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Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 2866 Epidemia Vol. III · pp. 134–135 2 min de leitura

Peste Bubónica

Descreve os casos de peste bubónica no Funchal em novembro de 1905 e a agitação popular que se seguiu, quando muitos acreditavam que a doença não existia e que os doentes internados no Lazareto estavam a ser assassinados. Refere que análises bacteriológicas realizadas em Lisboa confirmaram o diagnóstico feito pelo Dr. António Balbino do Rêgo.

Peste Bubónica

A peste de 1905 e os acontecimentos do Lazareto

Já a pag. 404 do vol. II, no artigo Motins populares, nos referimos aos casos de peste bubonica que se manifestaram ao Funchal no mês de Novembro de 1905 e aos factos anormais que se lhes seguiram, motivados pela convicção em que estava o povo, não só de que aquela molestia não existia na ilha, mas de que os doentes internados no Lazareto eram assassinados pelo dr. Balbino do Rêgo e o pessoal enfermeiro, com o consentimento das autoridades locais. Ao que então dissemos, só temos a acrescentar agora que os exames bacteriologicos realizados em Lisboa confirmaram plenamente a afirmativa do dr. António Balbino do Rêgo acêrca da existencia da peste bubonica na Madeira, só havendo a estranhar o misterio em que se procurou envolver tudo quanto se passava dentro do Lazareto, o que deu ensejo a que corressem na cidade e fora dela as noticias disparatadas e fantasiosas a que no citado artigo fizemos referencia. Se se fornecessem esclarecimentos completos e precisos a tôdas as pessoas que procuravam informações sôbre o estado dos doentes internados no estabelecimento, é de supor que se não tivessem dado os acontecimentos do dia 7 de Janeiro de 1906, dos quais no entretanto, não resultaram para a saúde publica os prejuízos que muitos vaticinavam.

Disse-se que o povo matara a peste, e, de facto, depois do referido dia 7 de Janeiro nenhum caso novo daquela molestia foi registado no Funchal, apesar dos doentes terem andado nos braços dos seus libertadores e de aos seus domicilios terem acudido muitas dezenas de pessoas para os verem e lhes falarem.

Foi a politica regeneradora, no intuito de preparar o terreno para uma futura vitoria eleitoral, quem mais concorreu para fazer crer ao povo que se praticavam no Lazareto os mais nefandos crimes, mas o que se apurou depois dos acontecimentos a que nos referimos, é que os doentes foram sempre ali bem tratados, tanto pelo director como pelo pessoal enfermeiro, queixando-se apenas do rigor dos isolamentos e do incomodo que lhes causavam os preceitos higienicos que eram forçados a cumprir.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 02
  1. A peste bubónica surgiu no Funchal no final de 1905, sem assumir proporções epidémicas; os doentes foram isolados no lazareto de Gonçalo Aires, cujo rigoroso isolamento alimentou o receio e a agitação populares.

  2. Durante o episódio de peste bubónica, uma revolta popular saqueou o lazareto do Funchal, em Gonçalo Aires, e libertou os seus doentes; os distúrbios obrigaram Balbino do Rego, diretor do laboratório de bacteriologia, a abandonar o cargo.

Lugar

Lugares mencionados · 03

No estrangeiro

Mapa: Madeira (3)
  1. Funchal

    Cidade onde ocorreram os casos de peste bubónica de 1905.

  2. Lazareto do Funchal

    Funchal. Hospital de isolamento onde foram internados os doentes com peste e de onde a multidão os libertou.

  3. Lisboa

    Portugal. Cidade onde os exames bacteriológicos confirmaram o diagnóstico de peste.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 01
  1. Médico e diretor do Lazareto do Funchal que diagnosticou a peste bubónica em 1905 e foi falsamente acusado pela população de assassinar doentes.

Na folha P

Vistos recentemente

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