outubro de 1910. O Elucidário regista ainda os seus emblemas heráldicos, uma inscrição de 1635, uma antiga Capela de São Lourenço e a destruição da estátua do santo em 1911.
- Funchal
Cidade onde funcionava o laboratório dirigido por Rego.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lazareto de Gonçalo Aires
Funchal. Lazareto transformado, sob a direção de Rego, em hospital de isolamento para doentes com peste.
O Lazareto de Gonçalo Aires é um edifício de quarentena na foz da Ribeira de Gonçalo Aires, cuja construção foi decretada em 1849. Foi convertido em hospital de isolamento para doentes com peste e saqueado por populares em 7 de janeiro de 1906. Mais tarde, serviu para internar deportados políticos, incluindo os de 1919, e residentes alemães durante a Grande Guerra.
- Lisboa
Portugal. Cidade para onde Rego se retirou e onde mais tarde trabalhou nos hospitais civis.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Porto
Portugal. Cidade onde Rego concluiu o curso de Medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto.
Cidade portuguesa onde começou a revolução liberal de 1820. O seu distrito é o único com maior densidade populacional do que o do Funchal. Vários madeirenses estudaram na sua escola médica ou na Academia Politécnica, e alguns viveram ou morreram na cidade. O editor de O Funchalense Liberal foi ali enforcado, e o Marítimo venceu ali o FC Porto em 1922.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02- António Balbino do Regon. 1874
Médico de Portugal Continental que dirigiu o laboratório de bacteriologia do Funchal e o hospital de isolamento para doentes com peste em 1905–1906.
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Ministro do Reino que ordenou o regresso de Rego à Madeira para reassumir a direção do laboratório.