Peste Bubónica
Descreve os casos de peste bubónica no Funchal em novembro de 1905 e a agitação popular que se seguiu, quando muitos acreditavam que a doença não existia e que os doentes internados no Lazareto estavam a ser assassinados. Refere que análises bacteriológicas realizadas em Lisboa confirmaram o diagnóstico feito pelo Dr. António Balbino do Rêgo.
A peste de 1905 e os acontecimentos do Lazareto
Já a pag. 404 do vol. II, no artigo Motins populares, nos referimos aos casos de peste bubonica que se manifestaram ao Funchal no mês de Novembro de 1905 e aos factos anormais que se lhes seguiram, motivados pela convicção em que estava o povo, não só de que aquela molestia não existia na ilha, mas de que os doentes internados no Lazareto eram assassinados pelo dr. Balbino do Rêgo e o pessoal enfermeiro, com o consentimento das autoridades locais. Ao que então dissemos, só temos a acrescentar agora que os exames bacteriologicos realizados em Lisboa confirmaram plenamente a afirmativa do dr. António Balbino do Rêgo acêrca da existencia da peste bubonica na Madeira, só havendo a estranhar o misterio em que se procurou envolver tudo quanto se passava dentro do Lazareto, o que deu ensejo a que corressem na cidade e fora dela as noticias disparatadas e fantasiosas a que no citado artigo fizemos referencia. Se se fornecessem esclarecimentos completos e precisos a tôdas as pessoas que procuravam informações sôbre o estado dos doentes internados no estabelecimento, é de supor que se não tivessem dado os acontecimentos do dia 7 de Janeiro de 1906, dos quais no entretanto, não resultaram para a saúde publica os prejuízos que muitos vaticinavam.
Disse-se que o povo matara a peste, e, de facto, depois do referido dia 7 de Janeiro nenhum caso novo daquela molestia foi registado no Funchal, apesar dos doentes terem andado nos braços dos seus libertadores e de aos seus domicilios terem acudido muitas dezenas de pessoas para os verem e lhes falarem.
Foi a politica regeneradora, no intuito de preparar o terreno para uma futura vitoria eleitoral, quem mais concorreu para fazer crer ao povo que se praticavam no Lazareto os mais nefandos crimes, mas o que se apurou depois dos acontecimentos a que nos referimos, é que os doentes foram sempre ali bem tratados, tanto pelo director como pelo pessoal enfermeiro, queixando-se apenas do rigor dos isolamentos e do incomodo que lhes causavam os preceitos higienicos que eram forçados a cumprir.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02-
A peste bubónica surgiu no Funchal no final de 1905, sem assumir proporções epidémicas; os doentes foram isolados no lazareto de Gonçalo Aires, cujo rigoroso isolamento alimentou o receio e a agitação populares.
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Durante o episódio de peste bubónica, uma revolta popular saqueou o lazareto do Funchal, em Gonçalo Aires, e libertou os seus doentes; os distúrbios obrigaram Balbino do Rego, diretor do laboratório de bacteriologia, a abandonar o cargo.
Lugar
Lugares mencionados · 03No estrangeiro
- Funchal
Cidade onde ocorreram os casos de peste bubónica de 1905.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lazareto do Funchal
Funchal. Hospital de isolamento onde foram internados os doentes com peste e de onde a multidão os libertou.
Hospital de isolamento onde foram internados doentes com peste e de onde a multidão os libertou.
- Lisboa
Portugal. Cidade onde os exames bacteriológicos confirmaram o diagnóstico de peste.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 01- António Balbino do Regon. 1874
Médico e diretor do Lazareto do Funchal que diagnosticou a peste bubónica em 1905 e foi falsamente acusado pela população de assassinar doentes.